ASTER • jjk + pjm

Bởi yoonsxxy

118K 10.9K 26.3K

Jeon Jungkook, um garoto com a vida marcada por traumas e dores, vê sua única ponta de esperança nos dois mel... Xem Thêm

[AVISOS]
01 | Viola
02 | Lilium
03 | Erica
04 | Iberis
05 | Amaranthus
06 | Amaryllis
XX | BÔNUS
08 | Begonia
09 | Erysimum
10 | Zinnia
11 | Salvia
12 | Dianthus
13 | Dahlia
14 | Chrysanthemum
15 | Convallaria
XX | BÔNUS
16 | Cyclamen
17 | Jasminum
18 | Freesia
19 | Leucanthemum
20 | Arctium
21 | Malus
22 | Iris
23 | Cerasus
24 | Taraxacum
25 | Aconitum
26 | Cornus
27 | Coreopsis
28 | Prunus
29 | Nelumbo
30 | Primula
31 | Lobularia
32 | Antirrhinum
33 | Forsythia
34 | Bromelia

07 | Pelargonium

2.9K 370 795
Bởi yoonsxxy

Notas Iniciais

PUTA MERDA EU TÔ MUITO FELIZ QUE NEM TÔ CABENDO EM MIM

Gente, chegamos a 1k de visualizações em menos de dez capítulos e eu tô surtando. Minha irmã (que ama agir como a manager da história) vinha todo dia falar: IRMÃ, TÁ QUASE CHEGANDO. Então quando chegou, até minha mãe comemorou KKKKKKKKK ai socorro

Eu amo os jikook mais do que amo meus pais, então esse capítulo teve duas das coisas pelas quais eu vivo: gay panic do Jungkook e Jimin sendo um pitico. Boa leitura ♡

Pensando em fazer um capítulo bônus (pequenininho) de comemoração pra postar amanhã ou domingo, no ponto de vista de algum dos outros meninos. O que acham?

Ah, e aproveitando para perguntar a opinião de vocês sobre os capítulos, se estão achando eles longos demais, chatos, legais ou qualquer outro pensamento, para saber como posso melhorar. Vou aproveitar para reler hoje todos os capítulos postados, pra ir corrigindo e tudo, mas se vocês tiverem algo para falar: sou toda ouvidos.

• Edit (26/07/2019): atualização da mídia do capítulo para o novo padrão de design;

• Edit (02/08/2019): correção geral do capítulo.


Aquilo definitivamente não foi um beijo.

Em um primeiro segundo, Jimin estava puxando o meu corpo com força e colando sua boca na minha, no segundo seguinte, ele estava caído no chão com o rosto entre as mãos. Os meus dedos, que ainda não estão curados, começam a latejar no mesmo instante. Abro e fecho a mão algumas vezes, a dor espalhando-se por todo o local, e minha raiva está tão intensa que não sinto nada ao deixá-lo para trás, gemendo e lamentando.

Meu corpo parece estar fervendo mesmo depois de alguns minutos e só consigo pensar no que Jimin acabou de fazer. É como se eu ainda pudesse sentir a pressão forte que ele fez em minha boca ao tentar me... beijar. Ele perdeu completamente a noção! Mesmo estando bêbado, como teve coragem para fazer algo assim e achar que tudo ficaria bem? Um soco não parece ter sido o suficiente, porque eu realmente quero voltar para batê-lo mais.

O bolso da minha calça começa a vibrar e eu tento acalmar meus pensamentos quando vejo o nome de Namjoon brilhar na tela rachada do meu celular. Respiro fundo algumas vezes. Estou realmente irritado.

— Alô?

Jungkook? — sua voz sai alta e chiada demais. Ele parece já ter saído da boate, mas ainda posso ouvir muitas vozes de fundo. — Onde você tá? O Jimin tá com você?

Estou justamente tentando não pensar nesse garoto, então a simples menção de seu nome faz a raiva voltar com tudo para dentro de mim. Aperto o aparelho com força.

— Por que ele estaria comigo? — pergunto. — Estou sozinho e voltando pra casa.

Voltando pra casa? Por que não avisou a gente antes de sair? Está tudo bem?

Sim, eu estou bem.

Tem certeza? Se você quiser, podemos nos encontrar agora.

Não precisa, hyung — eu digo, agora suspirando. — Estou realmente bem. Só não estava mais com paciência pra ficar nesse lugar.

Então... você sabe onde o Jimin está? Ele também sumiu. O Taehyung disse que ele parecia muito bêbado, então eles estão meio preocupados.

Posso ouvir na voz de Namjoon que ele também está preocupado. Não importa o quanto tente parecer tranquilo, nada consegue esconder completamente a sua natureza atenciosa e gentil.

— Eu não sou o pai dele, hyung. Tenho certeza de que ele está por aí, fazendo alguma bosta.

O quê? Como assim? Espera, Taehyung! Não faça isso... Droga! Olha só, Jungkook, vou ter que desligar, antes que eu seja testemunha de um assassinato. Se você encontrar o Jimin em casa quando chegar, me liga pra avisar, ok? Estamos preocupados. Tcha... Yoongi, não empurra ele assim, não vê que ele está bêbado?

De fundo, consigo escutar a voz de Yoongi dizer algo parecido com "alguém tira esse garoto de cima de mim", mas não tenho certeza, porque Namjoon encerra a ligação muito rápido. Guardo o celular no bolso e tento não pensar no que acabei de ouvir, mas não consigo dar mais do que alguns passos antes de parar novamente.

Droga, por que ele teve que me ligar justo agora?

