capítulo um

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"Todos passamos por um período de Traviamento (...) quando tomamos uma direção diferente na vida, uma outra via. (...) alguns, por medo de fazer qualquer desvio, acabam levando uma vida errada até morrer." — André Aciman

PARTE UM

2011

— Vamos lá, Hazzy — Niall Horan passou um braço pelos ombros do amigo, sorrindo enquanto caminhavam na direção do pequeno bar. Cada vez mais próximos. — Eu te prometo que não vai se arrepender.

Harry Styles suspirou, afrouxando o cachecol envolta do seu pescoço. De repente aquela noite fria de Dezembro ficou um pouco mais quente, quando Harry avistou o bar com luzes neons verdes e azuis apontando a entrada.

— Cara, minha mãe vai descobrir — Harry choramingou. — Eu só tenho dezessete anos, Niall, eu não posso entrar em lugares assim.

Niall parou de andar e parou na frente do amigo com um olhar tedioso enquanto esfregava suas mãos tentando se aquecer.

— Exatamente. Você tem dezessete anos, não dez. E não é como se a gente estivesse indo pra um puteiro ou algo assim. É só um bar. Relaxa, cara.

Harry começou a falar algo, levantando a cabeça, e então soltou um breve suspiro. Olhou nervosamente para seu vizinho, e suspirou novamente, voltando a andar.

— Tudo bem. Vamos.

— Como você conhece esse lugar? — Harry perguntou para Niall quando entraram no bar.

Niall Horan olhou em volta, como se procurassem alguém. Seu olhar parou em uma mesa onde dois meninos, aparentando ter apaixonadamente a mesma idade de Styles e seu amigo estavam. Horan sorriu e puxou Harry em direção a eles.

— Mês passado, na festa de aniversário da Cassie, eu conheci esses caras — Niall explicou — e um deles, o Liam, toca aqui toda sexta à noite. O pai dele é o dono do lugar.

Harry assentiu e corou quando chegaram na mesa e os dois meninos olharam para eles.

— Nialler! — Um deles sorriu e se levantou. Ele tinha aproximadamente a mesma altura de Harry, seus cabelos eram castanhos assim como os seus olhos, e ele tinha um dos sorrisos mais encantadores que Harry já havia visto. — Achei que não iria vir mais.

— Claro que eu vim — Niall cumprimentou os dois. — O Harry aqui me atrasou um pouco. Zayn, Louis, esse é o Harry, meu amigo que eu andei falando. Harry, esses são Zayn Malik, — apontou para o menino moreno — e Louis Tomlinson — apontou para o outro que continuava sentado.

Harry sorriu para Zayn e olhou para Louis. Seus olhos eram azuis e seu cabelo castanho liso, a franja caindo nos olhos. O menino sorriu para ele e Harry suspirou, sorrindo pequeno de volta. Styles se sentou do lado de Louis, enquanto se perguntava o que estava fazendo lá. Harry odiava conversar com outras pessoas além de Niall e sua mãe. Odiava sair de casa para ir em lugares lotados de gente. Mas era uma noite de sexta-feira, e sua mãe havia praticamente o expulsado de casa quando Horan apareceu na porta da casa deles convidando Harry para sair.

O menino queria apenas sair dali e chorar enquanto escolhia algo para assistir na Netflix.

As luzes espalhadas pelo restaurante ficaram mais fracas e o palco se tornou mais visível. Um menino jovem e bonito carregando um violão subiu no palco, sorrindo enquanto algumas poucas pessoas o aplaudiam levemente.

— Ei, cara, — Harry escutou alguém o chamar ao seu lado, tocando levemente seu braço. Ele olhou para o lado e viu que era Louis com um olhar preocupado em cima dele. — Você tá legal? Parece que vai vomitar.

Styles demorou um pouco para raciocinar. A voz suave e preocupada de Louis. Seus dedos levemente pousados em cima de seu braço por cima da lã pesada. Seu olhar confuso. Sua cabeça levemente inclinada na direção dele. A respiração pesada e as bochechas coradas de Harry.

— Eu... eu estou bem, sim — Harry respondeu olhando de volta, tentando sorrir.

