31/12/2019.
Como dizer adeus a experiências tão boas? Viver o amor em sua ardente forma, em questões dias, conectar-se com alguém de forma tão rápida é pelo menos, complicado. Mostrou-me o amor e como ele pode ser belo, porém ao mesmo tempo me ensinou o quão doloroso esse amor pode ser.
Estou aqui na laje da minha casa,sentado fumando mais um charuto, pedindo às estrelas que essa dor passe, que essa vontade de me atira daqui de cima, vá embora. Mais uma vez relendo suas palavras:
Christian: Eu gosto de você e tal! Mas com a criação do projeto Águas vi vários comportamentos seus que não se adequam a minha pessoa! Que não condizem a minha personalidade e que não é o que espero de quem esteja ao meu lado!
Marcos: tudo bem
(...)
Christian: Marcos tem tudo que os meus ex têm Você é uma reunião de ex's meus.
Marcos: Eu já entendi.
Toda vez que eu me lembro daquela madrugada me da um nó. Uma tristeza sabe... Uma dor na vista, as lágrimas insistem a descer, e uma dor no peito que parece não ter fim.
Eu só quero por um fim nessa dor e esse charuto não está adiantando.
Desculpa meu caro leitor, eu sei que comecei essa história meio triste, fique tranquilo, eu não vou me jogar daqui de cima, afinal sou muito lindo para morrer desta forma. Se vocês querem entender o motivo dessa tristeza toda, me acompanhem há alguns meses atrás, no dia em que meu coração conheceu o 25, o homem que destruiu parte dos meus melhores sentimentos.
15/06/2019
Para entende todo esse drama, iremos volta a essa data, 5 dias antes, da fatídica data que entrei, na aventura mais louca da minha vida.
Eu sempre levei a vida como um jogo.
O jogo em que transo com as pessoas e as identifico com o número na ordem que transei com ela, ou seja, a primeira pessoa com quem transei recebeu o número um, e assim por diante. É uma brincadeira onde não me apaixonar é a única regra que não posso quebrar, me afeiçoa como bons amigos talvez, mas me apaixona nunca. O amor para mim é uma construção social, criada e imposta.
E seguindo essa regra estou aqui mais uma vez, em meu apartamento, completamente despido e fumando meu velho e bom charuto, observando aquele corpo branco e bem maior que eu esparramado em minha cama, perdido em meus pensamentos, tão distraído que nem percebo que ele havia acordado.
24 ou meu bom amigo Victor.
- Precisamos parar com isso, urgente – ele me despertou de meus pensamentos.
- Saia dessa cama, vista suas roupas, e saia do meu apartamento – respondi sem um pingo de empatia – e sem banho.
- Idiota – ele me respondeu, com um sorriso bobo. Victor sabia que o sexo nunca estragaria nossa amizade. – Vou tomar uma ducha rápida, preciso ir para casa – e partiu correndo para o banheiro.
- Falando um pouco sério, nossa amizade está estragando o sexo – soltei essa bomba no ar e segui para sala, ainda sem roupa, sendo seguido por um Victor ainda meio molhado e de cueca – Só essa noite, você e eu broxamos umas 3 vezes e acabamos assistindo a Drag Race, você tem noção do quantos nossa amizade está fodendo com nossa transa, meu eterno 24.
- Verdade – concordou, pronto para sair – Não esqueça que você que me prometeu a fontes para meu artigos sobre drags, preciso ir – e saiu sem ao menos espera eu dizer adeus.
No meio essa loucura toda, eu nem conseguir me apresentar. Então vamos lá, Sou Marcos Santos Benzer, tenho 20 anos, Sou Estudante do Curso de História na Universidade do Estado da Bahia, um bruxo em horas vagas, morador de Cidade dos Anjos, região metropolitana de Salvador, mas precisamente para área do litoral norte.
[...]
- Eu não acredito que você não foi ontem para festa comigo, para transar com seu amigo – Gabrielle, uma das minhas amigas gritava comigo – Isso é de uma sacanagem Marcos, eu acho isso muito errado comigo, falta de empatia com a minha pessoa.
- Amiga para de ser louca – Sara minha militante favorita interviu – Amigo, gozou? Foi bom? Isso que importa, festa a gente tem todo final de semana, da uma sentada quase nunca, eu mesma lhe disse que iria da o final de semana todo e não ia para festa com você.
- Mas você é normal fazer isso – Higor, nosso amado e bem calado amigo, Higor é o tipo de pessoa bem na dele, muitas vezes até misterioso, lembro até hoje que no começo do semestre eu e Sara, achávamos que ele era eleitor de Bolsonaro – Afinal você sempre faz isso.
E assim se iniciou a briga sobre nada, que não iria chegar a canto algum. Esses eram meus amigos, que eu amava e protegeria com minha vida.
Tessara ou Sara, uma bela mulher negra, poderosa, dona de si, mas cheia de amor, juntos militávamos nos coletivos de juventude de esquerda.
Gabrielle, a nossa pequena Barbie negra, dona de um carisma sem igual.
Adriana, mulher negra, empoderada, dona de uma falta de paciência, que até mesmo um pitbull tem medo dela.
Sandro, nosso coroinha, belo, inteligente e sempre com um comentário para me atazanar.
Higor, nosso agente da kgb, comunista, bissexual ( nunca me deu uma ousadia), calado, o ponto de equilíbrio do grupo, afinal no momento em que todos estão surtando, ele está bem de boas.
Bianca, a cota branca.
Juntos, formamos o grupo Brega Historiográfico e mais uma vez estamos na grama com as meninas me julgando sobre o uso do grindr, enquanto eu caçava o número 25.
