1 parte
Draven abrigava-me da chuva com o guarda-chuva. Íamos andando lentamente. O braço dele guardava-me, cobrindo-me os ombros.
- Obrigada. - Agradeci, momentos depois.
- Ouve, - começou ele, - Se ficaste embaraçada por teres dançado comigo não tinhas de fugir cá para fora.
- Eu não fugi...! - Gaguejuei. Ele olhou para mim de relance. - Okay, sim, fugi.
Continuamos a caminhar e fomos até um parque.
"Aonde...?"
- Mesmo à chuva, talvez gostes de ver um pouco o espaço.
Corei. Aquilo não era normal. Claro que a minha reação quando ele apareceu também não foi das melhores, mas qual é a dele...? Qualquer uma (como eu) acha que ele é um tarado!
- E qual foi a tua de te meteres a dançar comigo??! - Gritei, disparatada.
Ele riu-se.
- A minha irmã chamou-me à atenção para ti. Disse que tinhas uma boa voz mas que andavas bem perdida, e nesse momento eu vi-te atrapalhada no meio da dança e fui ter contigo. - Explicou ele.
- Quem é a tua irmã?
- A Sophie, loira. Supostamente, a que te ajudou no palco.
<A Sophie?! Mas eu estava a caminho dela e ela estava sozinha, se bem que a falar sozinha...?!> Pensei. Ele rompeu-me o pensamento, quando me deu a mão. Libertei-a rapidamente.
- E-EI! - Recuei.
- D-desc-culpa... - Ele ficou embaraçado - Foi hábito, acho.
<Hábito...?! Ele dança e leva a passear e dá as mãos a várias raparigas, eh? Ele tem namorada?>
- Mas não penses que tenho namorada.
<Em cheio no pensamento! Estes irmãos...?>
Parámos. Ele estava cabisbaixo. A energia e animação dele quebrou.
- Draven...?
- Cantas outra vez..., para mim?
- Eh-ei¡
Abanei os braços de um lado para o outro, baralhada.
- Eh, eu...que inesperado, eu...
- Algo.
Resmunguei.
- E porque é que eu teria de--
Olhei bem para ele. Acho que não tinha nada a perder mesmo, ele parecia mesmo triste. Lembrei-me de algumas baladas, mas nada que me apetecesse cantar. De repente, as várias pessoas que estavam no parque juntaram-se à nossa volta. Um rapaz segurava uma guitarra. Outros traziam uns tambores e outros instrumentos, rodeando-nos. O Draven começou a cantar, algo que me pareceu semelhante a "Fallen - Imagine Dragons". Todos faziam coro e batiam palmas, e a certa altura, começaram a rodopiar à nossa volta e a cantar animados, até se tornar numa dança lenta e gestual.
"We're fallen..."
No fim, todos se afastaram normalmente, como se nada tivesse acontecido. Ele ergueu a cabeça e viu-o sorrir. Corei.
<Que cena foi aquela...? É própria da região?!>
- Elevas-me...? - Questionou-me ele.
- Farei o que puder. - Dei por mim a responder.
Animado, ele pegou-me ao colo, sorrindo, e rodopiou-me. Era um tipo estranho. Mas eu gostava.
2 parte
Cheguei finalmente à porta de casa. Tinha guiado o caminho com Draven. Despedi-me dele com um aceno *blush* e esperei até ele desaparecer da minha visão. Eram 22:47. Toquei à campainha. Havia várias luzes ligadas e ouvia risos. De súbito, ela abriu-me a porta e saltou para os meus braços.
- KAREEEEN!
- Mariane...que fazes aqui? - Surpreendida.
- Viemos todos! Depois de nos avisares que não ias voltar para a nossa escola este ano, viemos logo que pudemos!
A Zoey, o Zack, o Joe, a Ji e o Carl espreitaram.
- Miúda!! - O Zack abraçou-me, e eu soltei uma gargalhada. Olhei fixamente para Joe, que parecia embaraçado. Ele nunca viera a minha casa. Porque é que ele decidira vir??
Entrei. Cumprimentei os meus pais. Fomos todos para a sala a comer petiscos, enquanto eu falava sobre a W.E.M. aos meus velhos amigos e Zack contava piadas, a Mariane se agarrava ao Carl, e a Ji e a Zoey procuravam indícios de namoricos na minha histórias, mas claro que ocultei a parte do Draven.
<O Draven...>
Nunca tinha parado para pensar bem se seria a mesma Karen que os meus amigos de infância conheciam desde sempre depois de me mudar para outra escola.
- Nós vamos continuar a ver-nos, né? - Perguntou Ji.
- Claro! - Zoey não hesitou em afirmar. Sorria a todos, mas não era isso que eu sentia. Senti-me fria, fraca, triste, só, mesmo rodeada por eles, boas companhias. Parte da minha vida não seria a mesma, podia até ser esquecida, mas eles fingiam que não, e tentavam animar-me.
- Hmm... - Matutei. - Eu vou pro meu quarto um pouco, pode ser? Acho que tenho algo para fazer...
Não falei muito mais. Subi as escadas à pressa e dirigi-me para o meu quarto, quase tropeçando.
"Preciso de ir à casa de banho" ouvi uma voz familiar dizer lá em baixo. Porém, senti algo subir silenciosamente as escadas. Batem à porta, e Joe entra, corado.
3 parte
Ele sentou-se ao pé de mim, na cama.
- Joe...? - Ele sorriu, e só isso me aqueceu o coração. Já me tinha esquecido de como ele me fazia sentir estes anos todos, mesmo sem grande amizade.
<Eu não sou a mesma. Este tempo...todo...guardada...>
- Karen... - Ouvi-lo dizer o meu nome fez o meu coração bater depressa demais. - Acho que...quando soube que mudaste de escola finalmente percebi...e pelo menos quero dize-lo... - A sua mão pousou sobre a minha. Eu sabia o que aí vinha. Talvez antes sim, mas não naquele momento, em que explodi. Levantei-me de imediato.
- Não, Joe, eu...!
- Eu sempre te am--
- NÃO O DIGAS! - Exigi. Tentei respirar fundo.
<O Draven...As memórias...ele preocupa-se comigo...abrigou-me...dançou comigo...mais do que o Joe qualquer dia fez!>
- Sete...sete anos, Joe... Foram sete que eu fiquei de lado, a olhar para ti... Hoje tive muito mais do que tu me deste todo este tempo!!
Ele levantou-se, confuso.
- Mas, Karen, agora nós podemos...
- NÃO!! Recuso! - Tinha lágrimas aos olhos. - Tudo o que eu quis foi este momento... Mas tu...! Nem sei porque sempre te quis. Não correrei para os teus braços agora.
- Pensei que tu...
- NAO! É melhor eu ir organizando a minha vida. Perdi demasiado tempo contigo.
- Karen, ouve-me! - Ele segurou-me o braço, mas libertei-me dando-lhe uma chapada astuta.
- Eu não sou algo que possas vir reclamar agora após tanto tempo! - Esclareci, de dentes cerrados. VAI! Sai daqui! SAAAI!
Nunca tinha visto a minha voz tão poderosa. Ele saiu e bateu a porta com força. Não desceria as escadas nunca. Por longos momentos, enrolei-me nas mantas, desejando a companhia da Kelsey, do Alphonse, ou mesmo do Draven...não de nenhum dos que lá estavam embaixo. Coloquei os fones e cantei entre soluços "Right Now - one direction"
Fim do terceiro capítulo.
Recomendação:
Serenity
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