Reflexo Quebrado [COMPLETO]

By PaulineGrasm

293K 35K 11.5K

Dante. Um homem destroçado que esconde um segredo. Ex-jogador de futebol, há quinze anos vive isolado, desde... More

Avisos | Sinopse | Personagens
Prólogo
Capítulo 1 - Biscoitos
Capítulo 2 - Café no jardim
Capítulo 3 - Mensagens
Capítulo 5 - No sofá
Capítulo 6 - Bola de papel
Capítulo 7 - Choque
Capítulo 8 - No banheiro
Capítulo 9 - Primeira noite
Capítulo 10 - Saindo de casa
Capítulo 11 - Kid Abelha
Capítulo 12 - Visita
Capítulo 13 - Máscara da simpatia
Capítulo 14 - Buraco negro
Capítulo 15 - Jantar
Capítulo 16 - Mais perto do paraíso
Capítulo 17 - Castelo de areia
Capítulo 18 - Guardar em um potinho
Capítulo 19 - Ato falho
Capítulo 20 - Encontros e desencontros
Capítulo 21 - Ação e reação
Capítulo 22 - Encontro de almas
Capítulo 23 - Rio de Janeiro
Capítulo 24 - No hotel
Capítulo 25 - Um novo olhar
Capítulo 26 - Medo
Capítulo 27 - Em Ipanema
Capítulo 28 - Angra
Capítulo 29 - O início do plano
Capítulo 30 - Parte dois do plano
Capítulo 31 - Colheita
Capítulo 32 - Fim

Capítulo 4 - Expectativas

9K 1.2K 604
By PaulineGrasm

"Vês que a razão, seguindo o caminho indicado pelos sentimentos,
tem asas curtas."

Dante Alighieri

DANTE

Estou de novo no vestiário frio e mal iluminado. Ela está com o tronco de bruços sobre o balcão da pia, com os pés no chão e a bunda empinada na minha direção.

Seguro seus quadris e meto de uma vez, movimentando-me em um vai e vem forte.

Alguma coisa está diferente...

Enquanto continuo com as estocadas, meus olhos percorrem sua pele branca das costas, parcialmente cobertas por seus cabelos lisos, compridos e bagunçados.

Não é assim... Está diferente... De repente ela ergue o rosto e me assusto com o que vejo.

Me encarando pelo reflexo do espelho, os olhos castanhos têm as pupilas dilatadas de desejo, e os lábios rosados me sorriem sutilmente.

Assim descubro que estou fazendo sexo com Marina. Imediatamente paraliso.

— Dadá... Não pára... Continua... — Ela rebola os quadris e geme o meu nome, me incentivando. Porra!

Então a porta do vestiário é aberta. Três homens enormes avançam na nossa direção, chutando uma cadeira de metal pelo caminho.

Olho para Marina, apavorado, mas ela se ergue tranquilamente e, de frente para mim, me sorri.

— Calma. — Passa os dedos pelos meus cabelos suados, arrumando as mechas para longe da testa. — Vai dar tudo certo.

— Você está louca?! Eles vão nos destruir! — Me sinto desesperado. Não, eles não podem tocar nela. Nela, não!

— Não tem problema. Acredite em mim... — Seus dedos alcançam minha nuca, e seus olhos estão fixos nos meus. — No final vai dar tudo certo.

— Impossível, somos só nós dois, e...

— Esqueceu do meu guarda-costas? — Ela me dá um sorriso bonito. — Temos Gab do nosso lado. Confia na gente, Dadá. Confia.

***

Acordo com o coração acelerado, o estômago agitado e o corpo coberto de suor. Mais um pesadelo. Passo as mãos pelos cabelos e quase sinto os dedos dela ajeitando minhas mechas.

Era só o que me faltava... Caralho! Não satisfeita em dominar meus pensamentos, Marina teve que invadir meus sonhos. Ou, para ser mais exato, meus pesadelos. Como se eu já não fosse torturado o suficiente... Porra!

Me senti apavorado ao imaginar o que aqueles caras fariam com ela no vestiário. Estou enjoado, com as mãos trêmulas até agora. Massageio a nuca e inspiro e expiro lentamente, tentando me acalmar.

Não posso arrasta-la para a minha escuridão. Não tenho condições de me preocupar com mais ninguém dentro do meu inferno particular.

Até minha mente quer me foder, me pregando peças, me iludindo. Se eu fechar os olhos consigo ouvir com clareza a voz de Marina no sonho, me pedindo para confiar, dizendo que "vai dar tudo certo."

Não, não vai. Me recuso a criar falsas expectativas. Imaginar como seria se, surpreendentemente, ela não me deixasse depois que soubesse da realidade.

