INTRODUÇÃO

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Há dois anos a Terra foi invadida por seres cruéis. Nunca poderíamos imaginar que um dia isso pudesse acontecer, mas de repente, aconteceu. Eles nos destruíram, mataram bilhões de pessoas. Entre elas, minha família. Houve poucos sobreviventes. Eu, Aurora Gulbrandsen, sobrevivi e, cá estou eu, em um planeta que nunca pensei que habitaria.

Memphis é um planeta parecido com a Terra, mas há algumas diferenças consideráveis. O dia dura 36 horas, sendo mais que a metade, de dia. As noites são curtas. O céu é bem mais estrelado, até por que não há poluição alguma. Conseguimos ver galáxias e outros planetas bem facilmente daqui. Onde estamos, há uma praia maravilhosa, que lembra muito do lugar onde nasci e cresci. A temperatura é parecida com a dos Estados Unidos, por isso o capitão nomeou o planeta de Memphis, para se lembrar da cidade em que ele nasceu, nos Estados Unidos da América.

É o meu primeiro dia aqui. Ainda não exploramos muito bem o lugar. Pego uma caneta e um caderno que trouxe comigo, de recordação da Terra - minha antiga casa. Nunca vou me esquecer de lá, mas não podíamos continuar morando lá. Não conseguiríamos sobreviver. O único lugar que está a salvo lá, é a bases Nellis nos Estados Unidos, onde meu irmão e minha irmã estão. Onde estão todos os outros trezentos e cinquenta sobreviventes. Onde estão vários militares, cientistas, médicos, astrofísicos, físicos e matemáticos. Nós somos apenas ratos de laboratório, arriscando nossas vidas para descobrir se Memphis é realmente um planeta habitável. Jamais achei que minha vida mudaria assim, mas mudou. Não gosto dessa mudança, acho que ninguém gostou. Mas às vezes, fico feliz em fazer algo nobre, como se arriscar para salvar outras vidas. aquelas que ainda estão na Terra. Eu precisei vir, porque preciso ter certeza que meus irmãos estarão a salvo se vierem para cá.

Antes de tudo isso acontecer, minha vida costumava ser muito tranquila. Eu morava com meus pais e meus irmãos em uma pequena cidade do Havaí. Hoje, este lugar está destruído.

Sinto saudades de lá, das pessoas que conheci, sinto saudades dos meus pais. Choro quase todas as noites por eles, e por tudo o que aconteceu. Presenciei cosias terríveis, que jamais esquecerei. Tento ser forte, mas não consigo. Mas, sinto-me eternamente grata por ter sobrevivido e poder cuidar de Kaiki e Kaleo. Quero que eles tenham um lugar para morar, para recomeçar. Quero que eles cresçam da mesma forma que eu cresci. Tudo o que eu tenho em minha memória agora, são lembranças. Lembro-me das praias cristalinas em que eu surfava. Lembro-me dos hibiscos floridos, minhas flores favoritas. Elas estavam em todos os lugares, próximas de árvores, na beira da calçada que nos levava à praia, até no jardim de casa. Lembro dos meus pais, Adam e Lorelai. Das reuniões em família todos os domingos. Lembro dos meus amigos, lembro de Dominique e Kalia, meus melhores amigos.

Quando tudo aconteceu, eu tinha dezessete anos e estava no último ano do colegial. Ia me formar e finalmente cursar uma faculdade. Porém, este dia nunca chegou. Lembro-me de me deitar um dia antes da invasão, eu estava feliz e realizada, aquele dia demorei um monte para conseguir dormir. Quando acordei, não imaginava o que estava prestes a acontecer. Três horas depois, todo o caos se iniciou.

Parei de escrever. Estava cansada demais. Resolvi dormir. Tive mais um dos pesadelos em que tenho constantemente. Eu vi um deles, bem na minha frente. Ele me encarava, com olhos frios, sem nenhuma compaixão. Esse olhar machucou, me fez chorar. Acordei assustada. Não era só um pesadelo. Tudo tinha sido real. 

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⏰ Última atualização: Aug 30, 2022 ⏰

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