Kharovog

FS_Castelo tarafından

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Por que o mal sempre é considerado dos demônios? Por que o bem é sempre considerado dos Humanos? Sabemos que... Daha Fazla

02 - Lembranças de um Ex Cavaleiro
03 - Khar Dalan
04 - Astral
05 - Os 5 Candidatos
06 - Primeira Semana
07 - Mudança de Ares

01 - Atreus

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FS_Castelo tarafından


            Por que os demônios são considerados o mal e os humanos são considerados o bem? Sempre me questionei quando lia algum livro ou assistia algo, diziam que o herói é o justo e o Rei demônio é um ditador e conquistador. Mas vocês já não pensaram o contrário? E se o Rei demônio apenas quer igualdade, quer um local para seu povo viver sem ter que se preocupar com os humanos? Sei que existem demônios que cagam e andam para os ideais de seus iguais, alguns só querem guerras e mortes, mas isso é normal, entretanto, o diferencial deles é que eles não matam sua própria raça. Eles se unem e se tornam mais fortes juntos, diferente de nós.

            Ouvi um barulho agudo, como se desse início a algo. Sim, eu lembro onde eu estou e o porquê dos meus questionamentos, isso é... Muito por causa desses humanos imundos que me jogaram nesse buraco. Uma luta livre, algo praticamente ilegal onde você deve apenas sobreviver, é claro, você pode perder um braço, um olho, um testículo... Mas isso importa para quem tá assistindo? Não mesmo, eles apenas querem ver o circo pegar fogo, querem apenas ver a desgraça alheia, não importam-se com a morte de seus semelhantes, apenas sentem prazer em ver o caos.

            Lembram das últimas guerras mundiais? Dos interesses políticos e militar? Tudo isso se resume a uma única coisa: Força. Quem tiver força, ganha, mesmo que precise sujar suas mãos com sangue de inocente para isso. Mas o que é a verdadeira força para você? Para mim, é a capacidade de me manter consciente enquanto penso e continuar em pé enquanto eu ainda tiver folego.

— Fim da luta! O vencedor, Atreus! — O juiz pegava meu antebraço direito e erguia ele. Sentia meu corpo completamente quente, sangue escorrendo de meu rosto e perto de mim o meu "inimigo" semi morto no chão.

            Eu mal podia me manter em pé, mas um pouco e quem estaria no chão era eu e não ele. Minha audição estava um pouco confusa, apenas ouvia ruídos e gritos de pessoas empolgadas e pessoas frustradas com o resultado. Mas isso é normal, não é? O fraco cai e o forte permanece em pé. É assim que eles nos ensinaram a viver, nós os "lixos" que não conseguem se manter sem a ajuda deles.

            Alguns "médicos" vieram até mim, cuidar das minhas feridas e hematomas, recebi até mesmo massagem em meus pontos mais tensos do corpo, aos poucos me sentia relaxado, mas quem disse que eu tinha muito tempo para relaxar? Eu ainda tinha mais uma luta pela frente, isso era muito desumano... Mas o desumano é normal atualmente, apesar de todas as leis não é?

— Ouça Atraus, fique comigo mais essa rodada. — Pude sentir as mãos frias e ásperas de meu "chefe", ele me olhava com aquele olhar nojento e perverso dele. — Quero que você acabe com essa última luta matando seu oponente, se não puder fazer isso, apenas morra.

— Não precisa... Se preocupar comigo... — Mexo meu rosto e cuspo sangue que tinha em minha boca. Pude sentir minha visão melhorar um pouco, isso é bom para quem tá acostumado a apanhar. — Eu sou Atreus, o Rei Demônio desse lugar... Ainda não chegou a hora que eu vá perder aqui. Então enquanto eu continuar com vida, você deve apenas aceitar o dinheiro indo para seu bolso... Victor.

            Minhas falas tinham motivação, afinal eu sou o Rei desse lugar. Não existe ninguém que possa me vencer enquanto eu permanecer em pé, porque essa é minha força. Entrei no ringue assim que chamaram, pude olhar meu oponente e já entender o porquê dele ser requisitado para ser morto, chegava a ser hilário.

— Antigo Rei dos Demônios... Lost. Um Rei caído querendo enfrentar o atual Rei? Isso é interessante...

— Atreus, o Demônio Rei...

— Rei demônio.

— Que seja. Hoje eu vim aqui como um herói para acabar com você.

— ...Não fode comigo...

— Olhe para você mesmo, está todo acabado, mal se mantem em pé.

— ...

