O choro fino se mostrava desesperado em meio aos soluços cada vez mais altos e frequentes, e este choro tão angustiante acabou por chamar a atenção de ambos os amigos que estavam sentados em um dos bancos do pátio daquela escola. O maior se ergueu afim de ir atrás daquele som e foi prontamente seguido pelo amigo, e não precisaram andar muito para acharem a dona daquele choro.
Ali, naquele pequeno parquinho de areia, havia uma garotinha sentada no chão que abraçava os próprios joelhos, a cabeça abaixada não era o suficiente para abafar todo seu choro, e tal som angustiava a ambos os garotos, estes que já se abaixavam na frente da garotinha.
— Ei, princesinha... — Chamou esperando atrair a atenção da mais nova, mas somente obteve sua atenção quando tocou o topo de sua cabeça com carinho. — Por que está chorando? Princesas não devem ficar triste assim. —
A garotinha que olhava para ambos com os olhos arregalados passou esfregar as pequenas mãozinhas nos olhos, secando parte de suas lágrimas enquanto ainda fungava.
— Eu não sou princesa. — Reclamou brava, com um biquinho no rosto. — Quem é você? E você? — Indagou ainda brava apontando para cada um dos meninos.
Ambos se olharam e riram cúmplices diante daquela pequena brava fofura que os encarava ainda com os olhos avermelhados de tanto chorar e fungando vez ou outra.
— Eu me chamo Hyungwon. — O maior disse voltando a acariciar seus fios. — E eu Jooheon. — O outro disse abrindo um sorriso. — E qual o seu nome? —
— Ayumi, mas só pode me chamar de Aya! —
— Ok, Aya! — Jooheon disse imitando a braveza alheia, algo que fez o amigo rir e o cutucar com o cotovelo. — Você ainda não nos disse o motivo desse choro todo. —
— Tem um homem mau lá fora, ele não gosta de mim. — Falou começando a se alterar ao se pronunciar em meio ao choro com lágrimas que voltavam a molhar seu rosto. — Ele vai me pegar se eu passar lá! Eu não posso ir embora, a tia Hyuna não quer mais cuidar de mim e eu não vou ver o papai. —
— E onde está seu pai? — O mais novo perguntou.
— Em casa, bobinho! — Mexeu as mãozinhas falando como se fosse óbvio. — O papai não me busca, eu já sou grandinha. —
— Você vai todo dia pra casa sozinha? — O maior indagou incrédulo, voltando a acariciar o topo de sua cabeça na tentativa de voltar a acalmá-la. Esta apenas moveu a cabeça concordando.
— Se você prometer parar de chorar nós te levamos para casa, uh? —
Ayumi imediatamente abriu um sorriso afirmando para ambos que não choraria mais, e se levantando em um pulo ergueu o mindinho para o maior em sinal de sua clara promessa. Cada um apertou o mindinho no dela e riram divertidos com a infantilidade daquele ato para eles.
– x –
No caminho Ayumi só voltou a de exaltar uma vez quando um bêbado a assustou e só então descobriram quem era o homem mau que ela havia falado. Mas ao entrarem no apartamento foi que os jovens ficaram completamente perplexos.
O apartamento parecia mais um lugar abandonado, latinhas, copos e pacotes de comida estavam espalhados por todo o lugar, assim como livros, roupas, sapatos e principalmente os brinquedos da criança.
— Você tem certeza que mora aqui? Não tem condições de uma criança viver nesse lugar... — Jooheon pronunciou abismado enquanto andava pelo apartamento na ponta dos pés como se a qualquer momento toda aquela bagunça fosse o matar.
— PAPAI! — Ayumi gritou correndo para o mais velho e o abraçando as pernas.
Este ainda bocejava quando foi abraçado pela filha, sua destra passou a bagunçar os fios dela num carinho lento pela sua sonolência, ao mesmo tempo a esquerda bagunçava os próprios fios ao que passava a mão pela cabeça. O olhar correu pela parede em busca do relógio e ao ver a hora seu semblante se fechou, passando a encarar a mais nova que ainda sorria boba para si.
— O que ficou fazendo para chegar tão tarde, Ayumi? —
— Você é um irresponsável do caralho assim sempre? Ela é uma criança, não tinha que andar sozinha desse jeito! — O braço de Hyungwon foi segurado pelo amigo, impedindo-o de ir de encontro ao desconhecido.
— Quem são esses? — Indagou ríspido sem gostar do atrevimento alheio.
— São meus amigos papai, eles que me trouxeram hoje, tinha um homem muito malvado na rua, eles me protegeram. — O tom inocente era acompanhado do costumeiro bico da mais nova.
— Hm, eles te ajudaram, foi? — A mais nova concordou e abraçou ainda mais o pai, que por sua vez deu leves tapas em suas costas quando lhe abriu um sorriso. — Vá para o seu quarto, o papai vai conversar com seus amigos. —
O pedido foi imediatamente aceito pela mais nova que apenas mandou um beijinho no ar para o pai e em seguida se virou para os meninos, novamente mandou beijinhos, dessa vez sendo dois, um para cada um dos garotos e em seguida correu para o quarto e assim que a porta do quarto se fechou Hoseok fechou totalmente seu semblante. Com passos firmes avançou em direção aos garotos, e ao passar entre ambos usou o ombro para bater contra o braço do maior, em uma resposta clara ao que havia escutado antes. Seus passos apenas pararam quando alcançou a maçaneta da porta, abrindo-a imediatamente.
— Agradeço pelo que fizeram, mas não repitam, Ayumi sabe se cuidar. Agora podem ir. —
O ruivo olhou para o amigo incrédulo e apesar da gargalhada que começou a dar naquele momento sua expressão já mudava, a raiva sendo nítida em seu olhar, e não por coincidência Hyungwon passava a exibir o mesmo olhar do amigo.
— É assim que nos agradece? Você ao menos sabe o risco que ela corre andando por aí? —
— Você é um babaca mesmo. E se um de nós fosse um pedófilo? — Dessa vez era Hyungwon que completava aquele pensamento. Só que diferente do amigo, Hyungwon era mais alterado, e seu tom de voz demonstrava claramente isso. — Ou se um de nós quisesse machucar ela? Como você pode ter uma filha sendo tão irresponsável. —
— Se vocês fossem isso não estariam tão preocupados com uma menina que nem mesmo conhecem. — Ditou impaciente, usando a mão livre para apontar a saída óbvia da residência. — Como eu cuido ou deixo de cuidar da minha filha é um problema meu, então a menos que queiram ser a nova babá dela, dêem o fora daqui agora. —
Continua...