A arte de esperar é divina, esperei com muita calma o momento certo para ficarmos juntas e felizes, e cá estamos nós, arrumando as malas para ir pra Lima.
Nosso voo saí hoje à noite, e não poderia estar mais animada. Finalmente teria a Stella só pra mim, nem que seja só por algumas semanas.
— Nem sei porquê topei isso.. — Stella dizia penteando o cabelo.
— Você precisa espairecer, conhecer novas pessoas e só por um momento esquecer dessa confusão que tá sua vida.
Eu sabia exatamente o motivo que ela tinha topado tão rápido querer ir. E não é algo e sim alguém.
O Felipe, tudo gira em torno dele. Após aquela festa, ela chegou em casa aos prantos, dizendo que não ia conseguir ver ele com outra e que só queria sumir dali.
Foi então que eu só juntei o útil ao agradável.
— São quantos dias mesmo?
— Duas semanas, porquê?
— Porra, como eu vou faltar tudo isso no trabalho?
— Você vai compensar tudo isso quando voltar, sabe que consegue. Relaxa. — falei tranquilidade.
Ela suspirou e só balançou a cabeça negativamente.
— Nem avisei meus pais..
— Desde quando vai ter que dar satisfações ?
— Eu me sinto melhor, caso acontecer algo.. sei lá.
— Cala a boca, não vai acontecer nada.
— Tomara.
Avisar os meus pais que eu iria fazer uma viagem de duas semanas pro Peru não era nada convencional. Mas eu queria sair do Rio um pouco, não quero ver o Felipe de novo, não tão cedo.
Viajar sempre acaba me fazendo bem, e eu acho que to precisando.
— Vou dar uma passada lá na casa deles, só pra não deixá-los sem notícias.
— Você que sabe. — Mel deu de ombros.
Minha família estava reunida, todos jantando na sala de jantar, eu cheguei devagar e eles me olharam no mesmo instante.
— Filha.. o que você.. — minha mãe indagou assim que me viu.
— Bom mãe, pai, eu vim conversar. Eu sei que pode parecer estranho eu aparecer do nada. Mas eu queria dar satisfações — falei aquilo com certo "pesar", logo eu que nunca gostei de dar satisfações pra eles.
Me sentei junto a eles, Guto me olhou sem entender e não hesitou em dizer nada. Continuaram comendo normalmente.
— Vou fazer uma viagem. — disse direta.
— Como assim? É por causa do seu novo emprego naquela agência?
— Não mãe, eu vou viajar com a Carmel.. — falei um pouco receosa.
Todos se entreolharam com certa reprovação, já era de se esperar tal reação. Nenhum deles nunca gostou dela, mas por outro lado, nunca me deram motivos suficientes para eu odiá-la também.
Ela sempre foi a que mais me apoiou nessa história toda.
— Você sabe que nunca apoiamos essa amizade. Mas como você se diz dona do seu próprio nariz, acredito que não deveríamos te impedir.
— Seu pai tem razão, e quem decide sobre as suas escolhas é você. Ainda mais agora que saiu de casa, não era assim que você queria?
— Olha, eu não vim aqui pra brigar, só queria que ficassem cientes disso. Não queria sumir por duas semanas sem dar explicações.
— Duas semanas? — Guto exclamou sua primeira palavra.
— Uhum — murmurei.
— E onde ela quer te levar ? Em algum retiro espiritual ? Como confia tanto nessa garota ?
— Vamos para o Peru, diz ela que conseguiu uma super promoção com tudo pago, e só para dois acompanhantes.
— Isso só pode ser piada.. qualquer garota no lugar dela iria querer levar o namorado. Cê não acha meio estranho ela se apagar tanto a você? Essa viagem é uma promoção porquê seria pra um "casal", tá mais pra uma lua de mel isso sim.
— Onde quer chegar? — franzi o cenho — Eu achei uma atitude bem bonita da sua parte, e aliás não é toda garota que sonha em viajar com o namorado. Carmel nunca precisou de homem nenhum para fazer as suas vontades.
Cecilia e eu estudávamos cada um num canto. Eu concentrado nos meus livros e ela nos seus.
Nesses últimos dias ela tem passado bastante tempo aqui em casa, os seus inúmeros livros cobriam seu rosto inteiro. Parecia estar bem focada.
— Não tá com fome não? — indaguei sentado na mesa á poucos metros dela.
— Um pouco..— suspirou massageando suas têmporas.
Se levantou com calma, tirando todos os livros de cima do seu colo e vindo até mim.
— Não quer pedir alguma coisa?
— Acho que sim, vou ver o que tem..
Ela assentiu e se sentou no meu colo. Liguei para alguns restaurantes de comidas rápidas e consegui fazer os pedidos. A minha rotina estava sendo um tanto quanto normal, depois daquela balada tudo parecia ter ficado mais esclarecido.
Conversei bastante com Cecília sobre o que estava sentindo. Ela me deu todo apoio e disse que se precisar, era só chamar.
