Narrador
— Eu juro, eu era incapaz de fazer algum mal que fosse ao meu filho. Não fui eu que bati no carro dele!
Depois de terem falado com Dong-sun no hospital, o mesmo nem ofereceu resistência quando os dois inspetores lhe disseram para os acompanhar até à esquadra. Mesmo que estivesse confuso, sabia que seria pior se se recusase a ir.
Agora estava fechada numa sala, felizmente não estava nem algemado, sentado numa cadeira mais que desconfortável com um dos inspetores de pé a olhar para si, à espera de respostas.
— Uma câmera de vigilância de uma casa perto do local do acidente filmou tudo. As gravações só nos chegaram ontem. Como pode explicar o facto do seu carro aparecer na gravação e propositalmente embatido no carro do seu filho?
— Nesse dia eu nem sequer estava na cidade, podem confirmar com os meus sócios.
Dong-sun vê o inspetor agarrar no telemóvel e ligar para alguém, dizendo para confirmar a veracidade do que dizia. Desligou a chamada e por fim sentou-se. .
— Veremos se isso é realmente verdade.
— Pode dizer-me a matrícula do carro dessas filmagens?
— Para quê? — o mesmo ergue o sobrolho.
— Se me disser, eu posso lhe explicar.
O inspetor fica algum tempo encarando Dong-sun, mas acaba por se levantar e vai buscar uma pasta atrás de si, colocando-a em cima da mesa.
— Está aqui — Dong-sun inclina-se e lê os números que estão ali.
— Estava a perguntar-me porque queria ver a matrícula. Porque o carro desta matrícula não o tenho comigo. A minha mulher levou esse carro quando desapareceu, exatamente no mesmo dia do acidente...
Megan
Estou neste momento sentada na cama do Baekhyun, com ele também sentando na minha frente, sem dizer uma única palavra.
Estou nervosa e à beira de um ataque de ansiedade só de o ver daquela maneira, sem falar comigo.
— Baekhyun... diz alguma coisa.
— Eles não podem prender o meu pai, não foi ele que me tentou matar, acredita em mim — pela primeira vez depois de uma ter contado aquilo que aconteceu no corredor, ele olhou para mim é o seu olhar estava... desolado e desanimado.
— Eu sei que ele não fez nada. E eles não podem incriminar o teu pai se não têm provas.
— O problema é que podem ter... — ele suspirou.
— Como assim?
— O carro que bateu no meu naquele dia... era sim o do meu pai... mas não era ele que estava lá.
— Então quem era?
Mas antes que ele pudesse abrir a boca, o meu telemóvel toca, fazendo-me desejar a morte a quem me estivesse a ligar naquele momento. Pedi-lhe desculpa e ele apenas assentiu e fui até à minha mala. Era a Angela, há dias que não falava com ela.
A conversa foi curta, ela simplesmente disse-me que estava à porta do hospital à minha espera porque tinha saudades minhas e queria saber como eu estava. Não me deu sequer hipótese de não aceitar e acabei mesmo por deixar o Baekhyun naquele momento é fui ter com ela, avisando-o que voltaria em uma hora no máximo.
Eu sabia que podia ir descansada, afinal é um hospital, enfermeiras e médicos não faltam.
— Realmente o que tem acontecido na vossa vida não têm sido pêra doce — ela comenta enquanto caminhávamos à volta do hospital, não me queria distanciar muito.
— Mais a vida dele. A minha não têm corrido assim tão mal. Mas ele sim, tem sofrido demais, aliás, sempre sofreu...
— Sempre sofreu? — a mesma falou e eu percebi que já tinha falado demais.
— Esquece. Mas e tu? Como é que tens andado? As aulas e o workshop?
— Tem corrido bem. Por falar em workshop, a nossa professora disse-me para ires ter com ela à faculdade quando puderes, ela quer falar contigo.
— Comigo? Porquê?
— Não faço ideia, ela não me quis dizer.
Assenti com a cabeça e confesso que fiquei bem curiosa com o interesso da professora em falar comigo. Durante o workshop ela sempre me disse que eu tinha um talento fora do comum para fotografia e deveria pensar em fazer disso profissão, mas disse-lhe logo que era só um hobby.
Ficámos ainda alguns minutos à vaguear por ali enquanto falávamos sobre tudo e mais alguma coisa. Tenho saudades disto, de ter um vida normal. A sério que tenho. Saudades da minha vida antes de ter acontecido tudo aquilo. Por outro lado, nunca teria conhecido o Baekhyun... já não sei é se isso é bom ou mau.
Depois de termos conversado um pouco, ela decidiu que estava na hora de se ir embora e eu também decidi voltar para dentro, para ver como o Baekhyun estava.
Mas quando entrei no quarto, ele já não estava lá. Estava completamente vazio. Só pode estar na casa de banho então.
Fui até lá, bati na porta duas vezes, chamando-o, mas não obtive resposta. Decidi abri-la e o desespero bateu quando não o vi ali. Onde ele pode ter ido se estava acamado? Fui até ao armário onde eu tinha arrumado algumas roupas e aquilo que eu temia estava a acontecer. Havia um conjunto em falta. Olhando para a sua cama, reparei que a camisa de hospital estava em cima da cama.
Meu Deus, para onde ele foi naquele estado?