Esfrego a parte de trás do meu cabelo, tentando organizar meus pensamentos. Por que eles estariam tão preocupados? Não foi o próprio Jimin que disse ser adulto o suficiente para ir embora sozinho? Então, ele tem toda a razão! Eu deveria estar seguindo o meu caminho sem pensar nesse garoto abusado! Ele é um homem de vinte e um anos que, certamente, deve ter levantado e agora está voltando tranquilamente para casa... certo?

— Ah, céus... que incômodo — digo para mim mesmo, sem conseguir continuar.

Dou meia-volta e retorno, correndo, por todo o caminho que percorri pelos últimos minutos. As chances de Jimin ainda estar jogado no chão são mínimas, então a única coisa que preciso fazer é confirmar isso e, então, tudo estará resolvido.

Errado.

Quando estou quase chegando perto o suficiente, consigo ver que eu estava certo quando pensei que Jimin não estaria mais deitado, mas, diferente do que eu poderia imaginar, tem um cara tentando segurar o corpo dele, enquanto sua voz aguda e alta dispara reclamações. Sei que não tenho tempo para pensar e analisar direito a situação, então corro na direção deles.

Ei! — eu grito, fazendo o cara soltar o corpo de Jimin, que cambaleia para longe.

Eu aproveito o impulso da corrida para desferir um soco forte no rosto do cara, que vacila alguns passos para trás.

O que você tava fazendo, porra?!

Eu... eu estava tentando ajudar...

Ajudar? Ele estava justamente gritando por ajuda!

O quê? Ele não estava gritando por ajuda — o cara diz, endireitando a coluna depois de se recuperar do soco, apesar de ainda estar esfregando a bochecha. — Ele estava insistindo em ir atrás dos amigos, mas, claramente, ele não consegue nem andar direito. Eu ia levar ele pra minha casa e...

Agora minha mão está realmente doendo, mas, pelo menos, esse imbecil deve estar com o rosto ainda mais dolorido depois de ter levado outro soco. Ele cospe o sangue acumulado da boca e olha para mim, irritado, então eu já me preparo para receber o golpe de seu punho.

E o cara realmente parece pronto para me bater de volta, mas seus pés o impedem de seguir em frente quando Jimin se joga entre nós dois. Seus braços pequenos estão abraçando meu corpo, como se estivesse tentando me prender.

— Não! — ele grita. — Não faz isso, Jungkook!

As lembranças do que aconteceu há alguns minutos ressurgem e minha única reação possível é tirar Jimin de cima de mim.

— Não faz isso, você tá me sufocando — eu digo, ainda tendo que sustentá-lo com meus braços.

Caramba, a bebida realmente parece ter surtido efeito agora.

— Eu já disse que não ia fazer nada de ruim! — o imbecil sem nome diz, mostrando-se presente novamente.

Já tinha até esquecido dessa escória.

— Você acabou de falar que ia levar ele pra sua casa.

— Sim, porque ele não consegue nem lembrar onde mora! As minhas opções estavam entre ir pra minha casa ou deixá-lo jogado aqui, sozinho.

— É verdade — Jimin choraminga. — Não bate nele, Jungkook. Ele tá falando a verdade.

— Caralho, para de ficar me agarrando — eu reclamo, soltando meus braços de seu novo aperto.

— Então diz que não vai mais bater nele.

— Eu não vou dizer nada. Vamos embora logo.

— Espera! — o cara diz, chegando mais perto. Não gosto da aproximação dele. — Quem é você? Por que eu deveria achar que você é confiável?

Puta merda, como existe gente idiota nesse mundo.

Eu olho para Jimin, que está nos encarando com os olhos úmidos e assustados.

— Vamos pra casa — eu digo.

Alguma coisa na forma como eu disse isso me incomoda, mas o importante é que Jimin concorda com a cabeça. Essa é a confirmação que o desconhecido precisava, mas ele ainda insiste em falar:

— Ah... então você é o "ele" de antes. Não imaginava que seria alguém como você, mas, de qualquer forma, eu realmente não pretendia fazer nada com o garoto.

Não faço ideia do que isso quer dizer, mas não gostei nem um pouco da entonação dele ao falar "alguém como você".

— Eu não sou "ele" nenhum, você me confundiu com outra pessoa — digo, segurando o braço de Jimin —, mas se você tá falando a verdade... foi mal pelos socos.

— É você, com toda a certeza — ele reitera, sem comentar nada sobre o meu pedido de desculpa superficial.

— Se você diz... — murmuro, sem ânimo algum para continuar essa conversa incoerente.

Aproveito a oportunidade para me afastar e tento puxar Jimin para irmos embora, mas é impossível. Ele parece mil vezes pior do que antes e não consegue dar três passos sem tropeçar. Por que eu tenho que me envolver nisso tudo?

— Para de me puxar, eu estou caindo — diz Jimin, daquele jeito bêbado irritante.

— Então vai sozinho.

É um saco ser babá de gente alcoolizada.

Solto seu braço e começo a ir na frente, prestando atenção nos sons atrás de mim. Consigo ouvir tropeços e pés se arrastarem com dificuldade, por isso volto a me aproximar do corpo pequeno cambaleante, ainda mais irritado.

— Vem aqui de uma vez — digo a contragosto, ajoelhando-me na frente de Jimin.

— O que você tá fazendo?

— Sobe nas minhas costas.

— Mas...

— Sobe logo — ordeno, impaciente.

