Algumas pessoas gostam de cantar, pintar, dançar, escrever...e eu apenas gosto de manhãs chuvosas a onde com o meu café posso ler um livro e ouvir o barulho da chuva.
Hoje é quarta feira, o que significa que tenho que ligar para minha avó e ouvi-la me convidando para almoçar com ela pela milésima vez, acredite, se fosse só com ela eu iria todos os dias, mas não...ela irá chamar meus pais e já faz anos que não os vejo. Minha avó, Bárbara, sempre cuidou de mim enquanto meus pais ocupam seu tempo com o trabalho, ela é o único exemplo de amor familiar que tenho.
Vou para varanda com meu café, Amanda ainda está na praia e Clara dormindo.
-Bom dia vó, como você está?
-Estou com saudades da minha netinha, você não vem mais me visitar.
-É só muita coisa na cabeça, não se preocupe eu ainda vou te visitar.
-É o que sempre fala, uma hora eu não vou mais estar aqui, já estou velha e é por isso que insisto que venha me visitar e fale com seus pais.
-Se fosse só você, vó, eu com certeza iria, mas não estou pronta para falar com eles e você sabe disso.
-Será mesmo que não está? Ou você apenas não quer estar?
-É...eu não sei- não sei o que responder, ela sempre foi boa em desvendar meus olhos quando não conseguia enxergar aquilo que está na minha frente.
-Uma hora terá que enfrenta-los, mas não se esqueça, eu te amo muito.
-Também te amo.
Desligo a ligação, sento na rede que temos na varanda, coloco minhas mãos em meu rosto e deixo as lágrimas caírem ligeiramente.
Consigo me imaginar encontrando meus pais, porém naquele momento eu já tenho minha própria cafeteria e já não tenho crises a anos, é apenas eu no controle de tudo.
Sinto uma mão secando minhas lágrimas e alguém me abraçando, olho para frente e vejo Amanda e Clara.
☆☆☆
Estou fazendo panquecas com mirtilos para as garotas enquanto as observo, Amanda está fazendo uns desenhos com tinta em sua prancha e Clara está digitando freneticamente no notebook com a intenção de que seus dedos e mente entrem em sincronia.
-Como está indo com a nova garçonete?- Clara pergunta enquanto coloco as panquecas na mesa.
-Verdade, você não disse muito sobre ela- Amanda fala se levantando para guardar sua prancha.
-É porque não tem muito o que falar, conversamos apenas sobre o que ela tem que fazer no trabalho, aliás tenho a sensação de que já a vi em algum lugar.
-Pode tentar se aproximar, pergunta o que ela gosta de fazer no tempo livre ou algo do tipo- diz De Lucca pegando outra panqueca.
-É só ser você mesma- fala Amanda se sentando na mesa.
☆☆☆
Abro o caffe Fratelli, passo um pano nas mesas e fico perto do balcão esperando os outros funcionários chegarem.
Eles chegam, passam por mim, dão bom dia e depois só nos falamos se necessário.
Bella, a garçonete que estou treinando chega, me cumprimenta e entra na área dos funcionários para se trocar.
A manhã foi tranquila, como sempre, alunos e pessoas atrasadas entram para comprar um café e saem mais rápido do que quando chegaram.
Resolvo seguir o conselho das meninas e tentar me aproximar da nova garçonete.
-Quer almoçar comigo?- pergunto, ela parece assustada, mas aceita.
Escolhemos um restaurante perto do caffe Fratelli mesmo.
Está um silêncio meio constrangedor, por isso falo a primeira coisa que veio em minha mente:
-Você gosta de ler?
-Ah, um pouco, não tenho um hábito de leitura como o seu que a cada pausa no trabalho está com um livro, mas leio um pouco, minha saga preferida é Harry Potter.
-Sério?
Sinto que posso até me acostumar com ela, afinal todo ser humano fã de Harry Potter tem uma alma boa.
-Sim, você é fã também né?
-Com certeza, qual seu personagem preferido?
-Hermione Granger, lógico.
-Essa mulher é perfeita.
-Sem sombra de dúvidas.
-Então...sei que isso é estranho, mas eu acho que te conheço de algum lugar.
Eu realmente sinto isso, seu rosto é familiar, só não sei de onde.
Ela olha pra mim e sorri.
-É por que já nos conhecemos, sou a Bella namorada do Brandon, nos vimos no festival Monte Carlo.
-É, claro...me desculpe, não sou muito boa para guardar rostos.
-Eu percebi que não tinha me reconhecido, mas você estava fazendo tudo no automático, então acabei não dizendo nada.
-Eu não sou muito boa com pessoas.
-Deve ser por isso que consegue conversar com o Harry.
-Como assim?
-Ele não conversa com quase ninguém sem ser o pessoal da banda, é quase um milagre ele falar tão bem com você.
-Nós nem nos conhecemos direito, falamos só algumas vezes.
-Mesmo assim já é muita coisa.
-Se você está dizendo...
☆☆☆
Penso e penso de novo no que Bella disse, eu até repasso todos os momentos que nos vimos em minha mente, só ainda não descobri o porque de tanto desespero de minha parte.
A tarde é sempre mais movimentada, e agora que Bella está trabalhando aqui eu fico apenas no balcão. Olho o relógio do café e noto que está quase no horário das garotas chegarem.
Tento voltar para minha leitura mesmo que minha mente insista em ir à milhas de distância. Estou lendo "quase uma rockstar" de Matthew Quick , esse livro me faz pensar que mesmo que o mundo insista em te derrubar você consegue se levantar e ser o rockstar de seu próprio universo.
-Por que garçonete?- olho para frente para confirmar minha teoria, é Harry começando uma conversa sem ao menos cumprimentar a pessoa antes.
-Não sou muito boa em começar uma conversa, mas tenho certeza que a pessoa não faz uma pergunta pessoal logo de cara.
-Foi mal, eu também não sou muito bom nisso. Vou recomeçar: Olá, como vai?
-Estou bem e você?
-Bem também, mas então...por que garçonete?
-Temos que começar por algum lugar.
-Então o que realmente quer fazer?- ele pergunta olhando tão fixamente em mim que sinto um frio na barriga.
-Bom...quero um dia abrir minha própria cafeteria e não vai ser qualquer cafeteria, ela terá uma biblioteca junto.
-Gostei, eu serei um cliente fiel quando abrir, mas por que uma cafeteira?
-Você não cansa de fazer perguntas?
-Me desculpe, mas não, não quando a pessoa a quem estou esperando uma resposta é interessante demais.
Tento disfarçar meu constrangimento, entretanto com certeza falhei.
-Eu amo café e livros, além do mais, vou sentir estar no controle de alguma coisa, sabe, vai ser o meu lugar e eu sei que isso soa um pouco estranho...mas é assim que me sinto.
Nunca tinha dito isso a ninguém além das garotas e minha avó, mas dizer isso a ele enquanto me olha como se entendesse minha alma, faz com que esteja tudo certo ao ter me aberto com ele.
-Não soa nada estranho, encontrar uma forma que sinta no controle de tudo. "Tento encontrar alguma coisa sólida em que me agarrar nesse mar de pensamentos", é uma frase de...
Não preciso que ele termine de dizer para saber de que livro que é.
-Tartarugas até lá embaixo, John Green- completo olhando diretamente em seus olhos.
-Então você conhece John Green?
-Por que não?..
Colaboração com _Blusaturno
"Olá pessoas, deêm muito amor pra história da Cecília com o Harry!
Eu e as meninas estamos muito animadas, espero que gostem."
By: Blusaturno e pottezrhead.