— Você tá meio pálido — Louis levantou sua cabeça e se encostou em sua cadeira, sorrindo novamente. — Tem certeza? Você não está passando mal, né? Se você não quiser estar aqui, tudo bem. Eu conheço o Niall há pouco tempo, mas sei como ele pode ser persistente.

Harry abriu um pequeno sorriso, ainda encarando Louis, um pouco desacreditado nas palavras do menino. Durante toda a sua vida, Harry foi assim. Ele havia se acostumado a falar baixo, encolher os ombros e não olhar diretamente nos olhos de ninguém, e ninguém o questionava, apenas o ignoravam. Lugares públicos o davam ansiedade, Harry achava cansativo ter que medir todas a suas palavras com medo do que as pessoas achariam, e ninguém nunca havia falado tudo que ele precisava ouvir. Que estava tudo bem ele não querer estar ali. 

— É só que — Harry começou a explicar, finalmente desviando seu olhar para o palco, onde o menino começava a dedilhar alguns acordes no violão. — Eu prefiro ficar em casa. Mas está tudo bem, sério. Eu gosto de escutar música ao vivo. Obrigado por se preocupar, cara.

Louis desencostou de Harry, sorrindo e assentindo, e voltou seu olhar para o seu amigo no palco, murmurando um tudo bem, então baixinho.

Liam, o menino bonito no palco, havia começado a tocar Teenage Dream no violão. Harry sentiu vontade de soltar uma risadinha. Secretamente, essa havia sido a sua música mais tocada em 2010. 

— O Liam é muito bom — Louis disse, olhando rapidamente para Harry, e então para o palco. — Ele quer ser cantor profissional, mas às vezes ele acha que ele só canta aqui porque o bar é do pai dele. Eu não concordo. Adoro ver ele cantando, e eu acho que as pessoas também.

Harry assentiu. Ele não sabia se prestava atenção em Liam no palco cantando Katy Perry, ou na voz de Louis o chamando para uma conversa, que era tão bonita e melódica quanto.

— É... — Harry começou a falar baixo, porém se contendo. Ele não deveria falar, deveria? Louis provavelmente iria rir dele, e o ignorar. Mas Louis queria o escutar. Louis se virou para Harry e sorriu, erguendo as sobrancelhas.

— É?

Harry riu levemente e suspirou. Louis queria o escutar. Então ele iria falar. Não era tão difícil assim.

— A voz de Liam é tão aveludada e terna, combinada com o violão, que eu jamais imaginaria que ele fosse abrir a boca pra cantar uma versão acústica de Katy Perry. Mas eu gosto... é.

Louis riu genuinamente, olhando encantado para Harry.

— Você é músico? — Louis perguntou, interessado. — Você parece entender sobre o assunto.

— Eu... na verdade, não. — Harry respondeu, com o olhar concentrado em Liam. Mas ele nem sequer o escutava direito. — A minha mãe é professora de música na escola do ensino médio aqui da cidade. Eu acho que ela me influenciou um pouco.

— Mas, então, você não aprendeu nada com ela?

Harry ponderou um pouco antes de responder. Na verdade, o menino era apaixonado por todas as artes que o corpo humano podia produzir, desde sonetos até balé. O que o incomodava era se ele deveria falar sobre isso com alguém que não fosse sua mãe. Ela já sofria bullying o suficiente na escola por ser o filho da professora de música. Por fim, desabafou com Louis:

— Eu amo escrever músicas, e eu toco alguns instrumentos, algumas pessoas dizem que eu canto muito bem, também. Mas é só por diversão.

— Bem, você poderia me mostrar qualquer dia desses — Louis o convidou, sorrindo para o menino. — Talvez eu possa ir até sua casa, e você talvez me mostre algumas de suas músicas.

Louis não sabia o que tinha na cabeça ao falar isso com o garoto. Ele o estava chamando para sair? Nem Louis sabia. É só que Harry parecia uma pessoa boa e legal de se estar perto. Louis queria experimentar um pouco disso.

E Harry não sabia o que tinha na cabeça ao aceitar. Harry nem sequer gostava de sair com as pessoas. Deus sabe como ele e Niall, uma pessoa tão extrovertida e popular, se tornaram amigos. É só que tinha algo sobre Louis, que Harry pensou que aquilo poderia funcionar.

Ele nem fazia ideia.

Time FliesWhere stories live. Discover now