Olhando esses olhos vejo um fantasma
rapidamente ele se vai
posso ouvir os pássaros no fio elétrico
eles conversam sobre nós
o tempo nublado nos deixa entorpecidos
um breve gracejar dos vizinhos que estão na varanda
aquilo nos deixa com tédio
o relógio marcando zero
ainda assim posso ver através dos olhos
o mesmo fantasma que assombra nosso mundo
vozes do submundo!
neuroticamente olhando para os lados
elas dizem para seguir na direção do telhado
olho para o céu, como nuvens grávidas de pureza ...
sentados na varanda, os velhos importunam um gato
eu os chamo a atenção ...
vejo novamente o fantasma
uma visão borrada
fica tudo tão claro
o silêncio se faz presente e o vento para de assobiar
os pássaros do fio elétrico se recolhem em suas casinhas
os velhos param de rir ...
de repente saio do corpo
a visão turva me cega
sem som as vozes voltam
desequilibrado me olho no espelho
parece que estamos flutuando
agonizo a respiração
sinto meu corpo sendo violentamente arremessado contra a parede
as vozes não param e uma flor desabrocha lentamente na frente do espelho
tudo acaba ...
o som escurece ...
a visão dorme ...
os sentidos tomam lugar de sol poente
escuridão! ...
frio! ...
dormente ...
KAMU SEDANG MEMBACA
MELANCOLIA
PuisiPor dentro dos labirintos internos e externos, onde o medo se configura e se dissolve... ATENÇÃO! TEMAS SENSÍVEIS! ALERTA DE GATILHO!