            Não falei nada, afinal ele estava certo. Mas e daí? Ele acha que vai chegar aqui e tomar meu trono? Essa brincadeira de Herói de Demônio é irritante, eu apenas tenho que negar isso e continuar em pé como sempre fiz. Não demorou muito para começar a luta, estávamos em grade de ferro coberta por raios, isso é praticamente um incentivo para que nós nos matemos.

            Infelizmente, comecei perdendo, meu corpo estava lento, eu estava completamente fadigado, mas conseguia aguentar aqueles socos e chutes pesados numa boa. Revidei com um chute baixo, em seguida dei um gancho de direita, que foi defendido e contra atacado com uma cotovelada direto no nariz. Aquilo doía pra caralho, ainda era o suficiente para me fazer perder o equilíbrio, então apenas acabei ajoelhando um pouco.

            Lost tentou efetuar uma joelhada em mim, mas consegui segurar seu joelho e empurra-lo um pouco para trás. Em uma retomada de folego, avançava contra ele com alguns golpes de box, acertava alguns que não tinham tanta potência, diferente do outro homem a minha frente que tinha bem mais força guardada. A luta durou por volta de 4 minutos, foi no momento que levei uma rasteira e cai no chão, não apenas isso, mas como também levei uma cotovelada em meu peito, senti que já não tinha ar em meu peito com aquele golpe. Fiquei caído no chão, pude ouvir as pessoas gritando por execução, mas minha mente já estava se apagando naquele momento, nem conseguia os ouvir direito.

            Isso me lembra de uma história, parece com a morte do Rei Demônio dela, onde ele era jogado na lava "eterna" pelo herói e assim morto, parecia até um bom final. Mas do que adianta? Demônios tem um senso de companheirismo bem maior do que o de um humano, eles insistem em proteger seus companheiros até o fim ou até mesmo se vingar, não importa em qual era tenha sido o corrido. Deve ser por isso que os demônios tentam matar a humanidade todas as vezes, se bem que algumas vezes é por busca de recursos ou até mesmo para se defender dos ataques ao qual levam da humanidade.

— Você já era, Atreus.

            Minha consciência voltou poucos segundos antes de sairmos do ringue, eu estava sendo arrastado pela perna e Lost estava com a guarda 100% aberta, tudo o que tive que fazer foi esperar ele sair do ringue para que eu pudesse me mexer e tentar acertar ele. Dei um grito, afinal eu senti minha perna sendo praticamente quebrada, mas não liguei muito para aquilo, apenas chutei os testículos de Lost e fiz ele se afastar.

— Eu ainda não... Perdi...

            Me levantei mancando, dando alguns golpes contra o queixo de Lost e fazendo ele ser afastado. Nesse momento eu me sentia um monge, afinal eu estava utilizando um famoso caminho da palma vazia, eu tinha lido isso em algum lugar, foi útil saber que isso funciona na vida real, apesar de não possuir uma força misteriosa para isso e sim o físico bruto. Empurrando ele mais para trás, dei um chute com minha perna semi quebrada contra o tórax de Lost, fazendo ele se bater contra a grade e sofrer um intenso choque.

            Os gritos de agonia dele soaram pelo local e em poucos segundos podíamos sentir o cheiro de carne queimada. Eu sou um assassino, mas o que importa? Meu estomago estava revirando, eu estava me sentindo mal com aquilo, mas era melhor assim, eu tinha que ficar vivo e eles não me deixaram vivo caso eu não o matasse. Senti vontade de vomitar, mas segurei para apenas levantar o rosto e olhar para cima, vendo que finalmente ganhei aquela porra.

— É... Eu odeio esse lado da humanidade. Esse lado nojento que deseja o mal dos outros... Mesmo que haja bondade, ela é encoberta pelo mal que eu presencio.

            Sussurrei para mim mesmo, vendo que já não aguentava em pé e acabava ajoelhando ali, sentindo assim algumas pessoas me arrastarem para fora dali, para um quarto para que eu pudesse descansar. Essa era a rotina de um lixo como eu, sobreviver a lutas e fingir ter uma vida normal, se não fosse esse local eu já estaria morto a muito tempo, talvez fosse melhor dessa forma, talvez ver esse lado ruim e tentar viver com ele era o meu destino.

            Como eu havia apagado completamente, eu acabei tendo um sonho estranho. Tinha pessoas com chifres, usando armaduras e espadas, pessoas ajoelhadas e uma mulher em minha frente, isso é meio estranho. Mas isso é normal não é? Eles são como fãs... Mas fãs fantasiados e esquisitos. Eu apenas podia ouvir algo como "Mestre" sendo direcionado a mim e sem muita demora, acabei acordando.

            Apesar de não ser demorado para mim, já tinha passado mais de 9h dês da hora que dormi, realmente eu apenas apaguei ali. Vi um envelope ao meu lado, o dinheiro que eu ganhava com todas aquelas lutas, algo que eu usava para pagar minha faculdade de história e poder sobreviver.

