Meu cheiro favorito - {PAUSA}

By YiasAndFly

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Louise não se considera uma pessoa sortuda, pelo contrário, ela pensa que atrai todo azar do universo para si... More

II
III

I

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By YiasAndFly

P.O.V Louise: 

Então é hoje. 

Os mais desejados 18 anos chegou e para mim parece um dia normal. 

Ok. 

Admito que ainda estou na minha cama querendo que alguma coisa mágica aconteça.

Mas sei lá. Vai que.

Sento na cama com a coberta cobrindo a metade de baixo do meu corpo, pego meu celular e tinha algumas mensagens. May e Kay, mesmo que tinham me dado parabéns quando deu meia noite, ainda sim mandaram um texto super fofo.

Sorri. 

Que sorte a minha ter amigas como elas.

- Hora de levantar - digo me levantando para me arrumar para o serviço.

Coloco meu uniforme azul do museu onde eu trabalho. O museu J.L Jimmy. O único museu de Ambiral. E de cadarços amarrados, dentes e rosto lavados  e cabelos penteados saio do meu quarto descendo a escada para cozinha. Mesmo antes do cômodo o cheiro de café invade minhas narinas.

Gostoso e revigorante.

Tenho que assumir que tenho um forte por café.

- Bom dia! - digo entrando na cozinha e já dando um abraço e um beijo em meus pais.

- Feliz aniversário filha - retribuem o abraço dizendo no meu ouvido.

- Obrigada!

Sorrio.

- Pode deixar que hoje eu te levo para o museu pode se? - meu pai me dizia enquanto colocava café numa xícara para mim.

- Claro! 

- Está ansiosa pelo seu lobo? - diz minha mãe sentando ao meu lado com uma xícara de café na mão.

- Sim - respondo.

Dentro todos os lobos que tem, existe uma grande chance de eu ser uma parda.

Eu acho.

 Os tipos de lobos que existem são: 

1- Pardo: Os mais comuns. Podem acasalar entre si e com outros.

2- Caramelo: Os mais comuns. Podem acasalar entre si e com os outros.

3- Albina: Raro. Se for macho só consegue acasalar com Preto, Albino ou DuoColor. Se for fêmea pode ficar com todos.

4- Preto: Raro. Se for fêmea só consegue acasalar com Preto, Albino ou DuoColor. Se for macho pode ficar com todos.

5- DuoColor: Raríssimo. Consegue acasalar com todos.

- Qual você acha que aparecerá? - meu pai pergunta sentando na minha frente.

- Eu acho que será um pardo - dou um gole de café - Por que vocês são pardos e não tem ninguém de diferente na nossa família.

- É, se for olhar por esse lado - diz minha mãe - Mas eu tenho certeza que você será a mais bonita.

Sorrio.

...

Aceno para os meus pais do lado de fora do carro, de pé na calçada de frente com o museu. Vejo eles saírem do meu campo de visão e virando a esquina.

O acesso ao interior do museu J.L. Jimmy, se encontrava lotado. Duas pombas e um jornal esquecido no banco de fora. Isso já é bastante em vista do que normalmente tem as 10 AM de um domingo. 

O museu é a maior relíquia de Ambiral. Inaugurado em 1898, ele abriga diversas áreas do conhecimento e de várias épocas, incluindo artefatos de lobos e humanos. Este mês, temos uma grande exposição sobre algumas peças do século 16. E, a Sra. Carabello , me encarregou de ajudar May a apresentar para os clientes.

Não imagino que venha uma multidão, mas seria legal se viesse alguém.

Normalmente, eu espero do lado de fora Kay e May chegarem. Elas são duas meninas que eu convivo desde quando eu me conheço por gente e que me ajudaram quando eu precisei de um emprego. As gêmeas, são órfãs e moram com a avó (a dona do museu). Perderam a mãe no parto, por ser uma gravidez arriscada. Ela tinha 40 anos e alguns problemas de saúde. E o pai para um trem. Ele fazia manutenção nos trilhos de uma linha de trem que, à mais ou menos 7 anos atrás ainda estava ativa. Porém, foi desativada por muitos acidentes envolvendo trabalhadores.

As gêmeas são japonesas. Elas nasceram no Japão e vieram para o Brasil com 5 messes. Kay é uma boneca de porcelana. Essa menina, tem os olhos mais escuros que eu já vi. E, isso dá um contraste com sua pele branca. May, é a personificação da Roberta do Rebelde Mexicano. Sem trava na língua e o cabelo colorido é o que marca sua presença. Ambas tem os lobos albinos.

Dobrando a esquina as irmãs, entram no meu campo de visão. Elas, pareciam discutir sobre alguma coisa. May, mexia os braços freneticamente na frente do corpo e olhava constantemente para a irmã, alterando entre ela e o chão. Kay andava do lado apenas olhando May. 

Quando olharam para frente e perceberam que eu estava ali, elas saíram correndo e me abraçaram forte. 

- Feliz aniversário! - gritaram.

- Obrigada gente.

Sorrio.

- Eu posso sentir que essa exposição será uma ótima idéia para comemorar seu aniversário né! – diz May com um beijo na minha bochecha.

Ela olha para mim esperando algum comentário.

- Concordo, mas não é um assunto que atrai todos os públicos – digo.

Comprimento Kay.

- Sim. Mas fizemos tudo que pudemos – diz ela.

- Só o que nos resta é esperar para ver – respondo.

