Olá, leitor/a! Eu me chamo Guilherme e gostaria de lhes narrar os causos e descausos que ocorreram ao longo da minha vida nesse pós-apocalipse maldito em que vivemos. Decidi começar por uma história que me é particularmente muito marcante, e se passa em um momento da minha vida mais próximo de onde estou agora, um momento em que sou mais velho e responsável. Pelo menos tendo como base o que eu era antes. E apesar dessa história me marcar emocionalmente, ela possuí algumas seqüências e nuances que, acredito eu, farão você apreciar essa obra como um bom entretenimento!
Essa história começa quando eu estava "descendo" o centro-oeste do Brasil, meu objetivo final naquele tempo era alcançar as famosas cataratas do Iguaçu. Estava meio longe das cataratas. As pequenas vilas pelas quais tinha passado me recomendaram uma pequena cachoeira que tinha pelas redondezas, decidi conhecê-la.
Acontece que eu estava em um momento ótimo da vida, tinha feito trabalhos dos quais não me orgulho, mas que me garantiram um bom número de jóias, feitas de ouro, prata e até diamantes como recompensa, além disso tudo, estava com mais ou menos 500 Gr de maconha, o que vale quase universalmente como moeda de troca, ou seja, tava livre pra conhecer o mundo inteiro como eu sempre quis (objetivo nada ambicioso).
E no caso a cachoeira era realmente bonita, uma queda d'água de mais ou menos 4 metros de distância do solo ao topo, formando uma larga área inundada com um aspecto de pequeno lago. À medida que a água ia descendo, poços d'água iam se formando, e tudo isso rodeado de vegetação, o que dava uma vista 360° maravilhosa. Sinto que é uma das sensações mais relaxantes do mundo estar aqui, chapadasso, com essa maconha maravilhosa, boiando na água e vendo toda essa paisagem.
"A questão que venho trazer com vocês meus adoráveis leitores é se vocês já pararam para pensar entre a diferença de romantizar a vida e a vida real em si, tipo, onde estou agora é um excelente exemplo. Eu queria muito tomar um banho em um rio e me sentir parte da natureza e bla bla bla e bla bla bla. Não me entenda mal, vir a este lugar está sendo uma experiência ótima! Mais quando estou aqui me deparo com o fato de que vou ter que estar sempre atento a uma cobra que pode me atacar enquanto boio na água, por exemplo, ou então..."
Essa foi uma nota que eu estava escrevendo naquele momento. Devo revelar a vocês, gentis leitores, que meu sonho, desde muito novo, era escrever. Portanto criei o hábito de tomar nota das experiências e idéias que fui tendo. Algumas notas são de fato horrorosas. No caso dessa, decidi compartilhar com vocês em decorrência do que me fez parar de escrever, naquele exato momento, o fato de eu ter dado de cara com a porra de uma onça!
Quando a vi, meu coração disparou a 160 por hora, porém me mantive calmo e olhando em seus olhos o tempo todo, eu estava naquele momento com meu bloco de notas na mão, sem camisa e em cima de uma pedra lisa imensa. A trilha que eu peguei para chegar naquele lugar estava as minhas costas e ela apareceu em meio à vegetação logo de frente para mim, a uns 10 metros de distância, minha bolsa estava relativamente perto, eu continuei a olhar nos olhos da fera e estiquei meu braço em direção a minha bolsa lentamente.
Ela continuava me olhando, e agora, acho engraçado a conexão que tive com aquele animal, hoje em dia, parece que eu entendo exatamente o que se passava na mente dela. Seu olhar me dizia: curiosidade. Simples e pura. Palmeei o interior da bolsa. Meus dedos passaram por uma pequena bolsinha menor, onde eu estava guardando todas as jóias que ganhara, juntamente com a maconha recém adquirida. Passei a mão pelo meu isqueiro da sorte até que finalmente senti o revolver. Consegui pegá-lo, o retirei, mas o mantive abaixado. Na hora mantive a mão abaixada por instinto, hoje, acho que meu subconsciente fez a leitura precisa da intenção da garota (eu sinto que era fêmea) e fez a coisa certa pra eu continuar vivo. Ela, depois de um tempo, se espreguiçou, bocejou (ao mesmo tempo mostrando seu desdém por mim e seus enormes dentes caninos) e foi embora. Segui a deixa e botei minha roupa, mantive o revolver firme em mãos. Fui embora com minha bolsa de lado e com o meu coração estourando.
YOU ARE READING
Depois que o mundo acaba
AdventureOlá querido leitor, meu nome é Guilherme. Venho lhes trazer esse fragmento de história da minha vida, como todos sabem, o pós-apocalipse chegou ao nosso Brasil, tornou os centros urbanos inabitáveis e a vida, como um todo, uma constante prova de sob...
