Capítulo 1

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A senhorita Candennce prendia uma mecha ondulada que insistia em cair sobre os seus olhos atrás da orelha enquanto se guiava para a mesa de centro onde pegou o seu planejamento para aquele dia de inverno, 20 de fevereiro de 2010, não se afligia com um possível esquecimento, queria apenas assegurar que todos iriam agir conforme o roteiro que havia feito dois meses atrás. Há 3 anos, mudara-se para a Crawford Street morando em um apartamento no terceiro andar do prédio Houston, um local bastante singelo, apenas uma pequena sala com espaço para um sofá, um apoiador de pés e um televisor pregado na parede logo acima do aquecedor ligado no médio para tentar diminuir o frio da época -na verdade, a jovem começava a temer que o outro equipamento estivesse quebrado por tantos tempos sem uso, mas seus afazeres, e a sua falta de interesse, sempre adiava a confirmação ou não da sua hipótese- depois existia apenas um mesa de jantar redonda para 4 cadeiras, a cozinha compacta  e, por fim, seu quarto ao fundo que denunciava a sua existência por uma intensa coloração de arroxeada recém colocada; duvidou primeiramente a ideia de morar tão longe do chão - considerando o seu medo de altura o seu principal argumento - mesmo assim a ideia de enfrentar um desafio todos os dias antes de ir ao trabalho, fazia-a se sentir um pouco mais orgulhosa de si mesma, por isso acabou ficando por lá.

Após uma breve olhada no espelho para conferir se a posição do sobretudo preto que usara estava posicionado corretamente sob a blusa gola rolê vermelha acabou aproveitando ensejo também para guardar dentro dessa a fina tira de ouro que pendia no seu pescoço, pegou a bolsa de couro pendurada no cabideiro e a posicionando em cima do seu quadril, cruzou a porta enxergando – depois de uma breve caminhada pelo corredor - a sua velha inimiga, a escada, suspirou inaudivelmente e seguiu descendo degraus por degrau com uma mão presa no bolso do casaco e a outra segurando rente ao corpo a mochila que descia pelo seu ombro.

Chegando na portaria, deu um breve aceno ao porteiro, como de costume, o qual a retribui com um simpático sorriso e um “Tenha um ótimo dia senhorita”, o que também já era esperado, caminhou para a outra barreira que se encontrava na frente dela a impedindo de pisar na rua, girando a maçaneta dourada e puxando levemente aquele médio bloco de madeira preta foi capaz, finalmente, de visualizar aquela típica manhã londrina, o cheiro de café perceptível da barraca que ficava na esquina, o aroma de fumaça emitido pelos carros que circulavam e o barulho, não mais incomodativo para os que se acostumaram, dos pequenos diálogos travados entre aqueles que decidiram andar em pares ou conjuntos; a moça gostava de os escutar ficava prestando atenção nos lábios dos falantes procurando decodificar as mensagens que emitiam se divertia tentando adivinhar como era a vida dos seus portadores, os problemas que possuíam e se eles era maiores ou menores que os dela, a primeira alternativa se confirmava geralmente, por isso mais um vez observou os passantes, na frente do prédio, antes de iniciar sua caminhada pela calçada, conseguiu captar um grupo de adolescente prontamente uniformizadas que pareciam estar se guiando para uma escola tradicional e pretendiam usar o metrô como condução pelo caminho que tomavam, discutindo sobre uma prova difícil sobre literatura inglesa que realizariam naquela tarde, depois se atentou para um velho idoso que andava de mãos dadas com um senhora de meia idade que usava um chamativo sobretudo azul royal que contrastava com seu cabelo cor de fogo, admitiu sentir um pouco de inveja da mulher afinal sempre desejou ter cabelos tão ruivos como aqueles mas o máximo que a sua genética permitiu foi um tom opaco e acobreado, o casal parecia ser pai e filha e falavam sobre a ida do senhor para um “residencial de idosos”, verdadeiramente, a mais nova era que passava as informações, enquanto o senhor se resignava a apenas balançar a cabeça prendendo seu olhar no chão.

Por mais que desejasse estender o seu exercício matinal incluindo outros participantes desavisados ao seu time, a senhorita Candennce olhou para o relógio confirmando ser 8hs e, portanto, o horário combinado especialmente para aquele dia, então efetuando 5 passos ao longo daquele antiga calçada se perguntando sobre quantas pessoas poderiam ter feito aquele trajeto desde a construção dessa e para onde teriam ido, terminou parando e no meio fio e estendendo sua mão direita a apresentando para a rua, apenas a encolhendo quando um carro esporte preto começava a desacelerar, em frente dela, onde era capaz de ler a placa amarela escrita “Táxi” no teto do veículo.

Assim, puxando o puxador, abriu mais uma porta, acomodou-se no banco de trás e olhou para o motorista caucasiano e levemente grisalho:

- Bom dia, senhorita, disse com um forte sotaque britânico fitando a passageira que acabara de entrar, para aonde vamos hoje?

Depois de um leve sorriso de Mona Lisa para o homem e uma profunda respiração, respondeu:

- 221, Baker Street.

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