O museu é em tom claro, como branco, bege e outros similares. Tem alguns detalhes em preto, como grandes janelas, portas e telhado ou detalhes do grafiato das paredes. Há uma larga escadaria de mármore branco na parte central, dividido ao meio por um corrimão.Nas laterais, rampas de acesso a deficientes possibilita que o edifício tenha sua acessibilidade por todos. Desde a parte de cima como a parte de baixo, possui bancos de madeira e vasos com plantas grandes e verdes. 

Como proposto pela diretoria, foi colocado um grande cartaz exibindo a exposição ao lado da porta de entrada. Por dentro, ele é mais incrementado. Dispõe de largas estruturas de mármore claro, assim como a escada. Seu piso é revestido de lajotas cinzas-chumbo retangulares. Ao entrar temos o saguão, que é a parte que se localiza a cafeteria, banheiros e a recepção, onde se compra os bilhetes.

Seguindo essa mesma ideia, o museu é setorizado. Do lado das mesas da cafeteria, tem uma escada que liga o térreo com o primeiro andar. Nele, há pinturas e esculturas que são do próprio museu. Já no segundo andar, é onde ocorre eventos ou exposições como as do século 16. Também tem o acesso aos andares por um elevador.

Chegar na mesa e arrumar as coisas é o primórdio a se fazer antes de abrir as portas do J.L.Jimmy. Ambas ficamos na mesma mesa na recepção, apenas em extremos diferentes e cuidando de assuntos diferentes. Por exemplo, Kay cuida de novas exposições ou eventos. May, está encarregada de mostrar as exposições e o museu. E eu, tenho a função de manter tudo organizado, falando com funcionários e arrumando cronogramas.

- Lou, quando é que chega o primeiro grupo para a exposição? – pergunta May.

Abro uma das gavetas que fica na parte de dentro da mesa e retiro uma pasta com vários gomos de divisórias. Dentro deles, há cronogramas e alguns documentos importantes. Na repartição de cronogramas, puxo o mais novo para fora e respondo olhando para May.

- Daqui mais ou menos uns 30 minutos.

Coloca as mãos na cabeça de olhos abertos e dentes cerrados.

- Não acredito, ainda nem decorei minhas falas.

Rio.

- Não se preocupe você vai consegue e se você travar sorria e acena – respondo.

Kay interrompe.

- O que vocês vão querer jantar hoje?

- Você acabou de almoçar. Pelo amor de Deus – responde May.

- É que quando chegar na janta, nós não precisamos enrolar – Kay ergue as mão em rendição – Eu estou apenas cuidando da minha fome.

Rimos.

Como minha função é arrumar tudo, isso inclui a cafeteria. Ela foi projetada para aguentar 50 pessoas. É pequena e colorida. É tipo aqueles quiosques que vendem sorvetes. Ela tem seu charme próprio. Lá, trabalham a Sra. Dulce e o Sr. Marco. Ela faz a comida e o Ele é o garçom. Ambos tem 30 e poucos anos. Ambos lobos caramelos.

- Bom dia senhores – digo apoiando os cotovelos no balcão.

Eles param por um segundo de tomar suas xícaras de café e me olham exibindo um sorriso.

- Bom dia Srtª Louise, feliz aniversário! – respondem.

- Não precisam me chamar de senhorita, sou igual a vocês. Muito obrigada! – respondo sorrindo – Precisam de ajuda para limpar as cadeira ou alguma coisa? - sugiro.

- Não se preocupe senhorita damos conta do recado –o Sr. Marco acena - E por falar nisso...

O Sr. Marco coloca sua xícara na pia e se vira para a Sra. Dulce e depois para mim novamente continuando.

- Obrigada Dulce. Eu já ia lá fora arrumar as cadeira. Pode deixar comigo Srtª Louise.

Vi o Sr. Marco sair por uma porta lateral e ir até as cadeiras no lado de fora, que estavam empilhadas.

- Se precisarem de alguma coisa é só me chamar – aviso a eles.

Voltando a mesa, vejo May ensaiando suas falas e Kay mexendo no computador. Nisso, acho um post-it colado na minha cadeira. Kay me pediu para andar pelo museu para ver se está tudo em ordem. Limpeza, organização e tudo mais. Aceno para ela e saio novamente.

...

O grupo da excursão acenava para May e com um sorriso eles passaram pela porta indo embora. Olhei para Kay de canto de olho e ela segurava o riso. Ambas sabiam que May não tinha paciência para tudo aquilo.

- Aliviada? – pergunto a May assim que as pessoas saem do campo de vista.

Ela desfaz o sorriso aberto e começa a massagear o maxilar.

- Como vocês conseguem sorrir tanto? – Revira os olhos.

Eu e Kay rimos.

- Vocês vão querer comer algo? – pergunta Kay – Podemos fechar o museu mais cedo... – termina sussurrando para nós, com a mão perto da boca, parecendo contar um segredo.

- Que horrível que você é! – digo.

- Se bem que eu acho que não é uma má ideia – fala May franzindo os lábios.

- Que horrível vocês duas! – digo incrédula, com os punhos fechados apoiando na cintura.

- Quem mais virá em um museu em plano domingo quase seis e meia da tarde? – diz Kay.

- Sei lá! Vai que... – me enrolo.

- Então... – complementa May, pedindo uma decisão com os olhos.

- Vamos por favor! – diz Kay com os olhos de cachorro pidão.

