Hello There 2

By _lucasAS

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Um assassinato sempre muda uma cidade, já um massacre deixa uma marca eterna. Sete anos após o término do in... More

2x01 - At Nightfall
2x02 - Did You Miss Me?
2x03 - The Devil You Know
2x04 - Silent Night, Deadly Night
2x05 - Cursed Town
2x06 - You're (Not) Insane
2x07 - Carnage
2x08 - Secret Pact
2x09 - Home Invasion
2x10 - Shadow Play
Primeiro Interlúdio - The Last Goodbye
2x11 - March of Crimes
2x12 - No Turning Back
2x13 - Spooky Little Girl
2x14 - Don't Be Afraid of the Dark
2x15 - The Beast Among Us
2x16 - Raw
Segundo Interlúdio - Home Sweet Home
2x17 - Once You Go There, You Won't Be Right Back
2x18 - Something to Die For
2x19 - Digging Your Grave
2x20 - Angel of Death
2x21 - How to Stay Alive in the Woods
2x22 - Room Service
Terceiro Interlúdio - So Close, Yet So Far
2x23 - Death Proof
2x24 - Over My Dead Body
2x25 - You're Next
2x26 - Gotten Gains
2x27 - Things Bad Begun
2x28 - The Last Minutes
Quarto Interlúdio - In a Lonely Place
2x29 - Fear and Darkness
2x31 - The Other Side of this Mask: Part 02
2x32 - The Other Side of this Mask: Part 03
2x33 - The Other Side of this Mask: Part 04
2x34 - V for Vendetta
Quinto Interlúdio - The Wrestler
2x35 - Brave New World
Epilogue
▪ Artes da História ▪
▪ Enquete sobre a História ▪

2x30 - The Other Side of this Mask: Part 01

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By _lucasAS

Parou de correr quando seus pulmões começaram a arder pela falta de ar. O suor escorria pela testa e pelas costas, molhando a camisa. Emily nunca tinha se sentido tão cansada em toda sua vida. A boca seca implorava por água. Cada inspirada de ar era como facas entrando em sua garganta. Chegava a ficar zonza depois de tanto esforço, e teve de se apoiar numa das paredes, de olhos fechados, até que a sensação passasse.

Havia subido dois lances de escada e ainda percorrido, pelo menos, metade do andar em que estava agora. Mas não sabia onde estava exatamente. Já tinha perdido as contas de que andar se encontrava a algum tempo. No entanto, ainda sentia aquela estranha sensação de que estava mais alta do que o nível do chão, o que causava um mal pressentimento por algum motivo. O lado bom era que se sentia mais segura agora. Não escutava mais os passos atrás de si, e o hotel parecia banhado no mais profundo silêncio. Apenas sua respiração pesada e ofegante cobria as paredes.

Para seu azar, Emily estava de mãos vazias. Sua pistola estava perdida em algum lugar dois andares abaixo, e tinha uma grande chance do assassino encontrá-la, o que tornava tudo mais perigoso. Garrett também estava perdido por aí. Achava que o restante do grupo também estava ali em algum lugar, e era até estranho pensar que, mesmo que estivessem no mesmo lugar, era praticamente impossível que se encontrassem com facilidade. O Everwood Hotel parecia funcionar como um buraco de minhoca, estranhamente.

A sobrevivente olhou de um lado para o outro naquele corredor escuro, apagando a lanterna do celular por um instante para ter a chance de se recuperar sem que o assassino lhe encontrasse de novo. Não sabia se ele continuava atrás de si, ou se já tinha desistido. As duas opções eram bastante prováveis, mas Emily não conseguia se decidir em qual acreditar. Por isso, resolveu se ocupar com outra coisa, e quando já estava mais recuperada e com a respiração controlada, mesmo que o coração continuasse disparado no peito, desencostou-se da parede e pensou para qual direção seguir.

Tudo estava num mórbido silêncio. Pegou o celular e ligou a lanterna de novo, seguindo em frente. As escadas estavam alguns metros atrás, mas Emily decidiu que continuaria naquele andar até que alguma coisa a obrigasse a voltar. Dessa forma, começou a andar sem um destino certo.

Imaginava quais eram os planos do Carrasco para a noite. Ele claramente não tinha pressa em se revelar. Se essa fosse sua prioridade, obviamente já teria tirado a máscara na perseguição minutos antes. Então, a única outra coisa que ele poderia estar fazendo era indo atrás do restante dos sobreviventes primeiro. Emily ficaria para o final, como ele mesmo tinha dito na ligação. E isso a deixava frustrada. Não somente porque todos estariam morrendo ou porque ela ficaria sozinha para um embate contra o maníaco, mas também porque não aguentava mais todo aquele suspense. Queria logo saber quem era o responsável e botar as cartas na mesa. Morria de ansiedade para saber o que aconteceria depois da revelação, qual rumo toda aquela história seguiria.

Sabia quem era o assassino, isso era certo. Depois de todas as provas que coletou no caderninho de Ellen, Emily não teve dúvidas de que aquela pessoa era o responsável por tudo. Não tinha simplesmente nada que comprovasse um duplo sentido naquilo que leu, ou uma coincidência. A única coisa que poderia ter acontecido era Ellen ter mentido em sua teoria, o que parecia difícil do ponto de vista de Emily, ou que as evidências tivessem sido plantadas pelo verdadeiro assassino para incriminar aquela pessoa, o que também parecia trabalhoso de mais e, de qualquer jeito, como o verdadeiro culpado poderia saber que Ellen iria encontrar tais evidências?

Então, ela apenas esperava que algo acontecesse. Afinal, não teve tempo de montar um plano para pegar o responsável. O convite para aquela noite aconteceu literalmente do nada e não lhe deu tempo de fazer alguma coisa. Dessa forma, o que restava era esperar que o desgraçado estivesse disposto a retirar a máscara por vontade própria.

De repente, o som de passos chegou ao seu ouvido. Emily parou no lugar, abaixando a lanterna e escutando com mais atenção. Eram passos arrastados e pesados, que pareciam ser dados com certa dificuldade. Não deixou de estranhar isso e ficou atenta à direção que eles vinham, esperando para ver o que aconteceria, pois não parecia ser o assassino.

Logo, uma pessoa surgiu, virando numa curva. Emily bateu os olhos e reconheceu na hora. Era Tommy, todo suado e cansado, com os cabelos loiros despenteados e cobertos de suor. Ele vinha de forma esgotada, seguindo pelo corredor, completamente exausto. Emily estranhou isso, se perguntando o que tinha acontecido com ele, e deu um passo para trás.

— Emily?! — perguntou Tommy, parando com uma das mãos apoiando na parede, o celular entre os dedos. — Você também está aqui?! — Ele parecia surpreso.

Tommy olhava para todos os lados de maneira desconfiada, e tinha a voz fraca.

— O que você está fazendo aqui? — perguntou Emily, se fazendo de boba.

— Acho que o mesmo que você. O assassino me ligou e me chamou.

— É claro, você é um dos alvos...

