Crow's Flight

By erikastybrien

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Após o término do namoro, Lydia Martin segue uma rotina monótona e apesar de todas as tentativas, não consegu... More

Hormônios
Vizinhos
Irradiou
Fantasmas
Frustrada
Distração
Pavor
Parasita
Borrão de tinta
Incandescente
Pedaços
Ladra
Mísseis
Estresse
Sussurro
Ratoeira
Alvo
Diamante
Pólvora
Ásperos
Mar de dúvida
Cobaia
Véu de rancor
Luz no fim do túnel
Incêndio
Mira fria
Queda livre
Névoa
Lampejo de horror
Difuso
Almejo
Reféns
Perdido
Túmulo
Perfeita
Morte
Cárcere
Víbora
Âncora
Poça de ácido
Chama
Imã
Silhueta
Dor
Chuva de sangue
Quebra
Centelha
Vômito
Uma hora
Transparente
Elo
Sacrifícios
Desligada
Furacão
Sangue
Tormento
Fantoches
Impotência
Definhar
Mistura
Gotas
Epílogo: Sufocante

Inquebrável

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By erikastybrien

Terceira Pessoa

A corporação parecia mais silenciosa conforme a noite chegava, como se formigas estivessem cansadas de perambular para lá e para cá e sumissem para se resguardarem. Lydia caminhava pelo corredor já familiar, afim de respirar, indo ao único lugar em toda a sede que havia a feito se sentir um pouco relaxada desde que havia chegado.

Atravessou até o meio do corredor dessa vez, podendo observar livremente ambas as salas de treino. Saber que os enormes vidros só mostravam o lado de dentro dos cômodos a confortou, porque sentir-se invisível ali era algo que a fazia sentir-se segura.

Ela procurou por Foster, Mitch ou Sophie nas duas salas de treinos, mas não encontrou ninguém. Um dos tatames estava vazio, com sacos de areias congelados no ar e bonecos simuladores solitários. Do outro lado, um grupo de quatro homens se exercitavam, praticando as atividades.

Decepcionada, Lydia voltou-se para sair dali, mas os pés travaram quando Mitch surgiu na curva do corredor, distraído com o celular na mão. Martin se afogou em palavras urgentes que encheram a boca antes mesmo de ser reparada, suas bochechas coraram e ela paralisou.

O homem ergueu os olhos, e as sobrancelhas bem desenhadas se uniram ao analisá-la discretamente dos pés à cabeça. Rapp trazia uma pequena toalha branca no ombro, em cima da camisa lisa cinza. Martin, nervosa, sorriu.

– Lydia? – Ele se aproximou. –O que faz aqui?

Ela franziu a testa, os lábios abriram enquanto engolia ar e os olhos nervosos encaravam o vidro branco-azulado. Deu de ombros, buscando por algo nos pés enquanto as bochechas ardiam.

– Estava entediada e... – Voltou a sorrir, mesmo em meio a pele vermelha. – Gostei de alguns homens suados que vi aqui outro dia.

Mitch riu, os ombros levemente balançando enquanto uma veia saltava do pescoço pálido. Lydia abaixou os olhos, tímida, mas seus lábios ainda estavam curvados em travessura e ousadia.

– Gostou de ver os treinos? – Ele decifrou, lançando a questão. Martin o encarou em dúvida e surpresa, fazendo-o perguntas em silêncio. – Eu também achava o máximo antes de começar a apanhar.

Ele riu baixinho de si mesmo, mas o rosto dela permaneceu sério e seus olhos verdes, brilharam de descrença.

– Foster é tão ruim que apanhou de você?

Mitch arqueou as sobrancelhas, surpreso por ela conhecê-lo e ainda mais pelo tom de deboche que sobrecarregou a voz bem humorada dela. Ele caminhou para a porta, respondendo:

– Foster só é bom com computadores, Martin. E mulheres. – Rapp riu. – O cara não sabe fazer muito mais coisa além disso.

Lydia debochou com um sopro de ar, odiando que achasse ter sentido calor no rosto. Ela encarou mais uma vez a sala, sequer reparando que Mitch parou na porta para esperá-la.

– Vem, posso te mostrar mais de perto. – Insinuou com a cabeça.