Afinal, quem resiste a carinhas pidonas? Coloco a mão no bolos suspirando e tiro um chaveiro com várias chaves de lá.

Eu acho que não será uma péssima ideia.

- Tudo bem – respondo e elas vibram – Só vou avisar a Sra. Dulce e o Sr. Marco que estamos fechando.

Elas sorriem aberto.

...

A porta de vidro do Dellir ao ser aberta aciona um sininho. Que mostra que entrou alguém. Do lado de dentro é o clima do paraíso. O ar condicionado mantém a temperatura baixa. O ambiente é bem iluminado, o teto tem luminárias em toda sua extensão, estas, cobertas por um suporte branco com vidro. As paredes são revestidas por um tipo de papel de parede de uma madeira entalhada de desenhos e uma delas, tem um espaço com vidro desenhado de rosas que dá uma parcial visão da rua. O piso é feito por um tipo de carpete cinza-claro um pouco aveludado. As pessoas se sentam em cadeiras de madeira almofadas em conjunto com as mesas também de madeiras com um vidro fosco em cima.

Na parede contrária à de vidro, tem um balcão com algumas cadeiras em volta, colada nela. Sem contar que, tem pendurado alguns quadros e vasos com flores. O banheiro é ao lado da dobra aberta do balcão. Bem ao fundo do lugar. Entres as mesas, plantas grandes com vasos brancos, davam um toque clássico ao lugar.

- Mesa de sempre? – pergunto.

Acenam.

Essa cafeteria é meio escondida entre as ruas e por isso, ela tem poucos clientes. Costumávamos vir aqui quando acabava a aula. Tomávamos sorvete e íamos para casa feliz. Época boa. Sentamos em uma mesa ao lado do vidro no fundo do estabelecimento

- Boa tarde! O que querem pedir? – pergunta um garçom assim que sentamos com um cardápio em mãos.

Um toque alto de celular chama a atenção de nós. E, uma vibração em meu bolso denuncia que o celular é meu. Por um segundo fico sem entender do por que de alguém me ligar. Meus pais sabiam que eu estava no serviço. 

Será que é uma emergência? As gêmeas estão comigo. E, Johan...Pego meu celular no bolso da calça e no visor aparece a foto de Johan comigo.

O que ele quer? Por que ele ainda está com essa foto?

Há um mês ele me pediu um tempo, pois queria "pensar" sobre nós. Se bem, que ele teve os dois últimos meses para isso, já que estávamos mais para amigos que namorados. Ele dizia que estava muito ocupado para nós. Que ele não queria que o nós acabasse. Mas que também não fazia nada para mudar. Disse que EU fui a culpada por acabar o romance. O romance não acaba se dois não quer. Que o nós era importante. 

Era... Já foi. 

Se fosse tão importante ele não estaria com outra no nosso aniversário de namoro. 

Tudo bem. 

Coisa usada a gente dá pros mais necessitados.

Atendo colocando o celular na orelha e me levantando da mesa. Faço o movimento para as meninas irem pedindo. Me direciono para o banheiro.

- Alô – tranco a porta do banheiro e me recosto nela.

"Olá Lou! Nossa, já me esqueceu?"

- O que você quer? – reviro os olhos.

"Quero te desejar feliz aniversário e queria... Voltar"

Ah não! Ele deve estar de brincadeira comigo! Só pode!

Reúno forças de Nárnia.

- Obrigada do parabéns. E, Você deve estar de brincadeira comigo!

"Eu não tô... Olha Louise eu sinto sua falta..."

- Olha, eu acho que isso é carência.

"Não... É amor..."

- Sério mesmo que você quer vir falar de amor comigo? – passo a mão no cabelo nervosa, enroscando alguns cachos nos dedos.

"Louise eu me arrependo, volta para mim amor!"

- Não me chame de amor e vá pros quinto dos inferno – grito.

Desligo.

Fecho os olhos e respiro fundo.

Idiota. 

Por que eu atendi mesmo?

Destranco a porta e saio. Algumas pessoas que estavam no balcão olharam estranho. Devem ter ouvido o grito. Apenas continuei andando. 

Sento na mesa interrompendo a conversa das duas.

- Era Johan – digo num fio.

Elas me olham sem expressão por um segundo. Até que as duas fecham o semblante.

- O que ele queria?- Disseram juntas.

- Me dar parabéns e encher o saco por que, é só isso que ele faz.

Reviramos os olhos.

E continuo a falar

- O que pediram?

- Milk Shake De chiclete para você, chocolate para mim e de doce de leite para a May – fala Kay.

Comemoro sorrindo.

Rimos.

O garçom chega com nosso Milk Shake. Ele coloca os três na mesa e se retira. 

Cada Milk Shake vem em uma taça de vidro transparente grande. O meu é rosa com pequenos chicletes em cima do chantilly, a taça tinha uma cobertura de tutti frutti por dentro para decoração. O de Kay é marrom claro, com pedaços de chocolate em cima do chantilly e uma cobertura marrom escura como decoração. E, o de May é bege, com uns quadradinho de doce de leite em cima do chantilly e a cobertura de decoração é em tom de caramelo. Todos tem um canudo listrado da cor do sorvete.

- Nossa eles capricharam dessa vez – digo pegando meu Milk Shake e dando uma golada pelo canudo. 

Elas repetem minha ação.

- Queria ser filha do dono disso aqui. Imagina, sorvete de graça! – Kay fala e limpa os lábios com a língua.

