Capítulo 1- Uma velha lembrança.

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Era dia vinte e nove de novembro do ano de dois mil e treze, o aeroporto estava cheio, pessoas corriam para todos os lados. Eu tentava não me perder dos meus amigos, era baixinha mesmo tendo 11 anos. Corria nas pontas dos pés para acompanhá-los e avistar o moletom azul de Tayrone, que se destacava na multidão. Carrinhos carregados de bagagens passavam rapidamente ao meu lado, quase me atropelando. Eu desviava, equilibrando para não cair. A área de embarque estava próxima, e eu tinha consciência de que o nosso tempo juntos era pouco. Despedir é uma coisa difícil para nós, principalmente para Peter, um garoto muito sensível.

Chegamos ao portão. A partir dali, eu não seguiria com eles para Portland. Peter e Tayrone estavam ansiosos, mas tristes. Eram do meu tamanho. Não sei como estão hoje. Será que eles dobraram de tamanho? Mal posso esperar para ver quando eles voltarem. Se é que vão voltar...

Parados à minha frente, os dois olhavam para mim, tentando não chorar. Peter não se segurou e tirou seus óculos para limpar os olhos esverdeados.

— Não tem motivo pra ficarmos tristes, vamos continuar mantendo contato. Além disso, tô feliz por vocês. — Falei colocando minha mão no ombro de Peter. — Daqui a algumas horas vocês vão tá no país que nasceram.

— Eu sei Lia, mas prefiro o Brasil. — O garoto abriu um sorriso colocando os óculos de volta.

— A Lia tem razão! Não vamos perder contato. Podemos ligar e trocar mensagens. — Disse Tayrone que tentou aliviar a situação. — Vamos fazer de tudo pra te visitar... Quer dizer, encher o saco do nosso pai deixar a gente te visitar.

— O tempo, crianças! — O Chefe, pai dos meninos, chamou a nossa atenção. Nem guardo o nome dele. Nós o chamamos somente de "Chefe" porque ele controlava os estudos dos meninos como um chefe de empresa. Já hoje, acho que eles têm maturidade suficiente para estudarem sozinhos.

Meu coração batia mais rápido, restavam poucos segundos. Eu poderia ter falado muita coisa antes deles irem embora, mas uma delas era mais importante:

— Não esqueçam de me mandar as revistas pelo correio, ok? — As revistas "The Unknown" são de super importância até hoje. Elas, além de serem meu lazer, me completam com histórias e mistérios inexplicáveis sobre o mundo. Algo sem explicação pode completar um vazio.

— Claro! — Afirmou Tayrone, me abraçando forte. Peter completa, formando um abraço triplo.

— Vou sentir muita saudade, vou ficar sozinha por um bom tempo... — lamentei para que só eles escutassem. — Continuaremos escrevendo para o blog, ok? — Mal havia acabado de falar quando o pai deles, apressado, os forçou a seguir em frente.

E foram embora. Foi tudo tão rápido...

Estava sozinha no Brasil. Tudo seria diferente dali em diante.

— Tchaaaau! — Berrei dando o sinal de adeus. Eles devolveram com o mesmo.

É uma memória que marcou minha vida. A última vez que nos vimos de verdade antes deles se mudarem de vez. Sinto saudade dos carinhos e brincadeiras. Naquela época eu, que era maior que eles, conseguia ter forças para brincar de lutinhas e ganhar deles, mas hoje eles devem estar crescidos. Caso queiram uma revanche terei que treinar um bocado.

Grudei meu rosto na parede de vidro gelado do aeroporto, embaçando-o com a minha respiração, de modo que podia ver melhor o pássaro de metal gigante levantando o voo.

Aqueles gênios... esses meninos, têm futuro. Não é à toa que estão morando em outro país e fazendo cursos extremamente pesados. Estão se destacando em áreas extremamente complicadas da ciência, são garotos prodígios de verdade.

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