Natureza Selvagem (Capítulos...

By Autor_Xis

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"'NA ÍNTEGRA ATÉ 20/12/15'' Você curte romance policial? Gosta de histórias cheias de aventura, suspense e um... More

Ajudem-me a escolher a nova CAPA de Natureza Selvagem I
SINOPSE
Importante: Coração Selvagem passou a ser "Natureza Selvagem".
Prólogo
AVISO
Parte 1 - Açucena
Capítulo 1
Capítulo 2
Capítulo 4
Capítulo 5
Capítulo 6
Capítulo 7
Capítulo 8
Capítulo 9
Capítulo 10
Capítulo 11
Capítulo 12
Capítulo 13
Capítulo 14
Capítulo 15
Capítulo 16 - Parte 2 - Eduardo
Capítulo 17
Capítulo 18
Capítulo 19
Capítulo 20
Capítulo 21
Capítulo 22
Capítulo 23
Capítulo 24 - Parte 3 - Eduardo X Açucena
Capítulo 25
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Capítulo 3

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By Autor_Xis

Ela se levantou muito cedo, 4h40min da manhã. Tomou um banho rápido e um café preto com alguns biscoitos. Em seguida, se arrumou, colocou a mochila nas costas e seguiu para a floresta, como fazia quase todos os dias. Em meia hora de caminhada, já podia sentir os primeiros raios solares, surgindo por entre as frestas das copas das árvores.

       Havia chovido bastante no final da tarde do dia anterior, por isso o chão, acumulado de folhagens e terra, estava muito liso. Mas ela já estava acostumada com a região. Conhecia bem o local e o perigo escondido por trás daquela imensa beleza.

       A floresta era o seu verdadeiro lar, e nada lhe acarretava mais prazer do que trabalhar no meio da mata. No entanto, era preciso conhecer as espécies residentes na região para exercer suas atividades com mais segurança. Coisa que ela aprendera desde muito jovem, com seu pai e avós. Conhecia de cor os animais e seus hábitos alimentares, assim como as espécies mais ativas durante o dia e os que preferem caçar à noite. Grande parte dos animais mais perigosos da selva amazônica tem hábitos noturnos. A onça-pintada, considerada como um dos maiores e mais perigosos predadores da Amazônia, tem uma mordida tão forte que pode até atravessar o casco de uma tartaruga. E come de tudo, desde roedores até macacos. Quando está com muita fome, pode atacar até cobras grandes como a sucuri. Um verdadeiro perigo! Todavia, esse é um dos animais que preferem caçar à noite, por isso o risco de ser atacado por uma onça faminta durante o dia era bem menor, embora não fosse totalmente impossível. Outros animais como cobras e jacarés também não gostam muito de se expor durante o dia.

       Como cuidado nunca é demais, ela aprendeu desde cedo a sempre prestar muita atenção quando saltava sobre troncos caídos, já que cobras costumam se enrolar por ali.

       Sua avó costumava lhe dizer que, durante o dia, o maior perigo estava mesmo em animais pequenos, como vespas, aranhas, escorpiões e lacraias, já que suas picadas, muito embora não sejam fatais, causam muita dor.

       As formigas também estão por toda parte da floresta. São centenas de espécies. Uma das mais perigosas são as tucandeiras: formigas negras e brilhantes, grandes e geralmente solitárias, cuja ferroada é extremamente dolorida. Ela fora picada por várias delas quando tinha treze anos de idade, e ainda era capaz de lembrar da dor como se tivesse ocorrido no dia anterior.

       Outros animaizinhos que também podiam incomodar um bocado eram os mosquitos, carrapatos e micuins, já que causavam coceiras e irritação na pele. Para evitá-los, ela usava calças compridas por dentro das meias e botas, além de camisa de mangas longas por cima da regata e dentro das calças. Usava também um bom repelente natural, extraído de sementes oriundas da floresta, e um talco contendo enxofre, que ajudava a prevenir o ataque de micuins.