Emily ainda não confiava cem por cento nele. Por disso, resolveu manter distância caso alguma coisa acontecesse. Afinal, o timing era muito estranho. Tinha acabado de ser perseguida pelo Carrasco e, agora, Tommy surgia todo suado e esbaforido, como ela mesma estava segundos antes, como consequência do ataque.

— A gente tem que sair daqui — tornou ele. — Ele está aqui. O assassino estava atrás de mim. Provavelmente ainda está.

O rapaz se aproximou num pulo e agarrou o braço de Emily, tentando levá-la consigo enquanto seguia pelo corredor. A sobrevivente puxou seu braço e deu um passo para trás.

— Acho que não, Tommy — disse ela, desconfiada.

Foi então que a garota reparou na mancha de sangue que ficou em seu braço após o toque de Tommy. Voltou os olhos para ele, encarando como seu ombro sangrava. Ele estava coberto de sangue por uma metade inteira do corpo, e parecia estancar o líquido com a mesma mão que segurava o celular.

— O que aconteceu com você? — perguntou, surpresa.

— Foi o assassino. Ele... Ele me esfaqueou! — Os olhos de Tommy eram suplicantes, mas Emily não caiu na dele. Estranhou o modo como sua mão nunca deixava o ombro, quase como se quisesse esconder a tal facada. — Agora a gente tem que sair daqui!

— Tommy, não! — Ela recuou de novo quando ele veio em sua direção, e o próprio moço deu um passo para trás, assustado.

— O quê?! Emily, o assassino está vindo! — Ele ficou um pouco histérico. — Eu acabei de salvar o Owen, e ele está vindo atrás de mim!

— O Owen? — Estranhou.

— É, o Owen. — Tommy olhou para todos os lados antes de continuar: — Eu encontrei ele lá embaixo. O assassino surgiu e nos separou. Eu estou correndo desde então! — Arfou com força, os olhos desesperados. — Eu achei que tinha despistado ele, mas ele pode estar em qualquer lugar agora! Por isso, a gente tem que ir logo!

Emily apenas balançou a cabeça negativamente. A história parecia estranha.

— Por que não, Emily?!

Suspirou fundo e respondeu:

— Eu guardei minhas desconfianças por muito tempo, Tommy. E sinto muito, mas eu desconfio de você. Acho que esse é um bom momento para dizer. Então, se afaste antes que eu faça alguma idiotice com você.

Emily pôs a mão na parte de trás do corpo, na altura da calça, para tentar fazê-lo achar que tinha uma arma. Isso fez um comichão subir por seu corpo, pois se Tommy não caísse naquilo e avançasse, não tinha literalmente nada que pudesse usar para se defender. Rezou para ele acreditar.

E para sua surpresa, Tommy se afastou, assustado e parecendo decepcionado.

— Emily, não... Eu não sou culpado... Qual é! — tentava ele, erguendo uma das mãos no ar como se para mostrar que não representava perigo. — Você me conhece! Eu nunca faria isso!

— Eu não tenho escolha.

— Para com isso! Acredita em mim! — Lágrimas escapavam de seus olhos. — O assassino está vindo, pelo amor de Deus!

— Tommy, para com isso e vai embora!

— Emily, por favor!

— Não!

E no instante em que a discussão se prosseguiu e nada parecia mudar a opinião de Emily, grande foi sua surpresa quando o Carrasco surgiu ao lado de Tommy, pulando de uma vez só na direção do rapaz, saindo do corredor ao lado do loiro.

Emily gritou de surpresa, ficando ereta e recuando, enquanto Tommy não carregava da mesma sorte, sendo acertado com tudo em um soco violento na mandíbula. De uma vez só, Tommy despencou no chão, caindo de bruços, onde ficou imóvel. Suas pernas tremeram por um instante antes dele ser levado pela inconsciência do soco, e Emily, em estado de choque, encarou o maníaco com os olhos estalados. Ele havia lhe encontrado.

Não esperou para correr. Virou-se rapidamente e disparou pelo corredor, na direção contrária. O Carrasco fez o mesmo, passando reto pelo corpo desmaiado de Tommy, com sua mira focada em Emily, a alguns metros à frente.

— Me deixa em paz! — gritou a garota, furiosa.

Mas o assassino não a deixou. Em vez disso, continuou perseguindo-lhe por aquela reta. Seus passos retumbavam no chão como dezenas de disparos. Emily logo sentiu a exaustão nas pernas já usadas por bastante tempo, achando que poderia perder a força nelas e cair a qualquer instante. E isso seria seu fim, pois mais uma vez ela se provava errada: o psicopata não estava atrás dos outros, estava atrás de si mesma, e isso ficou claro pela forma como ele não hesitou em deixar Tommy para trás e vir em sua direção. Por isso, a preocupação da morena aumentou dez vezes mais.

Não parava por nada. Passava, mais uma vez, como uma sombra pelos corredores escuros, quase se desfazendo em meio a escuridão. A lanterna ligada do celular era a única coisa que ainda provava que Emily continuava ali. Os cabelos eram levados pelo vento e batiam no rosto. As pernas sofriam fisgadas constantes pelo esforço anterior, como uma máquina velha que é religada para uso muito tempo depois. Estava enferrujada, por assim dizer.

Deu uma olhada para trás e viu o mascarado a alguns metros, avançando em sua direção com a faca numa das mãos. Emily voltou a atenção para frente, encontrando a entrada para as escadas à direita. Dessa forma, virou para ela no instante em que a alcançou. Seria mais fácil ir por lá, pois teria alguma chance de atrasar o assassino. E por isso, passou direto por ela, entrando ainda mais no escuro, quase caindo ao bater contra o corrimão velho e enferrujado. Mas por sorte parou, se situando no ambiente fechado e pequeno.

Olhando para cima, conseguia ver apenas o breu, mas sabia que ali existiam vários lances de escadas que se entrelaçavam entre si, indo de maneira giratória para cima. Abaixo era a mesma coisa. Naquele instante, Emily decidiu subir, sabe-se lá por qual motivo, e assim o fez, tentando não tropeçar nos degraus quando pisou no primeiro deles e lançou o corpo numa fuga instintiva para frente, batendo com os pés fortemente no concreto, dando passos largos para não correr o risco de tropeçar nos degraus próximos uns dos outros. E realmente funcionou, pois quando passou pelo primeiro lance, continuava inteira.

Atrás de si, o Carrasco atrasou-se na porta, pego de surpresa quando a morena virou por aquela entrada. Mas logo, se pôs a ir atrás dela.

Naquele ambiente quente e escuro, os dois corpos em movimento travavam uma batalha contra a velocidade e a escuridão. Nada se via, mas tudo se sentia. Emily temia ser alcançada a qualquer instante, sentindo uma facada nas costas ou coisa assim. Seu coração saltava do peito a cada lance de escadas deixado para trás, agarrando o corrimão enferrujado como forma de saber a direção que deveria seguir e avançando cada vez mais, subindo degrau por degrau, até que uma curva surgisse e fosse obrigada a frear o passo, virando para a esquerda e repetindo o processo.

