Chegamos na casa da Magda e estava tudo muito lindo, havia alguns convidados comendo e falando alto, e no fundo toca baixo um sambinha que eu não me lembrava o nome, mas era muito bom.
Chiara assim que nos viu veio em nossa direção, ela como sempre é muito receptiva.
— Que bom que vieram! — deu um abraço apertado em cada um de nós.
— Tínhamos que vir, você está cada dia melhor, essa gravidez tá te fazendo muito bem! — dona Viviane a elogiou enquanto passava a mão na sua mini barriga de grávida.
— Obrigada, ah.. são seus olhos! — ela brincou.
De fato, Chiara estava linda, sua barriga nem parecia que eram de gêmeos, usava um vestido branco todo rendado e os cabelos presos em um rabo de cavalo.
Felipe me encarava de longe enquanto conversava com seu irmão e alguns primos, nossos olhares se cruzavam como se nem nos conhecêssemos ainda, eu sorria igual uma idiota.
Adoro essa nossa interação boba.
Até que se distanciou deles e se aproximou de mim, que estava sentada sozinha na mesa.
— Eaí gatinha.. — puxou uma cadeira e se sentou ao meu lado.
— E aí gatinho. — sorri.
— Tá toda estileira hoje né? — ele me analisava.
— Você que tá no estilo com essa camisa azul aí! — ele ficou um gatinho nessa cor.
— Claro pô, representando os meus sobrinhos poxa, tomara que eu acerte!— brincou e eu ri — E você veio de azul listradinho também né ? Tá linda.. — falava todo manhoso.
— Hum, você que tá, aliás eu vi lá seu comentário na minha foto.. — sorri fraco e apertei seu nariz.
— Cê viu? Tenho que marcar presença porra! — brincou e nós rimos.
Ele se aproximou de mim, virou meu rosto pro seu e me deu um selinho rápido.
— Lipe! — repreendi seu gesto fofo, dando um tapa de leve em seus braços.
— Qual foi? Até quando vai querer esconder que estamos ficando? — me olhou de lado.
— É que eu não quero que os outros saibam antes de eu resolver outras questões e..
— Ah não gente, para tudo! Filho do céu..— a sua mãe chegou por trás e eu tomei um puta susto, ela praticamente berrou nos nossos ouvidos.
Felipe sorriu mega envergonhado.
— Oi dona Magda.. — tentei ignorar o que ela tinha acabado de ver.
— Vocês estão.. namorando ? — franziu o cenho.
— Não! — respondemos quase em uníssono.
— Quer dizer, a gente tá se conhecendo melhor mãe..— Lipe respondeu sem graça.
Dona Magda sorria feito uma criança feliz, eu não sabia onde enfiava minha cara de tanta vergonha.
Certeza que iria espalhar pra todo mundo que nos viu dando um selinho.
— Que coisa linda, saiba que eu faço muito gosto viu? — passou a mão pelos meus cabelos — Fiquem à vontade! — se retirou e eu e Lipe caímos na risada.
— Qual é, minha mãe é gente boa pô..
— Só porque eu não queria espalhar, agora já era..
Ficamos mais alguns minutos conversando, até que meus pais e meu irmão retornaram à mesa, minha mãe segurava um prato cheio de salgados e meu pai e meu irmão seguravam uma latinha de cerveja.
Felipe instantaneamente tirou o seu braço ao redor das minhas costas.
Eles nos encaravam sem parar, até que meu irmão filha da puta abriu a boca.
— Quando ia nos contar desse lance aí ?
— Quem te contou? — retruquei.
Guto olhou pra minha mãe.
— Mãe! — falei alto.
— Foi a dona Magda..— ela respondeu rápido.
— Não estamos namorando dona Viviane.. — Felipe explicou.
— Ah fica tranquilo meu filho, Stella precisa mesmo sossegar o facho uma hora..— respondeu e eu sorri cinicamente.
— Isso eu tenho que concordar! — Guto exclamou.
— É.. Teté é barra pesada..— por fim, meu pai falou em tom humorado. — Boa sorte!
