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Existe uma cidade na Serra da Mantiqueira onde, em certas noites de neblina, os espelhos demoram um segundo a mais para te devolver.
Elára tem catorze anos, mora em Campos do Jordão e passou a vida inteira corrigindo a forma como o mundo pronuncia o seu nome. Filha de coletor de lixo em escola particular, é alvo do grupo Arco-Íris e refúgio dela mesma. Até a manhã em que o relógio antigo do quarto desperta sozinho, números flutuam no ar como runas vivas, e o espelho se recusa a devolver o reflexo no tempo certo.
Do outro lado do vidro existe Aurévora - um reino que respira, que adoece, que cobra imposto em memórias. Cada runa aprendida custa um pedaço de quem ela foi. Cada passagem reorganiza quem ela é. Em Aurévora, ela se chama Elärah. E o nome que o mundo sempre errou é a única chave que abre tudo.
Mas o reino está doente. O Tumor avança pelas trilhas, os espelhos refletem sem devolver caminho, e o Conselho dos Nove já sente o cheiro de uma Ponte nova. Para sobreviver à sua primeira travessia, Elärah vai precisar aprender que magia tem preço, que guias mentem, e que algumas pessoas só te chamam pelo nome certo quando querem te abrir como uma porta.