Ela encarou o homem, mordeu o lábio inferior e uniu as mãos em frente ao corpo, agitada com a possibilidade de vê-lo treinar e saber um pouco mais sobre o assunto. Rapp esperou em silêncio, contendo um sorriso grande quando ela caminhou até ele em passos receosos.

– Feche a porta quando entrar. – Orientou ao adentrar o espaço.

Lydia obedeceu. Mitch caminhou com familiaridade, lançando a toalha que trazia no ombro ao tatame. Ele se aproximou de uma estante e puxou bandagem gel preta, colocando nas mãos. Martin, enquanto isso, percorreu os olhos por todas as curvas da sala.

Era ampla, impressionantemente fresca e não abafada como havia imaginado. As enormes janelas dos fundos da sala proporcionavam a visão de árvores verdes da propriedade, agora sombreadas conforme o entardecer começava a sumir do céu. O tatame era limpo, uma superfície fina e inteiramente consistente. Todos os outros equipamentos estavam bem organizados nas prateleiras enormes.

Ela observou, distraído, Mitch enluvar as próprias mãos. Quando ele terminou, voltou-se para os curiosos olhos verdes.

– Quer dar uns socos? Posso te ensinar.

Lydia arqueou uma sobrancelha esrustida em descrença.

– Eu só vim olhar, Rapp. Não quero quebrar a sua cara hoje.

Mitch riu, e Martin desejou se retorcer em puro desconforto por sentir-se incomodada em diverti-lo. E também odiou o fato de que os hormônios, mesmo contra sua vontade, esquentavam.

– Espero que mude de ideia.

Foi a última coisa que ele disse antes de se virar e passar a golpear o saco de areia preto pelos próximos minutos que se arrastaram. Lydia assistiu, pacientemente, as mãos fortes e certeiras baterem repetidas vezes no objeto que serpenteava pelo ar com o impulso firme que saltava do corpo rígido.

A camisa cinza passou a ser preenchida por poças de suor que dançavam nas costas masculinas conforme ele se movia, concentrado nos socos. Lydia não podia negar que ele era impressionantemente bom com os golpes. Ainda que não entendesse muito do assunto, sabia que enxergava um potencial gigantesco para habilidade e força.

Martin sentiu-se cativada pela luta, por ele, por todos aqueles objetos novos que ela queria testar e descarregar todas as emoções corrosivas que lampejaram por seu corpo nas últimas semanas. Imaginou como se sentiria se quisesse dar alguns socos e imaginasse estar acertando o rosto de Theo.

Ela ainda decorava os movimentos de Mitch quando ele arfou, o suor pingando do cabelo bem cortado, escorrendo pelo rosto pálido. As mãos caíram ao lado do corpo e o peitoral subiu em um suspiro profundo.

– Deus... – Sussurrou baixinho. – Essa camisa vai me matar...

Rapp, relaxado, alcançou o tecido ensopado pela barra e puxou para cima, livrando-se da peça ao lançá-la no chão e voltar a desferir golpes precisos. Lydia arfou baixinho, sem conseguir conter os olhos que deslizaram pelos músculos que se contraíam.

O suor banhava toda a pele pálida, coberta por pintas e algumas cicatrizes que já eram conhecidas e Martin, mais uma vez, analisou o corpo forte sem restrição, sem conter a vontade que existia de repará-lo. Mitch, concentrado nos socos, ignorou as veias que borbulharam ao reparar que ela olhava para ele.

Rapp não havia cogitado o que poderia lhe acarretar se livrar da camisa suada. Estava consumido pelo calor da própria pele e cansado de cozinhar no suor, mas, ao se ver definitivamente exposto para ela, se arrependeu. Se crucifixou com a possibilidade de deixá-la desconfortável diante da exposição.

Mas Lydia reconhecia que a única parte de seu corpo incomodada naquele momento, era seu ventre. Ele continuou dando socos, de costas para ela, até que Martin quebrou o silêncio, dizendo:

– Por que tatuou um revólver na costela?

Mitch desferiu um último golpe antes de olhá-la por cima do ombro, arfando.

– Gosto de armas. – Deu de ombros.

Lydia o lançou um olhar entediado.

– Cafona. – Murmurou.

– Sim. – Ele voltou a desferir socos, mais lentos agora. – Como Titanic.

Martin conteve a risada que subiu na garganta. Ele estava sério, e o comentário frio demonstrou estresse a recordar-se do filme que odiava. Ela queria irritá-lo, mas preferiu fingir indiferença o perguntar:

– Não vai me irritar com isso agora, vai?

