The Painter

By whyparkmin

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Jeongguk era como um livro e Taehyung estava disposto a explorar até as entrelinhas. Como todo bom livro, Jeo... More

Galeria

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By whyparkmin

Desde pequeno, Taehyung sempre mostrou ter uma grande paixão pela arte. Ele lembrava bem de quando tinha apenas sete anos e chegou de sua escolinha em Daegu, sendo recebido por sua vozinha com seu primeiro Kit de pintura – que ele ainda guarda, em um canto especial de seu closet. Com o tempo, ele foi aprimorando seus conhecimentos artísticos e transformando o que antes era um hobby, em trabalho. Por tanto, ponderado como era, Taehyung não levava tudo para o extremo lado profissional. Ele gostava de viver a arte como uma forma de prazer, em que ele poderia depositar todos os seus sentimentos numa simples tela em branco.

Ele sempre fora uma criança apaixonada por livros. E o amor pela leitura não diminuiu com o tempo. Com vinte anos, publicou seu primeiro livro intitulado: "The Sound of Winter". E sempre que tinha um tempo, aproveitava ele também escrevendo.

Taehyung sempre foi um homem bom, dedicado, resiliente e com um grande carisma, gostava de pensar que isso contribuiu muito para o seu sucesso. Agora, com seus vinte e sete anos de idade, poderia dizer que levava uma vida digna, com conforto, muito luxo e amigos que podia contar sempre que precisava.

Vivia rodeado por pessoas ricas e influentes, com mentes capitalistas que só pensavam em dinheiro e bens materiais. Mas isso não o tornava um homem egoísta, pelo contrário, Taehyung fazia o possível para nunca chegar a ficar como aquelas pessoas, ele sabia como tudo aquilo poderia causar um grande estresse, e prejudicar sua saúde mental. Claro, ele gostava de esbanjar o que tinha, afinal, ele conquistou tudo aquilo com o esforço de seu trabalho. O trabalho é necessário para garantir uma vida digna. Portanto, ele administrava muito bem seu dinheiro, impondo limites em seus gastos e utilizando-o também, para fins donativos.

A mídia Coreana referia-se a Taehyung, como um homem de muitos talentos, sendo a pintura, o maior deles. O Kim dizia que amava seu trabalho, amava o que fazia, tanto que já era uma rotina passar as manhãs de sábado em sua grande sala de artes, na cobertura, fazendo suas obras enquanto ouvia melodias calmas que havia adicionado em uma playlist para momentos como aqueles.

Uma semana atrás, Taehyung havia tido uma reunião importante com representantes de duas grandes corporações. Os homens praticamente imploraram para o pintor comparecer ao evento que teria numa galeria de Seul, com isso, Taehyung confirmou sua presença.

Era um Sábado de manhã, e Taehyung estava quase concluindo a tela que colocaria para expor na galeria, quando a campainha de seu apartamento tocou, tirando-o de seus pensamentos e fazendo Yeontan sair correndo e latindo alto em direção a porta de entrada.

— Bom dia! — E lá estava ele. Park Jimin, em toda a sua glória e sorriso que fazem seus olhos sorrir juntos, em pleno sábado de manhã. Taehyung não reclamaria, nunca. Ele amava ver o amigo daquela forma, isso o fazia se sentir bem. — Como está o melhor amigo do mundo? Já comeu?

Antes que Taehyung tivesse tempo para responder, Yeontan solta um latido agudo, pulando nos pés de Jimin e finalmente conseguindo a atenção que tanto queria.

— Papai! Pá quê tanto balulio. Eu 'tava dormindo.

Ah... um pequeno detalhe que esqueci de mencionar: Kim Taehyung tinha uma filha.

Há alguns anos, Taehyung tinha uma companheira. Uma mulher chamada Haru, que Taehyung amava grandemente, mais do que poderia colocar em palavras. Após um bom tempo juntos, nasceu um fruto desse lindo relacionamento. Uma linda e doce menina, a qual colocaram o nome de Nabi. Um nome curto, e com um bonito significado.

Infelizmente, Haru teve sérios problemas de saúde após dar à luz a pequena Nabi, vindo a falecer alguns dias depois do nascimento da menina.

