POV EMMA
Hoje foi um dia estranho. Na verdade, acho que foi o dia mais doido da minha vida. Tudo começou quando eu estava na quadra, durante a aula de educação física. Já começou errado pelo fato de ser aula de educação física e eu odiar isso. Não gosto muito de me exercitar. Enquanto as pessoas corriam pela pista, eu coloquei meus fones de ouvido para fazer uma caminhada. Não queria ficar suada. Obviamente, o treinador Alvez não ficou feliz comigo.
Lá estava eu, escutando minha playlist de músicas pop dando voltas no campo de futebol americano ignorando os meninos e meninas que ainda tentavam ganhar um pouco de nota nessa aula, quando avisto Melissa andando em minha direção. O que essa garota poderia querer comigo agora?
Ela caminhava com a sua cabeça erguida e seus cabelos castanhos balançando com o vento. Talvez não quisesse perder a dignidade que lhe restou. A menina não demorou para me alcançar e eu refletia se deveria sair correndo na direção oposta.
- Oi, Emma... - Ela tenta olhar para qualquer outro lugar que não envolta minha pessoa. - Será que podemos conversar? - A intensidade de sua voz oscilava durante a sua fala, dando sinais de nervosismo. - Acha que posso caminhar com você?
Que besteira! Foi tudo que consegui pensar. Porém, como minha mãe me educou muito bem para não faltar com respeito a ninguém, apenas respondi:
- Claro. - Tentei não deixar meu desconforto em evidência, e agora parando para lembrar desse momento, talvez eu tenha falhado. - O que quer falar?
- Na verdade, quero pedir desculpa.
É... Eu definitivamente não estava pronta para escutar isso. Nunca vi Melissa se desculpando com alguém. Não achei que ela ligasse para esse tipo de coisa.
- Er... - Fiquei até sem palavras com essa bomba.
- Eu sei, parece esquisito mas... - Ela solta um suspiro. - Depois de refletir muito depois que nós brigamos... Olha, talvez eu não devesse ter tornado a sua vida tão chata.
- O que quer dizer com isso?
- Quando éramos menores, eu não deveria ter saído falando mal de você, por mais que tivesse um motivo para isso. Eu errei. Mas estava brava.
- Por conta de Ethan, certo?
- Sim... Quero pedir desculpas por isso. Não deveria ter criado tanta intriguinha só por causa de um menino. Nós realmente fomos boas amigas por um tempo.
- Sabe... Eu também errei. Na época não saquei que eu estava sendo fura olho e como isso iria te magoar. Demorei muito para sacar isso.
- Você não tinha como saber. Eu não contei para ninguém.
Ficamos em completo silêncio por alguns segundos. O sol fraco do inverno tocava as nossas peles, o dia estava bem bonito. Céu aberto e sem chuva.
- Mas a questão aqui é... Quero pedir desculpa pelas coisas que fiz no intuito de te prejudicar.
Apenas nesse instante eu percebo o quanto já errei com a Melissa. Furei seu olho não uma, mas duas vezes. Beijei o namorado dela enquanto os dois estavam juntos e ainda a fiz pegar uma detenção. Apenas nesse instante percebo que eu não sou vítima nessa história, sou apenas alguém que errou e que teve que pagar pelos erros.
- Eu não deveria ter beijado John enquanto vocês estavam juntos.
- E eu não deveria ter manipulado a cabeça dele para ele ficar comigo. John nunca gostou de mim de verdade, e ele nunca irá. - Sua voz triste indica que ela ainda está tentando superar esse fato. - Na cabeça dele será você... Sempre será você, Emma. E eu não posso forçá-lo a gostar de mim e não posso impedir que vocês fiquem juntos.
- O que fez você pensar dessa forma?
- Eu só... Achei alguém que me ama de verdade e que me ajudou a pensar. A abrir meu coração.
Alguém que a ama... Noah.
- Noah? - Melissa assente como resposta. - Ele realmente gosta mesmo de você.
- Ele me ajudou a ver que eu estava sendo muito cruel. Meninas deveriam se unir, e não ficar brigando por aí por meninos. Não é?
