A CASA ROUXINOL | jikook

By nefows

16.7K 2.4K 2.4K

CONCLUÍDA #JiminAmetista Park Jimin é um jovem calouro descobrindo suas habilidades como médium. Jeon Jeonggu... More

prólogo
trailer + ambientação + elenco
AMETISTA
ROSAS
SOJU
SWEET CREATURE
CAMPUS
GATO CHITA
BLOW THE CANDLES
SOULMATES
FAMÍLIA
CONTUSÃO
TO NIGHT
CERTAIN THINGS
BROKEN BONE
ARMÁRIO 130613
MONI
JIMIN'S DAY
FINAL LINE
BRIDGE - EXTRA

ANTICONVULSIVO

842 135 140
By nefows

{não esqueçam de votar e comentar}♥

Aquela noite estava surpreendentemente fresca e confortável, depois de tantos dias de verão quente e sufocante. A praça estava cheia de universitários, barraquinhas de comida que exalavam tantos perfumes diferentes de comida e bebidas. Com as mãos no bolso, caminhava devagar conhecendo cada canto e olhando cada rosto para entender melhor como é o bairro. Não sei como tudo aconteceu quando notei, sobramos eu e Namjoon na barraquinha de churrasco, apenas. Já era a segunda vez no dia que me via sozinho com ele, mas não tinha surgido um assunto interessante o suficiente.

— Você gostou do churrasco? Não é algo chique como deve estar acostumado, mas é muito bom – e enfiou mais um pedaço de bife na boca, quando eu sorri.

— Ah, carne é carne, sempre

Namjoon comentava constantemente sobre a minha condição financeira ser superior à de todos no hanok. Não interpretava com afronte, ele apenas queria puxar assunto e não sabia por onde começar.

— Desculpa, não nunca sei o que falar com você, sou muito difícil pra começar conversas

Ao ouvir aquela declaração tímida e em um tom baixo, ri limpando a boca com um guardanapo. – Sem problemas, hyung... me conte sobre qualquer coisa, sobre você

— Hummm – coçou o queixo algumas vezes, olhando para o vendedor mexendo os espetinhos na chapa. – Quando vi seu contrato, feito pelo seu pai, pensei que você seria insuportável

— Imagino o motivo... – olhei para mim mesmo, meu cinto com uma fivela grande da Chanel, sapatos bonitos e roupa fina. Namjoon acompanhou meu olhar, sem graça, desviando rapidamente. – Não tenho outras roupas, para mim é essa minha realidade... mas posso tentar mudar, acho que vou precisar a partir de segunda feira

— Sim, já é sábado, você precisa pensar sobre isso, como calouro, se vestir assim pode ser um problema nesse campus – comentou, preocupado. – Eles pegam pesado com calouros

— Foi assim com você?

Respirou fundo, comendo um tomate grelhado. – Foi complicado...

— Não quer falar disso? Desculpa...

— Não tem problema, é porque essa época me lembra dele... – respirou fundo e olhou meu prato, agora vazio. – Quer dar uma volta? Vou te explicar melhor as coisas

E assim fomos, dois ser humanos opostos caminhando pela praça juntos. Vi Seokjin e Taehyung tentando tirar alguma coisa de uma árvore, acho que a pequena criança perto deles estava esperando Taehyung descer da árvore com alguma coisa dela. Logo, uma bola vermelha caiu, seguida por ele, que foi segurado por Jin-hyung.

Sinergia – deixei escapar entre os lábios quando vi a precisão de Jin ao segurar Taehyung perfeitamente. Namjoon não me ouviu, andando até o parapeito de madeira e ferro, dando vista para o riacho, que agora estava com a água parada e refletindo a luz da lua.

— Faz tempo que eu não venho aqui – murmurou, levemente tristonho e se debruçou sobre o lugar. Fiz o mesmo, ficando do seu lado. – É bom, é calmo...

— É bom mesmo, hyung – sorri para ele, mas recebi um suspiro – Você está bem?

— Não... e acho que é a primeira vez que eu confesso não estar bem, depois de tanto tempo, sabe? Finalmente, depois de muitos dias e horas pensando, me vejo triste

— Sei que vai soar estranho, mas fico contente por finalmente ter se encontrado, reconhecer é a primeira coisa a se fazer – e eu, cheio de compaixão, como sempre, queria abraçar Namjoon mais que tudo, mas me contive a apertar meus dedinhos.

— Está tudo bem, é bom, mesmo que seja ruim.

Olhou para o céu, respirou fundo, segurando um choro eminente e sorriu de canto de boca.

— O conheci quando eu tinha 15 anos – começou e eu o encarei, surpreso e sem acreditar que logo Namjoon seria o primeiro a falar de forma mais íntima sobre o jovem -, escrevia poemas para colocar em um fórum antigo, nem existe mais... queria ser poeta, falava sobre minhas dores e confusões, meus sentimentos... um adolescente ignorante, achando que tinha problemas suficientes, quando tudo o que eu tinha eram três amigos e o dinheiro dos meus pais

Sorri ao ouvi-lo contar, seu rosto era cheio de nostalgia e honestidade, finalmente conseguia ver melhor quem era Kim Namjoon.

— Meu user era Real Me, recebi uma notificação de um rapaz, desconhecido, branquinho de cabelos negros e olhos caídos... muito bonito, devo confessar – sorriu – e quando abri sua mensagem, era um vídeo dele mesmo cantando e tocando violão. Demorei um tempo para entender, mas aquele cara tinha pego um dos meus poemas e criado uma melodia, cantando para mim

— Que fantástico – deixei escapar.

— Sim, ele era fantástico. Ficamos amigos, tínhamos problemas com nossos pais e problemas adolescentes, idiotas... Hyuk era rico, como você e odiavam o fato dele gostar de música, então dificultavam todas as chances dele investir em música. Então, conheci Yoongi, quando fiz dezoito anos. Não sei se você sabe, mas Yoongi trabalha no atelier na produção de músicas, samplers... na época, Yoongi era estagiário e disse conhecer um cara famoso, que gostava de rap e poemas. Ninguém mais, ninguém menos que Jackson Wang, acredita?

Arregalei os olhos ao ouvir aquele nome. Claro que conheço, é meu melhor amigo, meu professor, meu mentor.

— Conheço, claro

— Jackson achou a gente muito estranho, mas depois de um tempo, ouvindo a voz de DEAN e meus poemas, resolveu nos apadrinhar na faculdade se escolhêssemos estudar música. Eu não queria, então Hyuk passou a ser seu afilhado, saindo da casa dos pais logo quando a faculdade começou, achei que tudo... tudo iria se ajeitar, sabe?

