Terminei de fazer o doce e levei lá para cima, primeiro dando um pouco para as crianças. Jason adorou, disse que nunca comeu algo igual. Carly já tinha comido e ficou muito feliz em comer novamente. A minha amiga fez lá em casa para nós e a Carly teve que roubar uma colher. Como sempre, gulosa.
Depois de eles pegarem as suas porções, levei para o quarto do Justin. Chaz e Chris jogavam no Xbox, Ryan estava com seu celular nas mãos, provavelmente jogando Temple Run pelos movimentos de seus dedos e Justin tocando violão, apenas dedilhando os dedos nas cordas, tocando notas aleatórias. Bati na porta para chamar a atenção deles e os quatro me olharam no mesmo instante.
- Poxa Angel, tava sentindo o cheiro lá de baixo e você demora todo esse tempo! – disse Chaz, pausando o jogo e levantando do pufe.
Dei uma risadinha e sentei na cama, colocando a panela no colo e colocando um pouco em cada colher.
- O que é isso? – perguntou Justin, pegando uma colher cheia e a olhando.
- Provem que eu digo.
- Não pode dizer agora? – Chaz fez bico e ri dele, negando.
- Come logo, menino!
Os quatro colocaram as colheres na boca e molhei os lábios, esperando a resposta deles. Chaz estava com os olhos brilhando e ajoelhou na minha frente, de boca aberta.
- Isso é divino! – disse ele, lambendo a colher outra vez – Nunca tinha comido isso na vida!
- Acho que nem eu, Angel. – disse Ryan, ainda com a colher na boca, fazendo sua voz soar estranha.
- Eu também não conhecia, se querem saber. – disse, pegando com a minha colher e a levando a boca, pegando um pouco e o deixando dissolver. – Hm, minha amiga que me ensinou a fazer isso.
- E como se chama? – perguntou Justin, pegando mais.
- É! Para de suspense! – disse Chris, me fazendo rir.
- É um doce brasileiro, chamado brigadeiro. – disse, pegando mais e os meninos fizeram o mesmo. – A minha amiga, Bianca, estava fazendo intercâmbio aqui em Atlanta e fizemos uma noite do pijama. Ela disse que sempre fazia isso com as amigas dela lá no Brasil.
- Porra, eu preciso conhecer essa menina – disse Chaz, enchendo sua colher pela terceira vez. Ou era quarta? -, sério.
- Ela já voltou para o Brasil, Chaz. Se tivesse dito isso antes, quem sabe...
- Você é muito má Angel – ele fez careta e ri dele.
- Eu nem te conhecia, seu bobo. Mas se conhecesse, é claro que teria apresentado. Ela é muito bonita.
- Claro que deveria ser bonita. É brasileira!
Sorri e levantei, levando a panela junto comigo.
- Ei! – disseram os quatro.
- Vou levar para a sua mãe, Justin. Ela disse que queria provar.
- Por que não levou antes? – ele fez bico e ri da carinha dele.
- Vão ter que esperar, é rapidinho!
- E se ela roubar toda essa preciosidade? O que será de mim? – disse Chaz, choramingando.
- Sua colher ainda tá cheia e você reclamando? – revirei os olhos e os meninos riram.
Deixei o quarto e andei até o de Pattie, batendo na porta e logo em seguida ela abriu, revelando o Jeremy ali também, apenas de toalha e desviei o olhar do dele, sem graça.
- É... você disse que queria provar... – disse, quase sem voz.
Como ele podia ser tão lindo? Como a Carol diria, “ele é um pai super pegável”. Mas é claro que não faria isso. Porém, o Jeremy não deixa de ser lindo. E que me deixa sem ar. Principalmente agora.
- Ah, é claro! – ela pegou a colher que estava na minha mão e pegou um pouco. – Nossa, que gostoso! Como é nome mesmo?
- Brigadeiro. – disse, sorrindo.
Ela fez uma careta e riu em seguida.
- Nome estranho. Brigadeiro... – ela repetiu e riu depois. – Não consigo dizer isso.
- Eu também demorei a aprender.
- O que é isso? – disse Jeremy, se aproximando de nós.
Pelo menos ele já estava vestido, porém com o tronco nu. Tentei permanecer normal e molhei os lábios, sorrindo para ele.
- É um doce brasileiro que eu fiz para os meninos pararem de encher a Pattie. Quer provar?
- Claro! Vamos ver os dotes culinários da Angel.
Sorri sem graça e Pattie me entregou a colher, peguei um pouco e ele provou, me olhando com aprovação.
