Prólogo

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 Nota da Autora:

Repostando o primeiro capítulo. Fiz algumas alterações que achei necessária.

***ALERTA***

Este capítulo tem descrições de cenas que pode ser gatilho, mesmo que não seja explicitas. Conteúdo envolvendo assédio sexual.

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Espero que gostem.

Boa leitura!


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 A enorme residência dos Zanetti já estava decorada para a noite que deveria ser especial, tudo estava perfeitamente organizado nos mínimos detalhes, mas todas aquelas luzes, enfeites e perfeição, não combinavam em nada com o que acontecia ali na maioria das vezes, nos dias em que eram apenas ela e ele.
 Para qualquer um que perguntasse sobre os moradores da casa de dois andares com fachada elegante, com grandes janelas de vidro espelhado e, um jardim considerado o mais bonito da cidade, chegando a sair até em capas de revistas, aquela era a família perfeita e ninguém, absolutamente ninguém pelas redondezas ousava dizer o contrário.

Mesmo sem provas, decidi naquela noite contar para minha mãe tudo o que ocorria dentro daquela casa, desde o dia em que ela havia se casado com o seu atual marido, Ivano Zanetti. Relatei em detalhes todos os acontecimentos na esperança de que ela em algum momento dissesse que acreditava em mim, que o mandaria para fora de sua casa, de sua vida ou até mesmo para a cadeia. Porém, o que aconteceu foi totalmente o contrário.
 Minha mãe não acreditou em nada do que tinha ouvido, pois, para Sylvia Zanetti era inadmissível que tais fatos tivessem ocorrido dentro de sua própria casa sem que ela tivesse percebido algo. O que era para ser uma conversa calma e civilizada acabou tornando-se uma disputa de quem falava mais alto, minha voz se alterava a cada vez que tentava convencê-la de todos os acontecimentos, porém ela recusava ver a verdade veementemente. Entre um grito e outro, sua mão acertou o lado direito do meu rosto, deixando minha bochecha à marca de seus dedos e um tom avermelhado que surgiu instantaneamente. O choque não durou muito, quando dei por mim, minha mãe me batia de forma ensandecia. À raiva estava implícita em seu olhar e na força de cada golpe contra meu corpo, usando o cinturão que se quer percebi que havia tirado de sua cintura. Seu descontrole era tanto que seu cabelo antes preso em um coque alinhado e chique, agora se desfazia cada vez que distribuía as cintadas, acertando lugares distintos e marcando minha pele exposta e por baixo das roupas. Tudo isso seguido de seus gritos afirmando sempre o quanto minha história era absurda e mentirosa.

 Em meio a toda aquela confusão, Ivano apareceu como um "apaziguador", retirando minha mãe de cima de mim e levando para perto da mesa de jantar. Ao ser informado o motivo de toda aquela loucura, fingiu não saber do que estava sendo acusado, declarou inocência, me tachou de louca, de insana, desequilibrada. Afirmou que eu era uma mentirosa compulsiva e que aquela não era a primeira vez que algo daquilo tipo acontecia e que só podia ser delírio da minha cabeça. Ainda assim, fez questão de dizer que me perdoava que estava disposto a me ajudar, a pagar por um tratamento se esse fosse o caso.
 Mais gritos tomaram conta do ambiente, mais uma vez nossas vozes ecoavam como se travassem uma batalha para ver qual conseguiria soar mais alta. A chance de me sentir e ser protegida se esvaia a cada nova tentativa de explicar, de contar minha versão. Sem as provas que deveriam ter chegado às minhas mãos, eu perdia a batalha segundo a segundo. Eram dois contra um e a ameaça de internação em uma clínica psiquiátrica que antes parecia longínqua, agora parecia ser uma opção mais que viável e próxima.
 Convencida de que tinha uma filha totalmente delirante, desequilibrada e que mentia por compulsão, minha mãe saiu de onde estávamos a fim de resolver logo aquela situação, me deixando ali sozinha com aquele que para mim era uma grande ameaça.

