notas: Olá!! Sexta-feira 13, eu não podia deixar de att a fic sobrenatural, né?
Todavia >< estou super ocupado com os trabalhos da faculdade, então só vai ter att de um cap por mês, por enquanto. Creio que em dezembro as coisas melhorem, mas ainda to postando mais duas fics e trabalhando na continuação de O cão é muito bem articulado. Não se preocupem, mesmo assim, pq o prox cap ta pronto e a fic toda planejada, espero que gostem, beijos!!!
Ele esfregou seus olhos para se adaptar a pouca luz da madrugada e para apagar as presenças em sua cama. Infelizmente, Sasuke ronronando não lhe permitiu esquecer nada. Ele abriu seus olhos novamente, apenas para notar que os homens eram maiores do que pareceu no primeiro momento.
— Então, tem ou não tem? — O homem menor perguntou, impaciente.
— Não tenho. — foi o que Shinsou respondeu, confuso.
— Merda. — O maior reclamou, sua voz profunda reverberando pelo quarto.
— Quem...são vocês? O que estão fazendo na minha casa? — Hitoshi perguntou, a mente ficando mais clara aos poucos.
— Nossa casa. — O menor respondeu, a voz grossa e agressiva contrastando com o jeito doce e cuidadoso com o qual ele acariciava Sasuke.
— É, bro, a gente meio que morava aqui primeiro, mesmo que você que tenha os documentos. Se não tem, a gente vai vazar do seu quarto, pode ir dormir. — O grandão disse, sorrindo.
No segundo seguinte, os dois desapareceram, deixando Shinsou se perguntando se valia a pena perguntar a seus gatos se eles viram o mesmo que ele viu. Pensando que fora apenas um sonho, ele voltou a dormir, cansado demais para pensar sobre isso.
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Pela manhã, Shinsou se espreguiçou, se preparando mentalmente para a tarefa do dia de hoje, que requer dele o que mais detestava: interação humana.
Era dia de ir fazer a feira do mês, comprar os itens essenciais para sua sobrevivência, e depois mandar foto para Eri do que comprou. Assim, ele se presenteou com uma ida a cafeteria que estava curioso para visitar desde que se mudou para o bairro, afinal, já que tinha que interagir com humanos na vida real, ele podia muito bem começar com a interação que tinha potencial para ser prazerosa.
Ele tomou um banho curto, lavando o cabelo pela primeira vez em um bom tempo, e vestiu roupas folgadas, confortáveis e escuras, pegou sua carteira para sair e juntou toda sua coragem. Fez carinho em Safira antes de sair e até Anthrax estava por perto e permitiu receber carinho, até ronronando como se soubesse que Shinsou precisava daquele cuidado extra.
Sentindo-se mais feliz, ele saiu pela porta, fazendo uma nota mental para pesquisar um lugar onde compraria o novo portão, ouvindo o ranger do metal velho e um pouco enferrujado enquanto o fechava.
Entrou na cafeteria já vendo o local um pouco cheio e respirou fundo. Olhou o cardápio de bebidas e sorriu ao notar a variedade e o preço não tão caro, e alguns lanches para o café da manhã. Não tinha o hábito de comer (em horário nenhum, quase), mas decidiu abrir uma exceção. Pediu no caixa um capuccino e quatro pães de queijo, pagando e passando para o lado para esperar o barista fazer o pedido.
E foi nesse momento que um dos piores gay panics de sua vida lhe atingiu. A respiração acelerou e a mão suou, ele se sentiu corar na mesma hora.
Por trás do balcão, ao lado de um homem baixinho e negro, estava um garoto de cabelos loiros e uma mecha preta, com alguns aneis nas mãos, diversos piercings nas orelhas e uma tatuagem no pescoço. Ele sorria enquanto seguia as instruções do outro para fazer a bebida e entregava ao cliente, e à medida que chegava a vez de Hitoshi, mais nervoso ele ficava.
Ele mesmo já tinha uma pose alternativa: os cabelos roxos, muitos piercings pelo corpo, rosto e nas orelhas e seis tatuagens, mas eram apenas detalhes que começaram de forma impulsiva. No garoto loiro, os detalhes brilhavam e destacavam ainda mais a beleza dele. Ou talvez podia ser só o sorriso dele, que se abria como se fosse capaz de iluminar todo o lugar.
Fazia tempo que ele não tinha um desses gay panics, nem mesmo online. Era aquilo que chamavam de crush? Tinha um crush naquele garoto?
Finalmente sua vez chegou.