Emily só queria se ver livre daquilo. Não podia deixar-se ser pega pelo assassino. Não podia dar essa satisfação a ele. Mas tudo tornava-se difícil ao ouvir os passos pesados vindo atrás dos seus, parecendo cada vez mais rápidos e mais próximos, e sentindo a aproximação contínua em meio àquela escuridão, onde só se via o flash repentino da lanterna indo e vindo com o braço da sobrevivente. De qualquer jeito, ela não pararia por nada.

Foi quando resolveu sair dali. Já estava a tempo o bastante naquelas escadas para que acabasse tropeçando e sendo pega pelo mascarado. E quando a primeira saída surgiu, Emily não hesitou em atravessar por ela, quase batendo os braços no batente da porta. Em seguida, eclodiu no corredor, que tinha um pouco mais de iluminação. Olhou ao redor, desgovernada, e não tardou a seguir em uma direção qualquer. Dessa vez, no entanto, pressionou a lanterna do celular contra a própria barriga durante a corrida, apagando o que era sua única luz, apenas para que o assassino, talvez, lhe perdesse de vista.

Contudo, a dificuldade de sua fuga aumentou. Não conseguia ver muito além de suas pernas agitadas e as paredes ao redor. O restante do corredor era uma parte oculta do prédio até que estivesse a, literalmente, centímetros de qualquer coisa que fosse encontrar. E da mesma forma que apagar a luz pudesse lhe ajudar a ser perdida da vista do Carrasco, ele ainda parecia ter uma audição bastante aguçada, e se prestasse atenção, poderia ouvir o som de passos e de uma respiração pesada ao longe. Isso seria o que levaria a sua morte, e então Emily tomou uma decisão: tinha de se livrar de todos os riscos para que continuasse viva.

A sobrevivente virou numa curva e entrou no primeiro quarto que encontrou. Escorou-se contra a parede ao lado da porta quase que imediatamente, batendo fortemente com as costas no concreto. Aquela era uma boa ideia, tanto porque estava escuro o bastante para não ser vista, quanto porque lhe ajudaria a recuperar o fôlego e as forças.

Assim, apenas ficou parada ao lado da passagem, desde que nem mesmo tinha uma porta a ser fechada, esperando que o assassino passasse reto.

Aos poucos, escutou o som de passos se aproximando, frenéticos, tiros sendo dados contra o concreto por aqueles coturnos pretos. De olhos fechados, Emily esperou, rezando. Mas então, como se a vida olhasse para sua cara e dissesse "hoje não", foi capaz de perceber quando o mascarado parou justamente diante do quarto em que estava.

Imersa pela escuridão, ela ainda pressionava a lanterna do celular contra a barriga, e qualquer deslize lançaria um feixe de luz que revelaria sua posição. Não poderia correr esse risco, de forma alguma. Por isso, fechou os olhos, prensando-se ainda mais na parede, tentando deixar de existir por alguns segundos, até que o psicopata saísse dali. No entanto, não foi o que aconteceu, e a aproximação fez todos os pelos da nuca de Emily arrepiarem. Ela sentia o corpo do mascarado ali, do outro lado daquela parede, parado no corredor, olhando ao redor. Sentia o mal.

Por favor, vai embora... Por favor, vai, vai... pensava consigo mesma, de cenho franzido, a cabeça encostada na parede. Tentava controlar a respiração, prendendo-a de tempos em tempos, até que fosse obrigada a soltá-la de novo. E o maldito continuava ali, parado como uma estátua, diante de porta. A sorte era que não olhava para dentro do quarto, e sim, para o corredor. A respiração abaixo da máscara era o plano de fundo de toda aquela tensão, enquanto a cabeça do maníaco virava de um lado e virava do outro, a procura de Emily.

Até que ele se virou e foi embora, voltando da direção de onde veio.

Emily soltou o ar com força, o som alto o bastante para que o mascarado fosse capaz de ouvir se ainda estivesse ali. Começou a ofegar, como antes. Abriu os olhos, encarando a escuridão e a fraca luz que vinha do corredor. Estava sozinha, para sua sorte. O assassino tinha ido embora, provavelmente voltado para Tommy, que continuava jogado em algum lugar alguns andares abaixo, desmaiado no chão após o nocaute do soco na mandíbula.

A sobrevivente deslizou para o lado, espiando pelo lado de fora. Ainda não tirou a lanterna da barriga, colocando metade da cabeça para dentro do corredor. Seus olhos captaram a escuridão vazia dali. Estava realmente sozinha, e isso era aliviante.

Terminou de sair do quarto com grande cuidado, para não expelir nenhum barulho caso o Carrasco continuasse nas proximidades. Deu uma nova olhada para a direção que ele seguiu, e depois virou-se na direção contrária, seguindo pelo corredor a passos lentos, recuperando-se aos poucos. Na metade dele, finalmente deixou-se iluminar o caminho.

Pensava em Tommy, e o quanto toda a situação dele foi curiosa. O rapaz pareceu estranho desde sempre e, mesmo que tivesse acabado de ter contato com o assassino, um soco no rosto parecia não comprovar nada em relação a sua inocência. Ainda tinha suas dúvidas em relação a ele. Mas de uma forma ou de outra, Tommy não ocuparia mais seus pensamentos. Se fosse inocente, estaria morto. Se fosse culpado, saciaria sua morte.

Continuou andando de forma quase automática, exausta. O suor escorria pelo rosto. Naquele momento, não pensava no que fazer, apenas queria recuperar as forças e seguir conforme os planos — seja lá que planos fossem esses.

Foi quando bateu de frente com alguém. Emily não percebeu nos primeiros segundos que se prosseguiram, provavelmente pelo seu cansaço. Se estivesse mais atenta no que fazia, teria percebido o som de passos que antecedeu o encontro. Mas naquele instante, Emily apenas conseguiu recuar fortemente enquanto arfava com o susto, de olhos estalados e peito apertado. Colocou as mãos em frente ao corpo para desviar de um possível golpe, até que encontrou fios de cabelos loiros em meio a agitação da figura.

— Sam?! — berrou, parando de espernear.

A artista também pareceu ter recuado, pois estava numa distância maior do que se lembrava. E dando uma vistoria no ambiente, Emily notou que ela tinha acabado de vir de uma das curvas mais próximas, provavelmente distraída e olhando para trás, até topar consigo.

— Emily, ai, meu Deus... — soltou a loira, arfando.

— O que você está fazendo aqui?!

Incapazes de lutar contra o instinto, aproximaram-se para um abraço. O alívio que percorreu o corpo das duas foi indescritível, conforme encontravam abrigo no aperto uma da outra. Ao que se soltaram, ainda deram um rápido selinho contente.

— O assassino também ligou para você? — perguntou Emily.

Ela apenas balançou a cabeça em concordância, recuperando o fôlego, ainda segurando em si. E ao observar o estado da moça, Emily franziu o cenho. Ela mesma estava mais recuperada da perseguição anterior, o que lhe ajudou a se situar. Notou que Sam não tinha nenhum celular nas mãos, e possivelmente estava vagando no escuro anteriormente.