Sinto Jimin jogar todo o peso de seu corpo nas minhas costas, quase me fazendo pender para a frente. Mesmo assim, quando consigo me equilibrar e ficar de pé, segurando suas pernas, não consigo deixar de me impressionar com o quanto ele é leve.

Isso resolveria muita coisa se o problema principal fosse a questão do peso, mas não é.

— Você vai cair, porra! — eu grito,  enquanto tento equilibrá-lo em cima de mim. — Segura meu pescoço!

— Mas eu não quero!

— Para de ser teimoso ao menos uma vez, Jimin! Segura logo!

Eu paro de andar e Jimin consegue manter o corpo estável atrás de mim, depois de muito esforço. Lentamente, sinto suas mãos deslizarem pelos meus ombros, até ele, por fim, abraçar meu pescoço. Agora o aperto é tão forte que está incômodo, mas ainda é melhor do que ficar andando em ziguezague por causa de um corpo solto sobre mim e é por isso que eu não falo nada.

Volto a andar, o silêncio entre nós parecendo estranho. Consigo sentir o calor intenso nas minhas costas e quando menos espero, o corpo de Jimin começa a tremer em contato com o meu.

— O que você tá fazendo? — eu pergunto, baixinho. — Você tá chorando?

Acho que ele fica com vergonha, porque posso sentir quando afunda o rosto contra o meu pescoço. As lágrimas dele encharcam minha pele, causando uma sensação ruim, mas espero em silêncio até que diga alguma coisa.

— Você me bateu — ele murmura, a boca encostando na parte lateral do meu pescoço  agora molhado. — Você me deixou sozinho lá, depois de me bater. Eu nunca levei um soco antes, tá doendo muito.

— Foi você que...

Foi você que tentou me beijar.

Não consigo dizer as palavras em voz alta, então deixo minha frase incompleta.

A respiração de Jimin está me deixando com muito calor e ele aperta ainda mais o meu pescoço, quase ficando difícil para respirar.

— Não chora — eu digo depois de um tempo, porque ainda sinto suas lágrimas em mim. — Desculpa, tá?

— Tá doendo.

— Eu sei, eu sei.

— Você é muito malvado.

— Eu também sei. Sinto muito.

— Como teve coragem de me deixar lá? Aquele cara poderia ter me machucado.

— Mas eu voltei, não voltei? Eu te salvei, você deveria me agradecer.

— Não vou te agradecer. Você bateu em um cara legal.

— Você não acabou de dizer que ele poderia ter te machucado?

— Sim, poderia... mas ele não machucou e, no fim, você bateu em alguém legal. Você ficou ainda mais malvado agora, Jungkook.

Eu acabo dando risada.

— Certo, certo. Apenas fique quieto, ok?

A boca de Jimin ainda está contra o meu pescoço e eu sinto cada movimento de seus lábios quando ele fala comigo, o que é realmente desconfortável.

Tão desconfortável que meu corpo não para de estremecer.

É por isso que eu fico aliviado quando ele resolve, de fato, parar de falar. Em algum momento, Jimin acaba dormindo assim, com os braços apertando meu pescoço e a boca colada na minha pele; meu corpo continua estremecendo.

Tão desconfortável.

O tempo que eu levo para chegar em casa é o suficiente para que os meus braços tenham começado a reclamar de cansaço, apesar de Jimin ser tão leve quanto uma pena. Eu abro a porta com dificuldade e a fecho usando meu pé, tomando cuidado para não acordar Jimin e arriscar que ele faça um escândalo dentro de casa. Entretanto, quase deixo o corpo desmaiado nas minhas costas desabar quando vejo o que menos espero.

Os pais de Jimin estão sentados ao redor da enorme mesa de vidro, com expressões preocupadas e alarmadas. Assim que me vê, a mulher pequena corre em minha direção.

— O que você fez com o meu filho?! — ela pergunta em desespero. — Meu Deus, ele está desacordado?! O que aconteceu? Onde ele estava? Eu estava quase ligando para a polícia!

— Não grita — eu digo, fechando um pouco os olhos. — Ele está bem, só está...

Argh... que cheiro é esse? — ela pergunta com uma careta ao se aproximar de nós, tampando o nariz com a mão.

— Você tem um filho de vinte e um anos — digo o óbvio. — Ele está bêbado.

— Bêbado...? Meu filho não bebe.

— Surpresa.

Seus olhos me encaram com tristeza e desapontamento. Ela parece lutar com sua própria mente por alguns segundos, tentando decidir se uma aproximação maior é ou não segura para, no final, acabar cedendo aos instintos maternos. Suas mãos pequenas seguram o rosto de Jimin, que estava jogado sobre o meu ombro até o momento, e começa a apalpá-lo sem piedade.

— O que você deu pra ele? — pergunta, sem conseguir olhar para mim. — Eu quero saber o que você deu pra ele! Meu filho não bebe e nem sai sem nos avisar... e muito menos volta assim pra casa, de madrugada! Você fez algo com ele, mas eu preciso saber o quê. Querido, vem aqui, rápido...

— Yangmi, se acalme por um segundo — Dongyul intervém, aproximando-se também. — Jungkook, onde vocês estavam?

Eu fico em silêncio por alguns segundos. Os dois adultos na minha frente estão me olhando com expectativa; eu estou irritado. Estou tão irritado.

— Nós fomos em uma balada aqui perto. Ele bebeu demais, é isso.

— Querido...

— Só um momento — ele interrompe a esposa, tentando decidir o que fazer. Em seguida, chega mais perto de mim. — Deixa eu apenas confirmar, certo? Para desencargo de consciência.

Por que tão exagerados?

Estou irritado como nunca.