Não tinha reparado, mas Namjoon deixou uma lágrima fina escorrer sua bochecha, e interessante, ela se depositou na sua covinha. Levantei minha mão e limpei, sem pensar se era bem vindo, não conseguia ver as pessoas chorando perto de mim. Sorriu e balançou a cabeça para os lados, afastando algum pensamento ruim.

— Fizemos de tudo para que ele fosse feliz no hanok – seu olhar encontrou o meu, cheio de dor. Mesmo que eu tenha limpado seu rosto, outras lágrimas começaram a brotar e não havia o que pudesse fazer. – O que fiz de errado, Jimin?

Não sei, sinceramente, me fazia essa pergunta desde a primeira vez que os conheci. Amigos maravilhosos, carinhosos... Hyuk foi embora deixando tanta coisa boa para trás. Aquele hanok é maldito.

— "Namjoon é um ótimo amigo" – imitei a voz do Hoseok. – Hobi disse isso ontem para mim e não mentiu. Você é um bom amigo, Namu

Namu.

Riu do jeito que falei e estufou o peito, tentando parecer forte. Nunca o vi como alguém frágil, mas tenho ciência de que algumas pessoas aqui da Coréia enxergam choro como fraqueza.

— Aposto que ele foi muito feliz com vocês – completei. Antes que pudesse me responder, Jeongguk surgiu, saltitando feito uma lebre, com um sorvete azul na mão. Estava radiante, lindo como sempre, vestindo um sorrisinho satisfeito e a boca suja de azul. Namjoon limpou suas lágrimas.

— Vou ver o que Yoongi e Hoseok estão fazendo, depois nos encontramos – e saiu de perto, deixando nós dois sozinhos.

Que conveniente.

— Desculpa, Jimin-ssi, eu atrapalhei alguma coisa? – fez um bico e neguei sorrindo. – Que bom, não quero magoar o Namjoon nunca mais

— E quando que você o magoou? Duvido que alguém doce como você faça algo assim – passei o polegar no seu lábio inferior, tirando a gota do sorvete azul. Um gesto inocente, despretensioso e calmo, que fez o rapaz ficar paralisado com os olhos arregalados, feito um idiota, como Seokjin sempre diz. Vi que meu dedo ficou sujo, lambi o doce e percebi que era meu sorvete favorito. – Creme do céu?

Jeon piscou algumas vezes, se estabilizando do contato repentino, enfiando o sorvete na boca, se sujando mais ainda. Claro que eu não iria limpar de novo, acho que se tentasse ele surtaria.

— Sim, sim – concordou sorrindo. – É muito bom, tem gosto de infância

— Verdade, mesmo que minha infância com doces não tenha sido muito amigável – amargo. Jeon me estendeu uma colher vermelha, de plástico, aceitei e peguei um pouco de sorvete de seu potinho transparente. É, realmente, creme azul tem gosto de infância.

— Não gostava de doces?

— Eu era gordinho e meus pais não gostavam... comida doces escondido – fiz uma careta, fingi que aquilo não me incomoda, mas era nítido que incomodava. Jeongguk fez um bico, como se sentisse pena e depois sorriu.

— Então, vou comprar um pote enorme só pra você

Foi a minha vez de congelar. Quase engasguei com o sorvete.

Aish, Jeongguk-ssi, não diga bobagens – bati em seu braço e sorriu.

A noite, as estrelas, o cheiro da comida, o clima, tudo estava tão bom e Jeongguk tão bonito, cheio de sorvete na boca e no queixo, sorrindo feito um imbecil. Se eu não tivesse autocontrole, estaria limpando aquele doce com a língua. Notei que olhava minha jaqueta, que não era minha, mas de Yoongi. Uma bela jaqueta vermelha, não fazia ideia de qual marca era, provavelmente nenhuma relevante, mas muito cheirosa e bem conservada, a alisei sentindo o tecido e era muito agradável.

— Que jaqueta bonita

Me entregou o pote do sorvete, pela metade e fez um gesto, insinuando que o resto era meu. Assenti e peguei com alegria, estava doido para devorar o doce já fazia um tempo.

— É do Yoongi-hyung – disse de boca cheia, o fazendo rir. – Ficou boa? Ele é pequeno como eu

O Pequeno Jimin

Como?

Jeon se encostou no parapeito e ficou rindo dele mesmo. – Eu disse, O Pequeno Jimin... deviam fazer uma história assim

— Sou pequeno, mas sou mais forte e mais velho que você – o adverti, mas não consegui mostrar seriedade.

— Aposto que ganho de você em uma guerra de cosquinhas, você me parece molenguinha, Pequeno Jimin

Ainda não tinha digerido o fato de que Jeongguk criou seu primeiro apelido para mim. "Pequeno Jimin", mesmo que eu odeie ser chamado de pequeno, constantemente sou visto como alguém frágil – o que não sou -, aquele momento foi fofo.

— Nem pense em me fazer cócegas – apontei para ele e terminei de tomar o resto do sorvete, que estava começando a virar uma sopa gelada azul. – E não sou tão pequeno assim!

Riu tão alto que algumas pessoas olharam para gente. Depois varreu seus olhos pela praça.

— Namjoon-ah parece estar melhor do que eu pensei – articulou, observando os três sentados em um banco, perto da ponte. Yoongi comia alguma coisa em um potinho, de cabeça baixa, enquanto Namjoon não parava de falar e Hoseok apenas sorria e ouvia tudo atentamente, como sempre. – Quando eu me mudei, cheguei um dia depois do Taehyung, ficamos um tempo conversando. Tae conheceu o Seokjin quando eram mais novos, acho que moravam perto, coisa assim... e Namjoon depois. Quando vi aquele cara alto, bonito e cheio de força, liderando a casa e colocando tudo em ordem, tive certeza de que era meu lugar

— Namjoon-hyung é um homem muito interessante – comentei pensando – E de fato é um bom amigo, pelo o que vejo vocês falando, só...

Observava os três conversando, felizes, como se estivesse tudo bem, por fim, depois de semanas da morte de Hyuk, ainda recente. Entretanto não consegui evitar arregalar meus olhos ao perceber, que atrás de Yoongi, escondido entre uns balões coloridos de uma das barraquinhas de pipoca, estava ele nos observando. Com sua jaqueta de couro, calças escuras e um sorriso melancólico. Jeongguk ainda falava alguma coisa, olhando para um ponto neutro, ainda no meu campo de visão, pois Hyuk se encaixava quase que perfeitamente sobre seu ombro direito. Sua figura pálida olhava com carinho os três jovens no banco. O cheirinho gostoso de comida sumiu, presentemente tudo o que eu sentia era cigarro mentol, perfume da Armani e rosas.