– Isso vai te fazer dar alguns socos? – Ele sorriu debochado, superior, por cima do ombro.

Lydia bufou em estresse, mas corroía-se em ansiedade e expectativa. Considerou a ideia, e seu corpo quase disparava para perto dele afim de conhecer a sensação de esmagar a areia com os próprios dedos.

– Ok, tudo bem. – Se deu por vencida. Mitch voltou-se para ela, suado, ofegante, com os lábios finos charmosamente espremidos para um lado do rosto.

Martin engoliu seco, proibindo-se de deslizar a visão dos olhos castanhos e bem humorados para o peitoral quente e molhado.

– Vem aqui. – Ele chamou, e o sorriso desapareceu.

Lydia deu passos até ele, confusa, imaginando se ter aquela oportunidade com Foster seria menos intimidante. Mitch a deu espaço em frente ao saco de areia preto, colocando-se atrás dela.

– Mostre como você faria. – Pediu.

– O quê?

Rapp insinuou com a mão.

– Mostre como você daria um soco sem nenhuma instrução.

– Mitch, eu nunca bati em ninguém antes. Nem nada.

– Você acabou de me ver dando socos por meia hora seguida. – Justificou. – Não prestou atenção em nada?

Lydia o olhou por cima do ombro, cautelosa com que ele captasse o misto de receio e malícia que ameaçava dominar seu rosto. Mas ele parecia concentrado, não percebendo, o que a fez agradecer mentalmente. Mitch soltou um suspiro.

– Abra os pés, dessa forma. – Instruiu, reproduzindo em si mesmo. A ruiva o imitou com atenção. – Punhos cerrados na altura do peito, ombro erguido e queixo alinhado, para enxergar seu oponente. – A analisou. – Agora acerte, use as juntas dos dedos.

Nervosa, Lydia respirou fundo. Lançou o punho em um movimento desengonçado, acertando o saco de areia que deu um balanço mínimo com o impulso. Ela arfou, encarando a mão que latejou com o murro, irritada que o saco pudesse ser muito mais pesado do que ela realmente imaginava.

Ela procurou alguma instrução em Mitch, mas o homem estava corado com os lábios apertados, seus olhos divertidos acumulando lágrimas rasas de risadas que chacoalhavam o interior do estômago.

– Fala sério, esse negócio me machucou!

Rapp explodiu em gargalhadas, trazendo uma mão a boca e a outra na barriga enquanto inclinava-se para trás. Lydia o encarou entediada, acariciando as juntas dos próprios dedos que doíam, irritada com o homem que ainda se divertia com sua performance.

– Se eu soubesse dar socos eu bateria em você agora. – Ela resmungou baixinho.

– Isso foi a melhor coisa que vi em anos. – Ele ainda sorria enquanto falava.

Lydia revirou os olhos, mas um traço de humor mexeu em seus lábios grossos.

– Se te consola, eu também era péssimo quando comecei. – Mitch soltou um novo riso curto. – Não tanto quanto você, mas...

Lydia o empurrou de leve no ombro.

– Pode parar? Eu tinha achado legal...

– Desculpe. – Murmurou, contendo novas risadas.

Eles ficaram em silêncio e Rapp, ao perceber que ela lhe pareceu repentinamente frustrada, confortou:

– Você pode aprender. – Ela bufou baixinho. – É sério. Se você quiser posso te ensinar aqui mesmo.

Os olhos verdes se acenderam, mas uma fagulha de receio brotou no íntimo de Lydia.

– Podemos fazer isso? – Perguntou.

Mitch deu de ombros.

– Não te deram nenhuma restrição e Irene não irá privá-la de se distrair, principalmente se for comigo, então... – Deu de ombros. – Podemos começar quando você quiser.

Ela sorriu tímida, mas com genuína empolgação. Imaginou que a chance pudesse ser boa para se distrair, principalmente para passar o tempo e claro, desenvolver alguma confiança em Mitch que começava agora a lhe parecer alguém mais próximo.

– Amanhã, mesmo horário. – Disse.

Rapp deu de ombros.

– Combinado, Martin.

Ele captou a camisa cinza no chão e a toalha branca, a virando do avesso sob os olhos verdes que o aguardavam se vestir. Passou o tecido felpudo pelo rosto, livrando-se do suor quente, e Lydia caminhou com ele até a saída.