Dongyul pega o rosto de Jimin e eu aguardo enquanto ele faz o que quer que tenha de fazer para confirmar que o garoto está apenas alcoolizado.

— Acho que ele resolveu esquecer das responsabilidades hoje — o homem conclui por fim. — Obrigado por trazê-lo com você, Jungkook.

Fico em silêncio. Yangmi toca no braço do marido, ainda alarmada.

— É isso? Querido, você conhece o nosso filho...

— Não podemos fazer nada — ele responde. — Amanhã conversamos com o Jimin, não há nada para resolver agora. Jungkook, por favor, leve ele até o quarto.

Eu não quero obedecê-lo, mas a opção de ficar na presença desses dois soa ainda pior. Eu passo por eles sem falar mais nada; agora meus bíceps estão queimando tanto que, pela primeira vez, vejo alguma utilidade para o fato de eles terem a porra de um elevador dentro de casa. Alcanço o segundo andar em poucos segundos, quase correndo para o quarto de Jimin assim que a porta do elevador abre.

Estou pronto para jogá-lo na cama imediatamente, mas a imagem de seu rosto descontente surge na minha cabeça como um impedimento. Quão irritado ele ficaria se eu o deitasse com as roupas sujas ainda no corpo? Solto um suspiro exausto. Não deveria me preocupar com isso, mas quero evitar dores de cabeça no dia seguinte, então dou alguns pulinhos e balanço meu corpo até ouvir sua voz manhosa nas minhas costas.

— Ai....

— Jimin — eu digo. — Acorda.

— Hm, não quero.

— Vai logo, você tá pesado.

Ele solta uma série de gemidos infelizes, então deduzo que é seguro colocá-lo no chão. Seus joelhos estão fracos, por isso ele ainda precisa da minha ajuda para não acabar desabando. Puta merda, que chato.

— Jimin, pelo amor de Deus — estou balançando um pouco seus ombros. — Eu preciso que você me ajude, cara.

— O que você quer?

Seus olhos estão pesados e ele mal consegue piscar. Ainda estou irritado, mas tenho vontade de rir por um instante.

— Segura em mim — peço com impaciência. — Rápido, caramba.

Jimin coloca as mãos pequenas em meus ombros e eu ergo sua camiseta.

— Vai, tira isso — insisto, ainda puxando o tecido. — Ergue os braços.

— Eu tô com frio, não quero.

— Porra, vai logo.

— Tá frio.

— Vai ser rápido.

Ainda choramingando, Jimin ergue os braços e eu puxo sua camiseta pela cabeça. Certo. Agora preciso tirar a calça.

— Segura no meu ombro de novo.

— Jungkook, tá frio!

— Eu sei... droga, só segura no meu ombro pra gente acabar logo com isso — minha paciência está quase no limite.

Jimin segura nos meus ombros pela segunda vez e eu me inclino para conseguir deslizar sua calça para baixo. Quando estou assim, meu rosto fica próximo demais de seu corpo e eu não consigo deixar de olhar, porque Jimin é muito magro e pálido.

E a pele também é muito lisa, de alguém que nunca foi tocado...

Qual deve ser a sensação?

Provavelmente macia.

— O que você está fazendo?

Eu dou um pulo, o que faz Jimin se desequilibrar e quase cair. Ele volta a se apoiar em mim e eu encaro a imagem do ser humano baixo e irritado na porta do quarto. Eles são mais parecidos do que imaginam, eu penso, enquanto Yangmi vem até mim.

— Eu estava tirando a roupa dele — explico apressadamente. — Eu pensei que ele ficaria incomodado de deitar ainda usando as roupas sujas...

Os olhos caídos de Yangmi me observam com seriedade.

— Eu faço isso — ela diz, pegando o filho dos meus braços. Não reclamo. — Eu conheço o meu filho e sei que ele não faria essa irresponsabilidade toda sozinho. Não sei o que você pretende, mas deixe o meu Jimin em paz. O meu marido pode ter boas esperanças dos outros, mas eu não... Eu não vou deixar você destruir o meu filho, ouviu?

Não estou com disposição para discutir com esse tipo de pessoa, então apenas concordo.

— Fique à vontade, eu também não tenho desejo algum de lidar com ele — falo. — Estou indo.

Saio do quarto, mas estou tão agitado que não consigo pensar em ir dormir. Desço para o primeiro andar e vou até a área externa, onde estávamos todos juntos antes de ir ao Eden. A piscina azulada está calma e o vento gélido atinge meu corpo com brutalidade. Sento-me em uma das cadeiras ao redor da piscina e levo minhas mãos até meu rosto.

Meu corpo está pesado e eu não consigo parar de pensar no que aconteceu hoje.

O quase beijo.

O soco.

Aquele cara.

As lágrimas do Jimin.

Sua boca em meu pescoço.

Seus pais.

Seu corpo...

Porra.

Estou tão irritado.

Como ele teve coragem de chegar perto de mim daquele jeito? O que ele estava pensando quando tentou me beijar?

Meu celular começa a vibrar no bolso pela segunda vez e, de novo, é Namjoon hyung ligando.

Jungkook, agora é sério — ele diz sem rodeios. Eu fecho os olhos, porque sei o que vai dizer. — Jimin ainda não apareceu. Você já chegou em casa? Onde você está?

Estou em casa.

Nós estamos atrás dele e não o encontramos em canto algum. Estamos preocupados.

Está tudo bem, eu trouxe ele pra casa.

Sério? Ah... caramba, nós estávamos quase ligando pra polícia. Por que não avisou?