— Bom dia, seja bem-vindo. — O garoto loiro falou, simpático, e checou a nota do pedido de Hitoshi, que tentou disfarçar o nervosismo.
O homem negro checou o pedido por cima do ombro dele e falou:
— Capuccino, vou deixar você fazer sozinho pra ver se aprendeu.
— Ai, Tokoyami, deixa de ser chato, na moral. — O loiro disse, se virando para a máquina e os ingredientes, fazendo beicinho.
Shinsou engoliu em seco para a expressão fofa e tentou não olhar para a bunda dele no jeans apertado.
Muito rapidamente, pensou que seu crush nele acabaria em segundos caso errasse seu pedido, mas logo o loiro entregou seu capuccino, os pães de queijo e sua notinha de volta.
— Volte sempre. De verdade. Por favor. — Ele disse, sorrindo para Shinsou e depois piscando rapidamente.
Hitoshi piscou várias vezes, sem saber o que pensar e se sentou numa mesa afastada para comer, checando de novo o preço dos produtos e só então notando o número, aparentemente de telefone, no canto de sua nota ao lado de um emoticon ":)".
Sem saber o que pensar, ele comeu e bebeu rápido, saindo logo do local para fazer sua feira enquanto o sorriso do rapaz voltava à sua mente.
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Após sair do carro particular choramingando sobre o preço da corrida, Hitoshi pegou as pesadas sacolas e carregou para dentro de casa com calma, deixando tudo na entrada para o carro sair, então fechou o portão e levou tudo até a cozinha, sentindo sua dieta louca e o sedentarismo cobrar seu preço com o mínimo esforço físico.
O sol ainda estava alto no céu, mas já era de tarde, pois toda vez que ele achava que pegara o suficiente e mandava foto para Eri ela reclamava de algo e lhe mandava comprar um alimento natural de nome desconhecido, o que o fez se perder no supermercado diversas vezes. Ele nem sabia se dava conta de toda aquela comida, mas tudo valia se fosse para evitar que sua irmã viesse ela mesma vigiar sua alimentação.
Ele pegou a nota de seu bolso, checando os valores e suspirando pelo gasto. Em breve também teria que comprar os alimentos de seus gatos, rações e petiscos, então os gastos só começaram. Talvez tivesse que pegar trabalhos extras para dar conta...
— Meu deus! — Uma voz feminina disse, muito perto de Shinsou.
Ele se virou para trás para ver uma mulher baixinha de seios fartos e roupas simples, franzindo o cenho.
— Você tem que gastar isso tudo? Corta alguma coisa, sei lá. Vende essas verduras.
— Quem... que porra ce ta fazendo na minha casa?
A garota arregalou os olhos.
— EIJIROU! Pensei que tivesse contado a ele sobre a gente!
— Eu contei. — Um homem ruivo e muito alto, de porte largo e musculoso, vestindo tecidos caros vermelhos e diversas joias brilhantes apareceu do nada para responder.
— Ele contou, o cara que não prestou atenção, tava dormindo praticamente. — Um homem loiro e forte apareceu, vestindo pouca roupa, uma capa de peles por sobre o ombro e tatuagens cobrindo seu peitoral desnudo.
O cabelo loiro lembrou-o do loiro da cafeteria, mas ele logo espantou o pensamento, mesmo corado, para focar nas três pessoas que surgiram do nada em sua casa.
— Me contar o quê? O que vocês estão fazendo aqui?
— Somos, er..., bem, demônios? — O ruivo começou, olhando para os outros com incerteza.
— Somos personificações demoníacas dos 7 pecados capitais. Prazer, Ira. E se você tiver achando algo ruim, vai tomar no cu. — O loiro disse, uma clava com pontas de metal afiadíssimas aparecendo em sua mão.
— Amor, calma. — O ruivo falou. — Eu sou Luxúria, mas pode me chamar de Eijirou Kirishima. Ele é o Katsuki Bakugou, ela é Ochaco Uraraka. Pode falar mais desse loiro aí que veio na sua cabeça agora.
— Eu sou Avareza. E, por favor, corta os gastos, eu hein.
— Calma. Deuses, eu enlouqueci, é isto, eu finalmente enlouqueci.
Shinsou respirou fundo, puxando seus cabelos. Suas alucinações começaram ontem? Será que era a alimentação? Sono? Isolamento? Ele era tão fodido que diversas coisas podiam ter causado isso, mas pelo menos sabia que não era efeito de álcool ou drogas. Ou talvez seria melhor se assim fosse, ao menos seria passageiro.