— ... Jimin-ssi? – me acordando daquela miragem, Jeon tocou meu braço de leve e o encarei, piscando várias vezes, tentando sorrir para não ser suspeito. – Você está bem? Quer que eu te leve para casa?

A princípio eu não queria voltar para o hanok, contudo o sorvete misturado com o churrasco começaram embrulhar em meu estômago. Espiei outra vez e agora Hyuk estava mais longe, sentado em outro banco, com um violão na mão. Seu Yamaha.

— Acho melhor...

— Então vamos, vou te levar – pousou sua mão nas minhas costas e começou a me guiar para fora da praça, fazendo um sinal qualquer para Namjoon. Não sei qual foi sua reação, não queria olhar naquela direção de novo, sem perceber, já andava envergado, com a mão na barriga. Estava começando a doer.

Não fazia ideia de que poderia me machucar tão fisicamente, mas estava. Paramos na beirada da calçada, esperando o sinal fechar para travessar, quando minha visão enturvava, a lente parecia ter perdido o efeito, as luzes das lojas eram pontinhos, os barulhos dos carros se tornaram explosões de sons confusos, meu Deus, me tirem daqui.

Jimin? – Jeon ainda estava com a mão nas minhas costas, quando me segurou pela cintura antes que eu viesse ao chão. Precisava sair dali. – Calma, já vamos chegar, só um pouquinho

— Me tira daqui, por favor, me tira daqui!

Respirava com dificuldade, mas ao longo dos passos curtos e ligeiros, consegui me reerguer, devagar, com sua ajuda, calmamente, olhando para mim de vez em quando checando para ver se eu estava melhorando.

Depois de cinco minutos caminhando, ainda faltavam três quadras e subir um pequeno morro até o hanok, quando vimos umas pessoas na frente, sorrindo e dançando na calçada.

Vi que aquilo agradou Jeongguk e parei de andar.

— Quer ficar? – sugeri e ele negou, com os olhos abertos e um biquinho fofo. – Vamos, eu posso me sentar ali... olha, aquela menina vai cantar

Uma jovem, parecia ter quinze anos, chegou tímida, pequena e magra, com bochechas rosadas e lábios carnudos. Se aproximou, colocando os cabelos para trás e segurando um violão rosa.

— Ah, talvez uns cinco minutos e vamos para casa, não quero você passando mal aqui na rua – apertou meu cotovelo e me levou até um banquinho de madeira, se sentando ao meu lado. Alguns moradores sorriam para mim, gentis, enquanto se preparavam para ouvir a garota.

— Boa noite... hoje, preparei uma canção muito querida – era a coisinha mais fofinha. Que garotinha linda, ela e seus cabelinhos negros até o ombro.

— Fofinha – disse baixinho e eu sorri.

A pequena fofura começou a cantar uma música muito inesperada. Era Yellow, do Coldplay. Engraçado como os jovens coreanos gostam dessa banda e eu não estou aqui para reclamar, é uma das minhas favoritas. Deixei-me levar por sua voz doce e o som dos seus dedos ao dedilhar as cordas do instrumento cor de rosa, levando junto a ânsia e parte da angustia do meu peito.

Música cura. E ver como os olhos do rapaz ao meu lado brilhavam também era medicinal. Como uma ametista, sua energia positiva e seu amor pela música estavam me fazendo tão bem que a primeira reação que tive foi segurar seu dedo mindinho.

Que droga, por que fiz isso? Não sabia me controlar mais, era estranho, estar perto dele era como estar junto de alguém que eu sempre conheci. Embora, o vi faz poucos dias, pela primeira vez.

Notei seu pomo de adão subir e descer, engolindo seco e com uma cara assustada, olhando para a menina, ao sentir meu toque. Soltei seu dedo, com medo de ter feito alguma coisa errada. Jeongguk enfiou as duas mãos entre as pernas, se protegendo da minha mão tocá-lo de novo.

Depois que a música acabou, ainda chateado por ter feito algo impulsivo e ter sido rejeitado, suspirei fundo e alto.

— Vamos embora agora?

— Ah, que bonita a música... – falou, sem ter me ouvido – Queria cantar assim

— Você tem vergonha, não é mesmo? De cantar em público

Jeongguk franziu a testa e assentiu. Contudo, se levantou, me deixando sozinho no banco e andando na direção da menina, assustada com sua aproximação, apenas olhou para cima. Cochicharam algo, entre eles, fora do microfone.

Queria saber o que era e logo entendi. Estava pedindo o violão para a pequena e um espaço na calçada. Jeongguk iria cantar.

Mas ele não era tímido?

Ajeitou a corda do instrumento, já que seu corpo é duas vezes maior que o da jovem, depois levantou o tripé para alcançar sua boca. Tudo de forma profissional, como se já estivesse acostumado a fazer aquilo. Esse garoto está me escondendo alguma coisa. Cerrei os olhos, não muito, senão não enxergo, mas o suficiente para ele entender minha expressão desconfiada.

— Boa noite, meu nome é Jeon Jeongguk e... bem, essa música é uma música que eu gosto muito e me faz feliz quando eu to passando mal – passou os olhos pelas pessoas e olhou para mim ao dizer aquilo. Sorri, desmanchando quase ao meio.

As pessoas ao redor riram com sua fofura e eu fiz a mesma coisa, quem resistiria àqueles dentinhos branquinhos? Sorriu, um pouco tímido, mas confiante, começou a tocar a melodia, que para mim é conhecida.

— Sweet creature... had another talk about where it's going wrong – ah, não posso crer que estou ouvindo essa voz angelical cantar Harry Styles. Nunca pensei, juro. Sweet Creature é uma estranha escolha de música para alguém que está passando mal, mas uma excelente para acalmar o coração. — ... wherever i go... you bring me home

E comecei a tirar meus olhos dele, para observar as pessoas ao redor. A pequena garota se sentou em um cantinho, encantada pela habilidade de Jeongguk, tanto quanto os outros ao redor. Depois ao retornar meus olhos para ele, percebi que estava sendo encarado. Jeongguk cantava Sweet Creature olhando para mim nos olhos.

Ele se diz hétero.