Por que está todo mundo tão preocupado?

Estou irritado. Muito, muito irritado.

— Eu não tinha como ligar, os pais dele estavam esperando quando eu cheguei.

Eles arrumaram confusão?

Nada de mais. Está tudo certo agora.

E... o seu pai? — ouvir a pergunta faz com que eu aperte o celular.

— Vou desligar, hyung. Estou com sono.

Posso ouvir Namjoon suspirar. Ouço ele dizer para alguém ao seu lado sobre Jimin estar em casa, para logo voltar sua atenção à nossa conversa.

Qualquer coisa, liga pra gente, ok?

— Certo — garanto.

Desligo o celular depois de nos despedirmos. Fico mais alguns segundos sozinho, ainda pensando em Jimin e nas palavras de sua mãe. Preciso subir e me preparar para dormir. Dessa vez, eu resolvo usar as escadas e quando estou passando pelo segundo andar, tenho a impressão de ouvir algo vindo do quarto no final do corredor.

Fico em silêncio por alguns segundos, até ouvir novamente. Sei que deveria apenas ignorar tudo isso, mas meus pés me levam até o quarto de Jimin, onde a porta está entreaberta. Inclino meu corpo pela abertura apenas para garantir de que está tudo bem, mas vejo a mãe de Jimin sentada no chão, segurando a mão do filho adormecido.

O barulho que eu estava ouvindo é proveniente dos soluços abafados que ela deixa escapar.

— Está tudo bem — ela murmura, passando os dedos curtos pelo cabelo castanho dele. — Está tudo bem, meu amor. Ninguém vai te machucar. Eu nunca vou deixar alguém te machucar... eu te amo, sempre. Eu amo você, querido.

Quanto drama só por causa de uma bebedeira.

Eu dou as costas para o quarto e vou ao terceiro andar. Minha cabeça está doendo de tantas coisas que parecem ter acontecido hoje, por isso me encaminho diretamente ao banheiro a fim de tomar um banho gelado. Sei que preciso dar um jeito de me aproximar do Jimin para conseguir, consequentemente, saber mais sobre Wonho, e que eu até havia pensado em fazer as coisas do meu jeito, mas... como posso continuar depois do que aconteceu? Só de ficar perto dele, já sinto os meus nervos irem à flor da pele! Não vou conseguir ser gentil o bastante para que ele queira ser mais próximo de mim.

Depois do que me parece uma eternidade, eu decido resolver isso o mais rápido possível. Talvez não seja a melhor hora, mas, ao mesmo tempo, é como se não tivesse tempo melhor. Visto uma das minhas únicas calças de moletom e uma camiseta preta de mangas compridas, tiro o excesso de água do cabelo usando a toalha e desço novamente para o segundo andar, onde Jimin está mergulhado no mais profundo sono de um bêbado.

Tive certeza de que ele estaria sozinho antes de entrar no quarto, fechando a porta atrás de mim com cuidado para não acordar seus pais. Todas as luzes estão apagadas, então preciso me guiar até a mesinha ao lado da cama para acender o abajur de luz amarelada que tem ali; agora o quarto está banhado com uma meia-luz calorosa. Sento sobre o chão, no mesmo local onde Yangmi estava minutos atrás, e fico observando o rosto sereno de Jimin por alguns segundos.

Ah, foda-se.

Estico meus braços e balanço seu corpo.

— Ei, Jimin — chamo, enquanto o balanço. — Acorda, eu preciso falar com você. Ei!

— Hm...

— Tá acordado? — pergunto, esperando alguns segundos antes de voltar a cutucar seu braço. — Ei, Jimin. Acorda logo.

— Hm... O que foi?

— Preciso falar com você.

— Fala amanhã.

— Tem que ser agora.

Jimin balança a cabeça em concordância, apesar de ainda estar com os olhos fechados. Resolvo ir direto ao ponto, para resolver isso o quanto antes e saber se devo ou não me afastar dele.

— Você é gay?

— Hm?

— Você — eu cutuco sua bochecha, recebendo uma careta como resposta. — Você gosta de homem?

Jimin se remexe na cama. Eu penso que ele vai virar de costas para mim, mas, de repente, ele está usando os pés para me chutar com força e de maneira desajeitada.

— Eu não tô a fim de você, sai daqui — ele começa a dizer, com a voz arrastada. — Eu não gosto de homem. Ah, vou vomitar.

Sua declaração final é precedida de mais uma careta. Sei que ele está enjoado por causa da bebida, mas não consigo deixar de ficar ofendido. Foi ele que tentou me beijar e agora está dizendo que vai vomitar?

Ora, seu pequeno... — paro minha frase na metade, porque não vale a pena brigar com um Jimin bêbado e meio sonâmbulo. Volto ao assunto principal. — Então qual é a sua?

— Eu não gosto de homem — ele murmura novamente. — Eu já falei isso... não vou te passar meu número...

O quê?

Eu nunca pedi seu número — eu resmungo.

— Hm, fica longe de mim... não quero ir pra sua casa...

Suas palavras me despertam.

"Não quero ir pra sua casa."

Aquele idiota... então ele pediu o número do Jimin? E ainda teve a coragem de me dizer que não pretendia fazer nada de errado!

Eu deveria ter batido mais nele.

— Você já tá em casa, Jimin-ssi — eu respondo com um suspiro. — Não tem ninguém aqui além de mim.

— Hm? — ele abre um pouco os olhos. — Jungkook? É você?

— Sou eu.

Jimin espreme os olhinhos e eu não demoro para notar que ele está chorando de volta.