**

Martin não viu ninguém o dia todo. Deu algumas voltas pela sede no horário de almoço, mas o único rosto familiar que conseguiu encontrar foi o de Irene, e bem distante dela.

Passou o resto da tarde no quarto, tentando ler enquanto os pensamentos ainda se voltavam para o ex-namorado. Tentou ligar para a irmã, querendo esclarecer que estava bem, mas as chamadas tocavam até cair.

Quando o entardecer começou a sumir, Lydia vestiu a roupa mais leve que haviam a entregado – um moletom preto – e seguiu pelo corredor já conhecido, em direção as salas de treino. Ao chegar lá, procurou por Mitch, mas ainda estava sozinha. Adentrou a sala vazia e sentou-se no tatame, esperando pelo agente.

Quando o sol sumiu completamente do céu, Martin se levantou e desistiu de esperar, voltando para o quarto. Questionou-se diversas vezes se havia entendido a conversa que tiveram de forma errada, se existia algum motivo para que Mitch tivesse desistido, mas só se frustrou ainda mais com o fervilhar dos neurônios.

Não procurou por Rapp, esperando para tocar no assunto quando o visse. Entretanto, quatro dias seguidos se arrastaram, monótonos e solitários com Mitch tornando-se uma lembrança. Tentou encontrar-se com Irene ou Sophie, qualquer um que pudesse avisá-la de algo mas todos estavam ocupados segundo informações que conseguiu com algumas perguntas a desconhecidos.

Lydia passou todo aquele tempo sozinha imaginando que Mitch provavelmente estava trabalhando, mas se frustrando ao pensar que ele havia sumido sem ao menos avisá-la. E mesmo diante do pensamento racional que insistia em dizer que estava sendo tola e imatura, algo em seu peito insistia em se apertar em angústia por não ter certeza do que acreditar.

Martin voltava do hall da sede, distraída, inconformada com a agitação desagradável do corpo e preocupada com os agentes.

Estava quase na porta de seu quarto quando os olhos bateram em uma figura conhecida no fim do corredor. O homem andava apressado, segurando um celular contra a orelha, os olhos concentrados muito além do corredor bem iluminado.

Martin sabia que devia entrar, mas o receio em seu coração a fez seguir em direção a ele.

– Foster. – Chamou ao se aproximar.

Os olhos do loiro suavizaram ao percebê-la, reparando no semblante ansioso e quase angustiado. Ele a tocou no braço, em silêncio diante da ligação que ela não sabia se já havia iniciado ou não.

– Você está bem? – Perguntou ele.

Lydia assentiu, confusa.

– Estou. – Ele suspirou baixinho, e seus olhos relutantes murcharam despercebidos por ela. – Onde estão Mitch e Sophie? Não os vejo há quatro dias.

Donnavan acariciou a pele nua da mulher contra os dedos, explicando:

– Rapp precisou sair com urgência junto com Sophie e Allison, mas deve voltar logo.

O peito de Lydia se inundou de alívio.

– Ele está bem?

– Sim, está. Não se preocupe.

Martin tornou a assentir.

– Ele nem me avisou, tínhamos um compromisso...

– Ele tentou, mas Irene disse que não daria tempo. Ela prometeu que te avisaria.

Lydia bufou baixinho, irritada ao saber que a diretora da sede poderia ter poupado seu tempo e preocupação caso tivesse feito o que disse. Donnavan, ao reparar que o semblante da mulher escureceu, disse:

– Irene gosta de fazer promessas que não cumpre. E além disso, está com muita coisa na cabeça agora.

Martin encarou o homem que ainda tinha o telefone na orelha e os olhos claros do rapaz brilhavam com sarcasmo e superioridade. Ela não reagiu ao comentário, ouvindo-o complementar com um sobressalto:

– Ei, Richard. Preciso que me ajude com os dados da missão do Ninho, urgente. – Lydia se resetou, curiosa e ao mesmo tempo alarmada, sentindo o corpo congelar em medo. Sabia que o Ninho tinha haver com ela, com Theo... Foster sussurrou para ela: – Preciso ir agora, desculpe. Se cuide, ruiva.

Ele seguiu apressado pelo corredor, concentrado na ligação. Parada, Lydia o observou se afastar.

