Primeira carta

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Era só mais um dia, tudo começou como sempre.

        6 horas antes da primeira carta.
Escutar o som ensurdecedor do despertador gritando no meu ouvido antes sequer das 7:00 era irritante, mas um dia em um lugar onde ninguém é bom ou divertido, onde todos só se importam com eles mesmos ou suas notas, mas um dia na escola. Respirar e levantar, é isso que tenho que fazer. Eu já estou pronta e a caminho daquele inferno, daquele lugar péssimo e estranho.
    Aqui estou eu, no primeiro dia de aula esperando os 5 minutos que restam pra entrar, ficarei aliviada quando escutar o barulho baixo mas irritante do portão enferrujado abrindo. O tempo que restavam pra entrar se cessa e eu entro, sendo empurrada e com pessoas gritando querendo entrar. A minha sorte era que aquilo acaba rápido e já estávamos todos na sala de aula, uns conversando, outros apenas dormindo e eu observando a porta, à espera de algo novo acontecer nessa escola de merda.

       4 horas antes da primeira carta
Intervalo, o único momento que eu tinha pra me concentrar nos olhos castanhos tão profundos dele, o único momento que eu podia observa seus cachinhos castanhos se movimentando, o único momento que tinha paz. Ele, o motivo de eu estar aqui, de estar tentando. O motivo de eu estar aqui se chama Ethan. Ele estava longe, ao lado dos seus amigos que eu nunca reparei que existiam, ao lado deles havia uma garota, ela segura a mão do que é meu, do que deveria me pertencer, eles sorriem um para outro como um casal apaixonado. Porque ele está segurando a mão dela quando deveria ser eu ali? Porque ela estava tocando no que sempre seria meu, a garota com cabelo castanho escuro e com mechas loiras, tocava nele como se ele fosse dela, a garota dos olhos pretos tocava nele enquanto os garotos faziam piadas. Ela iria se arrepender, se arrepender de ter pisado no mesmo lugar que ele.
       2 horas antes da primeira carta
Faltavam 20 minutos pra irmos embora, meu coração acelerado pela raiva de visto ele ao lado dela, as mãos suado enquanto fico vidrada olhando os detalhes da parede, a voz irritante do professor ao fundo ficando cada vez mais baixa. Todos os sentimentos à flor da pele, tudo que eu queria era sair daquele lugar onde só existiam pessoas ruins e histórias ruins. 10 minutos era isso que faltava pra eu ir embora. 5 minutos, tudo passa cada vez mais rápido e meu coração acelera mais, existia tanto ódio no meu corpo que eu já não estava aguentando. O sinal bate e eu levanto o mais rápido que posso, minha pernas babam por estar tanto tempo sentada. 10 minutos, era isso que eu levava pra ir pra casa, eu só não contava que eles iam ao meu lado, ela ainda de mãos dadas a ele, ele com um sorriso que demonstrava o que sentia naquele momento, felicidade era aquilo que ele sentia perto dela, o quanto mais rápido eu andava, mais rápido parecia que ela andava, quando eu virava uma esquina, ela puxava ele pra virar junto. Eu já estava na porta da minha casa quando vejo eles atravessaram, a filha da puta morava enfrentem a minha casa, nunca tive reparado nela, como eu nunca reparei nela? "PORRA SOFIA QUAL É O  SEU PROBLEMA?" Meu cérebro gritava comigo, como eu nunca reparei nela? Talvez ela seja tão banal e a existência dela deve ser tão inútil que não havia percebido. Só agora percebo que fiquei 5 minutos observando os dois. Eu entro e subo as escadas, já era de se esperar o merda do meu pai não estar em casa, o que ele deve estar fazendo? Cheirando igual um drogado de merda? Ou roubando um mercadinho de merda?
1 hora antes da primeira carta
Eu estava calma, observando o por do sol, o vento batia no meu rosto fazendo meus cabelos flutuarem, o sol esquentava minha pele tão delicadamente, eu só não sabia que aquela calma duraria pouco.
30 minutos antes da primeira carta
Eles estavam embaixo da minha janela, deitados na grama como um jovem casal apaixonado, eu vi ela tocando no rosto angelical dele, nos cachinhos perfeitos dele, eu vi ela tocando nele. Naquele momento eu parei para escutar o que estavam falando
"Eu prometo ver todas as estrelas com você". Ela dizia com aquela voz horrível e aguda, mas ela continua
"se eu pudesse, daria todas as flores do mundo para você." Ela sabia, sabia que ele amavam flores.
"Eu prometo viver eternamente ao seu lado". Isso foi a gota d"água pra mim, o ódio já fazia eu soar mais e mais, a calmaria havia passado, ela causava coisas horríveis em mim e eu prometo, prometo acabar com essa vadia.
20 minutos antes da primeira carta
Ele já havia indo embora, eu ainda tinha ódio no meu corpo, ainda tinha a ideia de acabar com ela, até que meu cérebro da um estalo. A ideia seria escrever uma carta, não uma carta inofensiva, uma carta mostrando com quem ela está mexendo e como ela irá acabar se chegar perto dele novamente.
15 minutos antes da primeira carta
A carta já estava escrita, ela demonstrava tudo o que sentia, tudo que ela sentiria, a fúria que ela provaria de mim. Eu pretendia enviar a carta? Não, resposta é não, mas eu vi os stories deles juntos, ele segurando a cintura dela e ela se aproveitando daquele momento, aquele momento onde deveria ser eu aproveitando. Ela vai receber a carta, mesmo que isso acabe com minha vida.
5 minutos antes da primeira carta
Eu ouvi o porta dela sendo batida e percebi que ela havia saído de casa, eu pego a carta em minhas mãos e a leio

5 minutos antes da primeira carta Eu ouvi o porta dela sendo batida e percebi que ela havia saído de casa, eu pego a carta em minhas mãos e a leio

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Estava pronto, ela se afastaria dele e ele seria meu novamente. Me certifico que não há nenhuma digital ou qualquer coisa que me entregue. Agora era só descer as escadas e entregar a carta a maldita garota. Envelopei a carta e desci, desci com um sorriso no rosto, não sorriso comum, um sorriso sádico, pronta para ver ela se afastando do que é meu por direito. Eu jogo a carta por baixo da porta e claro, eu estava com luvas.
Primeira carta entregue.
Ela vai se afastar do que é meu, viva ou morta.

Naabot mo na ang dulo ng mga na-publish na parte.

⏰ Huling na-update: Sep 19, 2021 ⏰

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