— Você me deixou jogado na rua.

— Certo, você já falou isso — digo, rindo um pouquinho. — Não chore.

Sua bochecha está amassada contra o travesseiro, então seu rosto parece um pão. Não consigo evitar a risada.

— Por que está rindo?

— Não é nada.

— Eu estou bravo com você.

— Certo, desculpe — eu respiro fundo, tentando não rir mais. Coloco meu braço sobre a cama e apoio minha cabeça sobre ele. — É por isso que você tentou me bater? Porque está bravo comigo?

— Sim, estou bravo.

Dou risada novamente.

— Já entendi, mas quero saber o motivo. O que eu fiz?

As lágrimas começam a sair com mais intensidade. Suas bochechas estão vermelhas, tanto pelo álcool como pelo choro, e eu fico o admirando enquanto aguardo em silêncio.

— Você me deixa com vergonha — ele diz, por fim. — Eu sou mais velho, mas você fica falando como se eu fosse uma criança. Eu estava com vergonha de olhar pra você.

Era esse o problema, então? De tantos outros motivos que ele poderia ter? Mal posso acreditar.

Levanto e puxo as mangas da minha camiseta para cobrirem meus punhos. Ajeito o corpo de Jimin para que ele fique de barriga para cima, fazendo seu rosto ficar mais exposto, então começo a limpar suas bochechas e seus olhos com minha roupa.

— Está doendo — ele reclama.

— Ah, foi mal — afasto minhas mãos, mas ele continua com a expressão de dor no rosto.

— Dói...

— Droga — digo, endireitando a coluna. — Espera um pouco, eu já volto.

Eu vou até o banheiro no terceiro andar e pego a caixa de acrílico, agradecendo por ter trazido comigo da última vez que disse para Jimin me ajudar com meus machucados. Quando olho minha aparência no espelho do banheiro antes de sair, vejo que meu rosto está um pouco melhor do que costumava ser. Ao menos não está tão inchado, apesar dos hematomas ainda presentes.

Jimin já está dormindo de volta, mas agora que estou aqui, acho que vai ser um desperdício de tempo voltar para o meu quarto sem concluir o que pretendia. Ajoelho-me ao seu lado na cama e tento me lembrar dos remédios que ele mesmo usou quando me ajudou nas últimas vezes. Realmente não consigo me lembrar de nada que não seja algodões e líquidos transparentes. Além de uma ou outra pomada, entre as diversas que estão dentro da caixa.

Separo tudo o que acho ser necessário e começo a passar no zigomático esquerdo de Jimin, que está mais vermelho que o restante de seu rosto e bastante inchado. Ele faz uma ou outra expressão de dor enquanto passo os remédios, e quando estou espalhando a pomada branca em sua pele, seus olhos abrem um pouco.

— Mamãe?

— Volte a dormir — digo. — Não é a sua mãe, é o Jungkook.

Jimin volta a fechar os olhos e sua respiração se torna pesada no mesmo instante. A forma como Jimin chamou sua mãe e a lembrança de ver Yangmi chorando, enquanto o chamava de "meu amor", realmente fez com que a irritação de antes voltasse para dentro de mim.

Toda aquela superproteção e o drama acerca de algo tão pequeno...

Droga — murmuro para mim mesmo, esfregando meu rosto com as mangas da camiseta. Está ficando difícil para respirar e começo a soluçar. — Eu estou chorando porque estou irritado. Não estou triste. Só estou muito, muito irritado.

Termino de passar a pomada no rosto de Jimin e deixo a caixa em sua cabeceira. Não olho para trás quando subo até meu quarto e tranco a porta, mesmo sabendo que ninguém vai tentar entrar. Meu peito está doendo e as palavras continuam repetindo-se na minha cabeça, de novo e de novo.

"Meu amor."

Eu não estou bêbado, mas não consigo dizer qual foi o momento exato em que eu deitei na cama para dormir. A única certeza que eu tenho é de ainda estar chorando quando meu cansaço me levou a um sono cheio de sonhos com os olhos redondos de minha mãe e um nome que há tempos eu não pensava.

Taeyang.


Acordo mais cedo do que estou acostumado, o que é realmente péssimo. Tenho dificuldades para abrir os olhos, que parecem mais inchados do que o normal, e fico alguns minutos deitado antes de, enfim, levantar. Estou um pouco mal-humorado por ter acordado tão cedo, mas agora que estou de pé, penso que não há mais nada que eu possa fazer.

Pretendo sair de casa e caminhar um pouco, porque ainda estou fora de mim e lembrando sem parar do que aconteceu no dia anterior, mas quando desço os dois lances de escadas até o segundo andar, escuto algo que eu ignoraria em qualquer outro dia, mas que agora chama minha atenção o suficiente para me fazer parar.

Ei — escuto novamente, do quarto de Jimin.

Eu caminho até o local com o cenho franzido, dando de cara com a porta entreaberta e um corpo escondido por trás da madeira escura.

— Ainda bem que é mesmo você — ele diz, ainda se escondendo. — Entra rápido.

Não quero entrar.

Quero evitar Jimin, porque não sei como ele vai reagir ao fato de que tentou me agarrar ontem e eu, com toda a certeza, não quero tocar nesse assunto. Preciso de um tempo para conseguir organizar meus pensamentos e voltar ao plano inicial de me aproximar dele, já que ele garantiu não ter interesse em homens.

— O que houve?

— Jungkook, entra.

Ele não parece disposto a me explicar nada com antecedência e muito menos irá sair de trás dessa porta, então acabo cedendo e entrando em seu quarto. Tenho a impressão de que, nas últimas horas, já entrei nesse cômodo mais vezes do que gostaria em toda a minha vida.