       Naquele momento, porém, seus sentidos apontavam para algo que ela não sabia exatamente o que era. Virou o rosto várias vezes para trás a fim de sondar se algo ou alguém a seguia. A impressão é que estava sendo vigiada desde que se embrenhara na mata; contudo, apenas os barulhos de pequenos animais se movimentando entre as árvores, do farfalhar das folhas das copas das imensas árvores e de seus próprios passos chegavam aos seus ouvidos. Já tivera aquela mesma impressão em outros momentos, nunca encontrando nada que pudesse lhe oferecer maior receio.

       Talvez fossem seus ancestrais indígenas acompanhando e protegendo todos os seus passos na selva, pensou, embora, como cientista, questionasse os mitos e as crenças não só de seu povo, como também de todas as religiões do mundo. Pois sabia que o conjunto de estórias que eram sempre utilizadas para explicar a origem do homem e os fenômenos da natureza, que se baseavam ainda em feitos e façanhas de deuses, semideuses e heróis, tinham apenas a intenção de tentar entender algo que até bem pouco tempo não se conseguia explicar: a vida humana e de tantas outras espécies. O que Açucena não conseguia negar é que naquele lugar parecia haver uma força tamanha que era impossível não se sentir como uma minúscula parte de algo muitíssimo poderoso.

       Com esse pensamento, tentou esquecer aquela sensação estranha de estar sendo seguida e se focou em seu trabalho solitário, recolhendo com uma pinça folhas caídas, sementes e pequenos pedaços de cascas de árvores e algumas amostras de insetos mortos, colocando-os em saquinhos, separadamente. Depois, pegou a câmera para fotografar a vegetação e os animais para estudo e também para postar em seu blog. Algumas de suas fotos eram bem conhecidas na internet e lhe renderam, inclusive, alguns prêmios internacionais, assim como a sua participação em alguns eventos no Brasil e em outros países.

       E aquilo tudo a satisfazia completamente, profissional e pessoalmente. Por mais que amigos e familiares lhe aconselhassem a se casar, havia tempo que sabia que casamento não era para ela, o que era encarado como absurdo por seus familiares. Por isso, às vezes, sentia-se como uma estranha no ninho. Não herdara quase nada da aparência do pai, diziam-lhe que era a cara da mãe. Talvez apenas os olhos, um pouquinho puxados, e os cabelos castanhos indicassem a sua origem indígena. Mas a altura, ainda que não fosse tão alta, apenas 1,67m, o formato esguio do corpo e a cor da pele evidenciavam uma ascendência europeia. Durante a adolescência, invejara o formato curvilíneo das brasileiras, de suas colegas de escola, pois era bem mais magra que a maioria delas. Quando, porém, chegou a fase adulta, apesar de permanecer magra, seu corpo adquiriu um pouco das formas arredondadas que tanto almejou. Nessa época, já havia se conformado com a ideia de que jamais possuiria um corpão, como algumas de suas amigas. A maturidade lhe trouxera a tranquilidade para se sentir uma mulher bonita, desejável, como jamais conseguiu se sentir quando adolescente. A maturidade trouxera também a percepção e a garra de seus antepassados indígenas, assim como o desejo de liberdade e autonomia de seu povo.

... 

Eduardo acordou com o som baixo e a vibração do celular, sobre o criado-mudo. Era cedo, 6 horas da manhã, mas Bianca já não estava mais ao seu lado. Atendeu o telefone enquanto perambulava pelo quarto, checando se, de fato, estava sozinho.

As instruções foram rápidas e secas:

−     Senhor Garcia?

−     Sim, senhor, na escuta.

−     As instruções são para aguardar por mais dois dias em Manaus; sendo que, ainda hoje, será procurado por um jovem chamado Rafael, guia turístico e também botânico, que embarcará junto a um grupo de pesquisadores para Maués, o qual você fará parte. 

−     Entendido, Senhor – disse Eduardo, antes de desligar o telefone.

       A seguir, tomou um rápido banho e desceu para o restaurante para o desjejum.

       Bianca estava lá, toda graciosa e acompanhada do irmão e do tal amigo, na mesma mesa que se encontravam no dia anterior. Só que, dessa vez, ela sinalizou para ele, chamando-o para mesa.