Não tenho tanta certeza disso, pensei rindo dele, que fez uma cara confusa ao me ver cobrindo a boca tapando a risada. Depois de acabar a música, recebeu aplausos e elogios bem audíveis. Devolveu o violão para a pequena e andou rapidamente, com a cabeça baixa, na minha direção. Sentou-se ao meu lado, transpirando.

— Você foi ótimo! Deveria ter gravado, mas deixei meu telefone em casa – lamentei e recebi um sorriso. – Você está bem?

Cansadinho... e nervoso – brincou. – Vamos, vou te levar para casa, você ainda está bem pálido

Toquei minhas bochechas com meus dedinhos, sentindo meu rosto ainda gelado. Ai, que inferno, não poderia ter nascido normal como qualquer outra pessoa? Hyuk observando meus colegas se divertindo, se sentindo isolado no banco, veio a minha mente de novo.

— Jimin, vamos... – pediu novamente, se levantando e estendendo a mão para mim. Me levantei sem encostar nele, não queria incomodar, e caminhamos um ao lado do outro, pela noite de verão do bairro universitário.

A rua estreita e íngreme, que dava para o hanok, estava iluminada. Um vento quente descia o morro e balançava os cabelos dele, que os encaixou atrás da orelha.

— Vamos chegar em casa e assistir um filme? – sugeri, quebrando o silêncio. Engoliu seco, de novo. Eu realmente o deixo nervoso.

— Que tipo de filme?

Olhei para a lua, depois para meus pés, pensando em algo que pudesse agradá-lo e ao mesmo tempo não me fazer ter um gatilho. Única coisa que vinha na minha cabeça era algo romântico.

— Ah, não sei... podemos assistir alguma comédia romântica?

Jeongguk tossiu duas vezes antes de me responder. – Claro, qualquer uma que quiser, eu gosto de filmes assim

Safe.

Chegamos em casa, nos desfizemos de nossos sapatos sujos, deixando do lado de fora, no hall. O hanok sem os meninos era tão silencioso que nem parecia o mesmo. Jeongguk acendeu todas as luzes por onde passava, como uma criança medrosa indo ao banheiro a noite sozinho.

Parou e me encarou. – Vamos ver na sala, certo?

Ri, negando. – Você e eu somos colegas de quarto, agora, vamos ver no nosso quarto

— Meu notebook está uma bosta – resmungou abrindo a porta do quarto, rolando para a direita. Passei por ele tirando a jaqueta de Yoongi e deixando no cabide. – Melhor vermos na sala

— O meu notebook é bom, relaxa

O pânico dele era engraçado. Não queria ficar no quarto sozinho comigo, apesar de que ficaria muitas vezes agora que é meu colega de quarto. Acho que ainda não se tocou.

Me ajeitei na cama, puxando meu notebook, que estava escondido debaixo do meu travesseiro. O encarei, de pé, na beirada da minha cama, me afrontando com a sua famosa cara de retardado.

— Vem, me ajuda a escolher – ajeitei o travesseiro para ele se sentar ao meu lado. Com desconfiança, tirou sua jaqueta, jogando em sua cama, exibindo seus braços cheios de veias e com uma cor bonita, Jeongguk e Taehyung compartilham de um tom de pele muito bonito. – Quero ver algo engraçado, para me distrair

— Está tudo bem? Está se sentindo melhor? – sentou do meu lado, mas sem encostar em mim.

— Acho que sim... – ligava o aparelho e abria o serviço de stream, me olhando no reflexo da tela. Deixei o notebook na nossa frente. – Quero ver esse aqui, o que acha?

O nome do filme é "Dumplin". Sorri tentando convence-lo e ele assentiu, vendido. – Tudo bem, tudo bem, vamos ver...

Yes!

Riu alto, se aproximando um pouco para conseguir ver o filme. Era importante aquilo, fazê-lo rir deixou tudo melhor e mais confortável para ele. Ficamos ali, durante um tempo, na mesma posição, sentados na cama, assistindo um filme adorável. Vinte minutos de filme e eu já estava chorando.

— Você está chorando porque...? – riu de mim, colocando uma mão no meu joelho. Enxuguei meus olhos com as coisas das minhas mãos e sorri.

— A tia dela morreu, é triste, puxa... – funguei várias vezes ouvindo ele rir de mim, sem maldade alguma, quando Hoseok abriu a porta do quarto e parando no meio do caminho. – Hobi!

— Erm... – apontou para nós dois, ainda pensativo, confuso – Vieram para casa cedo...

— Você também – completei.

— Vim buscar minha carteira, eu esqueci – entrou rapidamente, abrindo a mochila encostada no guarda-roupas, tentando não olhar para gente. Achei engraçado, com certeza pensava ter atrapalhado alguma coisa. – O que estão fazendo?

— Estamos vendo um filme, Jimin-hyung passou mal na praça

Hoseok levantou a cabeça, preocupado. – Passou mal?! O que sente?! Você quer que eu te leve para o hospital?!

Ri ao ver sua preocupação. – Não precisa, sério, estou bem, Jeongguk cuidou de mim.

Cuidou com sua voz, seu carinho e toda sua beleza. Era importante eu entender nossos limites, Jeon é um rapaz jovem, provavelmente confuso com seus sentimentos e sua orientação, que é nitidamente atraído por mim, entanto faz de tudo para se afastar, ficando nervoso com minhas provocações, nesse chove e não molha. Divertido e me ajudava a esquecer que aquela casa estava impregnada com o estigma da morte.

— Ah, entendi – Hoseok, com sua carteira na mão, me lançou um sorriso sarcástico e levemente promíscuo. Neguei com a cabeça, rindo, sem Jeongguk perceber. – Vou indo, vamos demorar para voltar... então, não se preocupem

— Nos preocupar com o que? – inocente, o mais novo o encarou de boca aberta, pensativo e Hobi riu ao sair do quarto sem responder sua pergunta.

— Vamos, vamos terminar o filme – cortei o silêncio e voltei minha atenção para a tela.

Ficamos assim, vendo o Dumplin, em uma distância segura, não muito grande. A noite caia, já era dez da noite quando o vi bocejar pela primeira vez. Preocupado, sabia que fazia um tempo que não dormia bem, então fechei a tela do notebook.

— Você precisa dormir, vá descansar – pedi e assentiu, se esticando com os braços para cima em um bocejo muito alto.