— Qual é o problema?

Assim que ele fecha a porta, Jimin aparece diante de mim com a expressão assustada.

Ele vai falar sobre o quase beijo. Ele está envergonhado e vai tentar se desculpar.

Estou quase abrindo a boca para lhe dizer que é melhor nem tocar nesse assunto, mas Jimin fala antes de mim:

— Você me fez entrar em alguma briga ontem?

...

O quê?

— Eu acordei com isso na cara e só pode ser coisa sua! — quando fala, Jimin aponta para o próprio rosto, que está com uma mancha roxa abaixo do olho esquerdo.

— Ah, nossa — eu digo, sem ter reparado no hematoma antes. — Eu cuidei disso direitinho, como pode ter ficado roxo desse jeito?

— Ãh? Como assim? Me explica o que aconteceu! — assim que aumenta um pouco o tom de voz, Jimin faz uma careta e coloca a mão na cabeça. — Minha cabeça tá me matando.

— Seja bem-vindo ao mundo da ressaca — dou um sorriso forçado. — E você levou um soco ontem.

— Como? Por que eu levaria um soco?

— Hm, é... você estava muito bêbado e acabou fazendo uma bosta — respondo, cruzando os braços. Não é mentira, afinal. — Você não lembra de nada?

— Eu lembro de pouca coisa. São mais como frases que não fazem o menor sentido.

Ele está mentindo. Sei que está.

— O que você disse agora a pouco — Jimin continua, um pouco constrangido. — Você me ajudou? Foi por isso que eu acordei com um quilo de pomada pra queimadura no rosto?

— Pomada pra queimadura? Eu jurava que era a mesma que você tinha usado outro dia... — eu digo, pensativo, e ainda consigo concluir para provocá-lo: — Eu não tive escolha, você ficou me enchendo o saco pra cuidar de você.

Se ele retrucar, sei que está mentindo.

Mas seu rosto fica ainda mais vermelho.

— É sério? — ele pergunta com a voz baixa. — Nossa, que estranho... Mas obrigado mesmo assim, apesar da pomada errada. Eu causei muitos problemas?

— Sim, causou.

— O que eu fiz?

Ele é um bom ator.

Você queria tirar a roupa no meio da balada.

Mesmo? — ele indaga, agora quase explodindo de tão corado. — Eu nunca fiz algo assim antes! Você não tá querendo me enganar, né?

Para de mentir pra mim, Jimin.

— Não estou mentindo. Você também ficou insistindo pro Yoongi e pro Taehyung serem mais amigos.

— Meu Deus, que vergonha. O Yoongi ficou muito bravo? Eu posso pedir o número dele?

— Pra quê?

— Pra pedir desculpa.

Mentiroso.

Eu passo o recado — retruco. — E você pegou dois mil wons¹⁴ de mim.

— O que mais eu posso ter feito? — Jimin pergunta para si mesmo, indo até a cabeceira ao lado da cama.

Ele segura uma carteira de couro e busca as notas para me entregar. Eu empurro sua mão assim que ele me estende o dinheiro.

— Esquece, não quero isso — meu humor está péssimo. — Vou descer, eu não preciso ficar te lembrando de cada detalhe sobre ontem. Ah, e mais uma coisa...

— O que foi?

— Qual é o seu número?

— Meu... número? Por que você precisa?

Eu não sei.

Lembro de como Jimin falou que não me passaria seu número ontem, achando que eu era aquele cara estranho. Não sei exatamente o que eu quero provar com isso, e não saber me incomoda mais do que tudo.

— Porque sim — respondo. — Se você se meter em confusão, eu vou ter como ir atrás de você.

Não era isso que eu queria dizer.

— Ah... — seu rosto demonstra constrangimento e ele me estende sua mão. — Tudo bem.

Passo meu celular para ele e observo seu rosto com atenção.

Do jeito que Jimin é todo estressado, ele não conseguiria controlar suas reações sobre minhas provocações de antes se realmente não acreditasse em mim, ainda mais quando falei sobre um dinheiro que ele nunca pegou. Sendo assim, minha única conclusão possível é a de que ele realmente não se lembra de nada.

Como pode ter esquecido?! Ele é o responsável por quase ter me beijado, então por que eu sou o único que precisa lidar com a lembrança? Isso é tão injusto!

E não só isso, mas ele ainda tem coragem de olhar para a minha cara com esse rosto inocente e esses olhos inchados de quem acabou de acordar... ugh. Eu definitivamente odeio o rosto dele.

Pego o celular de sua mão e vou embora sem falar mais nada.

Ligo para Yoongi e Namjoon já fora de casa. Apesar da surpresa por eu estar ligando antes das onze, eles ainda concordam em me encontrar no depósito daqui meia hora.

O rosto deles é de preocupação quando chego; eu ainda me sinto exausto.

— Você está bem? — pergunta Yoongi.

— Eu estou — digo, pouco convincente. — Não consegui dormir direito.

— Por quê? O que aconteceu?

— Tive que ficar acordado até depois das cinco — respondo sem mais detalhes. — A gente precisa de outro plano. Não posso mais me aproximar do Jimin.

— Por que não?

— Ele me tira do sério.

— Mas, Jungkook, a ideia...

Ele realmente está me deixando louco.

Qual é o problema? — questiona Namjoon, olhando-me com seriedade. — O que ele fez?

Ele tentou me beijar, é o que eu deveria dizer.