- Uma delícia, realmente. Mulher, pode pegar a receita com ela, viu?
Ri baixinho e ele me entregou a colher sorrindo.
- Obrigada querida, agora leve logo para os meninos. Eles devem estar eufóricos por mais.
Assenti rindo e deixei o quarto.
- Já pode casar com o Justin! – disse Jeremy, me fazendo olhar para trás e rir dele.
Voltei para o quarto dos meninos rindo e fui atacada por eles. Sei lá o que fizeram, mas foi muito rápido, e já estava no chão, rindo igual uma louca e roubaram a panela de minhas mãos. Justin fazia cócegas em mim enquanto os três comiam e comemoravam que a panela estava com eles.
- Se-seus loucos! – disse entre as gargalhadas. – N-não respi-piro!
Justin me olhou preocupado e parou, apenas sentando em cima de mim. Respirei fundo três vezes e olhei maquiavélica para ele.
- Como você pôde? – disse, erguendo uma de minhas sobrancelhas.
- Era o único jeito de ter o brigadeiro só para nós!
- Sabia que, por você estar aqui comigo, eles não vão deixar nada pra você?
Justin olhou para trás, vendo os meninos comendo e riram da cara que ele fez ao perceber o plano deles.
- Seus desgraçados de merda! – disse ele, levantando de cima de mim e tomando a panela deles. – Minha vez de comer e ninguém discute.
- Maldito. – ouvi Chaz sussurrar e ele cruzou os braços. – A Amber vai ser devorada por um maníaco! – disse ele, sentando na cama emburrado.
Todos nós rimos dele. Rimos não, gargalhamos! Amber? Agora é esse o nome do brigadeiro? Chaz sempre criativo com nomes. Sentei no chão e cruzei minhas pernas, assistindo a aquela cena épica. Três meninos emburrados e um sorrindo vitorioso para os demais por causa de uma panela de doce. Vai entender.
- Sabe, eu deveria merecer um pouco também – disse, coçando minha bochecha -, não acha? Eu quem fiz!
- Desculpa Angel, esqueci de você. Vem cá!
Ele deu tapinhas em suas pernas, indicando onde deveria sentar e ri dele, sentando e apanhando uma colher que estava dentro da panela e pegando um pouco.
- É injusto isso, Justin! – disse Ryan – Ela pode e nós não?
- Claro que sim. Ela não é louca e desesperada igual vocês, sabe saborear o doce. E ela merece. Se não fosse pela Angel, não teríamos descoberto essa maravilha brasileira!
Eles assentiram compreendendo as palavras do amigo e dei de ombros.
- Vocês quatro são uns maníacos por doces.
- Ah, me conte uma novidade. – disse Chaz, revirando os olhos e ri dele. – E ai? Não vou poder comer mais? – ele fez bico e Justin ergueu suas sobrancelhas.
- Preciso responder?
- Vocês estão atacando a Amber, ok? Eu preciso salvá-la.
Justin sorriu maldoso e encheu a colher de brigadeiro, levando-a a boca e fazendo uma cara de satisfeito tão proposital e sexy ao mesmo tempo e abaixei o olhar. Droga. Ando muito pervertida nesses últimos dias.
- Seu maníaco. – sussurrou Chaz, fechando os punhos e os meninos gargalharam.
- Eu não terminei. – retrucou Justin, pegando mais com sua colher e me entregando. – Aproveita meu anjo. – sussurrou ele, ao pé de meu ouvido.
Senti meu corpo estremecer e meus pelos eriçarem quando ele disse aquilo. Que voz foi aquela? Molhei meus lábios inocente e a peguei, olhando para Chaz e para Justin.
- Eu não posso fazer isso com a Amber, seria lesbianismo na certa. E eu não sou lésbica.
Os quatro gargalharam alto. Ryan rolava no chão e Chris na cama. Chaz estava praticamente sem ar e Justin até levantou do pufe para rir. Poxa, não seria algo... estranho eu fazer esse tipo de coisa com a Amber?
- Não sabia que teria tanta repercussão. – disse, mas acho que eles não me ouviram pela altura das gargalhadas.
Dei de ombros e aproveitei para que eles não estivessem prestando atenção para pegar um pouco e sem pensar nessas coisas... hm, de lésbicas. Nada contra lésbicas, não tenho preconceito nenhum. Mas o que eu imaginei não foi algo legal de se considerar... decente.
Argh.
Maldita malícia.
Tudo culpa do Justin.