Foram dias difíceis para Taehyung desde a sua perda. Contudo, ele não podia desanimar, pois tinha sua filha para cuidar e estava decidido a dar uma vida boa e feliz para a pequena. E era exatamente isso que ele vinha fazendo a quatro anos. Nabi não poderia estar mais feliz com o seu "papai pintor númelo um".

— Oi, princesinha. Já acordou? Olha quem está aqui.

— Titio, Jimin! — Nabi falou, correndo até seu titio preferido e pulando em seus braços.

— Essa não, fui trocado. — Taehyung fez drama fingindo choro, fazendo os outros dois rirem.

Jimin sempre esteve presente na vida do Kim, e desde o nascimento da Nabi, ele tem estado ao lado de Taehyung o apoiando em todos os momentos. Ele fazia visitas a casa do mais velho toda semana, resultado disso foi a garotinha ficando completamente rendida aos encantos do tio Jimin.

— Vamos, eu trouxe umas coisas para cozinharmos.

Sarang, a senhora que cuidava da Nabi algumas vezes quando necessário, levou a menininha para tomar um banho e cuidar de sua higiene.

Os dois amigos foram em direção a cozinha preparar algo para comer. Com tudo pronto, sentaram-se nos bancos do grande balcão de mármore que tinha no centro da cozinha de Taehyung. Ficaram ali, trocando conversas enquanto aproveitavam suas refeições.

— Quando vai ser a exposição? — Jimin perguntou, atraindo a atenção do amigo a sua frente. — Quem sabe eu apareço por lá se eu não estiver muito ocupado no trabalho.

— Segunda... Eu ainda tenho que concluir o quadro. — Taehyung respondeu, colocando mais comida na boca e engolindo com rapidez para terminar sua fala. — Não precisa se incomodar, só apareça se você estiver realmente livre, não quero atrapalhar.

— Você não atrapalha, Tae. — falou olhando nos olhos do amigo para dar a ele certeza de suas palavras. — De jeito nenhum.

Taehyung sorriu, fazendo Jimin sorrir também.

Terminando de comer, Taehyung levou Jimin para ver o quadro que estava sendo preparado para a exposição. Jimin sempre tinha uma ótima reação para qualquer coisa que Taehyung fazia, e isso o motivava.

O pintor foi até a sala, vendo Nabi sentada de joelhos pintando algumas folhas de papel em cima da mesa de centro. A garotinha aguardava enquanto Sarang preparava seu café da manhã.

Escutou a voz de Jimin vindo do seu quarto e foi até lá.

— Que bagunça. — o Park falou, olhando o monte de papel espalhado que Taehyung tinha ali em cima de uma mesa no canto do quarto. — É do livro que você está escrevendo?

Era uma mesa fina de madeira rústica tingida numa cor cinza escuro. Possuía uma luminária de mesa articulada em aço na cor preta e uma cadeira giratória.

— É sim. — respondeu simples. - A maioria são rascunhos. — aproximou-se de Jimin que olhava atentamente o conteúdo dos papéis. — Estou bem animado quanto a essa narrativa.

— Está perto do final? — Jimin perguntou, se mostrando bem interessado no assunto.

— Ainda não, mas pelo menos já tenho uma base de todo o enredo formado. — fez um gesto de positivo com a mão e uma careta, fazendo Jimin soltar uma gargalhada gostosa.

Eles passaram o resto do dia assim: conversando, falando dos podres da vida de algum homem rico que ambos conheciam, brincando com Nabi e Yeontan, assistindo séries e comendo.

Logo o dia deu lugar a noite e Jimin se despediu do amigo e de seus dois filhos – palavras do próprio Jimin – com um abraço.

— Está com sono, princesa? — perguntou para a filha em seus braços. Nabi fez que sim com a cabeça e ele a levou até sua cama, cobrindo-a rodeada de lençóis fofos e lhe dando um beijo de boa noite nos sedosos cabelos escuros, para então sair.

Taehyung pegou Yeontan nos braços, deixando um selar na ponta de seu nariz e indo em direção a seu quarto.