— O que aconteceu? — perguntou, curiosa, tocando-a nos braços.

— O assassino... — começou Sam, sem ar. — Ele... Ele veio e... separou eu e a Linda... Ela... Ela estava no chão quando eu... quando eu olhei para trás...

— A Linda? Você estava com ela?

— Estava... Eu encontrei ela depois que cheguei. — Mais recuperada, Sam olhou pela direção que tinha vindo. — Acho que eu despistei ele.

— Faz quanto tempo que você está aqui?

— Uns... Quinze minutos? Vinte? — Balançou a cabeça. — Em, eu estou tão feliz de ter te encontrado... Eu estou apavorada nesse lugar...

Antes que pudesse responder, foi que Emily se tocou de uma coisa. A viúva-negra, lembrou-se da teoria criada por ela e Jordana, e também no papo decorrido com Garrett momentos antes. Seu peito se fechou numa odiosa vontade de voltar atrás, e até pensou em não levar aquilo a sério, mas acabou sendo forçada a isso, e por isso se afastou.

— O que foi? — perguntou Sam, estranhando quando Emily recuou um passo.

Não sabia como responder ou como explicar. Era horrível ter de fazer aquilo com alguém como Sam, da qual respeitava e adorava, principalmente depois de toda a relação que desenvolveram nos últimos dias.

— Sinto muito... — soltou Emily, balançando a cabeça.

— Sobre o quê? — Sam tentou vir até si, mas a sobrevivente apenas se afastou mais, obrigando-a a parar no lugar. — Em?

— Olha, Sam, eu não confio em você.

A loira voltou os olhos em sua direção e franziu o cenho, desentendida.

— O quê?

— Eu não confio em você — repetiu. — Na verdade, eu não confio em ninguém.

— Emily, do que você está falando? — Ela parecia ofendida. — Acha que eu possa estar fazendo tudo isso? É loucura...

A sobrevivente deu mais um passo para trás. Atrás de si, o corredor escuro escondia toda e qualquer forma que pudesse estar logo ali, a espreita.

— Eu não sei, Sam... — respondeu. — Eu não gosto de fazer isso, mas é preciso.

— Emily, qual é! — gritou, um pouco desesperada. — Ninguém mais do que eu quer matar aquele desgraçado daquele assassino! Ele matou o Lincoln!

— Sam, só faz o que eu estou pedindo, beleza? — Esfriou o tom de voz, ficando séria. — Se afaste, por favor.

— Você não pode estar fazendo isso, Em... — Balançou a cabeça negativamente, com um olhar de tristeza. — Depois de tudo o que a gente passou... Meu Deus, você já me salvou da morte! Olha... Olha tudo isso que a gente tem... Você desconfia mesmo de mim?

Emily engoliu em seco. Seu peito apertava a cada negada aos pedidos da loira.

— Se você estivesse no meu lugar, estaria fazendo o mesmo — falou, com a voz mansa. — Eu não tenho escolha, se quiser continuar viva, e...

Em meio a discussão, seu celular tocou, cortando sua frase. Emily gelou ao toque repentino e agudo, que ressoava pelos corredores como mil tiros sendo dados ao mesmo tempo, de forma alta e cortante. Sam desviou os olhos para a mão da garota, que agarrava o aparelho, até que a lanterna do mesmo fosse apagada automaticamente pela ligação.

As duas ficaram em silêncio no escuro, enquanto Emily virava a tela e via "Número Desconhecido" escrito ali. Paralisou no mesmo instante, estranhando o fato de ter conseguido sinal o suficiente para receber a chamada. Talvez porque estivesse num nível alto.

— Alô? — disse, ao atender.

Sam ficou parada a alguns metros, com uma expressão assustada e decepcionada.

Hello there, Emily — respondeu o assassino, a voz falha pela estática.

— O que você quer? — continuou, curta e grossa. — Achei que essa era a noite da revelação.

— Não se engane, continua sendo.

— Não é o que parece. O que foi? Perdeu a coragem?

— Nada disso, Emily. Só quero me divertir um pouco antes de tudo acontecer.

— Acho que já se divertiu o bastante.

— Nunca esteve tão certa. A diversão acabou agora.

Emily parou e não disse nada por um instante. Se aquilo era o que estava pensando, estavam se encaminhando para o temido momento que esteve esperando.

— É isso, então? — perguntou, a voz mais tensa e nervosa.

— É isso — concordou o assassino. — Já me cansei de correr atrás dos seus amiguinhos, Emily. Está na hora de botarmos as cartas na mesa e ficarmos cara a cara.

— Eu venho me preparando para esse momento desde o início.

— Pode acreditar, eu também. — Uma pausa. — Está pronta?

— Sempre estive. — Respirou fundo. — Mal posso esperar para colocar minhas mãos em você, seu desgraçado.

— E eu mal posso esperar para te ver falhando novamente.

— Onde vai ser?

— Vá até o último andar. Estarei te esperando.

Emily sentiu uma onda de alívio atravessando o corpo.

— É melhor estar bem preparada para o que está por vir, Emily Hayes — terminou o Carrasco, encerrando a ligação.

A sobrevivente abaixou o celular, voltando a ligar a lanterna. Encarou Sam, ainda parada a alguns metros, parecendo mais recomposta da correria que disse ter acontecido minutos antes, mesmo que ainda ofegasse um pouco.

Não sabia o que fazer. Levar Sam consigo era um perigo, mas deixá-la ali era um perigo maior ainda. Se assim o fizesse, poderia estar deixando um dos assassinos livre para fazer o que quisesse, tanto consigo, quanto com os outros. Além disso, Emily não sabia se os outros continuavam lá, ou se ao menos continuavam vivos. Tommy estava vulnerável quando foi deixado para trás, e pelo testemunho de Sam, Linda também. Garrett continuava perdido em algum lugar, o que apenas aumentava seus nervos. Por fim, havia Owen, Kai e Molly, que não sabia do paradeiro. E foi a simples lembrança de Molly que fez Emily encarar Sam mais uma vez. Lembrou-se que a amiga tinha ido se encontrar com ela.

— O que você fez com a Molly? — perguntou.

— O quê? — Sam pareceu desentendida.

— Cadê a Molly? Ela foi se encontrar com você. Ela me disse.

Sam respirou fundo e finalmente pareceu entender.

— Eu mandei ela buscar os outros — revelou. — Provavelmente deve estar atrás de você nesse exato momento. — Deu uma pausa e engoliu em seco. — Não se preocupe. Longe daqui, ela está segura. Eu fiz um favor a ela.

Emily não sabia se acreditava naquilo, mas no momento, estava mais disposta a se encontrar com o assassino, e se Molly estava correndo perigo ou até mesmo morta, não tinha nada que pudesse fazer. Pelo menos, por enquanto.

— Certo — disse, fingindo acreditar.