- Ei! – chamei a atenção deles enquanto estava com a colher na boca – Se controlem, moças! Querem que a Pattie venha aqui e dê sermão em vocês todos?
Eles me ignoraram e cruzei os braços, ficando emburrada. Levantei do pufe e saí do quarto, sentando no meio da escada. Talvez assim eles desconfiem.
“Preciso conversar com você.”
Tomei um baita susto ao ouvir a voz dela. Molhei meus lábios e respirei fundo, colocando minhas mãos em meu rosto.
“Vai me dizer que quer se desculpar, é?”
“Não é só isso... bem... você sabe o que precisamos fazer.”
Não a respondi, com uma raiva imensa dela e ao mesmo tempo com dor no coração de não fazer uma vontade do meu pai.
“Que horas podemos nos ver?”
“Depois que sair da casa do Justin.”
Nem acredito que disse isso a ela, mas tudo bem. Respirei fundo outra vez e molhei os lábios. Não estava me sentindo bem.
“Tudo bem. Estarei te esperando.”
- Angel?
Gritei de susto e virei para trás, vendo os meninos ali. Dei um tapa em minha testa e eles me olharam preocupados.
- Você parece mal. – disse Chaz, franzindo a testa.
- Não é nada.
Justin me olhou e desviei o olhar do dele. Não tinha contado a ele e não consigo ao menos admitir que vou pedir desculpas a ela. É quase que uma humilhação. Mas farei isso pelo meu pai, nem que seja um falso pedido.
- Conseguiram engolir minha frase? – perguntei esboçando um sorriso e tentando afastar esses malditos pensamentos.
- Você, com certeza, é mais hilária que o Chaz. – disse Chris, sorrindo.
- Perdi meu posto – disse Chaz, dando de ombros -, mas você merece.
Levantei do degrau e neguei, molhando os lábios.
- Na verdade, eu nem pensei que vocês iriam rir. Não era para ser engraçado... Mas se foi, não posso fazer nada. – deixei meus ombros caírem e olhei para Justin outra vez, que tornava a me olhar com um ar de preocupação. – Hm, que tal uma partida de Guitar Hero? Ninguém é melhor que eu nesse jogo – disse, desafiando os meninos.
- Só acredito vendo! – disse Ryan, me fazendo sorrir vitoriosa.
- Nunca duvide de mim, Ry.
- Então eu serei seu primeiro adversário. – disse ele, em um tom autoritário e ri dele.
- Tudo bem.
Fomos subindo as escadas e os rapazes foram na frente para colocar o jogo. Justin fez o favor – que eu particularmente não queria que fizesse, mas ele não deixaria de fazer – de ficar no mesmo ritmo que eu e praticamente me obrigar com o olhar a contar o que estava acontecendo.
- Eu disse que iria te contar depois. – disse, não conseguindo olhar nos olhos dele.
- Não pode antecipar nada pra mim?
Neguei e ele segurou em meu queixo, encontrando nossos olhares e fechei os olhos, sentindo meus lábios tremerem.
- Por favor, Angel, você sabe que não quero que se sinta mal.
- Não quero falar agora. – retruquei, ouvindo os meninos me chamando. – Conversamos depois, eu prometo.
Justin revirou os olhos e assentiu, dando um beijo em minha testa. Seguimos até o quarto e os meninos esperavam eufóricos. Sorri sem graça e peguei um dos controles, sentando no pufe roxo e escolhendo minha guitarrista, a que eu sempre escolho, Judy Nails, com sua Gibson Fly vermelha. Deixei Ryan escolher a música e começamos nossa “batalha”.
[...]
- Agora não tem como fugir, Angel.
- Odeio quando faz isso. – disse, sorrindo sem graça e olhando naqueles olhos cor de mel maravilhosos.
Ele estava sobre mim e segurava meus pulsos, aproximando nossos rostos. Os rapazes já tinha ido embora e tínhamos acabado de ver um filme – apesar de já tê-lo assistido inúmeras vezes –, Lembranças. É perfeito, sem mais. Estávamos conversando e ele ficou de quatro sobre mim e fazendo cócegas, até segurar meus pulsos e me deixar respirar.
- Vai falar que não ama quando ficamos assim, juntinhos. – a voz dele foi ficando mais suave e ele roçou nossos lábios, mordiscando o lóbulo da minha orelha.
- Só sei que isso é uma puta maldade. – sussurrei e ele riu pelo nariz.
- Adoro ser malvado com você, meu anjo.