- Sorvete todos os dias! – fala May levantando os braços.

Rimos.

O sininho da porta toca, me viro para trás e vejo um casal abraçado entrar. Eles sorriam felizes. Seus olhos brilhavam só de ver o outro.

 É bonito de ver um casal apaixonado. 

Quem dera eu estiver apaixonada.

 As meninas olharam para eles também.

- Que menina bonita – fala May.

- Que menino bonito – fala Kay.

- Que casal bonito – digo.

Me viro para frente.

- Queria estar apaixonada igual vocês ou aquele casal – falo olhando para elas e voltando a tomar meu Milk Shake.

- Não se preocupe tudo à sua hora! – diz May.

Elas sorriem, mas não consigo me instigar a sorrir.

- Mas sei lá, tudo indica que quando eu crescer, eu vou me tornar uma velha solteirona com 51 gatos.

Acho que na realidade tenho medo de crescer e nunca ter vívido o amor verdadeiro. E não é por falta de sonhar.É uma coisa que venho fazendo muito.

- Eu acho que esses filmes de romances estão te fazendo mal,Lou – Diz Kay.

- Olha quem fala, a mestre do romance! – respondo rindo e cerrando os olhos.

- Você precisa de mais filme de terror ou ação – diz May.

Não diria que não gosto desses tipos de filmes, apenas não gosto.

Bem simples e complicado

Bem Louise.

- Acho que não.

- Você precisa de mais sorvete, isso sim – diz Kay novamente – Ao sorvete! – Levanta sua taça para fazermos um TimTim.

Rimos.

...

- Bem, estão entregues.

Sorrio.

- Não quer que te acompanhamos? – diz May.

- Está tudo bem. Eu juro – digo.

May gira nos calcanhares e destranca o portão de sua casa usando uma chave no seu chaveiro de várias outras. As meninas me dão um abraço apertado e entram retirando a chave da fechadura. May tranca o portão e se viram para mim. Dizem então pela grade.

- Você vai ficar bem?

- Quer que vamos junto?

Respondo sorrindo.

- Não se preocupem vaso ruim não quebra fácil.

- Mas pode arranhar – diz May.

- Meninas, sério vou ficar bem.

- Assim que chegar em casa nos mande mensagem - fala Kay.

- Sim. Sim. Sim. Agora eu tenho que ir daqui a pouco fica escuro. Daí é pior.

- Vai com deus e se cuida - dizem.

- Sempre.

Aceno com uma mão. 

Me direciono para o final da rua e retiro de um dos bolsos da saia um fone de ouvido branco. Conecto na entrada do celular. Abro o Play Music. Aplicativo muito famoso, entre as pessoas que não querem baixar músicas toda hora. Basta ter internet que o aplicativo funciona bem. Para usar sem ela, tem que pagar. Então, é mais fácil ter um plano com alguma operadora de celular do que pagar.

Seleciono um de minhas pastas favoritas e modifico o modo de reprodução da mesma. De sequência altero para aleatório. Gosto de músicas aleatórias, me dá um certo ânimo de saber qual será a próxima.Fato importante demais para ser deixado para trás.A música move as pessoas e as coisas. Deixa a vida mais feliz e não tanto entediante. É um sincero jeito de demonstrar qualquer sentimento. É um ombro amigo invisível. Um consolo. As vezes penso em compor alguma música, mas não tenho a menor ideia do que seria.

Dobrando a esquina da casa das gêmeas, me encontro em uma avenida movimentada com vários restaurantes e hotéis. Costumamos chamar de Avenida Principal.

A maioria dos nomes dos lugares são relacionado com um nome ou comida. Eu acho alguns muito criativos e fico imaginando: o que se passou na cabeça dela para que colocasse um nome tipo Sal Árabe? É um restaurante na segunda quadra. Ele vende comida árabe (obvio né).

Seguindo ainda na mesma avenida, a quarta quadra vem com um pouco de negócios. Tem agências de viagens, fórum, lotéricas entre outros parecidos.

Paro de lado de uma agência de viagens e olho as promoções estampadas no vidro. Tinham cinco ali, duas de praia, duas para o exterior e uma de cruzeiro.

Consigo me imaginar com certeza indo para um cruzeiro.

 Sol. Piscina. Pessoas novas. E em uma noite estrelada encontrar um homem fofo que vai sentar comigo no jantar no cais, ele olha para mim e dizer.

"Nossa, você é bonita e generosa. Não me pergunte como eu sei disso, já que nem te conheço e nem sei seu nome. Mas quero viver minha vida toda com você"

Ele se ajoelharia e me pediria em casamento.

Ok.

Assim não.

Mas, seria legal.

Se bem, que do jeito que eu sou azarada, é perigoso eu vomitar nele por causa do balanço do navio.

Ok. Sem cruzeiro.

Mas ainda tem praias. Onde o amor acontece. Imagina, deitados na areia e os dois se declarando. 

Vinho. 

Rosas. 

Velas.

Provavelmente não, eu acho que uma onda viria e levaria meu celular ou um caranguejo viria e morderia nossos pés.

E, viagem estrangeira nem pensar. 

Eu não sei nem me virar aqui, imagina fora.

Desisto e vou em frente.

Imagina que louco seria encontrar o amor da nossa vida caindo em alguém.

Por uma elevação na calçada, meu corpo dá um solavanco e quase encontra o cimento. Não é uma boa ideia grudar no chão parecendo uma lagartixa. Principalmente agora, no meio de bastante gente.