— Vou tomar um banho antes... obrigado pelo filme, Jimin-ssi – sorriu se levantando e esperei ele pegar seus pijamas pretos e uma toalha. Depois que ele saiu do quarto me joguei na cama, sorrindo como uma criança feliz. É possível se apaixonar por alguém assim? Sem nem tocar? E em tão pouco tempo?

Com o silêncio da casa, consegui ouvir quando abriu o chuveiro e depois, quando desligou. Demorou alguns minutos para voltar, vestindo seu pijama preto de linho, um pouco surrado. Achei um absurdo vê-lo de cabelo molhado uma hora daquelas. Realmente, Jeongguk é um adolescente inconsequente.

— Vai ficar doente se dormir de cabelos molhados, Jeongguk-ssi – apontei para ele, ainda deitado. – Quer ajuda?

— Ah, não precisa, sempre durmo assim – balançou o cabelo, me molhando. Resmunguei. – Desculpa...

— Vem, vamos secar isso – me levantei rapidamente, puxando uma caixa preta, do lado da minha cama, onde eu havia guardado meu secador e meus produtos de cabelo. Por meu cabelo ser descolorido era necessário cuidar com atenção. Jeongguk negou com a cabeça várias vezes ao ver que havia me oferecido para encostar nele de novo. – Vem logo, não vou pedir de novo, respeite seu hyung

Era óbvio que meu tom era brincalhão e ele percebeu, rindo, tacando um travesseiro em mim. Peguei o secador e o liguei na tomada, perto da cama. Jeon se sentou na minha frente, virando as costas para mim. – Por favor, não precisa...

— Precisa, senão vai acordar doente... imagina, passar o fim de semana doente e começar seu primeiro dia de aula igual um zumbi?

Segunda era o dia, finalmente. Estava ansioso para conhecer minha faculdade.

— Jimin-ssi, você também fará música, certo?

— Sim, sim – assenti, me perguntando como ele sabia daquilo, se eu não contei para ele. – Por que?

— Ah... a gente podia ir junto pra aula segunda, o que acha? Eu não gosto de primeiros dias, fico ansioso e nervoso...

Sorri passando os dedos em seus cabelos longos e castanhos. Era muito bonito, porem nitidamente maltratados. Liguei o secador e comecei a secar, sem ligar para penteado ou corte, apenas queria terminar logo, ficar perto dele e sentir o cheirinho de banho tomado era tortura demais. Quando meus dedos escorregavam e encostavam na sua orelha ou na sua nuca, sentia seus ombros enrijecerem, nervoso.

— Podemos sim, claro, não é legal ir sozinho nessas ocasiões

— Obrigado.

— Você mentiu para mim quando disse ter vergonha de público – soltei quando parei o secador desligado. Ele riu, balançando os ombros. – Seu safado – bati em seu braço, fazendo ele rir mais alto ainda.

— Desculpa, eu só... não sabia a desculpa que ia inventar para você não ver meu violão fodido

Vasculhei o quarto com os olhos e vi um violão encapado por uma capa suja e velha. Cara, aquilo deve ter alguns anos, com certeza. Senão for mais velho que ele. – Aquele ali?

— Nem pense em ir até lá – segurou meu joelho com força, impedindo que me levantasse. – Não gosto que vejam, estou juntando dinheiro para comprar um novo

Voltei a ligar o secador, terminando meu serviço, pensando naquela frase. Eu tenho dinheiro de sobra, poderia ajuda-lo com isso, arrumar um violão decente. Não precisava ser um Yamaha de ultima geração como o de Hyuk, algo bom.

Mas talvez ele nem aceitaria.

Depois de terminar tudo, ainda sentados da mesma forma, comecei a enrolar o fio e Jeongguk bocejou novamente. – Terminou?

Sorri ao ver que alisava os próprios fios com seus longos dedos finos.

— Sim, acabei sim...

Ah, nossa, o perfume dele era tão gostoso. Eu sabia que era só o cheiro do sabonete, contudo nele ficava diferente. Quando me aproximei, não muito, chegou ao meu nariz um aroma tão reconfortante que dava vontade de repousar a cabeça em suas costas. Sem notar, jazia com a pontinha do nariz perto demais da sua nuca. O coitado estava tão paralisado com aquela aproximação que se assemelhava a uma estátua. Ah, como eu queria encostar em você, só um pouco... mas não, não devo. Neguei com a cabeça, afastando a tentação de mim e me levantando abruptamente.

— Onde vai? – me perguntou alisando sua nuca, de cabeça baixa.

— Vou tomar um banho. – seco, peguei minhas coisas e sai do quarto. Precisava sair dali e esfriar meu corpo, não era certo aquilo. Ficar perto dele surtia algo em mim que é descontrolado, me movo sem perceber, me aproximo sem querer, como se um magnetismo inexplicável surgisse.

E fiz questão de demorar muito naquela água fria, o tempo suficiente para que quando eu voltasse ele já estivesse na sua cama, longe de mim.

🐾

T A E H Y U N G

Touch my body! – eu amo essa música, merda. Estava tocando em um altofalante no meio da praça e não conseguia me conter ao fazer minhas dancinhas, do lado de Seokjin.

Kim Seokjin. O que dizer sobre esse homem? Meu hyung, não se comporta de acordo com sua idade, cozinha obrigado para nos alimentar e nos salvar de uma possível intoxicação alimentar, caso Namjoon ou Hoseok resolvesse cozinhar.

Nos conhecemos no bairro onde eu moro. Na época, tinha quinze anos, havia acabado de me mudar, cheio de sonhos e planos de ser um artista quando fosse mais velho. Comecei a me interessar por arte logo cedo e em Seul era fácil ter acesso a materiais de arte e galerias das mais diversas.

Inclusive, na praça do bairro universitário, há uma barraca bonita cheia de desenhos de uma veterana. Depois de parar de dançar, notei que Namjoon se sentou perto de Yoongi e Hoseok, no banco à frente. Seokjin ainda comia um espetinho de camarão, como se fosse a melhor coisa do mundo.

— Jin-ah – chamei -, o que aconteceu com o Namjoon e o Hyuk?

A pergunta repentina o fez engastar algumas vezes, preocupado, bati nas suas costas com minhas mãos nada pequenas e Jin terminou de engolir o camarão, com o rosto avermelhado.

— Eu não sei se devo te contar essas coisas...

— Ah, tudo bem... só era curiosidade, somos amigos a tanto tempo, fiquei refletindo sobre isso desde que me convidou para morar no hanok

Sentou-se no banco de madeira, atrás da árvore grande e velha. Me encaixei do seu lado, encostando nossas pernas.

