Dia 1

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É estranho como somos seres que precisam de companhia.

Sempre me considerei uma pessoa solitária, que não precisava de ninguém para conversar. Falar sozinha era mais do que suficiente para suprir essa necessidade que eu nunca senti de verdade – é sério. Mas, percebi que conversar sozinha não é bem a coisa mais saudável a se fazer.

Uma pena, eu gostava das conversas que tinha em voz alta.

O grande fato aqui é: eu ainda vou conversar sozinha, mas agora vou estar restrita a escrever. Sinto que não vai ter o mesmo efeito do que falar em voz alta, afinal, eu podia gritar comigo quando fazia alguma merda ou agia que nem uma trouxa – o que bem, acontece na maior parte do tempo. Mas isso não vem ao caso, todo mundo já passou por isso. Não sou um alienígena.

Você deve estar se perguntando "o que diacho essa garota está falando?"

Pois é, aqui vai uma informação importante. Eu também não sei.

Eu, claramente, tenho um problema. Um problema que me gerou outros milhões de problemas. Que gerou mais problemas e assim vai até onde você conseguir.

Me comunicar, expressar meus sentimentos sempre foi um obstáculo e quando converso sozinha isso fica mais fácil. A sensação é boa e eu consigo ter clareza no que quero fazer, coisa que, às vezes, não consigo sentir conversando e expressando minhas preocupações para outras pessoas. Sempre me sinto julgada e observada de alguma forma. É estranho porque devia ser fácil. Devia ser algo simples, poder conversar com seus amigos ou família sobre certos assuntos. Mas para mim, não é. Acho que por isso comecei a falar meus pensamentos em voz alta quando estou sozinha, talvez, na esperança de que alguém ouvisse e me desse uma luz.

Nunca aconteceu.

Todos temos problemas que gostaríamos de resolver. Algumas pessoas têm todas as ferramentas para isso, outras, precisam de ajuda e é normal. Nada a se envergonhar. Eu tenho certeza que estou na vertente dos que precisam de ajuda. E não me envergonho disso, pedir ajuda não é sinônimo de fraqueza. É mais complexo que isso. Ninguém é bom em tudo e é isso. Se todo mundo fosse bom em fazer todas as coisas, o mundo seria um saco. E por causa disso, desse meu probleminha simples de não saber me expressar e do fato de que ficar falando sozinha me gerou alguns olhares estranhos na rua, me recomendaram o seguinte: escrever em um diário os meus pensamentos e sentimentos.

Um pouco estranho? Talvez.

Nunca fui uma garota de diários. Tive vários na adolescência, aqueles que tinham cadeados baratinhos. Eu vivia perdendo a chave, era um saco. Sempre que eu ganhava um fazia altos planos do que queria escrever, mas nunca colocava em prática. Sempre esquecia dele em algum lugar e ele sumia. Acho que não tinha a paciência para fazer isso. No fim, sei que internalizei muitos dos meus sentimentos e hoje, sou uma porta para certas coisas.

De qualquer forma. Decidi dar mais uma chance para essa... atividade.

Vi várias pessoas falando que funciona, que começaram a entender melhor a forma que pensavam quando escreviam e reliam as coisas que escreveram. A comparação com angústias antigas e as atuais mudava a percepção para vários problemas. E é com isso que estou contando. Essa percepção. Uma nova perspectiva para um medo irracional que eu sei que vai me assombrar por muito tempo.

Agora, você deve estar se perguntando "Qual é o seu problema, afinal?"

Por anos, acreditei que certos sentimentos eram mais fortes que outros. Acreditei que alguns deles foram feitos para durar para sempre. Tudo bem que eu estava em uma época de fantasia e costumava a ler muitos livros, ver filmes que passavam a ideia de que certos sentimentos eram importantes demais para nossa vida, e eu achava isso lindo. A essa altura você deve saber do que eu estou falando... eu acho.

Estou falando do amor. Em específico o romântico. Depois de viver e passar por algumas experiências, perdi a esperança no amor – ou pelo menos acho que perdi. E, sinceramente, não quero continuar assim. Não quero mais me prender a coisas passadas que me atormentam, mas, sei que o caminho para quebrar isso vai ser longo e não sei se estou preparada para enfrentar isso.

Quando eu era mais nova, não lembro bem quando exatamente, eu percebi que tinha medo de "terminar sozinha". De nunca encontrar ninguém de quem gostasse e tivesse vontade de ficar perto. Acho que isso aconteceu bem quando comecei a me sentir atraída pelos garotos, o que é bem na época que você está cheio de inseguranças e começa a ver algumas meninas ficando lindas, enquanto você parece uma batata. Não é justo pensar assim, mas era como eu me sentia. Existem outros problemas por trás disso, que já estão em processo de melhora. O foco aqui não é esse.

A grande questão é: quantas experiências ruins você precisa ter para chegar ao ponto onde sua vida realmente vai te deixar feliz? E eu não falo apenas em relacionamentos, isso se aplica para a vida, de forma geral. Mas, para propósito de estudo, pesquisa e melhora da minha saúde mental nesse quesito, vamos focar nos relacionamentos amorosos.

É claro que, para eu ter "deixado de acreditar no amor", coisas aconteceram. Não acordei em um dia e simplesmente não estava mais nessa vibe. Tive problemas com garotos que me iludiram, tive o coração partido e o medo de passar por todas essas coisas de novo é o que provavelmente tem me deixado assim. Como, a intensão desse diário é entender o que aconteceu, É CLARO que vou contar os detalhes de cada momento para você.

Mas isso vai ficar para outro dia. Foram palavras sem contexto demais para quem achou que escrever um... vamos chamar de "diário de pesquisa", fosse inútil. Aposto que vou esquecer desse diário, assim como os outros. Vamos ver quanto tempo isso vai durar.

Valendo.

LovesickWhere stories live. Discover now