É como construir um castelo de areia. Quanto mais o enfeitamos, mais difícil se torna acompanhar sua derrocada, quando a onda chegar e destruir tudo. E a onda chega, sempre chega.

Onde eu estava com a cabeça quando a chamei ontem à noite pelo WhatsApp?! Não farei mais isso. Preciso tomar cuidado, me afastar. Ou será insurportável para mim a sua rejeição, quando ela descobrir...

***

MARINA

Terça-feira de manhã, separo a documentação que preciso levar à cidade. Tenho que regularizar a situação da casa, passar o IPTU para o meu nome, entre outras burocracias.

Quero aproveitar estes dias de "folga" para resolver tudo, já tenho planejado voltar a trabalhar somente em agosto.

— Gab... Não vai mesmo comigo até o centro? — Pergunto na cozinha, enquanto o observo passar manteiga no pão.

— Não. Já combinei de ficar na casa do Vini e do Lipe. A mãe deles falou que posso ficar o dia todo, inclusive dormir lá, e que deixa a gente jogar videogame até tarde, para aproveitar o final das férias.

— Já vi que hoje você não vai sair do videogame... — Eu o encaro com minha testa franzida. — Não gosto disso, não é saudável.

— Tá chovendo, mãe. Não dá para brincar na rua. — Ele dá de ombros e morde mais uma vez o pão.

— Bom, querido... Vou deixar passar desta vez porque você está de férias. — Me aproximo e beijo rapidamente sua bochecha, mas ele limpa o local com a mão. — E não é para limpar beijo de mãe, seu pequeno implicante!

— Não gosto de beijo, mãe! — Ele se serve de suco de laranja.

— Mas eu gosto de te beijar! Isto é o que chamamos de impasse, e quem tem que ceder é você. É o meu filho, toda mãe tem o direito de beijar o filho. — Dou risada, mexendo com ele.

— Faz outro filho então. — Ele faz uma careta e dá risada. — Não gosto de ser beijado e ponto final. Não sou obrigado a gostar.

Sei. Quero ver se não vai gostar de beijo daqui a uns anos... Seguro uma risada e caminho na direção da sala.

— Tá. Vou sair em menos de meia hora. Termina logo o seu café da manhã, não quero que fique sozinho em casa.

***

Saio de casa por volta das 10:00 e dirijo com chuva até o centro da cidade. Entre um compromisso e outro, faço uma pausa para almoçar e checar minhas mensagens.

Há uma porção de mensagens não lidas no WhatsApp, mas nenhuma de quem eu esperava que tivesse. De um certo vizinho misterioso de olhos verdes hipnotizantes.

Depois que termino todas as obrigações, ainda consigo dar um pulo no shopping. Compro algumas coisas que preciso, entre elas lingerie.

Estou praticamente sem peças íntimas em casa, porque não quis trazer as que ganhei de presente de PH nos últimos anos. Ou seja, praticamente todas do closet do apartamento do Rio de Janeiro.

Volto para o condomínio mais cedo do que eu previa, não são nem 17:00. Ao me aproximar de casa, vejo uma van parada em frente à casa de Dante.

Preciso forçar os olhos para conseguir ler, em meio à chuva, as letras estampadas na lateral do veículo. "Heal Fisioterapia". Será que ele faz fisioterapia? Para que?

Fico com vontade de mandar uma mensagem perguntando a respeito, mas não quero ser invasiva, e por isso me seguro.

Por volta das 18:00 estou sozinha em casa, preparando um chá. Me sinto entediada, mexendo no celular, e decido puxar papo com Dante. Ontem foi ele quem puxou, não vejo problema em tomar a iniciativa hoje.

M: "Boa tarde! Está ocupado? :)"

Espero, espero, e nada de resposta. Frustrante.

Resolvo telefonar para Margarete, minha vizinha e mãe dos meninos.

— Boa tarde, Margarete! Já estou de volta. Tudo certo por aí?

— Boa tarde, Nina! Tudo ótimo. Gab não dá trabalho algum.

— Que bom... Ele vai mesmo dormir aí?

— Vai. Fique tranquila! Aproveite para descansar. Essas coisas de mudança acabam com a gente...

— Obrigada. Qualquer coisa me ligue, a qualquer hora. Até amanhã, um beijo.

— Ok. Até! Beijos.

***

Tomo um banho, preparo um jantar rápido e vou para a cama antes das 21:00.

Abro novamente o WhatsApp, e nada de mensagem de Dante. O que mais me incomoda é saber que a mensagem que enviei foi lida logo depois de recebida. Os dois tracinhos em azul estão lá. Ele está me ignorando de propósito?