— O que aconteceu com você? — perguntou Sam, reparando no estado de Emily.

A sobrevivente deu uma olhada para si mesma, reparando no sangue no braço — já seco, vindo do corte da faca do assassino dado momentos antes — e nos ralados pelos cotovelos e mãos. Nada disso doía mais, e ela mal se lembrava das feridas

— O assassino — respondeu, desinteressada. — Agora a gente tem que ir.

— Para onde? — Sam hesitou.

— Se encontrar com o assassino.

A loira pareceu ter um estalo.

— Ele vai se revelar?

— É o que prometeu fazer.

— E você quer que eu vá com você?

Prefiro ter você onde eu possa vê-la, pensou em dizer, mas soltou apenas:

— É claro.

Sam sorriu de canto, ainda desapontada por toda a desconfiança. E quando Emily deu as costas e começou a seguir adiante pelo corredor, a única coisa que fez, foi ir atrás.



Os momentos que se seguiram foram de pura tensão enquanto a dupla subia as escadas na direção do último andar. Caladas, saciavam o silêncio com seus próprios pensamentos a mil. Emily, furiosa e decidida. Sam, ansiosa e nervosa. Envolvidas pela escuridão, as duas preferiam não tocar em assunto nenhum, tanto porque o clima estabelecido após a discussão era estranho, quanto porque não tinham vontade de entrar numa conversa. Seus corpos estavam direcionados a um único objetivo, e nada poderia desfazer isso. Principalmente em relação a Emily.

Chegaram numa plataforma reta de concreto ao terminar de subir um novo lance de escadas. Olhando para os lados, Emily notava que não haviam mais degraus, apenas uma grande porta vermelha descascada logo à frente. Ficou claro: haviam chegado.

A sobrevivente seguiu na frente, empurrando a porta, que rangeu terrivelmente, até passar para o outro lado. Sam seguiu-a sem reclamar, deixando que a porta se fechasse atrás de si com um baque alto que ressoou por todo o andar, prendendo-as. Sentiu-se claustrofóbica por um instante, o coração na boca. Em frente, podia ver mais uma série de corredores, seguindo para ambos os lados e abrindo caminho para frente também, tão escuro quanto os andares abaixo, tendo todas as luzes do teto parecendo quebradas ou inexistentes. Um pouco de luz natural entrava fracamente pelas janelas estouradas, mas pela forma parca que vinha, ficava mais do que claro que a lua havia entrado atrás de alguma nuvem.

Emily hesitou antes de dar um passo a mais, parada ali, com Sam ao seu encalço. A lanterna de seu celular era a única coisa capaz de lhe fazer se situar no ambiente. A luz era como um holofote em meio a todo aquele breu, mas nem mesmo ela clareava seus pensamentos e a fazia ter uma ideia de para que direção seguir.

— Onde ele está? — perguntou Sam, sua voz repercutindo pelas paredes.

— Vamos descobrir.

Sem dizer mais nada, Emily começou a caminhar. Sem escolhas, foi para frente, adentrando naquele corredor fedido e caótico. Estranhamente, aquele andar parecia menos afetado pela destruição, e a única coisa que haviam eram escoriações nas paredes e no chão, com as portas ainda inteiras em sua maioria. De forma resumida, parecia que aquela área tinha sido apenas abandonada por seus moradores, e não queimada até as cinzas.

O silêncio predominou entre as garotas por um instante.

— Em, qual o seu plano? — perguntou Sam.

— Eu não tive tempo para fazer um — respondeu, mansa. Mesmo com a desconfiança acima da artista, era incapaz de tratá-la mal.

— Só vai dar de cara com ele e é isso?

— Como assim "e é isso"? — Virou-se para ela. — Sam, a gente vai ter que lutar.

— Lutar?

— É. Primeiro a gente escuta o que ele tem para dizer, tira todas as dúvidas, e então partimos para cima. — Voltou a andar, deixando de encarar a loira.

Sam engoliu em seco, abaixando a cabeça.

— Mas você não estava desconfiando de mim? — questionou, desapontada.

Emily suspirou, voltando a encará-la.

— Não fique assim. Só estou fazendo o que sou obrigada, mas isso não significa que tenha deixado de gostar de você. Ou de desconfiar — pontuou. — Vamos.

Voltaram a ficar quietas. Emily ainda não tinha uma opinião formada em relação a Sam. Mesmo que, sim, desconfiasse um pouco dela, era difícil acreditar que a artista pudesse ter algum envolvimento naquilo. Não era impossível, apenas difícil.

Hesitante, Sam buscou pela mão de Emily, tocando-a levemente. A sobrevivente observou aquilo com certo receio, até mirar as expressões aturdidas de sua companheira e, com um sorriso fraco, enlaçar seus dedos no dela.

No instante seguinte, Emily achou que tinha tido uma alucinação. Parou repentinamente sua caminhada, obrigando Sam a erguer os olhos quando bateu de frente consigo. E foi a respirada surpresa e assustada da loira que fez a sobrevivente perceber que não era uma alucinação, aquilo estava realmente acontecendo, e o Carrasco estava realmente parado no meio do corredor, olhando para as duas de maneira estática.

Parado ali, ele não esboçava reação diante da aproximação das garotas. Um momento de pura tensão cresceu. E então, diferente do que esperavam, o maníaco virou-se para a esquerda e entrou num dos quartos.

— Não brinca... — sussurrou Sam, sem saber o que dizer naquela situação.

Emily não pensou muito, apenas foi atrás. Sam hesitou, finalmente percebendo que aquilo era mais difícil do que esperava. A morena, por sua vez, já tinha experiência e noção do que estaria por vir. Mas de qualquer jeito, o coração ainda quase saía pela boca.

Milhões de pensamentos e teorias atravessavam sua cabeça. Emily seguiu pelo corredor a passos trotantes e rápidos, deixando os cabelos agitarem-se acima dos ombros e soltando a mão de Sam para se locomover mais rapidamente. Não sabia o que esperar. A pessoa por baixo da máscara era quem imaginava? A teoria de Ellen estaria certa e, aquele indivíduo, era quem realmente pensava? Esperava que sim. Se não, tudo não passaria de uma doce ilusão, e o assassino sairia por cima mais uma vez.

Deu um passo para dentro do quarto. Sam ficou atrás de si, com uma mão no batente, os olhos estalados. Emily engoliu em seco, observando o Carrasco parado ali dentro, de costas para si, os ombros subindo e descendo durante a respiração pesada.

— Está na hora. Você mesmo disse — soltou, a voz trêmula. — Chega de máscaras.

Então, o maníaco se virou, encarando-as com aqueles olhos mortíferos e pintados de preto. Emily tentou conter o nervosismo, arfando forte, o coração a mil dentro do peito. Estava assustada e com medo. Nunca achou que isso aconteceria, mas estava aterrorizada.

Logo, sem cerimônia, a mão do psicopata se ergueu e trouxe a máscara para baixo. O farfalhar do couro passando pela pele do indivíduo as arrepiou. Os segundos que se prosseguiram foram de puro choque. Sam abriu a boca em espanto e deu um passo para trás, recuando instintivamente. Emily, por outro lado, apenas suspirou em alívio.