Assim que se deitou, escutou seu celular vibrando com um toque de mensagem chegando. Taehyung já podia adivinhar quem era o dono daquela notificação, pois ele havia escolhido um toque diferente apenas para dois de seus contatos: Kim Seokjin, seu irmão, e Jimin. Vendo que era o melhor amigo, Taehyung meneou a cabeça e se pôs a responder o conteúdo da mensagem do Park, desejando-o uma boa noite de sono.

Domingo foi tranquilo. Taehyung aproveitou para terminar de pintar seu quadro e usou o resto do dia para descansar. No final da tarde recebeu um e-mail de um dos representantes, repassando todo o cronograma da manhã seguinte.

Logo a segunda chegou. Taehyung tinha um evento para ir. Acordou com o toque do alarme que havia colocado para despertar. Levantou indo em direção ao banheiro para tomar um belo banho em sua banheira de hidromassagem. Saiu do banho com apenas uma toalha amarrada em sua cintura, e outra pequena que usava para secar seus cabelos. Yeontan observava seu dono com os olhos atentos.

Terminando de se secar, Taehyung vestiu suas roupas: uma blusa de botões e uma calça social simples da Saint Laurent, um sapato social, um sobretudo preto e mais alguns acessórios, de marcas diferentes e de um custo alto.

Arrumou Nabi para a escolinha e, com tudo pronto, pegou seu celular e suas chaves, para então, ir em direção a seu carro.

Despediu-se de Yeontan, e seguiu seu caminho. Ainda era de manhã, o transito de Seul estava calmo.

Depois que deixou a filha na escola, demorou cerca de vinte minutos para Taehyung chegar a galeria. O pintor estacionou seu carro e adentrou o local.

O piso era todo em mármore, tudo com um toque refinado, um ar calmo. Taehyung andava com as mãos no bolso de sua calça, enquanto admirava os quadros ao seu redor.

Mais à frente, Taehyung pôde observar seu quadro exposto ali - a pintura de dois ursos polares observando juntos o pôr do sol, com um terceiro ursinho filhote entre eles –, em uma das enormes paredes do local. Algumas pessoas observando sua obra, o pintor deu um leve sorriso com o canto da boca e continuou caminhando – as mãos sempre dentro do bolso, davam um charme a mais a ele.

Taehyung admirava todos os tipos de artes, mas havia uma em específico que lhe deixava maravilhado. As Artes de Van Gogh. Ah, como Taehyung amava suas obras. E ali, naquele grande salão estava a obra mais famosa de seu artista favorito. A Noite Estrelada. O Kim apressou seus passos indo em direção a pintura e ficou ali, admirando cada mínimo detalhe do quadro. Estava tão distraído que quase não notou a presença de uma outra pessoa ao seu lado.

— Lindo não é mesmo? — O homem falou enquanto observava a pintura, despertando a atenção do pintor. — É uma obra e tanto.

— Sim, é sim... — Taehyung disse alternando seu olhar entre o quadro na parede e o ser ao seu lado. Olhou em volta dando-se conta de que só estavam eles dois naquela enorme sala. E então fitando o outro homem, que agora estava de frente para si, continuou. — Me encanta de uma forma inexplicável.

"Não tenho certeza de nada, mas a visão das estrelas me faz sonhar." — O outro disse, dessa vez olhando nos olhos de Taehyung, com uma expressão serena em seu rosto que por algum motivo fez os pelos do corpo do Kim se arrepiarem. — É assim certo?

Taehyung, não emitia som algum. Ele só conseguia encarar o outro a sua frente. Paralisado. Aquele homem... sua voz, a forma como as palavras saiam leves por entre seus lábios, seu olhar. Mexeram de alguma forma com Taehyung. Antes que o pintor tivesse chance de pensar em qualquer outra coisa, escutou alguém chamando pelo seu nome, quebrando o silêncio que havia se instalado entre eles.

— Sr. Kim! O Sr. Myung está o chamando. Os representantes já subiram ao palco da palestra. — Um homem baixinho e gordinho foi ao encontro deles, arrastando Taehyung para longe do homem, que momentos antes tinha o corpo a centímetros de si. — Temos que ir logo.