       Eduardo cogitou a hipótese de fingir que não a estava vendo, só que seus olhos se cruzaram assim que entrou no restaurante, o que tornou tal atitude inconveniente.

       Bianca levantou-se e se apressou em apresentá-los:

−     Eduardo, esse aqui é Thierre, meu irmão. E esse aqui é Jacques, amigo da família.

       Eduardo estendeu a mão para cumprimentá-los. E levou apenas alguns milésimos de segundo para perceber que Thierre e Bianca não tinham qualquer chance de parentesco, exceto que um dos dois fosse adotivo. Os traços fisionômicos de Thierre eram demasiadado rudes, enquanto Bianca tinha o rosto bastante delicado. 

       Jacques era de um estilo mais cordial. Apertou a mão de Eduardo com força e um sorriso no canto dos lábios.

−     Tome seu café conosco – disse Bianca, sentando-se em seguida.

       Eduardo sentou-se ao lado de Bianca e tentou puxar uma conversa informal, porém que lhe revelasse mais sobre aquele trio de supostos turistas. Descobriu que eles vinham sempre a Manaus, ao menos uma vez por ano. Segundo ainda o que comentaram, adoravam a floresta amazônica e a cultura local. Conheciam bem a região e Bianca se propôs a levá-lo em vários pontos turísticos da cidade, assim como em outras cidades próximas, que atraía multidões de turistas em determinadas épocas do ano.

       Bianca parecia realmente animada com a possibilidade de acompanhar Eduardo por onde quer que fosse, por isso ficou frustrada quando ele disse que não estava ali apenas a passeio, e que iria aproveitar para conhecer mais a fundo a biologia local, a fim de concluir uma pesquisa.

       Thierre que, até aquele momento, apenas ouvia a conversa, quis saber mais sobre a pesquisa que Eduardo faria. Ele foi salvo pelo toque do celular.

−     Vocês me dão licença? – perguntou Eduardo, apenas por educação, e em seguida levantou-se.

       A vozinha do outro lado da linha estava ansiosa:

−     Bom dia, papai! Eu liguei para dizer que estou com saudade. Quando o senhor volta?

Eduardo sorriu antes de responder à sua pequena Valentine. Com apenas seis anos de idade, a menina, que sofreu muito com a separação dos pais, cobrava-lhe constantemente por sua visita que, apesar de seu esforço, era cada vez mais irregular, por causa do seu trabalho. Afora isso, a separação recente ainda lhe causava certo desconforto emocional quando ia buscar a filha para passar o final de semana com ele, porque, além de ele e a ex-esposa ainda não terem superado completamente o processo de divórcio, sua ex, que também trabalhava fora durante toda a semana, não queria abdicar da filha justamente nos finais de semana. Alegava, com certa razão, que era somente nos finais de semana que ela conseguia ter mais tempo com a filha, e sofria muito quando a menina não estava em casa.

 E como Eduardo ainda se sentia culpado pela separação, afinal, além de reconhecer que nunca realmente amara Marcela, a sua dedicação quase exclusiva ao trabalho foi o que tornara o relacionamento impossível e cheio de inevitáveis cobranças por parte de sua esposa, o que desencadeava em brigas horríveis.

Reconhecia ainda que o casamento aconteceu apenas por causa da gravidez não premeditada e porque se sentia muito atraído sexualmente por sua então namorada. Mas a atração passou, como tudo na vida passa, pensou.

−      Bom dia, minha querida! Eu também estou com muita saudade... Você está bem? Como está na escola?

       Eduardo estendeu a conversa por tempo suficiente para matar a saudade da filha. Quando desligou o telefone, percebeu que Bianca estava a apenas alguns metros atrás dele. Ela se aproximou em seguida e perguntou, quando viu nos olhos dele o reflexo da emoção:

−     Está tudo bem?

−     Ah, sim! Está tudo bem.

Ela aguardou que ele falasse algo mais. Como isso não aconteceu, fez um convite:

−     Que tal conhecer os museus da cidade?

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