Levanto rápido e ajeito minha saia. Olho para os lado. Bem, ninguém olhou.

Ufa.

Pego meu celular que caiu no chão e penso: É meu amigo, você é o amor da minha vida então.Ele em vez de me responder com um 'eu te amo meu amor'. Aparece na tela a foto da minha mãe e ele começa a vibrar.  Atendo colocando o celular no ouvido.

"Alô, Lou?"

- Oi, Mãe.

Voltei a andar.

"Você já está voltando para casa?"

A voz dela estava agitada.

- Já sim por que? O que houve?

Olho para os lados e mudo de quadra pela faixa de pedestres.

" A cerimônia foi adiantada"

Paro bem na esquina.

- Vish!

" Então. Ela será daqui uma hora"

- Espera. O que?! - passo uma mão no cabelo enquanto a outra continua segurando o telefone.

" Onde você está?"

- Estou na esquina da rua... - paro um momento apenas para olhar o nome da rua por uma placa atracada no chão - José Dirceu com a avenida principal, na frente da... - olho para trás - daquela loja de ferramentas que o pai vem.

" Ok. Estou perto me espere aí mocinha"

- Pode deixar.

Desligo.

...

Me olhando as vezes de canto de olho, por causa da direção, minha mãe conta sobre a cerimônia.

- A cerimônia foi adiantada por causa da previsão de chuva.

- Entendi - digo.

- Eu sei que você está nervosa e que não adianta muita coisa eu dizer que não precisa, mas...

Ela dá uma pausa.

- Não precisa ficar nervosa eu sei que sua loba será bem linda - ela sorri.

De certa forma a frase dela me deixou um pouco menos nervosa, eu acho que é o poder dos pais.

Sorrio para ela de volta.

- Obrigada. Mas me conta como que é por favor.

- Os pais não podem comentar sobre isso, e também, eu estarei com você - ela tira uma das mãos do volante e coloca suavemente na minha perna dando uma leve carícia.

Que alívio.

...

- Lou está pronta? - pergunta meu pai gritando do andar de baixo.

Ao chegar em casa uma das primeiras coisas que fiz foi tomar um bom banho. Deixar que a água levasse todas as coisas ruins e limpasse minha mente. Como lavei meu cabelo, sento na escrivaninha escovando minhas mecha e vendo em seguidas elas indo de liso para cachos. Mando mensagem para as meninas, avisando que daqui a pouco eu iria para a cerimônia e que estaria sem meu celular.  Coloquei um top  de corrida e um shorts também de academia. Por cima dessas roupas coloquei uma calça larga e uma blusa do mesmo estilo, calçando por final um chinelo de tira, daqueles que não tem a correia no meio do dedão e do indicador do pé.

Antes de sair do quarto paro em frente ao espelho. Respiro fundo e pego uma bolsa, tipo das daquelas de academia e coloco no ombro.

- Ta tudo bem. Vou ser uma loba bonita, sem importar qual.

E, por último sorrio para meu reflexo.

Agora é a hora

Do começo da escada vejo meu pais me olhando e sorrindo para mim me apoiando silenciosamente. 

- Estou pronta - digo.

...

Meu pai estaciona no local indicado junto com outros pais.

- Daqui uma hora eu volto, fiquem por aqui - dizia ele destravando as portas.

Minha mãe olha para mim pelo ombro e me dá um aceno para sairmos. Do lado de fora, paro na janela do meu pai, ele pega minha mãos juntas e as dá um beijo. 

- Eu te amo Lou, vai ficar tudo bem. Papai já vem. Você vai ver que será bem rápido.

- Eu sei. Eu sei. Obrigada.

Ele solta minha mão e com um aceno ele sai. Minha mãe passa seu braço pelo meu ombro.

- Vamos? - diz me puxando.

- Sim.

No local tinha uma floresta com bastantes árvores e uma trilha no meio. Perto de nós tinham outras mães com suas filhas. Entramos na trilha um atrás do outro e sem delongas podemos ver uma espécie de casarão e ao chegarmos mais perto, percebemos que só tinham apenas um cômodo com um porta na frente e algumas janelas, uma grande sala coberta no chão por um carpete vermelho. Nas paredes tinham algumas decorações meio diferentes, muitas referentes á batalhas já ocorridas e alguns prêmios. No fundo dela tinha 3 poltronas e na frente dela várias almofadas espalhadas. Já tinha algumas pessoas lá dentro, mas todas mulheres.

Quando entramos pude ver quantas meninas tinha ali, eram poucas, umas seis contando comigo.

- Lou, escolha uma almofada.

Acenti para ela.

Escolhi uma mais para o fundo nas últimas fileiras, não queria ser o centro das atenções caso alguma coisa acontecesse. Minha mãe ficou atrás da almofada "guardadando ela" enquanto eu ia no banheiro me trocar.

Lá, retirei a blusa e a calça, guardei ambos na bolsa. Voltei para minha almofada, coloquei o chinelo ao lado e me ajoelhei nela, deixando o peso do corpo cair na canela e minha bunda acomodada no calcanhar.

Normalmente eles pedem para você venha de um jeito confortável, por que as vezes a roupa pode atrapalhar um pouco. Como só tem mulheres aqui fica mais fácil para se usar roupas como as minhas sem ter vergonha.

Ou pelo menos não tanta.