— Somos amigos tempo o suficiente para eu te contar qualquer coisa da minha vida, mas não da vida dele – apontou para os três na minha frente com o palito do espetinho.

— Ok, desculpa, não precisa ser grosso – fechei a cara por dois segundos, involuntariamente.

Depois de dois suspiros e algumas olhadas de canto, o hyung terminou de comer seus camarões, rapidamente, quebrou o palito no meio e jogou na lixeira ao nosso lado. Esfregou as mãos e depois repousou seu braço atrás de mim, com um meio abraço. Confesso que meu maior medo era dele ouvir o quão forte faz meu coração bater. Ficou por uns segundos rígido, sem graça, contudo, não retirou seu braço, pelo contrário, seus dedos repousaram em meu ombro e seguiam a melodia da música estranha que tocava no lugar, com a pontinha.

— Hyuk e Namjoon eram muito próximos – quebrou o silêncio como quem quebrava uma promessa de manter um segredo. Não me olhava, mantinha os olhos fixos em Namjoon, sentado no banco, distraído vendo Hoseok fazer algo estranho. – Se conheceram muito jovens, se apoiavam em tudo. Quando os pais do Kwon começaram a ameaça-lo, caso não cursasse medicina, Namjoon fez de tudo para conseguir tirar ele daquela situação tóxica.

— Joon-hyung é um bom amigo – era o que a gente sempre dizia.

— Depois de se mudarem para o hanok, ajudaram a cuidar do lugar e grande parte das melhorias foram feitas por eles mesmos, depois eu cheguei e ajudei a investir no resto. Fiquei uns bons meses sem ter que pagar aluguel por ter tirado dinheiro do meu próprio bolso – sorriu, como se lembrasse nostalgicamente daquele tempo. – Hyuk não teve apoio monetário dos pais, mas tinha um bom tutor, Jackson Wang cuidava de tudo

— O violão da Yamaha – deduzi e Seokjin assentiu, me olhando ladino. – Isso explica muita coisa cara que ele tinha

— Exatamente. Jack viu nele potencial para ser um excelente músico e não estava errado... DEAN tinha tudo para ser extraordinário

— É tão triste ouvir isso... sempre falar dele no passado, saber que nunca vai voltar – suspirei –, o conheci tão pouco, gostaria que fosse por mais temp-

Senti meu ar sumir quando repousei meu olhar sobre Namjoon-hyung. Atrás dele, uma pessoa de pé, olhando para mim, fixamente. Não era a primeira vez que eu via aquela figura, familiar, mas com o rosto ainda confuso. Acompanhado daquela visão, senti um cheiro de cigarro. Não sei por quanto tempo fiquei parado, senti meus olhos doendo, secando de tão abertos e sem piscar.

— ... Taehyung-ssi? Estou te chamando... – hyung me balançou pelo ombro e percebi que realmente fazia um tempo que estava assustado. A figura de Hyuk sumiu, com um piscar e senti um frio me cobrir. Esfreguei as mãos umas nas outras.

— Ah, desculpa, estava só... pensando

— Em que? Está com frio? – perguntou e me puxou para encostar em seu peito, esfregando meu braço com suas mãos. Estávamos extremamente próximos agora e senti aquele medo sumir aos poucos. Era bom ser protegido por ele.

Sempre foi.

Como uma criança, não conseguia falar mais nada. Estava aterrorizado pela imagem, pelo pensamento de Hyuk assombrar o hanok, de estar seguindo Namjoon, de querer dizer algo e não ser ouvido. Jimin disse que não fala o nome do rapaz por medo, por saber de alguma coisa, dizer não ter volta.

Volta de quê, exatamente? Park Jimin é o novato do grupo, chegou faz poucos dias e age como se já fosse de casa. E a parte mais engraçada é que não acho ruim, muito pelo contrário, sinto que o conheço faz séculos.

— Hobi voltou da casa

E nem tinha percebi que havia saído da praça. – Aconteceu alguma coisa?

— Não sei, mas Jimin e Jeongguk não estão aqui também

Deitei minha cabeça em seu peito, observando que hoje ele permitia minha aproximação sem estranheza. Ainda sentia medo, esperava que me deitar perto de seu coração faria o sentimento sumir mais rápido.

— Você está bem?

Não.

— Estou, só um pouco de sono e frio – ao responder, senti uma leve risada. – O que foi?

— Frio? Está quente pra um cacete aqui – encostou sua bochecha no topo da minha cabeça, alisando meus cabelos com sua barba por fazer. – Quer ir embora?

Não era uma opção. Pensar em voltar para o hanok e ter todos aqueles pensamentos de volta na cabeça me fazia suspirar e tremer de medo. Neguei com um gesto simples e Seokjin repousou ali sobre meus cabelos, como sempre fazia. Ele cuida de mim faz tanto tempo que não me lembro exatamente quando começamos a ter todo esse carinho um pelo outro.

— Só quero ficar aqui, pode ser?

Assentiu com um polegar na minha frente e sorri.

— Tudo o que o Taehyung-ssi quiser... está com fome? Quer comer alguma coisa? Eu pago – enfiou a mão direita no bolso da calça e pegou sua carteira, encaixando ela nas minhas mãos frias, tocando seus dedos quentes aos meus. – Nossa, você está gelado...

— Não se preocupe, Jin-hyung – levantei minha cabeça o suficiente para ele ver meu sorriso e fiquei paralisado ao perceber o quanto estávamos próximos um do outro. O bastante para sentir seu hálito encostar no meu rosto. – Eu juro que estou bem agora...

Conseguia ver, mesmo com aquela luz fraca da praça, seu rosto ficar vermelho e os olhos arregalados, com medo da nossa aproximação. Confiante, apenas sorri de novo e recebi outro sorriso, com o olhar calmo.

— Que bom, eu também estou bem agora

Um magnetismo não permitia que tirasse meus olhos dele e os seus também não apreciam querer sair de mim. Tive tantas oportunidades, durante esses anos, de me relacionar com tantas pessoas. Mulheres, homens, mas nunca tive a oportunidade de tê-lo comigo. Não importa quantas bocas tenha tocado na vida, quantos corpos deitaram sobre o meu, Seokjin é quem eu quero. E pela primeira vez, em tanto tempo, senti que o desejo era mútuo, aquele olhar não era de carinho, era de desejo.

