Capítulo 1

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Eu estava ali mais uma vez, sentado naquela cafeteria do estilo mais parisiense possível fazendo o perfil discreto como deveria. Não tem muito mistério em seguir alguém sem ser percebido. A parte difícil é a de se tornar o próprio mistério e só. Mas depois de quase sete anos executando serviço de assassino você aprende algumas coisas. Passar despercebido é uma delas, com certeza.

A diferença é que Byun Baekhyun também era do ofício. Ele sabia como não ser notado. Era do tipo que usava roupas pretas ou bege, sem acessórios e eu cheguei a desconfiar que também não usava perfume. Mas descobri que tinha feito a compra de um pela internet e não era nada menos do que um Prada. Para um agente discreto achei isso bem extravagante.

Também descobri que ele havia feito um total de três serviços ao longo desses dois meses. Chegava a ser engraçado pensar que eu já havia desperdiçado tanto tempo com apenas uma execução. Quanto menor o tempo de perseguição, melhor o resultado. A agência não me cobrava essa parte porque, acredito eu, seria desnecessário. Meu próprio chefe já havia dito que quando fosse urgente ele diria e, no entanto, esse não parecia ser. Não ainda.

Mas se tornou urgente para mim.

Eu já sabia o nome dos parentes, Jung o pai e Hyuna a mãe. Das notas do ensino médio, boas em exatas e ruins em humanas, o inverso de mim - sempre achei que seria mais fácil aprender uma língua alienígena do que entender o valor da porra do X -, que tinha uma ex namorada que também era ex vizinha chamada Hye, além de ter começado a fazer academia há um ano atrás e abandonado no mês seguinte. Assim como eu, também viajava muito e isso se dava por sua profissão.

Comecei a me sentir mal por ainda não ter conseguido "a oportunidade". E essa agonia começou a me consumir por dentro. Igual o lixo que começa a feder dentro de casa e você sabe que precisa colocar pra fora antes que pegue bicho. Eu precisava envenenar, atirar ou decepar a cabeça de Byun Baekhyun e me livrar de vez desse suspiro pesado que eu dava logo pela manhã, quando abria os olhos e o primeiro pensamento era de que eu ainda não tinha feito isso.

Entrei no bar do hotel, ouvindo a música instrumental soar lenta e distante. O bartender que secava o copo com um pano branco notou minha presença conforme eu me aproximava. Na bancada, Baekhyun estava sentado concentradíssimo na sua taça transparente com algum drink esverdeado, vestido um sobretudo preto, mas dessa vez notei um rolex no braço esquerdo e me lembrei que ele era canhoto. Os cabelos pareciam ter sido lavados há pouco tempo, mas já estavam quase secos. Eram quase ruivos.

Me sentei ao lado, mas não estávamos tão próximos assim. Sorri para o bartender e esperei ele me fazer a pergunta que deveria.

– Boa noite, senhor Park. O drink e a música de sempre?

Nesse ponto fiquei satisfeito. Durante três dias por semana, cuidadosamente nos dias em que minha vítima não se encontrava lá, frequentei esse bar pedindo o mesmo drinque e a mesma música para o momento acontecer. Pagava um extra pela música.

– Boa noite, senhor Yang. Sim, por gentileza.

Respondi calmo, com um tom até mais pesado do que planejei. O caso é que eu nunca, em hipótese alguma, interagia com o alvo. Coisa que consegui cumprir até agora. Até agora...

Todas as vezes que me posicionei em cima do terraço de um prédio, com meu Rifle de alta precisão, podendo mirar até num pombo de merda do outro lado do porto de Paris, pronto para terminar o serviço... Algo acontecia. Baekhyun se misturava na multidão, uma criança passava do lado, um casal de idosos pedia uma informação e mais outra dúzia de eventos me impediam de fazer no modo mais discreto possível. O filho da puta já estava ferindo minha dignidade.

Por isso é que tomei outra estratégia. Mesmo que tenha me tirado da zona de conforto e tenha me colocado numa situação de risco que faria minha irmã mais velha puxar as minhas orelhas assim como fazia quando eu não queria tomar banho, decidi que era hora de inovar. Como se Yoora concordasse com minha vida de agente secreto do crime, mas enfim.

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⏰ Last updated: Feb 20, 2021 ⏰

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A VítimaWhere stories live. Discover now