Assim que todas meninas se sentaram, ouvi um som como o de um uivo forte e algumas batidas de tambor, mas que não durou muito tempo, olhei suavemente pelo ombro e enxerguei que a anciã se aproximava.

Ela estava muito bonita. Usava um vestido preto lindo com várias flores desenhadas em branco. No seu cabelo tinha uma flor segurando uma mecha de cabelo atrás da orelha. Ela estava usando chinelo simples e assim que entrou, os retirou e deixou ao lado da porta.

De modo que ia indo para a poltrona toadas as mulheres se curvaram para ela, enquanto a anciã dava um leve aceno de cabeça. Ela senta no trono do meio e sorri.

Agora ela tinha toda a atenção para ela. Enquanto eu escutei a porta se fechando.

- Sejam muito bem vindas, minhas queridas. A cerimônia de hoje mostrará sua loba e seu corpo também mudará, como o fato de sentir odores mais forte. Vão perceber que a transformação acontece aos poucos, então se preocupem se demorarem. É totalmente normal. E, caso algo aconteça eu posso intervir além de chamar a segurança. Tudo bem?

Todas acenam. E, ela continua.

- Então vamos começar. Por favor tragam o chá para as meninas.

Nem um segundo depois apareceu uma mulher com uma bandeja e nela, tinha um bule com o chá e algumas xícaras. Elas distribuía para cada um pouco de chá.

Já com ambas com a xícara em mãos a anciã retorna a falar.

- Agora tomem esse chá devagar, sentindo ele descer pela garganta.

Fiz o que pediu. O líquido não era amargo, era bem doce, então desceu como uma maravilha. Assim que terminamos a mesma moça veio buscar as xícaras.

- Fecham os olhos e respirem fundo - diz a anciã - Algo vai começar a aparecer em seus olhos e deixem se levar.

Realmente, mesmo de olhos fechados vi uma fumaça branca aparecendo e aumentando cada vez mais de volume, tornando toda a minha visão branca.

Reparei que parece ser o "nada" branco. Era uma planície vasta com nada. E branco. Até surge do chão uma parede com uma porta. Vou até ela, hesito um pouco na maçaneta, mas logo giro ela abrindo devagar a porta.

Ela dava em um cômodo com uma cadeira dentro. Entrei e em seguida a porta se fechou atrás de mim. Do lado de dentro reparei que as paredes tinham cores diferentes. Era uma preta e uma branca e sucessivamente. Na cadeira antes vazia, agora tinha uma mulher de costas para mim. Ela me olha por cima do ombro e sorri se levantando em seguida.

Ela era muito bonita, seu cabelo era curto e enrolado e usava roupas de treino de luta. Seus olhos me chamaram atenção. Eles eram branco e pretos misturados, fazendo um degrade de uma cor para a outra.

- Você é...? - pergunta.

- Louise. Muito prazer. E você?

- Sou Luna. Prazer.

Sorrimos.

- Sou uma loba DuoColor, assim você também é - continua Luna sorrindo.

- Sério?

- Sim, imaginou que seria o que?

- Os mais comuns.

- Olha, você foi uma das primeiras que eu vi pensar assim, normalmente almejam muito. Deve ser por isso que conseguiu a DuoColor.

- Quer dizer, você?

- Sim, se você me aceitar, de agora em diante estarei aqui para te ajudar. Não só em coisas normais, mas também para achar seu companheiro. Eu vou ser tipo um farol.

- Como assim?

- O companheiro certo é o que eu e você gostamos. Você vai gostar do cheiro dele, principalmente, e eu vou analisar seu lobo.

- Mas e se eu não gostar?

- Daí, procuramos outros.

Rimos.

- Teve vez que a minha hospedeira gostou e eu não. Daí brigamos muito - continuo falando - Mas você parece ser bem tranquila.

- Acho que sim, eu gostei de você - vi ela sorri e eu corei um pouco - Não sei mas sinto vamos nos dar bem.

Sorri.

- Você pode me ajudar com a minha transformação? - digo para Luna.

- Com certeza. Me dê suas mãos - estendo minhas mãos e ela as pega com a sua - Esse é o nosso lobo.

Diz ela se transformando aos poucos. Primeiro foram as orelhas, seguida as patas, o rabo e terminou soltando minha mão estando totalmente em sua forma de lobo.

- É lindo! - disse olhando mais de perto - Posso passar a mão?

- Claro - diz na minha cabeça.

Ela se deita no chão e eu acaricio seu pelo macio. Ele era da mesma cor de seus olhos. Faço carinho na sua barriga e na extensão de toda suas costas até no rabo. Paro por um instante e ela volta a se transformar.

- Tenta você agora - diz ela se levantando.

Segura minhas mãos novamente.

- Sinta a energia que estou passando para você. Sinta ela em todas as partes do corpo e as modificando - diz ela.

Senti um leve cócega na orelha e um arrepio desceu por todo meu corpo. Fechei os olhos e só deixei fluir. Conseguia sentir meu corpo se modificando e então abri os olhos.

Estava como lobo.

Eu sou um lobo. Eu vou surtar.

- Eu sou um lobo - gritei internamente

- Legal não é? - diz ela se abaixando - posso passar a mão?

Acenti

Ela fez as mesmas carícias que as minha e era tão bom.

- Quando quiser voltar, pense na sua forma humana.

Acenti.

Mentalizei eu humana e sentia aquela mesma energia passando novamente no meu corpo me mudando para humana.

