Everything's About Her

By historyscds

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Dois anos após Julie ter desistido do seu sonho de estudar música para ir viver na Itália com sua tia, como f... More

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JULIE

Pego na alça de minha mala com força e suspiro antes de sair do aeroporto.

Depois de dois anos sem ver meu pai, meu irmão e meus amigos estou naturalmente morrendo de saudades, porém mais do que isto, estou nervosa e com medo. Medo de as coisas não serem mais as mesmas, medo de meus amigos não se importarem mais tanto comigo ou nem mesmo me considerarem mais amiga deles. Eu estive ausente, mais ausente do que eu gostaria. Nos primeiros meses o luto me corroeu, mal falava com meu pai. Conforme o tempo foi passando eu fui me acostumando a ausência, não só da minha mãe, mas de toda minha vida antiga. Minha nova vida parecia um sonho febril, era mais fácil não falar com ninguém. 

Mas acho que não poderia ter tomado outra decisão, a morte de minha mãe foi o pior momento pelo qual eu já passei e eu não sei se teria superado caso continuasse no mesmo lugar onde ela esteve em vida.

Passo os olhos rapidamente pela paisagem a minha frente e logo avisto meu pai e meu irmão. Abro um grande sorriso e corro para os abraçar.

- Julie minha filha eu senti tanta saudade sua – Meu pai diz com a voz embargada.

- Eu também pai, de todos vocês.

- Quem é esse meninão? – pergunto para Carlos enquanto bagunço seu cabelo. Ele sorri para mim e me abraça. 

- Viu maninha, você perdeu dois anos de pura beleza do Carlos! – Ele diz convencido e eu e meu pai rimos.

- Bom... vamos indo então? – Meu pai sugere colocando as mãos nos bolsos. Parecia um pouco sem jeito. 

- Sim – Dizemos os dois em uníssono.

- Julie conta, como foi na Itália? – Carlos pede animado enquanto entrelaça sua mão na minha. 

    Passo a viagem de volta falando sobre a Itália e nossa tia, enquanto eles ouvem e riem de tudo que eu falo. Me sinto em casa novamente, me sinto completa.

Meu pai vai parando o carro devagar enquanto observo atentamente a minha antiga casa, só então percebo de fato como as coisas mudaram e sinto vontade de chorar, porém engulo essa vontade. Não é mais o momento de chorar pelo o que aconteceu no passado e sim aproveitar o presente.

- Mi hija como você está? – Meu pai pergunta só para mim ouvir enquanto passa o braço ao redor dos meus ombros.

- Melhor pai, bem melhor. – Sorrio e ele também.

- Sua tia me disse que você nem encostou no piano nem cantou enquanto estava por lá – Dou de ombros.

- Ainda é difícil tocar sem me lembrar dela.

- Eu sei mi hija. – Ele dá um beijo na minha testa. - Vou pegar suas coisas. - Anuncia e sai.

- Como vão as coisas por aqui baixinho? – Pergunto colocando a mão nas costas de Carlos enquanto vamos andando para dentro de casa.

- Julie, você vai ter uma surpresa quando entrar no seu quarto maninha. – Ele diz ignorando minha pergunta, e antes que eu possa perguntar sobre o que está falando ele já se afastou dando risadinhas.

Entro em casa e paro um pouco na sala olhando em volta, achei que seria mais difícil estar aqui novamente.

Vou até as escadas e as subo rapidamente, só quero tomar um banho e dormir por algumas horas, a viagem foi extremamente cansativa.

Abro a porta do meu quarto distraidamente e...

- Aaaaah. – Grito assustada com o que, ou melhor quem eu vejo deitado na minha cama.

- O que você está fazendo aqui? – Pergunto com a voz estridente devido ao susto, e sinto meu rosto começar a esquentar, uma ligeira raiva perspassa por mim; porém não espero resposta e saio do quarto descendo as escadas rapidamente.

- Por que o Luke está deitado na minha cama? – Pergunto exasperada.

Meu pai e Carlos se entreolham.

-Ah...é, é isso. – Meu pai coça a cabeça. – Esqueci de te avisar.

- Avisar o que? O que está acontecendo aqui?

-Anh... é que o Luke... ele meio que humm... está morando aqui. – Meu pai me lança um olhar desconcertado.

Olho de meu pai para Carlos incrédula desejando ver qualquer traço de humor no semblante deles, porém nada encontro.

- Vocês estão brincando, não estão?

Meu pai nega com a cabeça.

Respiro fundo antes de responder.

- E por que o Luke, justamente o Luke está morando conosco? – Digo dando ênfase no nome dele e cruzando os braços.

- Ele teve uns problemas com os pais e teve que vir passar um tempo aqui com a gente.

- E ninguém pensou em avisar a Julie? Não né! ela está lá na Itália porque eu me preocuparia em mandar uma mensagem ou telefonar para ela? – Digo sarcasticamente.

