Sem fôlego

73 9 3
                                        

KAGOME

Há sete anos meu pai se foi.

Há sete anos eu me irrito com meu padrasto. Foi por causa dele que entendi o verdadeiro significado da palavra "raiva".

Raiva do meu padrasto, sempre bêbado, sugando a vida da minha mãe. Raiva por vê-la definhar com o câncer, enquanto ele gasta o que restou da herança em álcool barato. Raiva de mim mesma por ter largado a faculdade e enterrado meus sonhos para sustentar uma casa que já não é um lar.

E, mesmo assim, continuo. Trabalho sem parar para pagar cada conta, cada remédio, cada centavo de um tratamento que talvez nem seja suficiente.

Relacionamentos? Amor? Não. Isso eu não posso me permitir.

E, com tantos problemas, estou disposta a permanecer solteira.

Minha mãe não quer terminar o relacionamento com "ele". Por mais que aquele inútil não a ajude e nos perturbe tanto, ela insiste em mantê-lo por perto. O pior é que, ao longo dos anos, a fortuna deixada pelo meu pai foi gasta. Hoje, quase falta alimento na nossa mesa.

Eu sentia autodepreciação por não conseguir partir e dar as costas a eles como Souta — meu irmão caçula — fez assim que terminou o ensino médio. Tenho quase certeza de que meu pai deve estar se revirando no túmulo com nossa família destruída.

Apesar do ódio que carrego por tudo isso, sinto uma onda de compaixão pela minha mãe. E é por ela que tenho trabalhado tanto para custear o tratamento.

Durmo em um quartinho no segundo andar, termino de me arrumar e desço as escadas. Encontro minha mãe deprimida no sofá, assistindo televisão. Não há nenhuma expressão em seu rosto pálido. Ela está careca agora, usando apenas um lenço na cabeça e um pijama cinza.

— Mãe? — pergunto. — Bom dia! Como você está se sentindo hoje?

Ela fica em silêncio e me olha com tristeza profunda. Desde que Souta foi embora, não vejo mais sorrisos em seu rosto, nem brilho em seus olhos.

— Mãe, por favor, me diga algo? — ajoelho-me diante dela, pego suas mãos geladas entre as minhas. — Você ainda está triste com o que aconteceu?

Não vejo lágrimas, mas não preciso de uma confirmação.

— Bobagem... — responde meu padrasto Mason, dando um trago no cigarro. — Kristine já está bem. Só segue com os remédios.

— É o que você diz! — retruco. — Foi por sua causa que Souta foi embora!

— Isso é crueldade. — declara Mason, reforçando as palavras para soar veemente.

Conversar com meu padrasto é sempre uma surpresa ruim. Prefiro evitá-lo sempre que posso. Eu o odeio e sei que o sentimento é mútuo. Ele só está ali para usufruir dos bens da minha mãe.

E, antes que ele falasse de novo — e eu sabia que falaria assim que terminasse de soltar a fumaça nojenta de seus pulmões —, pego minha mochila e saio porta afora sem dizer mais nada. Fazia tempo que havíamos abolido as delicadezas.

Desço a escadaria da minha casa com as pernas bambas e a garganta arranhando de dor.

E os olhos cheios de lágrimas.

∻➶♡➴∻

INUYASHA

Eu me sinto um merda.

Minha cabeça lateja de dor. Nunca estive tão cansado depois de um dia como este. Após a reunião com os advogados do meu falecido pai, ainda não consigo aceitar que preciso me casar para receber a herança. Quando Myōga começou a ler o testamento, não acreditei que o final seria a pior parte de todas.

Jogo de Sedução ( InuKag)Des histoires addictives. Découvrez maintenant