— Eu sabia — foi a única coisa que Emily pôde dizer.

A reação inesperada por parte da sobrevivente, fez Garrett DeLucca franzir o cenho.

— Não, você não sabia — disse ele, frio.

— Por que você fez isso?! — gritou Sam repentinamente, a face adquirindo um tom avermelhado enquanto ela finalmente era consumida pelo ódio que sempre sentiu.

Garrett olhava para as duas com um sorriso sádico no rosto, divertindo-se.

— Qual é, Sam — disse o rapaz. — Achei que você fosse mais esperta do que isso.

— Cala a boca, seu filho da puta! — gritou a loira, avançando.

O braço de Emily surgiu em sua frente, parando-a antes que pudesse passar pela porta. Sam olhou para baixo, então voltou ao seu lugar, encarando Emily, que mantinha um olhar impassível. A loira conseguia apenas pensar que estava certa em relação a sua anterior desconfiança em relação ao tatuador, a mesma compartilhada com Molly em sua casa.

— Eu sabia — repetiu Emily, a voz não esboçando medo ou choque, apenas orgulho. — Eu sabia, seu merda.

— Eu não caio na sua, Emily — respondeu Garrett, largando a máscara no chão e puxando a faca de sobrevivência de um dos bolsos do sobretudo negro.

— Ah, mas pode acreditar. Eu já sabia a algum tempo.

— Como?

Era Garrett quem ela tinha descoberto ser o assassino desde que encontrou o livrinho de Ellen. Durante aquele tempo, depois do leve choque inicial, Emily não pôde esboçar reação diante dos outros para que sua descoberta não vazasse entre eles e acabasse chegando nos ouvidos do tatuador.... ou deveria dizer, assassino?

— Pela Ellen — falou, sorrindo enquanto Garrett fazia uma expressão desentendida. — Eu ainda não sei se ela estava envolvida com você ou não, mas ela era bem esperta e me ajudou a descobrir quem você realmente é, Garrett.

Ele não dizia nada, escutando a história com atenção.

— A Ellen descobriu o nome do lugar que você trabalha — continuou, séria. — Aquele que o Connor também trabalhava. Na dark net, não é? Assassinos de aluguel dos EUA... Como podem ser tão doentes assim? — Expressou o desgosto. — E ela também explorou a sua tatuadora um dia. Não sei como, nem quando, mas ela entrou lá e descobriu umas coisas bem interessantes em relação a você, Garrett. — Emily riu. — Uma pasta estranha, escondida em uma de suas gavetas. Tinha um nome lá... Acho que você sabe que nome é, certo, Paxton?

Garrett recuou. Era bom vê-lo daquele jeito, tão vulnerável, com Emily liderando toda a situação e não o contrário, como normalmente acontecia. Mesmo assim, o psicopata riu, fechando os olhos e sofrendo tiques repentinos com a cabeça, irado.

— Aquela Ellen era uma vadia mesmo... — soltou o moreno. — Devia ter matado ela assim que a vi pela primeira vez...

— Eu sou bem grata a ela, Garrett.

— Eu não me importo com a sua opinião, Hayes. De qualquer jeito, ela já está morta.

— De qualquer jeito — concertou ela. —, eu descobri sua identidade.

A sobrevivente ainda tinha as memórias da vez, algum tempo depois do fim do primeiro massacre, em que foi atrás do verdadeiro nome de Connor McGrath. Não tinha um motivo certo para aquilo, apenas queria superar seus demônios e se dar um pouco de paz. O fato era que foi atrás disso e questionou as autoridades de Oakfield da época. Depois, foi enviada e contatada para uma conversa particular com os membros do FBI que foram responsáveis pela solução do mistério do Carrasco de Oakfield naquele tempo.

Conseguia sentir na pele o nervosismo que sentiu naquele dia, ao sentar-se com dois oficiais bem-vestidos ao redor de uma mesa, onde eles explicaram tudo o que podiam. Emily achava estranho que eles entregassem as informações assim, mas ficava um pouco mais claro por Emily ter participado de tudo aquilo. E então, foi lhe entregue uma lista confiscada com o nome dos membros do grupo assassino do qual Connor fazia parte. Um dos oficiais havia dito que pegaram todos os membros possíveis, mas alguns escaparam de suas mãos.

Além de descobrir que Connor McGrath na verdade se chamava Tanner Hamilton e tinha 24 anos quando morreu, soube que cinco outros membros daquele grupo fugiram do FBI, e marcou todos aqueles nomes em sua mente após a reunião. Tristan Grey, Laurel Elliot, Judith Stevens, Harrison Anderson... e Paxton Northwood.

Pelo que Ellen havia escrito em suas anotações, o nome encontrado numa das pastas da tatuadora de Garrett era exatamente esse, Paxton Northwood, e estava próximo de uma ficha sobre documentos pessoais. Como Ellen não sabia dessa equipe de assassinos de aluguel, fez sentido que não entendesse nada quando viu. Mas Emily entendeu na hora ao ler aquilo anotado em seu caderninho, e só significava uma coisa: Garrett DeLucca era, na verdade, Paxton Northwood, um assassino de aluguel que, possivelmente, era conhecido de Connor McGrath — ou Tanner Hamilton — e estava em busca de vingança por seu amigo morto.

— Você é uma filha da puta que não consegue ficar na sua, né? — questionou o assassino quando Emily terminou de relatar tudo aquilo, detalhe por detalhe, para que ele degustasse de sua derrota. — Não podia deixar as coisas correrem como deviam?

— Correrem como deviam?! — questionou. — Isso nunca vai acontecer, seu louco! Não percebe que esse jogo não é e nunca foi seu?! Se tudo acontece por minha causa, sou eu quem comando! E por isso, você não conseguiu ser esperto em esconder quem era, e nem vai conseguir se manter vivo, porque eu vou te matar. Essa é mais uma certeza que eu te dou.

— Não se iluda tão fácil assim, Emily — continuou ele, a beira da loucura, ficando completamente irritado com o comportamento ousado da sobrevivente. — Você pode ter tido alguma sorte no passado, mas agora você está lidando com algo novo.

— Era para eu ficar assustada?

— Só ciente do que vai acontecer, sua vadia.

Repentinamente, foram interrompidos por Sam, que, por alguns segundos, esqueceram que continuava na cena, quando gritou:

— Então você fez tudo isso pela porra de um cara que já está morto?!

Garrett olhou para ela e riu, achando graça. Ele tinha dois grandes círculos pretos ao redor dos olhos, o que trouxe um desconforto para Emily quando ela lembrou-se de Connor, sete anos atrás, do mesmo jeito. Até mesmo a cara de psicopata era igual.

— Você nunca vai entender o que é ter alguém especial do seu lado, Sam — respondeu Garrett.

— E o que quer dizer com isso? Que eu vou morrer?

— Claramente.

— Eu já escapei de você uma vez, e eu vou escapar de novo.