- É... Concordo com você!
- Acha então que podemos fazer as pazes? - Com toda certeza eu fiquei com uma expressão de confusão, pois logo depois ela já continuou sua fala. - Não estou falando para sermos amigas de novo. Não é isso. Sei que confiança é um lance complexo... Mas gostaria que conseguíssemos seguir sem inimizades. Não vou mais tentar te prejudicar por causa de John. Afinal, eu nem estarei mais em Sunset Hills no próximo ano.
- Sendo assim, podemos deixar a inimizade de lado. - Estendi a minha mão e trocamos um aperto. - Para onde vai agora?
- Voltar para o meu lar. Perto de Noah novamente. Nunca deveria ter me mudado para cá por causa de um menino que eu conheci faz poucos meses.
Não posso deixar de concordar com essa afirmação da Melissa. Nunca entende o motivo de ela ter largado tudo para trás por causa de um namoro que a menina nem sabia se daria certo ou não. Sempre me parecer tão ousado. Talvez eu apenas não goste de ousar.
- Fico feliz que agora podemos ficar tranquilas em relação a isso.
- Eu também! - Ela sorriu para mim, e com esse sorriso o mundo ficou mais leve em meus ombros.
Agora, sentada em minha cama, só consigo pensar em como isso foi inesperado. Melissa não era uma completa vilã e eu não era uma completa vítima. Assim como uma moeda, todas as histórias possuem dois lados bem distintos. Algo bom para mim, não vai ser bom para todos. Algo ruim para mim, não vai ser ruim para todos. Tudo depende do ponto de vista. Melissa me prejudicou e eu a prejudiquei, por isso deixamos de ser amigas e nos tornamos... Bem, aquilo. Só de pensar no efeito que garotos tiveram entre nós eu fico assustada. Isso é uma dúvida constante em minha cabeça.
Até que ponto vai um coração apaixonado?
Aprendi com meus livros que tudo é possível quando se trata do amor. Até mesmo segurar o mundo nas costas apenas para salvar a pessoa amada. Talvez isso seja uma visão romantizada do que seja o amor e até onde ele pode ir. O amor romântico, possivelmente o sentimento mais abstrato que existe no coração humano, apenas faz suas vítimas. Vitoriosos são aqueles que recebem o amor. Sentimento capaz de qualquer coisa, na minha visão. Ele é poderoso. Mais poderoso que o ódio. O amor move o mundo, move as ações, aventuras, tristezas, decepções e o próprio corpo.
Toda vez que vemos a pessoa que amamos - ou achamos amar - as pupilas ficam dilatadas, o rosto fica mais corado, o coração acelera tanto que parece que vai sair pela boca. É o amor que faz os humanos cometerem atos malucos. Não falo isso pensando em perseguição e obsessão... Isso não é amor. Amor é um sentimento puro. Você só quer o bem da outra pessoa, a felicidade dela. Quer estar com ela até quando a paixão acabar. Por isso penso que os azarados são aquelas pessoas que não são capazes de amar.
Entretanto, eu sou só uma adolescente... O que eu entendo sobre amor? Sobre paixão? Eu sei apenas aquelas coisas que meus livros me ensinaram.
notas da autora
oioi amorecos, como vocês estão? Soltei capítulo extra nessa semana de presente de natal, espero que gostem da bomba que foi esse capítulo. No minímo inesperado, eu acho.
Me digam uma coisinha... Acham que Melissa foi sincera em seu pedido de desculpa? Infelizmente, não posso dar a minha opinião pessoal pq estaria entregando muita coisa do próximo livro, vão precisar ficar por aqui para saber.
Mores, se gostaram do capítulo de hoje não esqueçam de deixar aquele comentário falando o que acharam. Cliquem ali na estrelinha para ajudar a titia Bia e compartilhem com seus friends.
Obrigada por acompanharem até aqui.
Beijinho beijinho e tchau tchau, nos veremos no próximo capítulo.
CONTAGEM REGRESSIVA PARA O FINAL: 2 capítuloooooos (tá quase acabando gente, como lidar?)
~Bia Bars~