Freddie...
Eu sentia as lágrimas descer, mas não conseguia acreditar nisso.
A minha menina não iria embora sem se despedir de mim.
Saímos todos do hospital e fomos pra minha casa.
Grego saiu aquela hora do hospital e não sei pra onde foi.
Já fazia 3 horas que a gente tinha recebido essa notícia.
Ouvi a porta abrir e um monte de mulher falando entrar em casa.
Olhei pra porta e vi todas pararem de rir na hora.
O Diogo e o Guilherme subiram pra tomar banho. Eles tavam sujo com o sangue do Russel, do Brad, deles mesmo e da Lua.
Mariana: O que aconteceu?
Sofia: Cadê o Diogo e o Guilherme?
Eu não ia conseguir dizer pra minha mulher, que eu não consegui proteger a nossa filha.
Pelo jeito nenhum de nós vamos conseguir falar, já que olhamos um pra cara do outro, olhando pro chão em seguida.
Roberta: Cadê o Guilherme? Alguém me diz cadê meu namorado!
Gm: Eu tô aqui.
Sofia: Meus filhos! Vocês tão bem? Foram machucados?
Olhei pra trás e vi eles terminando de descer as escadas vindo pro sofá sem responder ela.
Mariana: Cadê meu irmão?
Menor: A gente não sabe Mari. Ele subiu o morro sem falar com ninguém.
Thalita: Por que vocês estão com essa cara? Não conseguiram resgatar os meninos?
O Samuel assentiu com a cabeça.
Thalita: Então pronto. Agora vem a comemoração.
Quando eu ia responder a porta de casa foi aberta de novo.
Só que agora pelo Pistola e o Feijão.
Ambos tinham um semblante triste.
Pistola: Diz pra gente que isso é mentira! Diz que isso não aconteceu.
Paçoca: Bem que a gente queria cara, bem que a gente queria.
Feijão: Não. Isso não pode ser verdade. Puta que pariu isso não.
Sofia: O que tá acontecendo aqui?
A porta abriu de novo e por ela passou um Grego todo sujo de sangue ainda e chorando demais.
Grego: Cadê minha irmã? Eu preciso da minha irmã.
O tom de voz dele era desesperado.
Mariana: Eu tô aqui mano. Isso tudo é saudade de mim?
Ela foi pra perto dele.
Ele simplesmente agarrou ela e desabou a chorar mais do que antes.
Grego: Trás ela de volta mana. Eu preciso dela aqui, do meu lado pô.
Agora eu vejo o quanto ele ama a minha filha.
Mariana: Trazer quem Matheus? O que tá acontecendo?
Grego: Tá doendo aqui Mari. Tá doendo pra caralho. Eu preciso dela pra essa dor sair. Trás ela pra mim! Eu preciso dela.
Ele se soltou dela e sentou perto do sofá, no chão, escorado na parede, abraçando os joelhos.
Vt: Eu não consigo caralho. Eu não tava preparado pra isso não porra.
Mm: Ninguém tava preparado pra isso mano.
Me assustei quando escutei alguma coisa batendo na parede com força.
Quando vi que era o Grego dando com a cabeça na parede, eu arregalei os olhos.
Ele tava desesperado pela morte dela.
Mais que todo mundo aqui dentro.
Mariana: Matheus para com isso!
Ela falou se aproximando dele.
Grego: Faz essa porra parar de doer Mariana.
Mariana: A onde tá doendo Matheus?
Grego: Aqui dentro. Trás ela pra mim, pra parar de doer. Só vai parar quando ela voltar.
Vê ele jogando a cabeça assim na parede, tá fazendo eu entrar em desespero.
Eu não fui capaz de proteger nem a minha filha porra.
Grego...
Tava uma dor tão absurda no meu peito, que eu achava que ia morrer.
Joguei a cabeça na parede com mais força fazendo a Mariana arregalar os olhos.
Mariana: Matheus, explica pra mim o que tá acontecendo? Pra mim poder te ajudar mano.
Olhei pra ela com a vista toda embaçada por causa das lágrimas.
Eu: Ela me prometeu que nunca ia me abandonar e ela me deixou pô. Ela se foi, depois de dizer que me ama. Tá doendo Mari.
Eu sintia todo mundo me olhando, mas eu não conseguia olhar de volta pra eles.
Voltei a jogar a cabeça na parede, na intenção de distrair a dor que eu tô sentindo.
Mariana: Matheus PARA! Tu tá me assustando. Quem disse que te ama e foi embora?
Eu: Ela pô. Ela me prometeu. Ela disse que promessa é dívida. Mas ela não cumpriu a promessa que fez pra mim. Não cumpriu.
Eu não conseguia dizer em voz alta que ela tinha morrido. Eu nem acreditava nisso.
Olhei pra todo mundo e parei meu olhar na Manuela, que tava chorando já.
Manuela: Não! Isso não. Tudo menos isso.
Ela chegou perto do Morte se ajoelhando a frente dele.
Manuela: Diz pra mim tio! Diz que ela vai entrar por aquela porta quebrando o pau com todo mundo, por não estarmos trabalhando. Diz que é mentira! Diz que ela não morreu!
Morte Eu... eu não posso Manu... eu não consigo.
Dg: Era pra mim tá no lugar dela.
Morte: Não fala isso Diogo. Não era pra isso ter acontecido.
Dg: É a verdade pai. Eu nem pedi perdão por tudo que eu falei pra ela.
Gm: Mais ela nos perdoou Diogo. Mesmo sem a gente pedir perdão, ela nos perdoou.
Bianca: Cadê a minha mãe?
Todo mundo olhou pra ela na hora.
Eu: Bibi vem aqui. A gente precisa conversar.
Ela olhou pra mim e veio caminhando na minha direção, se sentendo do meu lado.
Eu: A Lua. Ela foi uma verdadeira heroína hoje sabia?
Ela negou a cabeça
Eu: Ela salvou a vida do Tio Diogo e do Tio Guilherme. Protegeu todo mundo.
Bianca: Eu sabia que ela era uma grande heroína. Eu disse pra ela, que ela era a minha mulher maravilha.
Como eu vou contar pra uma criança de 11 anos que a mãe dela morreu?
Eu: Então Bibi, como eu tava te falando. Ela protegeu todo mundo hoje, mas ela esqueceu que ela também tinha que ser protegida. Então, por esse motivo, ela foi morar junto com o papai do céu.
Ela olhou nos meus olhos, com os olhinhos cheio de lágrimas.
Bianca: Ela morreu?
Eu: Vamos dizer que ela foi morar com o papai do céu por causa da Clarinha tá? Ela é muito pequeninha ainda.
Ela me abraçou chorando.
As meninas começaram a chorar entendendo porque a gente tava assim.
Desconhecido...
Olhei pra ela deitada naquela cama acordando.
Lua: A onde eu tô?
Desconhecido: No seu inferno particular querida Lua.
Ela olhou na minha direção com uma cara de raiva.