- Obrigada! - abracei ela.

- Não tem de quê. Quando precisar estarei na sua cabeça, só me chamar. Até na sua forma de lobo.

Ela retribuiu o abraço.

- Mas me chame você também quando estiver entediada e precisar conversar - digo quando nos separamos.

- Pode deixar - ela sorri.

De repente minha visão começa a dar uma embaçada e ela continua, enquanto eu coço os olhos.

- Nosso tempo está acabando. Mas eu ainda estarei na sua cabeça. Quando voltar, estará meio mole, mas é efeito do chá não se preocupe.

Acenamos.

Abro lentamente os olhos e aperto um pouco as pálpebras. A imagem começou a ficar um pouco mais nítida, me relembrando de onde estava anteriormente.

As meninas estavam no mesmo estado que o meu, mas reparei algo estranho. Ambas estavam com orelhas e rabo de lobo, olhei para mim e percebi que eu também estava.

- Que lobas mais lindas - diz a anciã para nós - Vocês devem estar sentindo corpo fraco é normal.

Tento levantar meu braço, mas não conseguia, doía. Vejo ela se levantar e começar a andar pelas almofadas. Ela conversa um pouco com cada uma.

Minha cabeça estava latejando.

Chegando perto de mim ela esboçou um sorriso.

- Olha só temos uma DuoColor aqui - diz se abaixando na minha altura - Que olhos bonitos.

- Obrigada.

- Qual seu nome?

- Louise.

- Entendi, e sua loba é a Luna? - acinto - Então, finalmente voltamos a nós ver.

"Olá Helena, quanto tempo" - diz Luna na minha cabeça.

- Sim Luna, quanto tempo - diz a anciã.

Então os boatos eram verdade. A anciã era uma das únicas que conseguia ver e conversar com outros lobos.

"Como vai a família?"

- Bem, agora tenho dois filhos e ainda estou com aquele cara que você me apresentou.

Sorriu.

"Que bom que deu certo. Você sabe do Kaido?"

- Não. Graças a Deus.

"Que bom, espero não velo"

- Eu também. Está boa a conversa, mas eu tenho que ir Luna.

Ela sorri se levantando e falando alto continua para todos ouvirem.

- Suas mães vão ajudá-las para saírem em segurança...

De repente um som de porta abrindo interrompe ela.

- Ora ora, o que temos aqui? Lobinhas novas - diz um homem alto com outros atrás.

A anciã fica em modo de ataque, colocando garras.

- O que está fazendo aqui?! - diz ela com raiva.

Eu queria mexer meu corpo, mas ele não saia do lugar. Olhei para minha mãe com um olhar de medo e com a respiração rápida.

- Calma filha, vai se resolver - ela se abaixa e me cobre com seu braço para formar um tipo de escudo.

- Bem, eu vim pegar algumas lobinhas e verificar algo - diz ele e começa a entrar junto com os outros - E, vendo bem, vocês tem coisas bem interessantes aqui.

Ele manda com a mão para que fechem a porta e um deles colocou um papel na porta com um símbolo desenhado.

- Sai daqui agora! Não se atreva a dar mais um passo! - ordena a Helena.

- Hum, me deixa pensar... - olha para cima como se pensasse - Não. E, ninguém ouvirá quando você uivar.

Ela olha preocupada para a porta e vê o selo.

- Mas o que? - olha agora para trás, para nós - Mães protejam bem suas filhas. Garotas protejam as meninas.

As outras mulheres que estavam lá para ajudar na cerimônia formaram um tipo de escudo humano para nos proteger.

- Não seja tola de pensar que essas mulheres podem fazer alguma coisa contra a gente - disse ele debochado, fazendo a Helana ranger os dentes - O círculo está fechado. Vocês não vão sair daqui - sorriu de lado por fim.

Mesmo que tenha uma mulher na minha frente, por uma brecha entre as duas, consegui perceber que entre eles tinha uma distância de uns três metros.

E, agora reparando melhor, eu era a que estava mais próximo dele e isso não era uma coisa que estava me deixando tranquila.

Luna, qual a possibilidade de ele pegar eu primeiro como refém?

"Sendo sincera, grande."

Ah pronto.

Minha respiração começou a ficar ainda mais rápida e quase que o desespero toma conta de mim.

"Não se desespera Louise, para e pense"

Tento controlar minha respiração.

"Calma, tenta se mexer"

Tento novamente mover meu corpo e isso atrai a atenção dele. O homem olha para mim pela mesma brecha, inclina um pouco o rosto e sorriu levemente.

- Aquela é uma DuoColor? - ele diz e abre um sorriso - Então é verdade. Pelo visto é a única. Espero que seja você Luna.

Aregalo os olhos e olho para baixo.

Como ele sabe seu nome?

"Longa história, tenta fugir daí"

Como você acha que eu vou fazer isso? Tem armários na minha frente.

Volto a olhar para frente.

- Ah, - resmunga ele - Que tal encurtamos essa distância? - ele da um curto assobio, e em um movimento rápido os brutamontes atacam.

Eles avançam contra a muralha de mulheres e com um ou dois golpes, eles jogam elas no chão como fossem bolas de vôlei. Fecho os olhos ao ouvir o barulho do baque.

Helena, respirava rápido preocupada e sua preocupação aumentou ao ver suas mulheres no chão e apenas duas ao seu lado.

- Pare de sacrificar suas meninas Helena. Vamos apenas nós.

