O Garoto mau

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DEAN

O garoto estava sentado na cadeira da cabeceira da mesa da cozinha. Ele não parecia feliz. Sua aparência era de tão magro que seus olhos eram fundos e os seus ossos da face tinham protuberâncias exageradas que parecia estar prestes a cortar os músculos de sua face. A luz do ambiente era ofuscada. Havia um piscar de luzes perturbadoras e o único som naquele espaço era dos pingos da torneira na pia por consertar.

E isso incomodava.

O garoto parecia se preparar para uma refeição. Ele remexia a comida, quando de repente brotava insetos de dentro dela. Ao perceber uma barata sugir de dentro da comida, ele solta a colher que espalha migalhas sobre a mesa já suja de restos de comida. Mas antes que isso seja o suficiente para assustá-lo, um homem bêbado com uma voz rastejante aparece na porta que conduz a sala e diz:

- Onde está a vadia da sua mãe?

Ele arregala os olhos quando percebe que o homem tem na mão direita um rato com dentes grandes e a boca suja de sangue. O garoto segura forte o assento da cadeira. Ele escuta o rato soltar ruídos enquanto o homem parece tentar esmagá-lo. Ele fecha os olhos com força para tentar não mais ver a perversidade do homem, mas é impossível não se assustar com o barulho do rato ao ser esmagado. O garoto começa a gritar enquanto sua respiração está ofegante de medo:

- MÃE, CADÊ VOCÊ? MÃE...

Há um barulho de batida na porta misturado ao clamor do garoto.

Nessa hora acordo desse maldito pesadelo.

É sempre a droga do mesmo pesadelo!

Quando finalmente percebo que mais uma vez eu havia sido pego pela minha mente cansada, descido levantar da cama que parece molhada de suor. Sento-me na ponta da cama tentando respirar. Essa droga de pesadelo sempre me deixa assim.

Exausto!

Mas não tenho muito tempo para me recompor das trevas que assombram minha mente, pois o desgraçado do meu pai parece já avisar que acaba de chegar em seu "lar doce lar" depois de uma noite de bebedeira e apostas desafortunadas. Ele chuta a porta de meu quarto e diz com a voz rastejante:

- Acorda seu vagabundo! Eu quero um café.

Eu me seguro dentro do quarto por alguns segundos porque tenho medo que dessa vez eu não consiga me conter e acabe o matando. Da última vez que meu sangue ferveu, acabamos na delegacia, pois um dos vizinhos nos viu bolando no gramado seco do jardim. Posso dizer que foi minha sorte alguém ter se envolvido. Se não ele estaria morto a essa hora e eu preso.

Isso aqui é um inferno!

Meu inferno.

Assim que levanto da cama vou até a cômoda pegar meu celular. Tem duas mensagens. Uma da gostosa da Scarlet e outra de meu amigo Scott. Não tenho dúvidas de que vou ler a da Scarlet. Essa garota tem o sexo mais gostoso que provei. Está certo que ela ainda é caidinha na do Scott, seu ex namorado. Mas eu não ligo para isso. O cara num está nem aí para ela. Quanto a ela? Vive se rastejando ao chão atrás dele. Quando eu li a mensagem dela, juro que não senti remoço em dar primeiro a minha atenção.

Scarlet - Se vencer hoje o jogo contra os tigres, vamos fazer sexo a noite inteira dentro do seu carro.

Vamos lá!

A gata sabe como acordar alguém.

Me pego sorrindo maliciosamente no telefone.

Mando outra mensagem de volta.

Eu - prepare-se então boneca. Pq vamos transar muito essa noite!

Depois que envio a mensagem, vou até o contato de Scott.

Scott- Preparado pro jogo de hj? Vamos detonar!

Mas antes que eu possa responder, o velho miserável parece jogar algo na porta do meu quarto enquanto esbraveja algo.

- Seu filho da mãe...

Dessa vez não me contenho, levanto da porta para retribuir suas delicadezas, quem sabe com um olho roxo ou um dente quebrado na boca dele. Mas assim que abro a porta, o velho está desmaiado de sono no meio do corredor.

- Que merda! - Sussurro ao chutar ele enquanto passo para o outro lado e sigo em direção a cozinha. Mas decido voltar e colocar aquela coisa em sua cama antes que ele acorde pelo desconforto do chão e volte a mim incomodar.

Sei que fiquei incomodado por mim importar com esse cara jogado no chão.

- Que saco! - Reclamei outra vez enquanto puxava ele pelos braços até mais próximo de sua cama e depois jogo ele sobre ela.

O cara está tão magro de um jeito que acho que senti todas as costelas dele quando o peguei. As roupas parecem sujas e suas botas estão tão desgastadas que se eu não o conhecesse diria que era um mendigo da rua.

Mas não!

O filho da mãe é meu pai!

Que sorte a minha, hein?!

Preciso de um café!

(...)

Assim que chego a escola, estaciono a única coisa que tenho de valor ao lado da BNW do meu amigo Scott, meu jipe. Amo esse carro e tudo que consigo em relação a dinheiro eu invisto nele. Não tenho a mesma sorte que meu amigo, mas ando em um carro que está bem cuidado. É nesse carro que eu levo as gatas para passear e conhecer o paraíso Dean. Então, cortar gramas durante a semana e tempo integral no verão, vale a muito pena quando uma gostosa entra nesse carro e brincamos a noite toda em um estacionamento qualquer.

- Ei cara! - Fala Scott ao se aproximar. - Não viu minha mensagem pela manhã? Por um a caso a princesinha estava dormindo? - Ele fala enquanto seguimos para a entrada da escola.

- Vá se ferrar, Scott! Você sabe que não durmo até tarde. Estava ocupado demais para responder sua mensagem.

- Não me diga que está exausto? Sabe que devia deixar as garotas de lado uma noite antes dos jogos.

- Por que faria isso? Transar dar gás para jogar. Você não sabia? Ou você anda praticando celibato?

- Do que os meus melhores jogadores estão falando? Posso saber? - Fala Scarlet ao se aproximar e jogar seus braços em Scott logo na minha frente.

- Nada! - Responde Scott ao retirar os braços dela de si.

- Hum, estranho. Eu ouvi a palavra celibato. Podemos acabar com isso ainda hoje Scott.

- Ei! Por que tem tanta certeza que sou eu! O Dean não conta?

Scarlet rir antes de responder.

- Dean é o poleiro de galinhas? Por um acaso nunca tirou uma pena de cima dele?

Nessa hora o sinal toca.

- Preciso ir! Nos vemos lá dentro, Dean. - Diz Scott ao sair e seguir para a sala.

Mas é claro que não deixei a brincadeirinha da Scarlet de graça. Me aproximo dela e digo:

- A única galinha que tem visitado meu poleiro é você! Cuidado com o que diz ou vai acabar se entregando por Don Roan.

Me afasto dela, mas ainda consigo ver ela me mostrar o dedo do meio e sussurrando:

- Vá se ferrar, Dean!

Começo a rir enquanto estou indo em direção ao corredor. Essa garota não se enxerga mesmo. Ela é bonita, filha de advogados reconhecidos, líder de torcida, mas não consegue ver que sua infantilidade estraga seus encantos. Mesmo assim, transaria com ela todas vez que ela quisesse.

Trilha sonora do capitulo:

O amor em Jogo - A disputa está só começando - Dean e SabrinaStories to obsess over. Discover now