- Tire os cotovelos da mesa, tenha modos...
A figura loira de Madame Benedita ficou sombria, lembrando a de um psicopata.
- ... Sou a professora de etiqueta de vocês, meninas. Irão aprender a comer, ler, sentar e se comportar com classe, eu a tornarei damas da alta sociedade.
Odeio as aulas de etiqueta, ainda mais com uma professora tão rígida como Madame B, queria mesmo é estar lá fora, no pátio colhendo maçãs. Minha fruta favorita.
- Senhorita - ela se inclinou e me olhou nos olhos- Qual a sua idade?
- 11
- 11 o que?
Estava nervosa, então prendi o ar em meus pulmões.
- 11 anos
- E por que se comporta como uma idiota? Volte a atenção para o que eu digo e pare de se distrair.
- Desculpe, Madame Benedita.
Ela continuou o discurso:
- Daqui a pouco vocês se tornarão mulheres, senhoras dos seus lares. Como servirão seus maridos assim? será que saberiam se comportar?
Alguém levantou a mão, deixando o clima naquela sala ainda mais tenso. Era Livia, irmã gêmea de Lana:
- Seja um pouco mais racional, Madame. Ainda somos crianças. A senhora sequer perguntou se queremos casar um dia.
A professora ficou vermelha e o seu rosto enrijeceu mais ainda. Lívia mantinha-se determinada sobre o que falou, não apresentava remorso algum e nem deveria. Madame B. caminhou em silêncio até a porta da sala, que se manteve em silêncio. Na porta havia dois ganchos, um com cinto e outro com a palmatória. Ela pegou a palmatória e caminhou tranquilamente até Livia:
- Estenda sua mão - ela falou bruscamente.
A garota não esboçava reação.
- Não
- Estenda sua mão!
Ela estendeu a mão e levou palmadas até a mão ficar vermelha, mas não derramou uma lagrima e nem parecia abalada. Madame Benedita estava irada com Livia, então olhou em seus olhos e falou:
- Pare de alienar suas colegas com essas ideias tolas. Sua rebeldia não te levará a lugar nenhum.
O sinal tocou e fomos liberadas para o recreio. Ouvi fuxicos por todo canto. As gêmeas se abraçaram, mais unidas do que nunca:
- oi, queria saber se você tá bem - perguntei a Livia.
- estou sim - ela respondeu tranquilamente.
Lana sorriu:
- Você é a Flora Banks, filha do prefeito Will?
- Sim, é um prazer conhece- las.
Lana: Somos filhas da Marie, a governanta da sua casa
- Sério? Nunca vi vocês por lá.
Livia: Mamãe não deixa irmos pra sua casa por que seu pai é um homem ocupado. Não queremos atrapalhar.
- Vou falar pra Marie levar vocês pra brincarem comigo
Lana: Que legal!
Abracei Livia:
- Foi um ato de muita coragem o que fez. Admiro muito quem pensa assim.
Livia: Quer dizer que concorda com a gente?
- Claro. Aliás, odeio as aulas da Madame Benedita. Queria mesmo era estar em casa brincando.
O sinal tocou e nós retornamos a sala. A professora estava mais calma, porém seguia com o tom de voz rígido:
- Sentem-se eretas, abram seus ombros, pernas cruzadas e não olhem nos olhos das pessoas a menos que peçam pra faze- lo.
Ela passava nas fileiras observando como estavamos nos saindo. Ela passou o chicote branco nos meus ombros:
- Ombros pra trás.
Madame assentiu quando obedeci e continuou:
- Ao tocar em algo, sejam delicadas, como se fosse um cristal, não façam barulho ao respirar, nem sons nasais. Não batam os pés, estalem os dedos ou façam barulhos com os sapatos. Não batam portas e nem usem de força excessiva pra realizar tarefas domésticas.
No final da aula eu estava toda dolorida por conta dos futucões da Madame Benedita.
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O verão dos Banks
Teen FictionFlora Banks é uma menina de 11 anos, filha do prefeito Will e Lisa Banks. moça de familia rica, ela desde muito nova percebe a grande opressão que as mulheres sofrem e protesta contra isso juntamente com as gêmeas Livia e Lana. Nesse livro é contad...