***

Às 21:00 em ponto o celular apita. Antes de destravar a tela, já tenho a confirmação que queria. É ele! Meu coração pula uma batida.

D: "Boa noite. Agora estou desocupado. Tudo bem?"

M: "Tudo e você?"

Estamos formais demais, ou é impressão? Queria perguntar o que o ocupou por tanto tempo, mas me controlo.

D: "Também. Conseguiu resolver o que queria na cidade sem mim, ou se perdeu? ;)"

Ah, um esboço de senso de humor. Gostei.

M: "Consegui. Não preciso de você. Já tenho Jundiaí na palma da mão. ;)"

D: "Fala a verdade, Gabriel foi te guiando pelo Waze."

M: "Quem disse que ele foi comigo?"

D: "Aposto que foi, você não o deixaria sozinho o dia todo."

Muito bem, não deixaria mesmo. Dou um sorriso e resolvo mexer com ele.

M: "Valendo o que a aposta?"

D: "O que você quer de mim?"

Ah, Dante, se você soubesse...

M: "Respostas. Cinco."

D: "Três."

M: "Ok. Melhor do que nada..."

D: "E então, Gabriel foi ou não foi?"

M: "Você perdeu a aposta. Gab preferiu ficar na casa dos amigos. Inclusive, está lá até agora. Só volta amanhã."

D: "Isso significa que você está sozinha em casa?!"

M: "Estou. Qual é o problema... Você também está."

D: "Eu não. Não moro sozinho."

Como assim? Quem mora com ele?!

M: "Sério?!"

D: "Esta é a sua primeira pergunta?"

M: "Vou reformular... Primeira pergunta: quem mora com você?"

D: "Nice mora aqui comigo. Você a conheceu."

M: "Mentira. No domingo ela estava chegando para trabalhar..."

D: "Não minto. Domingo é a folga dela. De segunda a sábado ela mora e trabalha aqui, desde que eu era criança. Próxima pergunta?"

M: "Tá. Segunda pergunta: por que havia uma van de fisioterapia em frente à sua casa hoje?"

Ele demora um pouco para responder.

D: "Nice tem artrose e é teimosa demais para ir até a clínica. Última pergunta?"

Estou ansiosa para saber mais sobre sua carreira no futebol. Por que parou no auge, aos 20 anos? Mas me lembro de que ontem Dante se fechou rapidamente depois que falou do Flamengo, encerrando a conversa. Deve ser um ponto sensível para ele. Não tenho coragem de voltar neste assunto.

Vou arriscar, mas outra coisa. Seja o que Deus quiser. Sou adulta, livre e desimpedida, por que não? Sem pensar duas vezes, digito com os dedos quase trêmulos de ansiedade.

M: "Terceira pergunta: quer vir até aqui, agora?"

Com o coração batendo forte, mordo a unha do polegar enquanto vejo que Dante está digitando... Digitando...

D: "Não posso."

Droga. Que balde de água fria... Constrangida, nem sei bem o que responder. Burra.

M: "Ok. Entendi... Preciso desligar."

E enfiar a cabeça em um buraco no chão e não sair de lá pelos próximos dois dias.

D: "Espera. Tenho uma pergunta."

Suspiro fundo. Pior do que está não tem como ficar. Ou tem? A curiosidade fala mais alto.

M: "Pode perguntar."

D: "Por que queria que eu fosse aí?"

Meu Deus. Minhas bochechas ardem de vergonha. Porque queria que você me agarrasse e me beijasse e... Nem ferrando que vou falar a verdade. Mas o que posso responder?

M: "Queria ver você."

D: "Eu também queria ver você. Ei... Tive uma ideia."

De repente aparece uma chamada de vídeo pelo WhatsApp. Não acredito!

Dou um pulo e saio da cama para ajeitar os cabelos ainda molhados do banho, em frente ao espelho. Aliso com as mãos o vestidinho simples, e me sento de novo no colchão.

Depois fecho os olhos respirando fundo, e disfarço o sorriso bobo antes de aceitar a chamada.

— Oi. — Ele me sorri. — Já estou na cama, não repare.

Dante movimenta a câmera pelo o que parece ser o quarto dele. A iluminação é fraca, parece vir de um abajur. Identifico coisas básicas de um quarto: cama, criado-mudo, abajur, janela, porta.

— Oi. — Respondo, com um sorriso sutil. — Não repare você nesta minha bagunça. Seu quarto parece em ordem. Já o meu...

Giro a câmera rapidamente. Há caixas de papelão da mudança e sacolas das compras de hoje espalhadas pelo quarto.

— Mulheres... — Ele ri, revirando os olhos verdes. — Foi até o centro resolver burocracias e é lógico que passou no shopping. Vi as sacolas.