Ergui uma de minhas sobrancelhas a ele e Justin sorriu sem mostrar os dentes, mas a malícia era bem explícita em seus olhos. Aquele olhar que me deixava sem ar e sem palavras. Mordi meus lábios e o olhei inocente, mexendo meus pulsos e ele riu, me libertando. Pousei minhas mãos no pescoço dele e deslizava a ponta de meus dedos em sua nuca e afagava seus cabelos.
Justin deixou cair sobre mim, não colocando todo seu peso e enroscou nossas pernas, deslizando sua mão em minha coxa, me deixando arrepiada. Esses toques surpresa dele andam aparecendo com mais frequência. Nossos olhares se encontraram e uma das mãos dele foi parar em meu rosto, tirando uma mecha que o cobria e o acariciando gentilmente até aproximar nossas bocas novamente. Sentia seu hálito quente em minha face gelada, fazendo-me estremecer e molhei meus lábios, os mordendo em seguida. Ele os roçou outra vez após depositar um beijo em minha testa, pousando suas mãos em minha cintura e selar nossos lábios levemente.
- Malvado em que sentido? – perguntei, me confundindo em pensamentos e acabando por interromper nosso beijo.
Ele franziu o cenho e sorriu ao entender do que eu falava. E depois riu baixo, deslizando seu polegar em meu maxilar.
- Você sabe muito bem o sentido que quis dizer. – Justin ergueu uma sobrancelha e sorriu atrevido.
- Isso me soou equívoco, poxa. Não faria mal em perguntar.
Fiz bico e ele sorriu sereno, beijando minha testa e olhei em seus olhos. De repente, me deu uma vontade de chorar. Chorar e não precisar se explicar. Queria entender essas minhas crises de humor, mas principalmente o que está passando dentro de mim no momento. Não posso ficar escondendo isso dele.
- O que foi Angel? – ele percebeu minha mágoa, como temia.
- Prometi te contar, não prometi?
Ele ficou em silêncio, respirou fundo e assentiu. Empurrei-o para sair de cima de mim e rimos, sentando na cama e ele também. Abracei os joelhos e molhei meus lábios, respirando fundo. Organizando as ideias para dizer tudo a ele.
- Comece quando quiser.
A voz dele soou acolhedora e despreocupada. Sorri um pouco mais animada e ele fez o mesmo, me chamando com os dedos. Engatinhei e deitei minha cabeça em seu colo e Justin afagava meus cabelos, me acalmando de uma forma inexplicável.
- Vamos dizer que não foi quem eu esperava. – disse, finalmente. – Achei que seria a Martha, porém não era. E nem o Liam ou a Lilian. Era alguém que eu nunca iria imaginar, Justin.
Sentia meus olhos marejarem e ele percebeu, me puxando para perto de seu corpo e me abraçou forte. Não pude deixar de derramar algumas lágrimas, foi muito chocante e inesperado.
- Foi seu pai? – sussurrou ele, me deixando escapar um suspiro.
- Exatamente. – funguei e me libertei de seu abraço, ficando sentada em sua frente. – Eu realmente não esperava vê-lo ali. Nem sabia que ele podia fazer isso.
Justin assentiu e secou meu rosto com um sorriso triste.
- E o que ele te disse? Você ficou desacordada por bastante tempo.
- Primeiro nós matamos as saudades, falemos assim. – não deixei de sorrir ao dizer isso e uma lágrima teimosa escapou e a sequei de imediato. – Você não sabe o quanto foi bom abraçá-lo outra vez depois de dois anos pensando que nunca mais teria isso.
- Posso imaginar. Foi quase quando te perdi aquele dia da sua transformação. Juro que achei que iria morrer e nunca mais poder te abraçar e te beijar foi a primeira coisa que me veio na mente. E depois ele me disse outras coisas e que eu não o deixei terminar de falar... – ele sorriu com a testa franzida e revirou os olhos – Enfim, foi praticamente o mesmo sentimento.
Ri dele e uni nossas mãos, enlaçando nossos dedos. Ele acariciou minha mão com seu polegar e sorri mordendo os lábios.
- E depois ele falou que eu precisava me desculpar com a Martha. Doeu ouvir isso do meu pai. Eu sei que a errada da história foi ela e ele também tem consciência disso, mas me pareceu que a errada era eu. E eu fiquei... um pouco magoada com isso.
- Mas ele disse que você era a errada?