— Complô contra mim agora? — brinquei
— Não se preocupem, eu e sua filha estamos nos conhecendo melhor só!— ele me olhou e eu assenti.
— Desde que ela pare de andar com aquela menina.. por mim tá ótimo.— minha mãe não cansa de querer dar lição de moral.
Gustavo me chamou pra trocar uma ideia, já até sei sobre o que é. Peguei minha latinha e o acompanhei até um local mais afastado.
— Que parada é essa de vocês ?
— Ah pô, a gente decidiu começar a ficar.. ela nem queria contar pra ninguém, mas minha mãe acabou vendo.
— Cê sabe dos b.o que ela se mete né?
Mal sabe ele que eu sei até demais.
— To ligado sim, relaxa que ela está resolvendo..
— Eu vou te falar que no início que descobri que tu estava curtindo ela eu fiquei com ciúmes sim.. ainda mais por você ser como um irmão pra mim..
Ele não conseguia disfarçar que tinha ciúmes da Ste, eu entendo ele, ela sempre foi a caçula da família e era normal esse drama todo.
Ainda mais quando ele viu que era comigo que ela estava.
— Eu sei pô, fica suave que sua irmã estará em boas mãos. — sorri fraco e ele assentiu relutante.
Fábio me convidou pro tal chá de revelação, eu nem avisei o Felipe que iria, depois que aconteceu aquele acidente com a loira nojenta, ele se distanciou total de mim.
Mas aquele nosso beijo safado no seu sofá, até hoje não esqueci totalmente.
Cheguei, e logo de cara me deparei com Guto e Lipe conversando, não hesitei em entrar na conversa.
— E aí, posso saber do que estão falando? — sorri cinicamente e eles me olharam assustados.
— E aí Tina.. — Guto me cumprimentou — Está sabendo das boas novas ?
Neguei com a cabeça.
— Lipe tá ficando com Stella.. — ele falou soltando uma risada, eu fechei os olhos tentando assimilar direito.
Vontade de vomitar só de imaginar.
— Ah sério? Nossa, que legal!— mais falsa que eu fui nesse momento, não existe.
— Você vai contar pra todo mundo mesmo né? — Felipe riu sem jeito, ele percebeu minha falsidade.
— Me dão licença um instantinho? — falei e me distanciei.
Assim que avistei o resto dos convidados, vi de longe Stella conversando animadamente com a grávida lá, bufei e me aproximei.
— Olá, meus parabéns pelos bebês! — cumprimentei Chiara que retribuiu sorrindo, e ela infelizmente não me desce, gente feliz demais o tempo todo me deixa irritada. Só vim pelo Fabinho e pela comida.
Stella apenas deu um sorrisinho forçado, claramente ficou incomodada com minha ilustre presença, amo.
— Gente dona Magda está me chamando, já volto.. — Chiara se distanciou, nos deixando sozinhas.
— E aí Stella, como vai? — puxei assunto e ela logo percebeu a ironia em minhas palavras.
— Vou bem, e você Martina? — respondeu no mesmo tom de voz.
— Ótima, depois que eu e Felipe começamos a ficar novamente, tudo se ajeitou, o problema é que ele se distanciou um pouco depois que você se acidentou, eu entendi sua preocupação, aliás.. você é irmã do melhor amigo dele né? É normal ficar triste. — falei friamente.
Poderia estar sendo exagerada, mas a parte que a gente se beijou no seu apartamento uns dias antes dela se acidentar, isso sim é a mais pura verdade.
— Q-que ? Poxa, eu juro que não fazia ideia, que bom pra vocês! — ela gaguejou, eu sabia que isso ia deixá-la confusa.
Mas aquele seu olhar mortal sobre mim, isso ela não conseguiu disfarçar.
— Sim.. aliás, acabei de falar com ele ali na entrada, disse que estava com saudade.. — eu ri.
— Quem tá te pagando pra vim dar esse show aqui?
— Ah não seja boba, se quiser pode ir perguntar pra ele..