— Ah.. olha quem acabou de me convidar pra jantar — abri um sorriso ao ver a mensagem no celular.
— Quem?
— Meu irmão, disse que a mãe tá fazendo o meu prato preferido.
— É só cancelar os pedidos e ir. Eu posso ficar aqui se quiser, ou então me deixa em casa.
— Ou então, você pode ir lá jantar conosco. — sugeri e ela soltou um riso.
— Felipe.. eu não acho que seria uma boa ideia, até pouco tempo você levava outra menina pra ir jantar. Não acha que seus pais podem não gostar ?
— Não vejo mal nisso, somos só amigos não somos? Eles não vão questionar.
(...)
— E quem é ela? — dona Magda me olha fixamente enquanto servíamos o jantar.
— Ah oi, prazer. Sou Cecília, uma colega do seu filho, nós nos conhecemos em uma festa semana passada. — ela tomou frente.
— Desculpe não apresentar. Mas ela tem sido uma ótima amiga.. — acrescentei.
Minha mãe a analisou por uns instantes e me olhou como se estivesse "satisfeita" em saber quem era.
— E você faz o que Cecília?
— Eu faço medicina, na UFRJ também..
— Sério? Que ótimo, e você gosta de risoto de carne? — mudou de assunto.
— Bom, na verdade eu sou vegetariana..— hesitou um pouco sem jeito.
— Não me diga! Então quer que prepare algo diferente pra você?
— Não, ela come só a salada. Sem problemas mãe!— a interrompi.
Ficou um clima meio estranho. E mesmo assim nós jantamos tranquilamente. Após comermos, eu fui ajudar minha mãe na cozinha com a louça. E Cecília ficou na sala vendo Chiara mostrar a ela os bebês.
— Está transando com essa menina?
— Mãe! — repreendi sua fala.
— O que foi? Foi a primeira coisa que pensei, está ou não?
— Estamos ficando, mas sem transar por enquanto.. relaxa tá? Ela é toda espiritualista e falou que nossos chakras não entraram em conjunto para podermos transar. Eu sei, pode parecer estranho, mas eu só a conheço faz a cinco dias.
— Desde quando você entende disso? Ah meu filho.. quando me falaram que você só fica mulher doida, achei que fosse brincadeira.
— Eu conversei com a Stella falando nisso..
— E aí? Se acertaram? — falou esperançosa e eu ri sem humor.
— Nos declaramos um pro outro e decidimos nos afastar por enquanto.
— Você tá usando drogas?
— Hã?
— Como assim você se declara e decidi que tem que se afastar?
— Precisamos amadurecer mais, ela tá toda focada no seu novo emprego e eu preciso focar no meu trabalho também.. já vou me formar daqui um tempo.
— Que desculpa sem pé nem cabeça.. não entendo o que passa na cabeça de vocês.
— Não consigo esquecer o que ela fez. Não consigo esquecer das mentiras nem da cena mais escrota que eu já vi. Essa porra fica se repetindo na minha mente desde quando eu acordo, como vou perdoa lá se não consegui superar tudo isso?
— Filho, não faço ideia do que está dizendo. Eu só quero que fiquem bem, apesar de tudo eu sei que ela é uma menina de ouro, essa sua raiva vai passar..
— Não mãe, não sei quando isso tudo vai sumir da minha mente. E olha que nem cheguei a namorar, já não basta o que a Laura fez.
— Você precisa esquecer o que a Laura fez e tentar superar isso. Vai se arrepender do tempo que está perdendo, ficando com quem não gosta realmente.
— Eu gosto da Cecília, ela me ajuda a distrair e me faz rir.. eu gosto da sua companhia.
— Mas não é ela que você ama, e sabe disso. E eu como sua mãe, não quero te ver sofrer de novo. — aquelas duras palavras eram a mais pura verdade.
Mas como eu queria que fosse fácil superar isso.
— Acha que é fácil esquecer tudo que a Stella fez? Diga por você. Pra mim tá sendo foda.
— Imagino que não é fácil. Mas por favor não tente se preencher com essas meninas, porquê no fim do dia.. você estará vazio.
(...)
Sabias e pesadas palavras, minha mãe sabe que tem razão. Não queria magoar Cecília, eu sei que ela tem essa parada de amor livre e é bem de boa em relação a isso, mas não quero iludir ninguém, ela sabe de quem eu gosto.
— Tá tudo bem ? — Ceci me olhou de lado ao me ver concentrado no volante.
— Sim. Tive uma conversa com a minha mãe, ela me falou umas coisas meio bad..
— Entendo, conselho de mãe é quase que lei. Minha mãe sempre me aconselhava também.
Assenti fraco.
— Eu tento ser o mais sincero possível. Cê sabe que tá foda pra mim..
— Eu sei — massageou meus cabelos. — Também sei que você ama ela demais..— falava com certa "pena".
Meu maxilar travou e só continuei focado na direção.