- Não, claro que não. Ele sabe das coisas que ela fez conosco e com a mamãe, mas se eu não me desculpar, vamos ficar nessa guerra pra sempre. Na escada, ela falou comigo. Disse que tínhamos que conversar. Eu disse a ela que depois que saísse daqui iria falar com ela e acabei me sentindo mal por eu ter que tomar a iniciativa. Eu não quero que ela me golpeie pelas costas, Justin. Não quero sofrer outra vez por causa desses poderes idiotas.
Eu já estava chorando outra vez e me sentia horrível. Não deveria me sentir assim, mas não posso evitar. É uma responsabilidade enorme em cima de mim e não sei se vou conseguir cumprir o que prometi a ele. E não quero magoá-lo de forma alguma.
Justin me colocou entre suas pernas e me abraçou, beijando o topo de minha cabeça enquanto desabava em lágrimas doloridas.
- Eu não quero desapontá-lo, sabe? – disse com dificuldade, praticamente como um sussurro. Minha garganta doía muito devido ao choro – Eu prometi que tomaria conta disso e tenho medo de não conseguir, ou de algo dar errado se não tomar posse disso antes que ela me apunhale por trás.
- Você tem que confiar em si mesma, Angel. Se não confiar, a insegurança vai te engolir e não vai tomar controle da situação. Confiança nesse caso, é essencial. Vai demonstrar a ela que você não tem medo dos golpes desnecessários dela e que quer mesmo por um basta nisso, não acha?
- Meu pai me disse isso. – disse, depois de um tempo. – Que se pelo menos demonstrasse a boa vontade de querer me desculpar, ou seja, exalar confiança, ela com certeza vai ceder.
- Viu? É o que te que fazer. Mas se ficar pensando no pior, não vai se concentrar no objetivo e acabar fazendo tudo dar errado. Apenas se sinta confortável o suficiente para falar o que precisa, sem enrolar. Fale e pronto. Se ela não se desculpar, o problema é dela. Você terá feito sua parte, não é?
Assenti e me aconcheguei em seu peito, sentindo seu calor e sentindo minha pele arrepiar. Estremeci de repente e fechei os olhos.
“O Justin está certo, minha anjinha. Confiança é o ponto chave.”
- Ai. Nossa. – sussurrei e ele me olhou confuso.
- O que foi?
- Ele... – mordi os lábios e uma lágrima caiu – falou comigo. Meu pai.
Minha voz quase não saiu. Respirei fundo e abracei os joelhos, desabando ali mesmo.
“Não chore filha. Você sabe que prefiro ver você sorrindo, não sabe?”
Chorei mais ainda ao ouvir aquelas palavras. Droga. Odeio ser sensível.
“Desculpe, não consigo evitar.”
- O que ele disse?
“Eu sei que você vai conseguir. Eu acredito em você.”
Solucei e molhei meus lábios secos. Chorava igual a um bebê. Justin me aninhou em seus braços e deitou minha cabeça em seu ombro. Agarrei sua camiseta e enterrei meu rosto ali, morrendo de tanto chorar.
A emoção literalmente tomou conta de mim.
Ele afagava meus cabelos na tentativa de me acalmar e me apertava contra seu corpo. Seu rosto estava enterrado em meus cabelos e conseguia sentir a angústia dele em me ver daquela forma. Mas eu não conseguia evitar chorar. Não conseguia parar.
- Desculpe – sussurrei, soltando sua blusa e me encolhendo em seu abraço. –, não queria te deixar mal.
- Muito pelo contrário. – rebateu ele – É melhor expressar seus sentimentos do que guardá-los. O meu problema é que te ver chorando me deixa... agoniado. E não posso fazer nada.
- Se não fosse tão emotiva não estaria se sentindo assim...
- Ei, pode parar. – ele ergueu meu queixo e encontrou nossos olhares. Ele chorava também e meu coração doeu em vê-lo assim. Por minha causa. – Você está se abrindo e é completamente normal eu me emocionar também. Pode ir se acostumando. Mas não quero que se culpe por isso.
Justin deslizou suas mãos em meu rosto, secando minhas lágrimas e esboçando um sorriso.
- Você sorri, eu sorrio. Você chora, eu choro. Você fiz feliz, eu fico também. Você fica mal, é claro que vou ficar também. Não adianta discutir.
Sorri sem graça e ele sorriu de volta.
- Você é muito bobo.
- Eu faço isso porque sei que faria o mesmo por mim, anjo. Me preocupo porque você é minha vida agora, e preciso fazer de tudo para ver a minha vida bem. É claro que vão ter momentos como esse, mas serão passageiros. Eu prometo.
Ele beijou minha testa com ternura e fechei os olhos sorrindo. Não tem como não se apaixonar por ele.