Lado L da Moeda.
Era as primeiras semanas de aula da faculdade, acabei entrando no meio do ano...
Para compreender de onde essa história se inicia temos que entender como eu vim parar na faculdade, afinal não cai aqui de paraquedas.
No começo do ano eu namorava um homem seis anos mais velho que eu, uns quatro meses depois acabamos terminando, eu fiquei emocionalmente desgastada e abri mão do cursinho e optei por pagar a minha faculdade ao tentar algo público.
Agora sim podemos começar.
Era as primeiras semanas de aula da faculdade, acabei entrando no meio do ano para o curso de Psicologia, entrei na faculdade com o auge dos meus 17 anos, e em uma das primeiras semanas acabei fazendo amizade com uma mulher chamada Catarina, Cath tinha formação em química, mas não gostou de atuar na área e optou por psicologia, sentávamos na primeira carteira da sala de aula, já conhecíamos os professores e a maioria eram bons, mas nesse dia a aula não era muito legal.
Nossa professora ela era meio preconceituosa, e bom, eu sou bissexual. Quando se é bissexual você não quer ter que ouvir sermão de professor e muito menos pegar um exame ou DP, afinal a gente já ouve isso a vida inteira quando se gosta de mulheres e homens.
A nossa querida professora Eli, tinha chego atrasada, por sentar na mesa a frente dela ela sempre falava das mechas roxas que eu tinha ao lado dos meus cabelos castanhos, mas nesse dia essa garota não permitiu eu ouvir a mesma coisa de como eu era feminina e fofa.
Aqui a história REALMENTE começa.
Eu a vi, uma mulher (que parecia ter 16 anos, mas por estar na faculdade só aparentava mesmo) com os cabelos castanhos claros até a altura do peito, eles não eram lisos mas sim encaracolado eu diria, os olhos eram castanhos também e a pele bem mais clara que a minha, o que não era muito comum já que tenho a pele bem clara.
Ela usava um boné preto, escrito Love>Hate. Blusa de couro preta, e infelizmente não vi que cor era a blusa que estava embaixo, calça jeans e um tênis, escrevendo isso agora eu vejo que ela é uma garota "padrão" comum, mas eu me senti atraída.
Virei-me para a Cath, e disse em tom de brincadeira:
-Acho que estou apaixonada, essa menina vai ser minha namorada. – A garota do boné preto nem se quer notou o quanto eu secava ela, mas olha eu fiquei levemente decepcionada depois que eu vi a aliança no dedo dela, no começo eu não sabia se era uma aliança ou não.
-Acredite no seu potencial, Lua. Vão ser namoradas sim! – Ela estava sendo sarcástica, mas eu preferi não interpretar dessa forma.
-Mas será que ela é solteira e gosta de mulher? – Coloquei a mão no queixo e fiquei observando a discussão que ela tinha com a professora, que por sinal parecia boa já que a garota estava tentando manter o controle horrores.
-Pelo estilo dela, eu duvido que goste de homem isso sim. – Catarina afirmou arrumando as folhas que estavam em cima da mesa, se preparando para a aula.
-Estereotipa mesmo. -Murmurei para ela, que se quer ouviu algo.
Fiquei prestando atenção na aula, e se quer vi essa garota de novo, mas quando via todos os meus amigos sabiam que ela era a minha crush.
Me sinto com 10 anos quando me refiro a ela assim.
Lado G da moeda
Eu sempre achei um absurdo o que a professora Eli falava, sempre foi uma pessoa julgadora. Mas eu tentava ver lado bom dela também, esse lado bom nunca existiu.
Vou falar antes como vim parar nessa faculdade. Eu quero muito ser atriz, o teatro está dentro das minhas veias, mas infelizmente isso não tem tanto retorno financeiro no Brasil, então meus pais me disseram pra fazer algo que desse dinheiro e que levasse o teatro como um hobbie, então contra a minha vontade eu decidi fazer Publicidade e Propaganda, esse era o objetivo, porém quando eu estava na recepção de calouros, mandaram-me um e-mail falando que não havia formado turma, cheguei enfurecida na secretária e acabou que mudei para Psicologia, não foi uma má ideia, mas ainda não é o meu sonho.
Outro detalhe eu tenho um namorado, nos conhecemos no ensino médio, estamos juntos a um ano mais ou menos. Nicolas mora comigo e meus pais no começo não achou uma boa ideia, mas quando percebeu que eu gosto dele mesmo e que ele não é uma pessoa ruim, ficaram mais tranquilos.
Voltando pra faculdade, depois de ter conversado com a professora eu voltei pro meu lugar e continuamos com a aula.
A minha sala de psicologia estava lotada, além disso eu estava sentada no fundo como de costume e com as meninas nas quais eu fiz amizade estavam comigo. Elas estavam falando de alguém e eu como não sou nada curiosa já cheguei no meio da conversa.
- De quem vocês estão falando? – Perguntei para as meninas, estava perdida no assunto.
- Da menina do cabelo rosa. – Respondeu Laura olhando para a garota em destaque,
- Ela é bonita. – disse Beatriz e eu concordei com a fala dela.
- Cala a boca, Giovanna. Você namora! – Disse Paula rindo, mas eu retruquei da mesma forma.
-E? Eu não posso achar a menina bonita? – Disse a ela com a sobrancelha arqueada e debochando dela
Parece que quando você fala do diabo, ele aparece. A menina do cabelo rosa se levantou e foi ao banheiro, nessa hora eu acompanhei-a com os olhos e estava na expectativa dela me olhar para eu flertar com ela, e eu só queria estar solteira pra beijar essa mulher.