**

Lydia se remexeu na cama pela milésima vez, bufando ao encarar frustrada o teto branco do quarto. Os lençóis macios se enrolavam em seu corpo como víboras e seus travesseiros que costumavam serem macios pareciam magicamente empedrados.

Por alguma razão, Martin tinha um bolo na garganta. Estava preocupada com Mitch, com sua própria vida que já não era normal a dias, com o fato de que seu coração despedaçado pudesse não voltar a se reintegrar tão cedo.

Era pouco mais de uma da manhã quando alguém bateu em seu quarto. Lydia saltou da cama, caminhando ansiosa e apressada, e puxou a maçaneta. Encarou a figura de Mitch, reparando no sangue que descia na lateral de uma de suas bochechas em um corte, decorado junto a hematoma roxo. Acima de uma das sobrancelhas bonitas, também existia outra escoriação.

Ele tinha o semblante abatido, os olhos escuros completamente apagados em meio a todo o corredor iluminado e silencioso.

Mas Lydia ignorou as perguntas que bombardearam a cabeça naqueles poucos segundos em que se encararam. Ela o puxou para um abraço sem rodeios, respirando aliviada ao senti-lo inteiro, deixando-o paralisado em surpresa.

Entretanto, as mãos calejadas e vermelhas demoraram instantes até descerem para as costas da mulher, puxando-a contra si. Os olhos verdes congelaram na parede do corredor e confusa, ela foi inundada por dúvida e receio, ainda nos braços fortes. Seus sentimentos guerreavam dentro dela, dominados por preocupação e impulso.

Baixo e sincera, sem conseguir disfarçar, confessou ao se afastar:

– Fiquei preocupada.

Avaliou o rosto chateado e distante, magoada por nenhum traço mínimo de emoção ter passado pelas feições masculinas com sua fala. Ele engoliu seco, passando uma língua pelos lábios enquanto fugia do olhar intrigado da mulher.

– Você está machucado. – Constatou baixinho. – Mitch...

– Está tudo bem. – Ele ofereceu um sorriso, esforçando-se para beirar ao máximo de conforto possível com a atitude.

Lydia franziu o cenho, confusa, tentando decifrar o rosto congelado e ao mesmo tempo tão expressivo.

– O que foi? – Questionou baixo, receosa.

Ele respirou fundo.

– Preciso que venha comigo.

Lydia, embora com todas as perguntas possíveis na boca, assentiu. Seguiram pelos corredores e elevador em silêncio. Mitch lutando contra as sensações ruins do próprio corpo e ela, ansiosa, inquieta, curiosa com o que tinha o deixado tão abatido.

A corporação que costuma ser mortalmente silenciosa na madrugada parecia infestada por abelhas naquela noite. Ao adentrarem a sala da diretora, Sophie, Allison e Foster aguardavam em silêncio, espalhados pelo cômodo, presos em pensamentos sufocantes.

Irene respirou fundo com a chegada de Lydia. Apesar de abatida, os olhos sempre congelados e ameaçadores da diretora ainda pareciam fulminantes.

Todos na sala encararam Martin, fazendo seu coração se apertar de medo. Ela buscou pelos olhos de Rapp ao seu lado, mas ele já não tinha mais coragem para olhá-la. Mitch encarava os móveis em silêncio, difundido em exaustão e pesar.

Irene juntou as mãos em frente ao colo, arqueada, alguma tristeza marcando as linhas enrugadas na testa.

– Dias atrás, Martin, designei os agentes que estão nessa sala para uma operação de emergência. – Uma linha de emoção e frieza, inquebrável, rangeu pela sala. Irene suspirou, pela primeira vez mostrando-se frágil. – Estávamos sendo chantageados. O acordo era duas vidas em troca de uma. Fizemos tudo o que podíamos...

Lydia congelou procurando por respostas nos rostos dos agentes, mas todos a evitavam. Até mesmo Allison, que Martin reconhecia não gostar dela, parecia chateada.

– Tentamos fazer um acordo, forcei uma invasão por parte dos agentes, fizemos de tudo..., mas nos enganaram. Soou mais como um recado do que uma troca de fato.

Mitch espiou Lydia de esguelha, preparando-se para o momento que seu coração despencaria.

– Sua mãe e sua irmã estão mortas, Lydia. Eles as mataram.  

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