Versos Revivalistas

By gustavo-valerio

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[2020] É uma obra composta de versos cujo o autor tenta adequá-los rigorosamente à métrica e regras clássicas... More

Apresentação
001 - Traços
002 - O Verbo Pobre
004 - Duas Luas
005 - Duas Estrelas
006 - Mantos Abismais
007 - O Acidente
008 - Atores Reais
009 - Esportes Alheios
010 - O Povo
011 - Maus Planos
012 - Augustos Versos
013 - Vacas Magras
014 - Novos Cafezais
015 - Emudecimento
016 - Delírios Circulares
017 - Tempos Anormais
018 - Fórmulas da Paz
019 - Mortos-vivos
020 - O Vulto Vivo
021 - Na Casa
022 - Tristes Sonhos
023 - Amplidão
024 - De Tijolo em Tijolo
025 - Peito Comprimido
026 - Sonhos Virulentos
027 - Terminais Incolores
028 - Danos Compulsórios
029 - As Asas
030 - A Bela Dama Dorme
031 - Espelho Milenar
032 - Três Tomos
033 - A Pedra
034 - Rota Oposta
035 - Ressurreto
036 - Eventos Finais
037 - O Violino
038 - Já Não é Mais Amor
039 - O Estio - Com Gabriel Zanon Garcia
040 - Atos Ruços
041 - Eva - com Gabriel Zanon Garcia
042 - O Verde-lodo
043 - Conflito de Interesse
044 - Os Domos
045 - Graves Greves
046 - Os Organismos
047 - Coitadinha
048 - Dualidade
049 - Entorpecente
050 - Infinitos
051 - Angelus Sanctus
052 - Magis Ad Summitatem
053 - Carência
054 - Defasada
055 - Maria
056 - O Vulto
057 - Foi no teu Silêncio
058 - Borboletas
059 - Contrassenso
060 - De 4 em 4 Anos
062 - Livro
063 - Na Beira da Lagoa
064 - Soneto Torto
065 - Delírios Circulares
066 - Lira Valeriana

003 - Compostos Desculturais

62 19 26
By gustavo-valerio

Coliformes fecais em letra e verso
nas linhas purulentas dos compostos
dos músicos modernos do perverso
conceito e dos coprólitos expostos!

Líricas infernais, ralés impostos
roubados dos ouvintes do universo;
Dissimulados néscios bem dispostos
a lucrar o regalo controverso.

Tais produtores são alcoviteiros
dos intérpretes fracos e albardeiros,
portadores ignóbeis duma insana

descultura nojenta, dejeta e oca...
Representam um grupo onde a boca
faz a mesma função da cloaca humana.

Gustavo Valério Ferreira
15/03/2020



==  ==  / /  ==  ==


         O soneto acima, conforme escansão, é isométrico em 10 sílabas. Poucas técnicas foram utilizadas nele.

         A recomendação de Feliciano Castilho proposta no Tratado de Versificação Português foi seguida aqui no quesito paroxítonas. Como podem observar, todos os versos terminam com palavras paroxítonas.

         Uma coisa que pode ser observada é a homofonia proposital nas rimas, onde das 14 delas, 12 possuem foco na vogal O após a última tônica do verso.

         Outra técnica de ajuste métrico pode ser observada no último verso do poema, onde fiz a ditongação do hiato "clo-a-ca", permitindo assim que o verso de 11 sílabas pudesse se encaixar em dez. A sinérese, técnica que permite a ditongação ou a tritongação de hiatos não me agrada muito, boa parte dos hiatos soam natural na maioria dos sotaques brasileiros de modo que a sinérese acaba soando "dura". Seguindo orientações de Feliciano Castilho em seu tratado de versificação como também observações pertinentes feitas pelo ilustríssimo Osório Duque-estrada na obra A Arte de Fazer Verso, parei de fazer sinéreses que envolvem vogais tônicas, mas isso só poderá ser visto em poemas mais recentes.

         Outra técnica usada aqui é o destaque promovido nas estrofes da vogal i, usada como artifício para transmitir uma sensação alegre, mas também de pequenez. Segundo Feliciano Castilho, Olavo Bilac e Guimarães Passos, tal vogal transmite essa sensação por estar presente em quase todos os diminutivos do nosso idioma, como também por ser destaque nos verbetes alegria, feliz, felicidade, amigo e etc...

        Seguindo o conceito de consoante de apoio proposto por Osório Duque-estrada, mantive todas as rimas dos quartetos soantes e com apoio fonético de consoantes semelhantes antes da tônica final.

                 Verso / perVerso / uniVerso / controVerso
                 comPostos / exPostos / imPostos / disPostos

        No mesmo artifício da assonância, podem observar o destaque brando da vogal A, como também o som fechado da vogal U, ambas usadas aqui propositalmente para efeitos pontuais. A vogal e também aparece muitas vezes, mas sua presença marcante não foi proposital, foi um acidente. 

      Por descuido meu, deixei que quase todos os versos terminassem em vogal aberta, coisas que um bom poeta deve evitar para não causar sensações ruins quando o poema é lido em voz alta.

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