- Por que você não arranjar um namorado Marcos ? – Bianca alheia a discussão sobre, sexualização do corpo gay de Marcos, perguntou um tanto curiosa.
- Às vezes me pergunto se existe algo de errado comigo. Talvez eu gaste tempo demais na companhia de meus heróis românticos literários, e consequentemente meus ideais e expectativas são extremamente altos – Marcos declamou bethanicamente cheio de emoção – ou seja, não existem homens para mim nem em Anjos e nem em Salvador – e mais uma notificação do Grindr – Olha só que belo dorso, lets bora.
- Amigo essa vida de transar com um, transar com outro não vai lhe fazer bem – Sara abandonou a discussão com Gabi e Drica e passou a me dar atenção – Você não deseja cria vínculos e eu entendo, mas uma hora gosta de alguém vai ser inevitável. – seu olhar era genuinamente preocupado - você já tem tantos problemas mentais, saiu de uma depressão, ainda tem suas crises, eu me pergunto se você vai saber lidar com as questões do coração.
- Tenho certeza que não - o foco agora era minha vida emocional e meu olhar assassino para Gabi não funcionava de jeito algum – Você é forte para tudo, mas não tem uma experiência de decepção amorosa, isso talvez lhe quebre.
- Vão tomar no cu de vocês – não sou obrigado ouvir isso e assim sai revoltado, respondendo um menino gatinho que venho conversando a mais ou menos dois dias.
Marc : Eae, estou livre agora afim de que ?
WC: Rapaz, você que vai dizer, me fala um pouco sobre tu...
Eita, esse não é daqueles que é só sexo e adeus.
Marc: Tenho 20 anos, farei 21 em outubro, estudo na Uneb, amo series e tals e afim de uma parada legal, conhecer alguém massa e ver o que rola.
WC: Bacana, na mesma vibe.kkkk
Marc Então vem me ver bb.
WC: Que tal na sexta ?
Puta homem chato do caralho, mas bora lá fazer o jogo dele.
WC: Eae afim mesmo que eu vá lhe ver ?
Odeio fazer esse jogo, no final eu não transo e o boy acaba virando meu amigo, mas vamos ver aonde isso vai dar.
Marc: Sexta então, me chama no whatsapp, xxxx-xxx, sou Marcos, mas se quiser põe, seu amor kakakakka.
WC: Vou salva assim então kkk.
Esse vai ser o 25, um número não muito bom em questões políticas, mas quem sabe nas questões de sexo, seja incrível. Fico intrigado com a conversa que tive com as meninas, devaneio sobre o fato de Marcos Benzer, nunca ter experimentado o doce sabor do amor e nem o amargo de perdê-lo, mesmo crendo que isso é uma besteira, que só é real nos livros e somente lá.
E em meio disso me esbarro com Diego, um colega nosso e um bom amigo, ele até que é bonitinho, meio nerd, tenho uma queda por esse tipo.
-Desculpa Marcos, eu não lhe vi - ele estava meio... Apressado para chega em algum lugar, será o DEDC?- Você viu o Higor ? .
Com toda certeza era o Departamento de Educação, julgo DEDC, A algumas semanas atrás, enquanto eu fugia de um maluco que eu rejeitei, resolvi me esconder no banheiro do Dedc, e lá ouvir gemidos bem interessantes. Resolvi investigar e acabei descobrindo que Higor e Diego, se pegam dia sim e dia não, nos grandes intervalos das aulas.
- Eu vi ele sim, estava a caminho do Dedc – tirei da minha bolsa meu lubrificante novo, lacrado e nunca usado e dei a ele e fiz questão de sussurra em seu ouvido – Diz para o Higor, que é para ele passa dentro também que a sensação é ótima para os dois - e seguir deixando um Diego vermelho de vergonha para trás.
[...]
4 dias
96 horas
5760 minutos
345600 segundos
Esse é o tempo que eu tive que espera o 25, que nós passamos e troca mensagens bem divertidas, 4 dias que me deixaram cada vez mais ansioso para esse encontro, o tempo fui expulso do apartamento por alugar ele para uma festa de orgia , o tempo que meus pais me tiraram o carro e me fizeram anda no transporte universitário dado pela cidade, o tempo que fiz meu artigo sobre Gays Negras e Afeminadas e causei um caos na minha sala por chama meu colega de chaveirinho gay da Afro-Indígena.
Foi o tempo que desafie 25 a me dar um beijo daqueles, na frente da uneb e ele aceitou.
Foi o tempo que passei a me pergunta
Será que ele vai fazer?
Será que beijar ele, na frente do portão da Uneb não vai ser um erro?
Que nervosismo todo é esse, por causa de um beijo?
Agora já era tarde, estava eu a caminho da uneb, de uber, pensando nisso e não poderia voltar atrás.
E lá estava ele, me esperando, na hora eu não sabia, até porque se eu soubesse nem do uber teria descido, que naquele momento eu estaria indo de encontro com o responsável pelo meu sofrer.
- Marcos – ele disse, me olhando sorrindo.
- Olá, Christian – e ali na frente daquele maldito nos beijamos.
De que serve ter o mapa, Se o fim está traçado.
De que serve a terra à vista, Se o barco está parado.
De que serve ter a chave, Se a porta está aberta.
De que servem as palavras, Se a casa está deserta?
De que me serviria o cuidado, se eu já estava entregue aquilo.
25 você será minha ruína e naquele momento eu não estava ligando.
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Esse é meu retorno a esse site.
Esperamos que gostem.
como amor
Theus Bezerra e Marcos Benzer.