Ele avançou sozinho contra ela. Os dois lutavam muito, distribuíam golpes fortes e bem planejados. Mas em um movimento rápido, ele colocou as mãos para trás e retirou uma adaga, atacando a anciã com ela.

Helena, gemeu de dor e caiu no chão de joelhos por causa do corte na barriga. E, olhando em volta toda a muralha tinha caído, nada protegia a gente.

Senti vontade de chorar.

O homem se abaixou para ficar na altura de Helena e disse.

- Eu sei que isso não vai te matar - segurou seu rosto com o polegar e o indicador - Mas eu só preciso te imobilizar por um tempo - sorriu e se levantou falando com todos - Agora, tem mais alguém querendo dar uma de herói? - ninguém se mexeu - Que bom.

Com passos leves e devagar ele se aproximou de nós, olhando todas protegidas pelas mães. Minha mãe percebendo a aproximação ficou em modo de ataque. E, ele olhando isso revirou os olhos.

- Tirem ela da frente - aponta ele para minha mãe.

- Não machuca ela, não toca um dedo nela - diz minha mãe brava.

- Ou o que? - diz debochado e faz o sinal com as mãos para que se concretize o que disse antes.

Um dos brutamontes, chega perto da minha mãe puxando ela com força, a segurando em seus braços.

- Não! - digo tentando me mexer.

- Calma lobinha, copere que você será a única a ser levada - disse se abaixando para ficar na minha altura.

Aperto os punhos e olho pelo ombro. Todas estavam com muito medo e Helena estava machucada.

- Você tem uma pelagem muito bonita e especial - diz ele.

Agora mais de perto, consigo reparar no seu rosto, ele tinha um dos olhos cobertos por uma faixa. E, a cor de um de seus olhos branco.

- Você não vai agradecer? - continua ele.

- O-Obrigada.

- Isso mesmo, seja obediente que nada acontece. Ok linda?

Ele passa uma de suas mãos no meu rosto e faz uma carícia na minha orelha de lobo.

- O-Ok.

- Olhe para mim - ele puxa meu rosto para ficar diretamente na frente do seu - Quero saber se o seus olhos são parecidos com esse.

Ele tira a faixa do olho coberto revelando que o outro olho tinha uma tonalidade diferente. Igual a minha.

Gelo.

É igual ao meu.

Mas, logo seu olho muda o tom para um inteiramente branco igual ao outro e então, ele o cobre novamente.

- Te achei Luna. De novo.

Gelo mais ainda. Minha respiração começou a acelerar.

"Não. Não. Não"

Ele se levanta sorrindo.

- Vamos leva-la? - disse um dos capangas dele, o que estava com a minha mãe e ela se  remexe mais.

- Com certeza - responde ele.

E, então, ele se abaixa e coloca as mãos na minha cintura, me puxando para cima, para que eu 'deitasse' no seu ombro, me deixando pendurada quando levantou, com as pernas para frente. Como quem carrega um saco de batata.

Meu olhos começaram a marejar e as lágrimas caíam.

- Não precisa chorar gracinha - diz ele.

O que eu faço agora?! Eu não consigo me mexer!

"Chama seu companheiro"

O que?

"Chama seu companheiro, pede para ele te ajudar"

Mas eu nem o conheço.

"SÓ CHAMA!!"

Companheiro, por favor me ajude. Eu estou precisando de você.

Ele ficou um tempo olhando para mim e logo começou a andar.

Eu não quero ir. Companheiro me ajude.

Entre minhas lágrimas, escutei ele rindo.

- Vamos embora.

Olho minha mãe sendo jogada no chão chorando.

Espero que ela saiba que eu amo ela.

- Te amo mãe... - digo baixinho.

Chegando perto da anciã, ele me tira do seu ombro e me entrega para um outro homem que me segura no colo.

- Parece que dessa vez quem ganhou foi eu -  ele diz curvando as costas e dizendo para ela.

Voltando ao normal acenou com a mão para saírem.

Mas antes que pudessem abrir a porta ela já foi aberta com violência por um homem alto. Ele anda para dentro revelando sua face.

- O que 'caralhos' está fazendo aqui? - grita meio ofegante.

- Olha só quem chegou - diz o homem - O macaco de circo - sorriu ele.

O homem na porta avança sobre ele rápido, porém seus armários se colocam no meio. E, do mesmo jeito que eles fizeram com as mulheres, ele fez com eles. Quando chegou no suposto chefe, esse mesmo homem grita.

- Joga ela.

O homem que estava me carregando, obedece o outro, me jogando com força no chão e com um movimento repentino, ele pega uma adaga e faz um corte na minha canela.

- Ah! - grito colocando a cabeça para trás e respirando fundo.

Isso, distrai o homem que chegou depois.

- Você vai lutar comigo ou vai salvar a garota? - disse o homem da faixa para o outro.

- Merda!

Arfa o homem e vem até mim, nesse meio tempo, os outros homem se levantam e saem correndo fugindo.

Ele, tira sua blusa e a dobra para obter um retângulo pequeno e coloca sobre meu machucado apertando um pouco.

- Ei, mulheres!

Elas olham para ele.

- Será que alguma de vocês podem ajudar aqui e a minha mãe, por favor? - ele continua.

Vejo algumas pessoas se aproximarem e depois tudo ficar embassado e em seguida preto.

......

Olá, espero que vocês gostem da história♡
Foi feito com muito amor e carinho.

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