Ao chegar em casa, logo iniciamos um beijo lento sentados no sofá. Pegava na sua cintura e em seus cabelos curtos, ela segurava em meus braços e aos poucos foi ficando intenso. A deitei com cuidado no sofá, parei o nosso beijo e a olhei por uns minutos.
— Tem certeza?
— Tenho. Acho que já estou pronta pra isso..— sussurrou.
Voltamos a nos beijar e fui percorrendo beijos por todo seu pescoço, ela se arrepiava e me abraçava por trás.
Distanciei e com calma fui tirando a sua blusa, seus seios pequenos estão arrepiados, logo os beijei até chegar no seu sexo.
Tirei minha roupa e bati uma punheta para chegar no meu ponto exato.
— Você toma remédio né?
— Tenho meus métodos. Relaxa.. — sorriu.
Assenti e coloquei com tudo o meu membro dentro dela. Os seus gemidos eram abafados e excitantes, quanto mais ela gemia, mais eu cavalgava, fazendo movimentos bruscos e rápidos.
Fechei os olhos por um segundo e a única pessoa que vinha em minha mente não é ela, puta merda.. como eu queria que fosse a Stella em seu lugar, só ela sabe fazer do melhor jeito, e só ela conseguia me deixar sem fôlego.
— Lipe? — a voz de Cecília ecoou.
— Que?
— Eu te disse pra trocarmos de posição.
— Ah, ok..— saí de cima dela.
Mudamos de posição três vezes, a transa de fato não era ruim, mas algo me dizia que eu não deveria estar me precipitando daquele jeito.
Cecília é uma menina da hora, não merecia um cara como eu. Quem eu estava tentando enganar? Mentir pra si mesmo sempre é a pior das mentiras.
— Vai, mais rápido!— protestou de costas pra mim.
Toquei o seu sexo e massageei devagar, ela contorcia enquanto sentava com bastante força em cima mim.
Alguns minutos depois percebi que o seu corpo já estava mole e pedindo arrego.
— Vou gozar.. — exclamou e eu intensifiquei os movimentos pra eu poder chegar no meu ponto máximo também.
Quando ia gozar, tirei rápido o meu membro de dentro dela.. nós gozamos juntos, e a sensação de alívio era imensa, depositei um beijo molhado em sua boca e nos deitamos no sofá suados e ofegantes.
— Tudo pronto? — Carmel indagou.
— Sim.. acho que sim!— chequei as últimas coisas e vi se estava tudo arrumado.
Vesti uma calça jeans, e minha velha e boa blusa de frio preta. Sentei no chão pra fechar minhas malas e aproveitei pra tirar uma foto antes de sair.
@StellaMuniz
We are coming, Peru 🇵🇪✈️
Curtido por @LisboaCarmel e outras 649 pessoas.
@Vicentebrangel: Maravilhosa amiga ❤️
@LisboaCarmel: We are coming soon 🇵🇪✈️
@LalaCardoso: Como assim Brasil??
@GabiBastoss: Linda gêmea, mas oq ??
@GutoMuniz: Boa viagem, e se cuida! 🙄
Tranquei a casa, descemos e pedimos um uber. Após alguns minutos já estávamos indo em direção ao aeroporto.
— Que foi? — Carmel me olhou de lado.
— Nada..— abri um sorriso fraco.
Queria muito que essa viagem fizesse bem pra mim, eu precisava descansar a mente. Se eu ficasse aqui eu iria fazer besteira e ir atrás do Felipe.. prefiro manter distância por enquanto.
— Acho que já vou indo..
— Quer que eu te leve ? — falei casualmente.
— Não.. aliás, um amigo meu vem me buscar.
— Amigo, hum!— fiz uma voz maliciosa e ela soltou um riso frouxo.
— Sim, meu amigo. Na real, ficamos algumas vezes mas não é nada sério.
— De boa pô..— disse mudando de canal.
Alguns minutos depois ele havia chegado. Ela pegou sua bolsa e se prontificou pra vazar.
— Tô indo tá ?
— Beleza..
— Boa noite, fica bem aí!— deu um selinho rápido e saiu fechando a porta.
Acendi meu cigarro e fiquei brisando olhando a paisagem da varanda.
Peguei meu celular, abri o Instagram e vi a foto da garota mais linda do mundo. Caralho, eu sou muito rendido. Pelo visto ela estava indo viajar, pro Peru, e de quebra com a Carmel.
Sempre senti uma energia pesada vindo dela, algo me dizia que ela não era essa amiga toda bondosa e protetora que mostrava ser. Minha preocupação só aumentava.
O foda é que eu fico com saudades, e só dela não estar no Rio o meu peito já aperta. Sinto vontade de ir atrás, mas meu orgulho fala mais alto, e toda essa desconfiança dela cometer o mesmo erro, martelava na minha cabeça.
Eu sei que o tempo vai passar, bocas vão rolar.. mas do jeito que seu santo é forte ninguém vai me amar, e eu vou querer voltar atrás só pra matar vontade.
Continua..