O piercing que ela tinha no nariz me chamava a atenção, além das bochechas dela que era extremamente fofa, e o corpo dela que era incrível. Era engraçado como ela estava seria e concentrada para ir apenas ao banheiro.
- Eu acho que ela namora. – Disse Paula fazendo minha atenção voltar para as meninas e não para a garota de cabelo rosa- Eu a vi com um menino esses dias.
Se eu tivesse alguma chance de ficar com ela (ignorando o fato que eu namoro, que eu nem sei se ela tem interesse em mim e todos esses processos) já teria acabado.
...
Costumo chegar mais cedo para a faculdade e a faixa é a porta de entrada para o prédio onde eu estudo, os estudantes ficam relaxando, conversando e eu costumo ficar lá para fumar e conversar com o meu grupinho.
Nesse dia eu estava em uma missão que era descobrir se a menina e cabelo rosa namorava ou não, e quando eu vi que ela iria passar eu olhei para a mão dela, afinal se você namora é de costume usar aliança. Quando me deparei que não havia nada na mão dela, e eu comentei com o pessoal da faixa.
-Estava na aula e as meninas começaram a comentar dessa garota de cabelo rosa, se ela namorava ou não, e pelo visto a resposta é não. Acho que eu posso ter uma chance – Disse olhando para Marcela
-Bom, só não pode esquecer que você namora, né querida? – Disse Marcela dando de ombros, eu revirei os olhos e fui para a aula.
No intervalo da aula eu vi a menina de cabelo rosa de mãos dadas com um menino, mano que porra que está acontecendo? Definitivamente eu não sei se ela namora ou não.
Lado L da Moeda.
Desde então eu nunca mais vi a garota do boné pela faculdade, depois de um mês de aula mais ou menos eu ganhei de presente do meu melhor amigo Enzo deixar meu cabelo rosa, e que obra de arte viu.
Na quinta-feira eu fui para a aula e a primeira aula era a da Eli, a segunda era da Maria. Sentei-me na frente, particularmente nunca gostei da aula da Eli, mas naquele dia a aula me chamou a atenção por conta da pergunta feita por um dos alunos.
"Qual a diferença da agressividade de um homossexual de antigamente para hoje em dia?"
Eu queria responder, mas a vontade de mudar a cabeça desse bando de filha da puta é de -10 continuei olhando o twitter, a aula já estava um saco quando começou a falar sobre identidade de gênero e agora vem um ser humano e pergunta isso, seus dois neurônios estão em uma batalha árdua em seu cérebro no qual lhe impede de pensar?
Meus pensamentos agressivos foram impedidos quando uma menina começou a falar, calma....
Era a menina de boné preto.
A professora pediu para ela se levantar, mas ela disse que seria pior, ansiedade talvez?
-Eu acho que os homossexuais de hoje em dia estão cansados, já que antigamente o medo os impedia de falar, e as vezes não é nem ser agressivo mas sim um mecanismo de defesa, é o estar exausto de "ficar no armário" – Puta que pariu ela falou a maior parte olhando para mim, além de linda era sensata.
Eu levantei a mão e esperei a professora Eli me chamar, eu necessitava que isso ocorresse e que de certa forma essa garota olhasse para mim também.
-Acredito que todos ganharam voz, tanto os homossexuais quanto os preconceituosos. O homofóbico quando viu que não estava sozinho sentiu-se no direito de propagar esse ódio, e o homossexual se uniu por medo, revolta e sede de justiça. -Ignorei totalmente a professora e focava unicamente na menina.
Continuei prestando atenção até o final da aula, e o final do dia senti alguém me tocando no ombro...
Lado G da moeda.
Quando eu entrei na sala eu estava focada em estudar, não pensava na menina de cabelo rosa, mas bem que ela podia aparecer.
Assim que a professora começou a dar a aula, ela SEMPRE se perdia no que explicava e enfim parou no tema gênero e o aluno acabou fazendo a pergunta e eu comecei a ter uma crise, as pessoas levantavam a mão e eu estava com a mão levantada também e ela não me escolhia. Eu me senti em uma peça de teatro. Quando ela finalmente me escolheu, e eu ia começar a falar a menina de cabelo rosa se virou, parecia uma propaganda de shampoo, eu imaginava que ia sair um homem entregando um frasco pra ela, ela olhando para a câmera e dizendo o nome do produto. A resposta era para a professora, mas não conseguia desviar o olhar dela e acabei respondendo diretamente a menina de cabelo rosa.
Quando acabei, respirei fundo pois a timidez passou e a garota de cabelo rosa complementou tudo que eu disse, e ela também olhava para mim.
Após isso, eu só pensava em falar com ela.
No final da segunda aula, eu encostei no ombro dela, e a menina de cabelo rosa se virou e ela parecia em choque, com os olhos arregalados e a boca entreaberta.
Será que eu assustei ela? Estou fedendo? Desarrumada?
-Licença, tudo bem? Achei legal. Gostei da cor do seu cabelo também. – Disse com um sorriso.
-Muito obrigada! Você também falou muito bem. – Ela sorriu, e eu agradeci e virei as costas voltando a falar com as minhas amigas.
Depois, ela me chamou novamente e perguntou meu nome.
-Giovanna, e o seu?
-Luana, muito prazer. – Respondi que era um prazer também, ela já estava indo embora.
...