As chamas crepitavam e estalavam na lareira soltando fagulhas nas pedras marcadas com o tempo. O calor era espalhado pela pequena sala da família Lupi. Não havia muitos móveis além do sofá grande marrom e as duas poltronas que rangiam quando alguém se escorava nelas. Na sala podia-se ver uma criança brincando com cavalinhos de madeira e rindo. O som distante de canções vinha de outro cômodo, tirando isso o silencio era o que preenchia o ar da sala. Havia três irmãos na sala, cada um diferente um do outro, porém com traços parecidos que denunciavam o parentesco.
Dante tinha os cabelos pretos desengranhados e rebeldes da família. Vestia uma blusa de frio de tricô dos tons cinza e branca, que o deixava aquecido. As vezes o menino fazia sons com a boca imitando algum animal. A criança conseguia estar feliz só por estar brincando, seus problemas pareciam se resumir se o cavalo de brinquedo iria ganhar a corrida ou não.
Inan por outro lado se encontrava no outro lado da sala inquieto, sentado curvado na poltrona com a mão na boca. Roía as unhas e batia o pé em um ritmo frenético. Ele volte e meia olhava pela janela. Caia uma nevasca característica do tempo, que todos estavam acostumados.
"Sempre é neve". Suas órbitas reviraram e ele voltou a roer as unhas.
Seu irmão estava demorando, e parecia que só ele se importava. Muitas coisas poderiam acontecer no caminho.
"Principalmente para um cabeça-oca como Hashi.".
Voltou o olhar a Dante, a criança que estava brincando no chão. E pensou horrizado na possibilidade do garoto se tornar igual Hashi, os dois eram muito próximos e Inan não aguentaria lidar com um mini Hashi. Um Hashi irmão mais velho já era o bastante para mil vidas.
Decidiu mirar seu olhar para o outro lado da sala onde uma menina com uma camisola branca que contrastavam com a tonalidade de sua pele, e os olhos castanhos escuros de seu rosto, parecia imersa em um livro.
Ele lançou um olhar de raiva para irmã que não tirava o olhar do livro de capa verde escura. Sua irmã havia puxado os traços da mãe deles, os cabelos eram cachos com uma mistura de preto e castanho claro. Ela era magra, e uma mão mais alta que Inan. O que o irritava, pois ele era um ano mais velho que ela.
Bufou e tirou o cabelo preto comprido da sua visão. Uma tesoura era tudo que ele queria para se livrar do corte, mas segundo as tradições que ele nem sabia porque eles seguiam pois não adoravam a Deus nenhum, ele precisava continuar com o cabelo sem corte até os seus doze, algo que iria vir só depois de quatro luas.
"Maldito seja o infeliz que criou essa baboseira!".
Bufou novamente.
- Será que dá para parar de ficar batendo o pé? - Lilian disse colocando o livro no colo, mas tendo o cuidado marcando com o dedo a página que havia parado. - Sabe eu estou tentando ler! - Ergueu o livro com o título em dourado "O conde e a Condensa" e apontou para ele, erguendo as sobrancelhas para dar ênfase.
"Que espécie de romance brega poderia ser esse?". Enrugou o nariz.
- Seu QI vai baixar mana, se você continuar com esses romances idiotas.
- Pelo menos eu sei ler, você não sabia pronunciar escaravelho. E acredito que não saiba até hoje. - Debochou.
Ele ajeitou sua postura na poltrona e a olhou com os arregalados e os dentes cerrados.
- É claro que eu sei. - falou erguendo a cabeça e olhando de canto.
- Aé? - um sorriso debochado se formou nos lábios da garota. - Fale agora então.
Inan deu um olhar de canto.
- Eu não preciso provar nada para você! - falou o mais friamente possível.
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O Complexo de Dante
FantasyDante é um garoto que sempre sonhou alto em conhecer novos horizontes além de sua aldeia Pico da Neve. Em uma forma improvisada de sair de lá ele convence os elementares (magos da elite que controlam magia elementar) a levarem ele para ser treinado...