— Você quer enganar quem com esse discurso besta? É pra rir? — disse ironicamente.
— Não chora não Teté, e vocês podem até ter dado alguns beijinhos, mas no fim das contas, a pessoa certa pra ele sou eu, para e pense! O Felipe nunca ficaria com uma maconheira de quinta.. que ainda por cima já pegou metade dos amigos dele.. — falei e sua feição de boazinha se desfez na hora.
Eu sabia que essa sua máscara de boa moça não iria durar muito tempo. Acertei em cheio.
Pra um chá de bebê, isso aqui está até rendendo né ?
Eu sou tão difícil de sair do sério, mas essa Martina conseguia essa proeza divina.
— Pra sua sorte, eu estou na casa de pessoas que eu gosto e por respeito à elas, não vou partir pra cima de você. — falei ríspida e entre os dentes.
— Oh que medinho, pelo visto não é tão boazinha assim né ? — soltou um riso falso.
— Se tratando de você, eu nunca vou ser boazinha. Me deixa em paz vai.. esse seu teatrinho já deu! — retruquei.
—Felipe iria odiar ver a amiguinha dele me tratando tão mal assim.. a nossa amizade veio bem antes de você aparecer! — o ódio que eu tinha por esse ser só aumentou depois disso. Porquê ela insiste em me provocar tanto assim?
Antes que eu pudesse responder de volta, Fábio nos interrompeu, anunciando em voz alta que era a hora de revelar os sexos, Martina se distanciou e o pessoal todo se levantou.
Felipe me avistou e se aproximou novamente, ele deve ter percebido que minha expressão facial não estava muito boa.
— O que foi ? Parece tensa.. — franziu o cenho. É, de fato ele me conhecia mesmo.
Suspirei por uns segundos.
— Depois a gente conversa, vamos que seu irmão tá chamando todos..— desviei do assunto puxando sua mão de leve, nos aproximamos da mesa onde havia os dois balões prontos para serem estourados.
E por alguns minutos eu tinha esquecido que estava puta por causa daquela quase discussão que tive com Martina, e só aproveitei o momento lindo que estava acontecendo.
Lipe me abraçou carinhosamente por traz e ficamos em pé esperando eles anunciarem.
—Eu queria agradecer cada um que veio hoje, nós estamos muito felizes em poder compartilhar esse momento único em nossas vidas com vocês.. eu e Chiara estamos em êxtase até agora, nossos bebês vão ficar felizes em saber o quanto são amados aqui fora.. — Fábio deu um breve discurso antes.
A família de Chiara estava acompanhando tudo em um telão por FaceTime, e mesmo não entendendo uma palavra que estávamos dizendo, era nítido o quanto estavam mega felizes e animados.
Fizeram contagem regressiva para estourar o primeiro balão, 4..3..2..1..
Confetes Azuis por todo lado, e uma gritaria sem fim.
" é menino, é menino! "
Todos vibraram juntos, parecia que algum time tinha ganho um jogo de futebol.
— Esse vai se chamar Matteo..— Chiara anunciou o nome, quase que sem ar.
Logo em seguida, o próximo balão também foi em contagem regressiva, 4..3..2..1
Confetes Azuis novamente, a mesma gritaria e folia, todos se juntaram e abraçaram os dois, choravam e pulavam de alegria, aquela cena me deixou até com vontade de ter neném um dia.
Mas a vontade logo passou, não sirvo pra cuidar nem de mim, quem dirá de outro bebê.
— Esse se chamará Gael..— Fábio anunciou então o segundo nome. Pelo visto, eles já tinham pensando em todos os possíveis nomes, e sinceramente, eu amei a escolha.
— Caralho, eu sabia, dois meninões! — Felipe falou entusiasmado me apertando pra perto dele.
— Eles vão ser muito amados.. — exclamei sorrindo.
Fomos até eles e os abraçamos muito, e claro, desejei muita sorte para os dois, ser mãe de dois gêmeos não deve ser nada tranquilo.
Mas eu sabia que a Chiara tiraria de letra.
(...)