— Você escapou de mim porque essa vadia aí se intrometeu nos meus planos. — Ele apontou para Emily. — Mas agora, você não vai ter ajuda alguma quando eu começar a dividir você ao meio, igual o que fiz com aquele merda do seu noivo.

Sam adquiriu rubor nas bochechas, fervilhando.

— Não fala dele — disse.

— E o que você vai fazer? — Garrett fez uma cara de deboche. — Me matar?

A loira não disse mais nada, intimidada, observando a faca na mão dele.

— Deixe ela fora disso — disse Emily, dando um passo para dentro do quarto. — Isso aqui é entre eu e você. Se quer tirar satisfação com alguém, tire comigo.

— Ah, com certeza, Emily... Eu vou tirar satisfação, vou tirar sua sanidade e também vou tirar suas tripas de dentro de você. — Ele também deu um passo em sua direção.

Mais no interior do quarto, com uma averiguada ao redor, Emily conseguia notar que o cômodo não era tão grande assim. Tinha uma janela quebrada à direita, uma porta que provavelmente levava ao banheiro logo à frente e um closet velho à esquerda. Além disso, mais nada, apenas o chão e as paredes corroídas.

— Eu vou fazer você pagar por tudo o que fez — continuou ele. — Eu já matei a Jordana porque ela matou o Tanner, mas você não fica fora dessa equação, Emily.

— Eu não fiz nada com o seu amigo!

— Você fez ele ser morto! — Os olhos lunáticos de Garrett eram afiados, e sua expressão assustadora. Ele mais parecia um animal. — Se não fosse por você, ele nunca teria se metido naquela merda! Porque você sempre destrói tudo o que toca, Emily! Você é a porra de uma destruidora! Nada de bom vem de você, sua vadia! E é por isso que você tem que morrer!

— Você matou a Jordana? — questionou, ficando mais furiosa, praticamente ignorando o restante da frase dele.

— É, eu matei. — Garrett pareceu sentir prazer em dizer aquilo. — Foi tão bom... Justiça sendo feita do jeito que eu mais gosto.

— Você é um louco!

— Nunca soube que não pode chamar um psicopata assim? Só piora as coisas.

— Eu não ligo, Garrett. — Lágrimas formaram-se em seus olhos, diante do assassino de sua melhor amiga. Emily tentava impedi-las de escorrer e, por um momento, obteve sucesso.

— E agora, eu vou fazer o mesmo com você — continuou ele. — Mas eu vou fazer pior ainda. Porque a Jordana pode ter matado ele, mas você o colocou naquela situação.

— Ele era a merda de um psicopata que nem você! — gritou. — Por que se importa?!

— Ele não era só um psicopata e é melhor você calar essa merda de boca antes que eu arranque ela fora!

Emily não conseguiu não recuar um passo, finalmente intimidada quando Garrett apontou a faca em sua direção.

— O Tanner era o meu melhor amigo... Ele era meu irmão, praticamente — soltou ele, parecendo mais calmo. — Ninguém nunca entende isso, não é? Mas para a mente de alguém como eu, nada resolve a perda de alguém além da boa e velha vingança carnal. — Sorriu com satisfação.

— Achei que o Peter era o seu melhor amigo.

— Ah, o Peter era só mais um que precisava morrer para as coisas darem certo.

— Porra, vocês viviam juntos!

— Que parte do "ele era só mais um" você não entendeu?! — Um pouco de cuspe voava de sua boca durante os gritos de raiva, parecendo que a cada segundo Garrett fosse voar para a direção da sobrevivente e esfaqueá-la. — Eu não ligava e ainda não ligo para a porra do Peter! Eu nunca me importei com ele e, na real, foi bom ter ele fora da minha vida para que eu continuasse fazendo tudo como tinha de ser. Eu só ajudei ele a se livrar daquela vida miserável que ele tinha. Além de que matar ele foi um ponto crucial para que vocês parassem de desconfiar de mim.

— Mesmo assim, não foi tão esperto em esconder sua identidade.

— Continuo saindo por cima, não é?

Emily respirou fundo.

— Como alguém é capaz de uma coisa como essa... — disse, fraca.

Garrett apenas entortou a cabeça para o lado, sorrindo com o canto dos lábios, como se a resposta fosse óbvia.

— Ah, eu quase ia me esquecendo... — disse o assassino, indo para o lado.

Emily recuou e quase bateu contra Sam, que continuava boquiaberta e sem reação atrás de si, encarando a forma como Garrett se encaminhou até o closet. Quase não percebia a velocidade de seu coração, nem a forma como estava ofegante. A situação parecia absurda demais, e mesmo que já soubesse a algum tempo que Garrett fosse o assassino, era difícil acreditar que ele tivesse feito tudo aquilo e que andou ao seu lado por todo aquele tempo fingindo ser alguém bom.

O assassino parou ao lado do closet e abriu as portas completamente comidas por cupins. A madeira arrastou-se no chão num som grave, abrindo caminho até a escuridão que existia lá dentro, escondendo o que quer que estivesse ali. Garrett enfiou os braços dentro do closet e, de repente, voltou com algo entre eles. Algo grande e que despencou no chão imediatamente num baque seco, capaz de fazer Emily soltar um suspiro de susto e choque enquanto tampava o nariz por conta do forte cheiro que tomou o ambiente.

Era o corpo de Olivia Ree.

— Ninguém iria sair livre depois de ter sido escolhido como um dos alvos — disse Garrett, encarando o corpo com certo orgulho. Continuava manchado de sangue e destroçado, e uma trilha de membros decepados levava de volta ao closet. — Eu recuperei todos os pedaços dela só para te mostrar o que fiz. — Encarou Emily como uma criança que mostra para sua mãe o novo desenho que fez, exibindo seu trabalho e buscando aprovação.

— Eu não sabia que ela estava morta — sussurrou Sam para Emily, sem que ele ouvisse. A outra apenas concordou com a cabeça, ainda em estado de choque.

O cheiro de podridão invadiu o quarto. O corpo da asiática já estava nos estados iniciais de decomposição, e a lateral de seu rosto não estava ali, com as bordas enegrecidas e os dentes recém-apodrecidos sendo exibidos por um buraco na mandíbula.

Ficaram em silêncio por um instante, observando o cadáver, até que Garrett voltou a falar:

— Mas eu concordo que tive as minhas falhas. Sabe, Sam, a situação com você e a Molly naquele dia no hospital com o celular do Peter foi o que quase me fez ser descoberto. — Sam sentiu o peito apertar, lembrando de sua recente desconfiança em relação ao rapaz. — Mas eu contornei bem a situação e enganei vocês direitinho. Até me considero um ótimo ator, não acham?

— Você é um desgraçado! — gritou Sam, exaltada.

— Ela é a desgraçada! — Apontou para Emily, que se encolheu.

— Por que você estava com o celular dele, de qualquer jeito? — perguntou a loira.

— Para a parte final de todo esse plano, é claro.

Emily franziu o cenho, interessada.