 A mesa de vidro com dezesseis assentos estava muito bem preparada para a ceia de natal, os talheres de prata, os pratos de porcelana legítima, os guardanapos de algodão e as taças de cristais já estavam postas de forma impecável, o que significava que a própria dona da casa havia arrumado tudo com perfeição.
 Observei tudo brevemente, me sentindo ressentida, magoada e principalmente culpada. Meus olhos divagaram um pouco mais até que pousarem no rosto do homem que sorria de forma presunçosa, vitoriosa. Respirei fundo secando algumas lagrimas que ainda insistiam em se libertar e comecei a ir em direção à sala de visitas, mas Ivano logo se colocou à minha frente, impedindo minha passagem. O encarei meio atônita e em seu olhar pude ver o quanto tudo aquilo não havia o abalado, as acusações não significavam absolutamente nada, em um estalar de dedos suas mãos já estavam em meu rosto, segurando-o, forçando-me a ficar bem próxima a ele.

 Com um sorriso ainda maior ele fechou os olhos, uma demonstração de que estava claramente saboreando o perfume que estava em mim, à ponta de seu nariz roçou no meu, começando em seguida a traçar um caminho até meu pescoço, subindo para a minha orelha. Sentir sua respiração na minha pele me embrulhava o estômago, por extinto prendi a respiração e, o grito que planejei soltar na próxima vez que ele tentasse me tocar, foi rapidamente sufocado por aquela situação. Seus lábios aproximaram-se do meu ouvido e à medida que eles se mexiam revelavam algo que seria a cereja no topo do bolo daquela nojeira. A repulsa de tudo aquilo que me fora revelado me levou ao limite, arranjei forças e o empurrei.
 — Você nunca vai conseguir o que quer seu porco nojento — eu disse, cuspindo em seu rosto logo depois.
 Seu riso debochado desapareceu no mesmo instante, tentei sair dali novamente, mas rapidamente seu corpo pressionou bruscamente, me prendendo entre a mesa de jantar e ele. Eu queria tanto gritar, mas minha voz havia ficado presa mais uma vez. Novamente suas mãos subiram em meu pescoço e seu sorriso ressurgiu ao ver que eu havia entrado em pânico. À medida que meu medo crescia e o deixava transparecer mais suas mãos apertavam minha garganta, o ar tentava passar, mas não conseguia, era nítida a adoração dele pelo meu desespero, a verdade é que era isso que o excitava.
 Suas mãos me mantinham presa enquanto seus lábios e língua reversavam ora lambendo e sugando minha orelha, ora dando chapões em meu pescoço. Aquilo me fazia sentir nojo de mim mesma, me sentia suja, eu era suja. Estiquei uma das mãos sob a mesa tateando desesperadamente por alguns segundos até finalmente conseguir pegar a única coisa que pareceu estar ao meu alcance.

 Os gritos de pavor e desespero de minha mãe que estava de volta à sala de jantar me trouxeram de qualquer lugar que minha mente havia me levado, só então vi o que havia feito. O corpo de Ivano cambaleou para trás levando as mãos ao abdômen pressionando-o. O sorriso havia desaparecido e uma expressão mista de dor e choque havia tomado seu lugar. Ele deu mais alguns passos em direção a minha mãe, que estava imóvel, querendo alcança-la, mas seu corpo fraquejou e caiu no chão sangrando.
 Em minhas mãos trêmulas o objeto com o qual o havia perfurado pingava gotas de sangue no piso de mármore branco manchando-o, deixando-o com um forte cheiro de vinagre e ferrugem. Soltei a faca imediatamente, assim que vi minha mãe finalmente se mexer, ela correu ate o corpo do marido e em meio ao seu choro desesperado e os vários pedidos de que eu chamasse uma ambulância, corri para sala peguei minha mochila e fugi o mais depressa dali.

 O ar em meus pulmões parecia conter milhares de agulhas, meu corpo todo tremia, pela adrenalina, pelo medo, por tudo o que tinha acontecido. Corri até finalmente chegar à estação Fullerton, não sabia para onde ir, não tinha mais ninguém a quem pudesse pedir ajuda, estava sozinha em uma plataforma à espera de qualquer trem no meio da noite. Num piscar de olhos eu havia me tornado uma fugitiva.


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Se algo assim estiver acontecendo com você denuncie. Procure ajuda. 

Lembre-se, a culpa nunca é da vitima.

Obrigada por ter lido.

Alguém como VocêPovești de care să fii obsedat. Descoperă acum