Narrador
Quando percebeu que Megan já estava longe, Baekhyun decidiu por em prática o plano que há alguns minutos pensava em como fazer da melhor maneira. Quando Megan lhe contara que o seu pai tinha sido detido, a única coisa que pensava era em sair dali e esclarecer tudo à polícia, contando a verdade. Que o seu pai não tinha nada a ver com a tentativa de homicídio, mas sim outra pessoa.
Olhou pela janela interior do quarto, percebendo que ninguém passava no corredor e foi até ao armário, pegando nalguma roupa que pudesse vestir.
Vestiu-se rapidamente, escolhendo uma camisola com capuz para que pudesse cobrir a cara e agradeceu mentalmente a Megan por ter trazido uma máscara de pano para si.
Quando se certificou novamente que não havia muita gente por ali, apressou-se a sair do hospital o mais rápido possível. Todo o seu caminho tentou ao máximo ignorar as dores que sentia na costura, mesmo já estando quase sarada, e a alguma dormência nas suas pernas de já não andar há algum tempo. Chamou então o táxi que estava parado perto da saída, pedindo-lhe que seguisse para onde queria.
Aproveitou para respirar e descansar um pouco depois da praticamente corrida no hospital enquanto o taxista conduzia até lá.
Lembrou-se de trazer um pouco de dinheiro que tinha na carteira e novamente agradeceu a Megan por se ter lembrado dela. Pagou ao taxista e então olhou para o edifício. Era a esquadra da polícia.
— Finalmente...
Tirou o capuz da cabeça justamente com a máscara é entrou no edifício, dirigindo-se à recepção.
— Por favor, posso falar com o meu pai? Ele foi detido há umas duas, três horas.
— Desculpe, mas se está detido não têm direito a visitas.
— Por favor... ou então deixe-me falar com o inspetor que falou com ele.
O homem que o ouvia abriu a boca para falar algo, mas logo foi interrompido pelo inspetor por quem Baekhyun procurava.
— Baekhyun? O que é que estás aqui a fazer, rapaz? — o inspetor olha para o mesmo surpreso — Que eu saiba deverias estar no hospital.
— Eu sei, mas eu preciso mesmo de falar consigo.
— Tudo bem, anda comigo.
Foi a vez de Bakekhyun se surpreender com a facilidade com que o inspetor lhe deu autorização para falar consigo.
Assentiu com a cabeça e seguiu o inspetor, que o levou até onde parecia ser o escritório do mesmo. O inspetor fez sinal para que ele se sentasse numa cadeira na frente da sua secretária e logo estavam os dois frente a frente.
— O que é que querias falar comigo?
— Quero lhe dizer que o meu pai não tem nada a ver com o que me aconteceu. Ele era incapaz, ele está inocente, não foi ele que me tentou matar...
— Eu sei — os olhos de Baekhyun arregalaram-se.
— O quê?
— O teu pai tem um bom halibi, é impossível ele ter estado em dois sítios diferentes ao mesmo tempo.
— Ah — Baekhyun suspirou, levando a mão ao peito de alívio — Mas eu tenho quase a certeza quem o possa ter feito.
— Quem?
— A minha mãe.
O próprio nem acreditava que estava a dizer aquilo. Nunca se imaginou a denunciar a própria mãe à polícia. Não só estava disposto a denunciar a mãe por o ter tentado matar, como também contou tudo o que aconteceu quando criança ao inspetor, que estava chocado com o que ouvia.
— Lido com casos bizarros todos os dias, mas estes ainda me deixam perturbado. Nenhuma mãe deveria ser capaz de fazer isso ao próprio filho. Mas não te preocupes, nós vamos encontrar a tua mãe e se ela fez o que fez, ela vai confessar. E... lamento imenso aquilo que ela te fez.
— Pode... pode acontecer-lhe alguma coisa se ela confessar?
— Por aquilo que te fez infelizmente não, mas pela tentativa de homicídio e fuga sim. Agora vamos acabar esta conversa aqui, tu nem devias estar aqui, vou levar-te agora para o hospital.
— Não, obrigado. Eu quero ir sozinho, faz-me bem andar.
O inspetor respirou fundo, pensando se era boa ideia deixá-lo ir sozinho, mas Baekhyun já se tinha despedido e saído da sua sala.
Curiosamente, o inspetor já tinha ouvido aquela história. Há pouco mais de uma hora, fora Dong-sun a contar-lhe, no entanto o mesmo ainda não sabia se havia de acreditar.
Mas agora dito pela própria vítima, tornava as coisas completamente diferentes.
Os corredores da judiciária era enormes e Baekhyun não via a hora de chegar à saída. As suas pernas começavam a doer, a sua cabeça latejava e a dor abdominal aumentava cada vez mais.
De repente, tudo começou a andar à roda, a sua visão ficou turva e depois tudo desapareceu diante dos seus olhos.
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Um capítulo bem grande e fresquinho para vocês, bebês.
D
esculpem lá estarem tantos pontos de vista num só capítulo, mas não consegui escrever de outra maneira.
Já agora, estou a ver MT gente confusa porque ele desmaiou no meio da "delagacia".
Entendam que ele esteve deitado numa cama uma semana, ainda não tinha condições de se levantar, ainda estava a recuperar. É normal ele ter desmaiado pelo esforço que fez de ir até ali.