Infelizmente interrompidos por um grito de Jung Hoseok no meio da praça. Juro por Deus, vou matar esse filho da puta. Seokjin saltou no seu eixo e se afastou de mim, se levantando, procurando Hoseok. O grito não foi de brincadeira, parecia assustado. E deveras estava, com a cara pálida.

E tudo aquilo era devido uma situação que atraia todos do local. Ao me levantar, consegui ver melhor a origem do problema:

Namjoon estava no chão, tendo um ataque epilético.

🐾

J E O N G G U K

E foi embora do quarto como se estivesse pegando fogo. Encostei no meu rosto e vi que quem estava quente era eu. Não fazia ideia do que acabou de acontecer, mas foi assustador.

Jeongguk não sabe sua sexualidade, ou não quer dizer. Eu não faço a mínima ideia do que Jimin causa em mim, sendo bom ou ruim, me assusta pra caramba. O ouvi ligar o chuveiro enquanto me levantava para ir até minha cama. Ajeitei meu travesseiro, minha coberta e desbloqueei o telefone.

(20:00): acho que essa foto deveria ser a capa do nosso grupo!

(20:02):

Hobi(20:03): DELETAISSO AGORA!

Você (20:04): ou essa rs

Você (20:04):

Hobi(22:55): ondevocês estão?? voltei

Yoongi (22:55): no banco perto da pipoca, você é cego?

Namjoon (23:15): @Girafona e @Taehyung-ssi vamos embora? Está ficando tarde

Depois daquela mensagem, havia mais nada e fiquei olhando algumas fotos no Instagram, despretensioso, sem curtir, apenas rolando o feed automaticamente até ouvir o som da porta do quarto rolar até se abrir, deixando um cheiro gostoso de sabonete e desodorante entrar. Jimin entrou apagando a luz, sem fazer muito barulho e muito menos sem olhar para mim. Fiz algo errado? Pude ouvi-lo enrolar o cabo do secador com agilidade, depois ouvi o som dele se deitar na cama, movendo os lençóis. A luz do seu celular iluminou seu rosto e seus cabelos loirinhos.

O observava, admirando cada detalhe de seu rosto sem qualquer resquício de maquiagem.

Conseguia ser mais perfeito ainda.

— Jimin-ssi – tomei coragem e o chamei, mas seu olhar não se voltou para mim.

— O que foi?

Suspirei. – Nada...

— É alguma coisa – e finalmente seu olho encontrou a minha direção, no escuro. Depois, apontou a luz do celular para mim. – Você está com uma cara estranha

— Está bravo comigo?

Riu da minha pergunta, quase me cegando com a luz do seu iPhone. Apontei meu telefone para ele também, que resmungou da luz em seu rosto.

— Não, você fez nada de errado, por que estaria bravo?

— Ah, sei lá, eu irrito as pessoas – deduzi e recebi mais uma risada. – É sério

— Você é pentelho, mas não é uma criança, Jeongguk, sabe exatamente que não me irrita e sabe os motivos

Engoli seco.

— Arm...

— Deus! – Jimin não deixou eu completar minha sentença, se levantou da cama feito um raio e começou a colocar a jaqueta vermelha de Yoongi – Levanta, levanta!

Acendeu a luz do cômodo e pegando um casaco no cabide, jogou em mim com o rosto preocupado, olhos arregalados.

— O que aconteceu?! – me levantei, ajeitando o casaco no meu corpo, sem entender o que estava acontecendo. Meu telefone vibrou e ao desbloquear vi a seguinte mensagem:

Yoongi (23:40): @Jimin-ssi e @Jeongguk, aconteceu algo com Namjoon e estamos levndo

Yoongi (23:40): levando* para o hospital!

Jimin-ssi (23:42): O que?!?

Yoongi (23:42): ele teve um ataque epilético!

Foi o suficiente para nós dois entrarmos em desespero juntos. Namjoon nunca havia passado mal assim antes, não nas três semanas em que estive morando ali, e pelo o que observei, ele sempre foi o cara mais irado e mais forte do hanok. Sendo assim, ler aquela mensagem me chocou tanto que sai tropeçando pelas pedrinhas do pátio. Jimin saiu da casa segurando um capacete e sem eu conseguir me defender, enfiou na minha cabeça, quase me machucando de tão nervoso.

— Vamos de moto? – perguntei, nervoso e ligou a moto, vestindo seus pijamas azuis de seda com a jaqueta vermelha de Yoongi por cima, sapatos amarelos de ficar em casa. – Jimin, cadê seu capacete?!

— Sobe.

A rispidez na sua voz foi o suficiente para me convencer em subir atrás dele. Sem eu notar, já havia aberto o portão do hanok antes mesmo de eu ter saído da casa. E sem ligar, deixou aberto ao descer o morro vazio. No susto, ao ver que estávamos indo rápido demais, me agarrei a sua cintura, apavorado.

— Jimin-ssi! – pedi, gritava abafado pelo capacete, mas ele não diminuía.

Chegamos até o hospital universitário. Era o mais próximo do bairro e de acordo com a localização enviada por Yoongi, encontraríamos eles lá. Estacionou rapidamente, descendo da moto, descabelado e agitado. Me ajudou a tirar o capacete e segurando debaixo do braço, ajeitou meu cabelo e apertou a ponta do meu nariz.

— Desculpa por ter corrido

Ainda ofegante, aceitei suas desculpas sem fazer muito caso. Entramos na recepção. O hospital universitário é um dos lugares do campus com melhor estrutura e muito bem organizado e cuidado. Telões grandes com nome dos pacientes organizado por números e sobrenomes, também se podia encontrar um painel para ser atendido a princípio, com seus sintomas e assim fazer a triagem.

— Boa noite, estamos procurando o paciente Kim Namjoon – assumi a frente, tentando me distrair da adrenalina que foi andar naquela moto. Jimin lia os nomes no painel procurando algo.

— Ah, esse rapaz – resmungou a pequena mulher de cabelos vermelhos, enquanto clicava com seu mouse velho, sem muita paciência. – Vocês são amigos dele? Não está internado, está no corredor sendo atendido, tivemos de chamar dois seguranças para ele

— Deixa a gente ajudar, somos amigos e podemos acalmá-lo – pedi, tentando soar o mais doce possível e ela me encarou por dois longos segundos, desfranzindo a testa e suspirando em seguida.

— Se conseguirem... tome, escreva seu nome aqui. E você também, loirinho

Estendeu para mim dois adesivos e uma caneta. Escrevi J Jeongguk e Jimin ao se aproximar escreveu Park no dele. Estava quieto demais, com uma aparência estranha e muito incomodado com o ambiente. Segurou meu braço como apoio e passamos pela porta do corredor.