— Eu sei, todo mundo pensa que endoidou quando conhece a gente, deixa de ser fresco e aceita, ou dá o fora. A gente tá aqui antes de você e vai continuar depois que você for embora, provavelmente. Poucos lidam bem com essa porra. — O tal Katsuki falou.
— Mas o Takeda era legal, né? Ele se acostumou. — A mulher falou.
— Ele era adorável, sempre tinha que lembrar ele dos remédios para pressão alta.
— Pena que a gente não vai ver ele, né? — O loiro falou, suspirando.
— Por que não? — Shinsou deixou sua curiosidade falar mais alto antes de vocalizar outras perguntas.
— Demônios. Ele tá no céu. — Ochaco falou, gesticulando como se fosse óbvio.
— Ah! Certo. — Shinsou concordou, sentando-se no sofá.
Ele tinha que estar alucinando. Talvez pudesse escrever uma cena sobre isso depois em sua história, ele pensou brevemente.
— Como sabe sobre... sobre o garoto da cafeteria? — Ele perguntou, atordoado, sem olhar para nenhum ponto específico.
Quando recebeu apenas silêncio por mais de um minuto, ele olhou ao redor para procurar e achou o tal Eijirou mexendo em seu celular com a face franzida em concentração.
— Ei! O que ta fazendo com meu celular? — Ele perguntou, seus dois neurônios restantes tentando processar o que estava acontecendo.
— To falando com o garoto da cafeteria. Você não tem um nude no seu celular? — Eijirou perguntou, lhe olhando indignado.
Os outros dois...seres na sala riram também.
— Você tá o que? — Shinsou ignorou a loucura da situação para pegar seu celular das mãos do outro e checar o que ele estava fazendo.
De fato, seu celular mostrava a tela da galeria, mas quando checou os aplicativos recentes notou o Whatsapp aberto numa conversa. O contato estava salvo como "gostoso da cafeteria 💛". Ele abriu a foto e lá estava, o garoto da cafeteria num crop top com os dizeres "Satan's babyboy", exibindo um piercing no umbigo, e também os da boca num sorriso enorme, usando uma chocker amarela e preta no pescoço.
Shinsou respirou fundo, analisando a foto por tempo demais, se controlando para não ter outro gay panic enquanto mordia o lábio.
— Eu gosto desse cara. — Ele ouviu a voz de Eijirou falar e lembrou o que tinha que fazer.
Ele voltou para a conversa, só agora realmente lendo as mensagens.
Eu, 14:32: Oi, sou Hitoshi, o garoto de cabelos roxos de hoje.
Você tá incrível nessa foto de perfil.
Shinsou corou. Ele nunca mandaria uma mensagens dessas pra ninguém em sã consciência, ele nem planejava mandar mensagem para o garoto da cafeteria, ele provavelmente anotou o número por engano ou algo do tipo.
Por mais que quisesse se enganar, Hitoshi foi atropelado pela resposta do outro.
Gostoso da cafeteria💛, 14:35: OI, sou Denki. Pensei que cê não ia mandar mensagem, tava triste já ;-;
a a a a
Obrigado!!
Eu te achei tão lindo, suas tattoo são perfeitas??? Sem condições
OLha, vou ter que sumir um pouco porque minha aula vai começar, mas de noite a gente se fala, beijos <3
E enviou uma figurinha de uma pessoa aleatória rodeada de corações.
Hitoshi engoliu em seco. Tinha que ser uma pegadinha.
— Cara, ele tá tão na sua! — Eijirou falou.
Hitoshi sentou no sofá de novo, sentia as pernas fracas e não conseguia raciocinar. Talvez tivesse usado drogas? Talvez nem tivesse se mudado, ainda estivesse em algum bar ou festa estranha tendo uma bad trip.
Ele não saia de casa, não ia em festas nem usava drogas, mas isso ainda fazia mais sentido do que ter 3 demônios em sua casa. Talvez fosse uma pegadinha muito bem orquestrada?
Isso, desde a cafeteria até agora era tudo uma pegadinha.
Decidindo que tudo era uma ilusão, Shinsou decidiu ignorar as vozes e seus comentários, fingindo não ser nada quando esbarrava em um deles ou desviava dos seres para sentar no sofá. Ele foi tomar banho o mais cedo possível, fez um chá forte, como há muito não fazia, de camomila e tomou com seu remédio para dormir, caindo na cama em seguida, torcendo que no dia seguinte tudo aquilo fosse uma bad trip, alucinação passageira ou sonho.