Capítulo 1

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Dalton

Minha mochila pareceu ficar mais pesada assim que deu meu primeiro passo para dentro do vagão do metrô. Meu cérebro parecia estar em um estado de torpor, seja pela decisão que estou fazendo sem levar em conta muitas variantes ou pelo sono acumulado.

Tive que me segurar na barra de apoio quando o vagão começou a se mover, pelas janelas o céu escuro fazia a paisagem parecer a mesma a todo o momento e o reflexo do garoto, que sou eu, parecia uma assombração. Passei os olhos pelo lugar praticamente vazio, tendo somente um homem sentado a minha esquerda olhando para o chão e uma garota mais ao fundo olhando pela janela.

Mas não qualquer garota, porque eu reconheceria aquele cabelo cacheado de qualquer lugar apesar de não sermos próximos. Crystal estava compenetrada em encarar a paisagem do que qualquer outra coisa.

Avaliei minhas opções: sentar perto desse homem que não conheço; sentar no outro canto do vagão ou me sentar do lado de minha amiga de infância.

A terceira opção não me parecia muito ruim.

Como se tivesse passando pelo campo de futbol, segui em passos firmes em sua direção e deslizei pelo banco até chegar ao seu lado. Ela levou um breve susto e depois ficou surpresa.

— Dalton?

— Oi, Crystal.

— O que você tá fazendo aqui? - Perguntou com a cara franzida em dúvida

Tive que rir pela sua expressão e seu tom.

— Indo até Lincoln, e você?

— Eu também. É que, nossa, por que você está aqui? À essa hora?

Encarei os olhos castanho curiosos e hesitei. Como responder algo que nem você mesmo sabe a resposta? Conforme minha boca abria e fechava em busca de uma desculpa que não somente convencesse ela, mas também a mim, vi seus olhos se suavizarem.

— Não precisa me contar se não quiser. - Deu um sorriso cúmplice. - Enfim, seus pais estão bem? Vocês não foram no jantar de sexta...

Crystal é minha vizinha desde sempre, e conheço essa pele achocolatada e cabelo cacheado desde que pulei a cerca que separava nossas casas e dei de cara com ela brincando no quintal. Falei sobre ela no momento em que coloquei meus pés em casa e, imediatamente, minha mãe cruzou a porta e caminhou até o vizinho para se apresentar. O resto é uma história de série de Tv: nossos pais ficaram amigos e começaram a fazer tudo juntos, então eu e ela ficamos inseparáveis; pelo menos até a sexta série, por algum motivo paramos de sair tanto quanto antes, arrumamos novos amigos e não éramos tão próximos quanto antes.

Não nos ignorávamos na escola, sempre acenávamos um para o outro quando nós esbarrávamos no corredor e continuamos nos encontrando nos jantares da nossa família, só não era a mesma coisa como antes.

Às vezes me pegava sentindo falta, mas ela sempre parecia ocupada com algo como eu sempre estava ocupado com os jogos, então deixei a vida seguir seu caminho.

E esse caminho me trouxe até aqui. A esse vagão, com Crystal e essa pergunta a qual não queria pensar.

— Estão, eles só tiveram que trabalhar até tarde. - Menti.

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