Eu quero ir embora! – o grito de Namjoon foi a primeira coisa que ouvimos ao virar à direita. No fundo do lugar, perto de um bebedouro, sentado em uma maca, estava ele tentando se soltar de um segurança alto e forte. – Me solta, quero ir para casa!

— Não vai! – Seokjin gritou de volta e em segundos uma gritaria completa. Todo mundo berrando coisas que se misturavam, sem sentido, incompreensivas. Logo, Jimin apressou o passo e ficou ao lado de Taehyung. Os dois trocaram alguns olhares e Namjoon ainda se debatia.

— Olha aqui, meu rapaz, você está sendo muito estúpido! – o guarda de cabelos negros e curtos ainda segurava o hyung pelos braços. – Serei obrigado a te sedar!

— Não quero, só quero ir para minha casa!

— Meu Deus, cala a boca, Namjoon-ah – Yoongi exclamou com muita seriedade na voz e pude sentir aquela frase me arrepiar a espinha. Ele bravo era algo que eu não queria ver.

— Sinceramente, você está se saindo um péssimo líder! – Seokjin apontou o dedo na cara dele, que virou para mim e parou de se debater. Não sei se percebeu minha expressão de medo, mas vê-lo daquele jeito com todo mundo gritando era assustador.

Jimin se aproximou e tocou sua perna.

— O que aconteceu?

— Ele caiu do nada e começou a ter um ataque epilético. Chegamos no hospital e ele acordou sozinho gritando que quer ir embora – Hoseok, finalmente, abrindo a boca para explicar tudo sutilmente.

— Não preciso de hospital

Jin colocou as mãos nos olhos e apertou, com raiva da teimosia do amigo. Respirou fundo e o encarou. – Você quase me matou de susto, não quero saber, vai ficar nesse hospital até alguém te atender

— Ora, ora, Kim Namjoon – uma voz feminina surgiu, calma e doce, mas com um toque de sarcasmo. Uma mulher alta, de sapatos de salto brancos, como suas vestes, cabelos negros e curtos, extremamente bonita e com sobrancelhas grossas, se aproximou de nós sete ajeitando os óculos no nariz. Alguma coisa nela é familiar. Tentei olhar para seu crachá e finalmente entendi.

Dizia Drª. Kwon.

Mas era nova demais para ser mãe de Hyuk. Deve ser prima ou irmã.

Moon – ele a reconheceu, franzindo a testa finalmente sendo liberto pelo guarda, que se afastou um pouco, mas ainda perto. – Era por isso que eu queria ir embora

Namjoon-ah não parece gostar dela.

— Estamos aqui de novo e pelo mesmo problema, não é? – com sua prancheta na mão, bateu no joelho dele. – Sinceramente, por que não morre logo?

Foi uma questão de segundos para Seokjin quase voar no pescoço dela, se não fosse Taehyung segurando-o pela camisa. – Sua vagabunda!

— Vagabunda essa que cansou de vocês – disse, extremamente séria. – Meu irmão tinha um péssimo gosto para amigos... – seu olhar varreu cada centímetro nosso e depois voltou para Namjoon. – Eles já sabem do seu probleminha?

Nosso amigo abaixou a cabeça, frustrado. Do que ela falava? Aparentemente eu não era o único perdido ali. Nem sabia que Hyuk tinha irmã, mas pela fama da família não me surpreendo ao saber que ela é médica.

— Renovei sua prescrição e aumentei sua dose, você pode buscar seus remédios com sua carteirinha de estudante na recepção. Aproveite para contar a eles a verdade. Não aguento mais ver a sua cara aqui. Siga seu tratamento, mas se for para morrer, morra bem longe do meu hospital.

E com passos pesados e sonoros, da mesma forma rápida que veio, foi embora. Senti um alívio ao vê-la partir, seu olhar e sua presença eram extremamente intimidadores.

Agora, todos os olhares pousaram sobre ele, que se sentou direito na maca e apoiou as mãos nos joelhos.

— Que história é essa de probleminha? – Hoseok perguntou, aflito e Yoongi coçou a cabeça.

Um silencio pousou no corredor, se ouvia apenas o som dos equipamentos das salas e os passos de enfermeiros andando para todos os lados. Então, Yoongi coçou os olhos, segurando os óculos na mão, mas calmo.

— Ele tem epilepsia.

— Oi?! – e novamente a voz de Seokjin quase me deixou surdo. – Como assim? E eu nunca soube disso!?

— Jin-hyung, se acalme – Tae alisou seus ombros largos devagar, até ele voltar a respirar regularmente.

— Yoongi, não, por favor – Namjoon pediu, mas não parecia surtir efeito.

— Não, Namjoon-ah, cansei de esconder isso. Você tem um problema e precisa ser cuidado por todos nós.

— Como nunca notamos isso? – Hoseok parecia querer chorar, mas deu um pequeno tapa no rosto.

— Eu fico em casa a maior parte do tempo por que estou estudando e trabalhando, mas também aproveito para ficar de olho nele. Hyuk era quem sabia também

— Eu me medico desde jovem e quase não tenho crises – anunciou, finalmente, mais calmo. – Hyuk era o único que sabia, mas depois... depois dele...

— Depois que Kwon veio a falecer eu encontrei Namjoon-ah na biblioteca desmaiado e ele foi forçado a me contar.

Calmamente, de braços, todos foram ficando tristes. Não sei o quão perigoso é ser epilético, mas do jeito que eles atavam assustados, deve ser muito ruim. Jimin então segurou sua mão e lhe fez um carinho.

— Vamos cuidar de você

🐾

Tadinho do joon. Esse capítulo foi maior, já que os anteriores eu encurtei.
Essa é a moto do Jimin, um modelo italiano e lançamento de 2019 da Ducati.

Até a próximaatt. 💜

Continue Reading

You'll Also Like

2.4K 290 11
Park Jimin seguia a carreira profissional dos sonhos na polícia e se empenhava totalmente nela, o problema se deu quando o trabalho começou a interfe...
457 7 1
Conteúdo 🔞 Na universidade, os corredores são longos, as noites solitárias, e o silêncio entre quartos pode esconder mais do que se imagina. Jimin é...
650K 93.2K 29
[CONCLUÍDA] "- Na casa número 303 mora uma pessoa estranha. As pessoas não ousam a bater naquela porta, a falar com quem mora lá ou sequer fazem ques...
Wattpad App - Unlock exclusive features