— Que parte final? — perguntou.

— A parte em que eu incrimino alguém por todas essas mortes, usando o celular do Peter, que eu peguei da delegacia — respondeu Garrett, sorridente.

— O quê?! — Por um segundo, sentiu-se desesperada por lembrar o que o assassino tinha dito ao telefone quando a convidou para aquela noite, dizendo que a incriminaria por todos os crimes se não comparecesse à rodada final. Imaginava que essa ameaça continuasse em pé e esse fosse o plano desde sempre.

— Eu já tinha na minha cabeça o culpado para isso desde o começo, Emily. — Ele talvez esperou que ela adivinhasse quem era, mas quando manteve-se quieta, continuou: — Eu vou fazer o Tommy sair como culpado de tudo isso.

Emily e Sam franziram o cenho, curiosas.

— Eu vou usar o celular do Peter para isso. Ainda não sei direito como. Talvez vou colocar uma foto reveladora nele, ou uma mensagem criptografada que nunca foi encontrada pela polícia antes. Qualquer coisa que prove que o Tommy é o culpado. Além do meu testemunho, é claro, quando eu sair desse hotel como um dos sobreviventes.

— Você só pode estar brincando... — disse Emily, rindo de maneira indignada. — Acha que vão acreditar em você?

— Com todas as provas levando para somente um culpado, eles não vão ter escolhas, Hayes. Não entende isso? Eu vou manipular toda a situação para que eu seja o sobrevivente inocente em meio a todo esse caos. Esse é o final da história, Emily. Depois que eu matar todos vocês, eu reativo o sinal de antena desse hotel e ligo para a polícia. — Garrett sorriu, orgulhoso de seu plano que achava ser perfeito. — Tommy, o Carrasco. Enlouqueceu de vez depois de ter incendiado esse prédio anos atrás! — Ele riu. — Mas essa história fica para depois. Vou esperar mais um pouco. Vou me divertir mais um pouco com todos vocês antes de acabar com tudo. Eu mereço isso depois de tudo o que fiz.

— Só vai estar nos dando a chance de acabar com você — intimidou Emily. — Seria mais esperto acabar com tudo isso logo.

— Eu não preciso de esperteza se tenho todas as chances do mundo ao meu lado. Vocês não têm chances de sair daqui.

— Até onde estou vendo, é você que está encurralado dentro desse quarto — disse Sam, de repente. E realmente, as duas garotas estavam paradas na única saída do cômodo.

— E eu sou o único que estou armado, não é? — Garrett levantou a faca e apontou na direção delas, fazendo a lâmina brilhar em contato com a luz da lanterna do celular de Emily. Sam engoliu em seco, sendo calada novamente.

Nenhuma das duas sabia como prosseguir com aquela situação. Era uma incógnita o que aconteceria dali em diante. Mas estavam dispostas a lutar, e isso era certo.

— A escolha dos alvos foi a mais difícil — disse Garrett, voltando ao assunto. — Eu precisava que todo mundo se conhecesse para instalar todo esse clima de desconfiança que eu adoro. E eu também tenho o meu lado bom, sabe. Decidi pegar apenas as pessoas que não tinham filhos. — Riu de canto, evidenciando o cinismo na voz. — E, meu Deus, toda essa diversão que eu tive com vocês foi demais! — Mostrou entusiasmo, fazendo caras e bocas durante seu discurso. — Principalmente o que eu fiz com a Ellen.

— O que você fez com a Ellen? — questionou Emily, mesmo que já soubesse em partes do que ele falava.

Garrett mostrou surpresa e a encarou com divertimento.

— Ah, achei que você já soubesse — disse ele. — A Ellen esteve me ajudando esse tempo todo. Eu recrutei ela para entrar no time e aquela vadia traidora aceitou num piscar de olhos. — Ele pareceu fervilhar ao se lembrar que a psicóloga estava investigando-o e que foi a responsável por fazer Emily descobrir sua identidade. — Eu precisava de alguém que ficasse 24hrs do seu lado, que fizesse coisas que, muitas vezes, eu não era capaz.

— Parece ter sido uma péssima ideia agora — debochou Emily. — Se não tivesse feito isso, eu nunca teria descoberto quem você é.

— E de que maneira essa descoberta te ajudou, Emily? — questionou ele, brandindo a faca. Era explícito a forma como Garrett tentava contornar a situação e se mostrar superior, mas não conseguindo fazer isso e exibindo toda a raiva que sentia por Emily ter feito a descoberta. — Até onde eu vi, você ainda não fez nada para parar tudo isso.

— Se eu tivesse descoberto antes, você já estaria morto a bastante tempo. Eu só não tive tempo para montar um plano e acabar com a sua raça.

Garrett riu, não acreditando nas palavras dela.

— É claro — disse ele, zombando.

E foi quando Emily lembrou-se de uma coisa que ainda não tinha sido explicada. As intenções após o massacre foram dadas, sua motivação foi confirmada, até mesmo o que aconteceu com Olivia Ree depois que ela saiu de Oakfield tinha sido mostrado. No entanto, uma única coisa ainda pairava no meio de todo aquele mistério.

— Mesmo assim, Garrett, eu não entendo — falou, balançando a cabeça. — Uma coisa ainda martela na minha cabeça. — O rapaz cerrou os olhos, esperando pelo que viria. — Você me disse numa das ligações que estava em busca de vingança por Julia Moss, e também disse que não estava sozinho nisso tudo.

Garrett riu, encarando a expressão um pouco assustada da sobrevivente.

— Você não parece tão confiante agora, Emily.

— Eu disse que mataria todos vocês — respondeu ela, retomando a pose, séria. — Não contei nada para a polícia sobre quem você é, Paxton, pois quero fazer justiça com as minhas próprias mãos. E acredite, essa promessa ainda está de pé.

O assassino riu, balançando a faca, e disse:

— Que seja. Você continua em desvantagem, Emily, não percebe? — Olhou diretamente em sua direção, sério. Emily questionou com os olhos. — O seu único erro foi ter entrado nesse quarto com dois assassinos.

Não houve segundos de hesitação quando Emily entendeu tudo o que ele quis dizer com aquilo, e imediatamente virou-se para trás, na direção de Sam, abrindo a boca em espanto para soltar um questionamento. Mas não houve tempo para reação alguma, pois no instante em que captou os fios loiros da artista, um objeto grande surgiu diante de seus olhos — a faca que Linda havia levado para dentro do prédio —, acertando-lhe na cabeça forte o bastante para levá-la ao chão de uma vez só.

— Não tão cedo, vadia — pôde escutar a voz de Sam dizendo quando acertou o concreto num impacto seco e forte que vibrou todo o corpo, deixando o celular escapar de sua mão.

E beirando a inconsciência, Emily teve o vislumbre do momento em que Garrett e Sam se colocaram um ao lado do outro, logo acima de si, e encararam-se com contentamento, antes de voltarem a olhar em sua direção, brandindo um sorriso sádico e compartilhado, até que Emily tivesse perdido completamente a consciência.

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