            Me levantei e fui até o espelho, me encarei um pouco ali e pude ver que tinha roupas novas. Minha pele era morena, então quase não dava para notar algumas feridas, mas os hematomas ficavam claros como o dia ali, felizmente meu rosto estava apresentavam para ir na faculdade sem que me perguntassem nada, eu podia sobreviver enquanto utilizasse aqueles equipamentos para me curar, pelo menos o mundo avança com a tecnologia possibilitando recuperações mais rápidas.

— Eu pelo menos estou bem agora. Bem, hora de ir para a escola...

            Peguei minhas coisas e comecei a me trocar, claro, tomei um banho antes para poder tirar aquele cheiro de morto, mas ainda assim, aquele local estava todo estranho. Normalmente já vinham me enchendo o saco ou pelo menos teria uma medica ali comigo, mas nem isso tinha. Quando eu já estava pronto, fui até a porta para sair, mas ela não abria de jeito algo, mas que porra tava ocorrendo aqui? Esse caralho não quer abrir justamente agora, tem parada errada ai meu irmão.

— Victor! Victor! Abre essa porta, caralho!

            Dei uns chutes fortes ali, até que percebi que a televisão do quarto se ligava, aparentemente aquilo era uma gravação, afinal Victor estava girando em uma cadeira, até quando parou e me olhou praticamente.

— Bom dia, David "Atreus" Gonçalves. Sua atuação naquela luta de ontem foi sensacional, mas... É uma pena, eu encontrei um novo rei demônio que vim treinando nos últimos tempos. Sabe, ele é um ratinho bem mais obediente que você, ele é bem mais forte, mas por sua inexperiência eu sei que você iria arrombar com o cu dele, então tive que tomar minhas precauções.

— O que... NÃO ME FODE CARALHO.

            Soquei a parede ao meu lado com força, pude até ver aquele sorriso desgraçado dele. Eu deveria ter fodido esse maluco quando tive chances, agora to aqui preso feito um rato em uma caixa.

— Não se preocupe, avisamos a sua faculdade que você sofreu um terrível assassinato. Você foi vítima de umas pessoas de má índole e acabou vindo a falência... Sabe, eu te criei como um filho, desde que te peguei naquele latão de lixo eu soube: Esse menino vai ser um ótimo saco de pancadas, assim como vai ser uma mina de ouro, então vamos usar ele até eu cansar. E olha só, não é que eu me cansei de você? Hahaha, bem, eu não queria ter que acabar as coisas por aqui, então você vai ter uma morte sem muita dor, isso tudo por que eu gosto de você. Por favor, descanse em paz, meu precioso Atreus.

— Você nunca... VOCÊ NUNCA VAI ENCONTRAR ALGUÉM TÃO FORTE QUANTO EU, VOCÊ NÃO SABE O SEGREDO DE MINHA FORÇA.

            O vídeo se encerrava, com um leve sorriso de canto de Victor, o sorriso que ele fazia quando sabia de algo que eu nem havia percebido, no mesmo, minutos depois, mesmo com minhas tentativas de arrombar a porta, um gás começou a se espalhar pela sala. Droga, não tinha nem uma saída de ar por ali, ventilação ou qualquer coisa do gênero, aquilo era praticamente um quarto para me matar. Como eu pude ser tão idiota em não ter notado que eu estava em uma armadilha? Procurei qualquer coisa que iria me fazer sobreviver ali, mas não adiantava, nem mesmo um pano sobre o rosto. Minha mente foi se esvaziando aos poucos, até que acabei caindo sobre o chão, com meu corpo todo dormente e minha mente girando.

            Era meu fim, isso era inevitável. Tudo isso porque eu confiei nele, isso foi a coisa mais idiota que fiz na minha vida, confiar em alguém que sempre me fodeu a troco de quase nada. Bem, fazer o que? Essa é a vida de um lixo, é descartado quando não se tem mais necessidade, é assim que a humanidade nos trata, por isso eu odeio os humanos, por isso eu odeio essa forma de ser tratado, nunca conhece amor, nunca conheci felicidade, apenas desgosto e ódio. Parece que foi um jeito até que único de morrer.

— Eu... Te odeio... Victor...

            Essas foram as últimas coisas que consegui falar, até que cheguei em um ponto onde sentia apenas minha mente em um enorme vazio. Então é assim que é a sensação de morte, um vazio eterno... Foi bom enquanto eu estive vivo, mas agora, nada importa, esse é apenas o prazo de validade para qual eu fui útil, agora... É um Adeus.

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