— Ah, só comprei umas coisas úteis e necessárias... — Digo, sorrindo.

— Eu também vi de onde são as sacolas. Me mostre as "coisas úteis e necessárias" então. — Ele ergue uma sobrancelha, sorrindo com malícia.

— Não vou te mostrar as lingeries! — Apago a luz do teto e me deito na cama, com o abajur ligado no criado-mudo.

— Por que não? — Ele continua com o sorriso malicioso no rosto. Seus olhos verdes parecem faiscar sob a luz fraca.

— Ah... Tenho vergonha. — Respondo sentindo o rosto corar, e torço para que ele não consiga notar.

— E vergonha de me convidar para a sua casa, em uma noite em que está sozinha, você não tem? Nina, Nina...

— É diferente... Você não entende. — Mordo o lábio, inquieta. Não sei bem o que falar.

— O que não entendo? Me mostraria ao vivo, mas não pela câmera? — Dante abre um sorriso convencido, e seus olhos exibem um brilho divertido.

— Eu te convidei porque queria companhia, para conversar, o que não significa que iria te mostrar essas coisas...

Agradeço mentalmente o fato de que Dante não pode ouvir meu coração. Está batendo tão forte que sinto a pressão nos ouvidos.

— Então se eu fosse, você não me mostraria essas coisas? Conversar a gente conversa pelo celular, Nina. Fala a verdade. Eu sei bem o que queria quando me convidou para ir até aí. — Seu sorriso convencido se amplia, e ele bagunça o cabelo com a mão livre. A outra está segurando o celular.

— Não seja convencido, Dadá. Eu não disse nada demais. Não falei que não mostraria, e nem que mostraria... Ah, esquece... Você me deixa confusa! — Me sinto tão nervosa que nem sei o que estou falando.

— Só "confusa"? — Pergunta, passando a língua discretamente pelo lábio inferior.

Não digo nada, e também umedeço meus lábios, sustentando seu olhar. Seu sorriso desaparece e seus olhos verdes ficam mais escuros.

— Responda. — Ele está sério e fala com a voz rouca, em tom imperativo.

— Não. Não "só" confusa. — Murmuro, com a boca seca.

— Explique como se sente, Nina.

Balanço negativamente a cabeça, com os olhos fixos nos dele. Dante volta a falar.

— Posso tentar ajudar. Você sente... — Ele sussurra com a voz rouca, sem desviar o olhar. — Coração acelerado... Respiração forte... Mãos úmidas... Boca seca... Mamilos duros... Sexo pulsante... Sabe o que isso tudo significa?

Nossa senhora das calcinhas molhadas... É claro que eu sei! Fricciono uma coxa na outra. Balanço a cabeça em afirmação, permanecendo em silêncio.

Sua voz rouca torna a falar, me arrepiando inteira.

— Nina, você está excitada. Você me deseja.

— Ai, Dadá... Que vergonha... — Murmuro em um fio de voz, apertando os olhos.

— Não sinta vergonha.

— Co-como você sabe de tudo...? É tão nítido assim? — Espio por uma fresta entre as pálpebras, constrangida demais para o olhar direito.

— Eu sei porque... — Ele esboça um pequeno sorriso de lado. — Porque é exatamente como me sinto em relação a você.

***

N/A — Nota da Autora

Bom dia! Parece que as coisas estão esquentando... 🔥

Estão gostando? E as teorias sobre Dante? 😬

Obrigada pelas leituras, curtidas e comentários! Adoro! 💓

Beijos e até amanhã. 😘

***

Continue Reading

You'll Also Like

5.4K 305 32
Livro 1 Perder aquela pessoa que mais se ama de forma trágica, não é algo fácil de superar, principalmente quando se tem dezesseis anos. Para tentar...
3.1K 195 8
🔞ESSE LIVRO CONTÉM CENAS +18! Em um mundo onde a dor e a solidão se entrelaçam, Stella luta para manter sua dignidade e a memória de um pai amoroso...
314K 26.5K 30
Aos 25 anos, Daniel é abandonado pela esposa, e se vê assumindo a responsabilidade de cuidar de sua filha de apenas 3 meses de idade. Aos poucos, sua...
7K 1K 64
+18 CONTEÚDO SENSÍVEL 𝙎𝙞𝙞 𝙨𝙤𝙨𝙥𝙚𝙩𝙩𝙤𝙨𝙤 𝙢𝙖 𝙣𝙤𝙣 𝙡𝙖𝙨𝙘𝙞𝙖𝙧𝙩𝙞 𝙩𝙧𝙖𝙙𝙞𝙧𝙚 Em um mundo onde a nova era dos mafiosos emerge...
Wattpad App - Unlock exclusive features