- Desculpe a gente mi hija eu só pensei que... seria melhor lhe falar isso pessoalmente. – Ele dá de ombros e abaixa a cabeça.

- A quanto tempo? – Pergunto e meu pai me olha confuso. – A quanto tempo ele está aqui? – Completo.

- Um ano.

Rio alto. Não é possível que Luke – a pessoa que eu mais odeio, está morando na minha casa a um ano e meu pai não foi capaz de me contar isso.

Não consigo pensar por qual motivo meu pai faria isso comigo, ele sabe da minha relação com Luke e tudo que ele me fez.

- Ok. – Digo por fim e saio batendo o pé, rumando a cozinha.

- E o quê ele está fazendo no meu quarto? – Pergunto subitamente parando de andar.

- Eu pensei que você não ligaria... – Me viro lentamente e encaro meu pai. Não é possível que...

- Ligaria para o que? – Pronuncio lentamente. – Você não tá me dizendo que deu meu quarto para ele sendo que NÓS TEMOS QUARTOS DE HÓSPEDES! – Digo gritando a última parte.

- Por favor Julie se acalme. - Meu pai diz por fim. – Mas sim, o Luke está no seu quarto sim.

Lanço um último olhar de indignação para o meu pai e subo as escadas parando em frente a porta do meu quarto novamente.

A abro.

- Sai. – Digo num tom fingido de calma. Luke me olha com surpresa e curiosidade, porém não se mexe para sair de cima da minha cama e de meu quarto.

Olho rapidamente em volta e vejo que meu quarto não está muito diferente de como eu o deixei, apenas com algumas decorações mudadas e roupas espalhadas pelo chão, e perto da janela um violão e uma guitarra.

- Eu disse para você sair. – Digo apontando para a porta.

- Nem um "Oi Luke, a quanto tempo como você está?" – Ele sorri ladino e gesticula com as mãos.

- Esse é o meu quarto, essas são as minhas coisas então eu estou pedindo civilizadamente que você saia do meu quarto agora antes que eu... – Ele me interrompe e tenho vontade de soca-lo.

- Antes de você o que? – Ele diz se levantando da cama e abrindo um sorriso escancarado.

Sinto meu sangue ferver e antes que eu possa me dar conta do que estou fazendo, já peguei todas as roupas dele que estavam perto de mim no chão, e estou me encaminhando para a janela para as jogar de lá.

Ele parece notar o que estou prestes a fazer porque solta um grasnido antes de começar a falar.

- Você nem pense em fazer isso Jules. – Paraliso com o apelido.

- Não me chama assim. – Grunho.

Sinto ele se aproximar lentamente, e em um movimento só empurro uma das partes da janela e estendo meu braço com as roupas para fora dela.

Porém antes que eu possa soltar as roupas, sinto seu braço envolvendo minha cintura e me tirando do chão.

- ME SOLTA AGORA LUKE PATTERSON. – Grito enquanto me esperneio.

Ele me coloca imediatamente no chão e eu me viro para a porta ao ouvir meu pai limpando a garganta.

Ele parece prestes a falar algo, porém não lhe sou a oportunidade.

- Não é possível que você vá deixar ele ficar com o meu quarto! – Berro indignada.

- Julie para de show por favor, você está parecendo uma criança. – Meu pai diz sério e vejo Luke acenando em concordância.

- Show? – Sinto minha voz fraquejar e toda minha raiva se transformar em mágoa, minha garganta fecha e antes que eu comece a chorar na frente de Luke saio do quarto e desço as escadas correndo.

Meu pai coloca Luke para morar dentro da minha própria casa e ainda por cima dá meu quarto a ele e diz que eu estou dando show? Mesmo depois de tudo que ele me fez? Sinto uma lágrima escorrer, mas a limpo rapidamente nesses últimos dois anos a coisa que eu mais fiz foi chorar.

Eu prometi para mim mesma que não iria mais chorar por besteiras, e aqui estou chorando por causa de Luke.

Patética.

- Não é possível que meu pai vai fazer isso mesmo. – Murmuro e fungo enquanto pulo à cerca de minha casa e passo para o quintal de Nick, meu vizinho desde que me entendo por gente.

Peço mentalmente para que ele esteja em casa, mas antes que chegue na metade do jardim escuto uma voz.

- Julie?

Direciono meu olhar para o som e vejo Nick sorrindo para mim.

Vou até ele calmamente e passo meus braços ao redor de seu pescoço e ele faz o mesmo com a minha cintura.

- Eu estava com tanta saudade! Você não tem nem ideia. – Ele me apertar um pouco mais.

- Eu também estava Nick. – Digo com a voz ainda embargada.

- Você está bem? – Ele pergunta se afastando um pouco para me olhar nos olhos.

Faço que sim e em seguida me enrosco novamente em seu pescoço e ele afaga meus cabelos.

- Vem, vamos lá para dentro. – Diz em um tom mais brando. Ele pega minha mão me guiando para dentro da casa. 

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