— Espera. — Taehyung disse, parando e virando-se para trás, na tentativa de olhar para o homem de olhos arredondados e brilhantes. — Qual o seu nome?

— Jeongguk. Jeon Jeongguk. — sorriu simples.

Taehyung repetiu em sua mente aquele nome, quando já estava longe o suficiente, abrindo um pequeno sorriso.

———————

Já havia se passado uma hora desde que Jimin chegou ao museu de artes. Ele andava com os olhos atentos nas pessoas do local, porém sua cabeça só pensava em uma em específico.

Após tanto tempo de espera, cumprimentando homens ricos e de idade bem mais avançada que a sua, Jimin finalmente pôde avistar o único real motivo dele estar naquele lugar.

Jimin foi caminhando em direção ao aglomerado de pessoas que se encontravam no salão principal da galeria. O Kim, que estava concluindo suas palavras, encontrou os olhos do seu melhor amigo no meio de toda aquela gente e não pôde evitar que uma expressão feliz se formasse em seu semblante, que antes estava um tanto sério.

Terminando seu discurso, o pintor foi cercado por vários jornalistas indo com o intuito de entrevistá-lo. Depois de um tempo de espera e várias perguntas respondidas e outras omitidas, Taehyung foi em direção a Jimin, recebendo-o com um grande abraço.

— Você demorou. — Taehyung falou se afastando do amigo. — Fico feliz que você tenha vindo.

— É... houve uns imprevistos. — Jimin respondeu pensativo. Ele não queria entrar em detalhes sobre sua confusão em busca do amigo. O foco naquele momento era Taehyung. — Onde você estava? Ah! Eu vi seu quadro exposto, está perfeito, Tae!

— Que bom que gostou! — O pintor parou por um instante como se tentasse reformular cada segundo do que aconteceu antes de ser chamado pelos representantes. — Vamos sair daqui, não aguento mais esse lugar. Tenho uma coisa 'pra te contar! — Taehyung falou puxando Jimin para fora da galeria, enquanto seus olhos percorriam o grande salão em busca de algo...ou alguém.

Um celular tocou, fazendo os dois pararem.

Jimin atendeu a chamada. Pelas expressões que fazia, Taehyung deduziu que era algum problema.

— Aconteceu alguma coisa? — Taehyung perguntou confuso, após Jimin desligar e guardar o aparelho no bolso de sua calça social.

— Problemas no trabalho. Um funcionário está sendo levado para o hospital. — Jimin respondeu passando as mãos por seus fios negros, e então segurando a mão do amigo e alisando a região com o polegar. — Tenho que ir agora. Desculpa não poder ficar mais com você.

— Tudo bem, não se preocupe. Nós conversamos depois.

***

Assim que chegou em casa, Taehyung recebeu inúmeras ligações, entre elas mais pessoas querendo sua presença em outros eventos, porém, o pintor foi obrigado a recusar todos os convites. Não é que Taehyung fosse mal-educado, estava longe disso.

Taehyung estava exausto, seu corpo, assim como sua mente estavam cansados, e tudo que ele conseguia pensar era em como queria um pouco de descanso, como queria que seu melhor amigo estivesse ali com ele.

Toda a confusão que ocorrera na empresa estava o estressando, e tudo não estava nem perto de um fim.

Ele resolveu tentar dormir um pouco. Quando estava perto de pegar no sono, seu celular tocou mais uma vez, fazendo ele despertar por completo num pulo de susto, fitar o aparelho com um olhar de desdém e então jogá-lo com força contra a parede de seu quarto. Ele com certeza teria que comprar um novo depois disso. Mas isso não seria um problema para o pintor.

Ele deitou novamente com a cabeça sobre o travesseiro fechando os olhos, e vagas lembranças de seu dia começaram a passar pela sua mente, fazendo-o lembrar do homem que encontrou na galeria.

Como aquele homem conseguiu deixar Taehyung tão internamente mexido, em um espaço tão curto de tempo? Ele não sabia responder, mas não é como se fosse fazer algum esforço para isso. Não agora. Agora, ele precisava de um bom descanço.
Havia sido um dia cheio para Taehyung.

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