Ele tentou me beijar e quando olho pra cara dele é só nisso que eu penso, é o que eu quero dizer.

— Não é nada — é o que eu digo.

— Então por que, tão de repente?

— É só que... eu perco a paciência rápido, vocês sabem disso — tento responder algo plausível.

Namjoon suspira e Yoongi fecha os olhos por alguns segundos.

— Você não precisa ter todo o trabalho de se aproximar dele — Namjoon começa, tentando arranjar uma solução. — Só dá um jeito de ele ficar próximo do Wonho, certo? Nós também estamos nos aproximando dos outros garotos, o Yoongi até mesmo cedeu um pouco ontem. Se a gente conseguir ajudar, você não vai precisar ficar se torturando. Então, foca no Wonho.

Eu tento cristalizar as palavras no meu cérebro e esquecer a maldita boca de Jimin. Se ele não se lembra, então por que eu tenho que ficar me martirizando por conta de algo que nem aconteceu de fato? Nossas bocas se encostaram por três segundos, no máximo. Decido que também vou esquecer.

Eu fico com meus amigos até o céu começar a escurecer e eles precisarem ir embora. Observo os dois se afastarem juntos, lado a lado, e sento sozinho no meio-fio com uma sensação esquisita no peito. Mesmo que eu venha com frequência para o depósito, estar morando na casa de Jimin fez com que eu perdesse um pouco a inflexibilidade que criei com os anos ao frequentar Guryong diariamente. Voltar para essa região da cidade, tão próximo de onde eu morava antes e tão perto de onde Namjoon e Yoongi ainda vivem, se tornou mais doloroso.

Sinto-me culpado por deixá-los sozinhos.

Eles ainda precisam estar aqui todos os dias. Eles ainda precisam conviver com essa realidade. Sozinhos.

Eu sou um lixo.

Pego meu celular, procuro por um contato que não existia até essa manhã e levo o aparelho ao ouvido.

Alô?

Escutar a voz dele me faz querer chorar. Não sei o que está acontecendo.

— Sou eu — digo.

Meu coração dói.

Mesmo assim, eu não posso me esquecer do plano. Eu tenho que manter minha mente focada nisso e esquecer todo o resto. Preciso fazer isso pelo Yoongi, principalmente.

E preciso acabar com isso o quanto antes, para não ter mais que lidar com esse garoto.

Jungkook? — sua voz se torna mais relaxada e casual. — O que houve?

Você... pode vir me buscar?

Por quê?

— Você ainda pergunta, mesmo depois de ter me causado tantos problemas ontem? — tento manter meu tom provocativo, como sempre.

Jimin fica em silêncio por alguns segundos e, por fim, solta um longo suspiro.

Me passa o endereço por mensagem.

Ele desliga o celular sem falar mais nada. Eu passo o endereço para ele e o carro preto, que não condiz nem um pouco com o nível desse lugar, aparece na minha frente pouco tempo depois. Dou a volta e sento no banco do copiloto.

— Que lugar é esse? — é a primeira coisa que ele me pergunta.

— Sei lá.

— Como assim? O que estava fazendo aqui?

— Eu só vim pra cá.

— Mas você sabia o endereço...

— Você é irritante.

— Por que me pediu pra vir, então?

Eu não sei.

— Preguiça de andar.

Jimin fica em silêncio.

— Você... quer ir pra algum lugar?

— Quê?

— Você não parece estar com uma cara muito boa, não sei se quer ir pra casa.

"Pra casa."

Novamente, essa forma de dizer isso. Como se nós morássemos realmente juntos, feito uma família feliz.

Fico irritado novamente.

Caramba, ele realmente esqueceu sobre ontem!

Completamente!

E ele não falou claramente que não gostava de homens?

Por que ele tentou me beijar, afinal? E ainda tendo a sorte de esquecer o que fez.

— Eu falei alguma coisa errada? — ele volta a falar, com cautela. — Você está bravo?

— Jimin, você me acha bonito?

O quê?

— Você me acha um cara bonito? — pergunto novamente.

— Eu... eu não sei. Nunca prestei atenção.

— Presta atenção agora.

Eu endireito minha coluna e me viro de frente para Jimin. Ele olha para mim pelo canto do olho, mas não consegue realmente me encarar.

— Eu estou dirigindo, não tenho tempo de analisar nada.

— Eu sou bonito a ponto de um cara hétero querer me beijar?

O quê?! — ele exclama. Vendo que eu estou quieto e sério, balança a cabeça rapidamente. — Eu já disse que não sei, isso sequer faz sentido!

— E o Wonho? Você acha ele bonito a ponto de um cara hétero querer beijar ele?

Puta merda, eu sou muito patético.

Você enlouqueceu?

Sim, eu enlouqueci.

Tudo isso por causa de você, seu idiota. Você fritou meus neurônios, agora não paro de pensar na bosta de um quase beijo!

Eu deveria ter te batido muito mais!

É, provavelmente.

Jimin faz uma careta de confusão e olha para mim algumas vezes.

— Por que me perguntou isso?

— Só perguntei.

Estou tão irritado! Que droga.

— Só perguntou? E pensou no Wonho sunbae por nada?

— Não, é porque eu lembrei que precisava pedir desculpa pra ele — minto, porque é a primeira coisa que consigo pensar.

— E como isso se relaciona com a sua pergunta...?

Respiro fundo.

Minha cabeça vai explodir.

Preciso realmente seguir o plano de uma vez e acabar com isso tudo.

— Você pode me fazer um favor?

— O que foi?

— Eu preciso pedir desculpas ao Wonho, como você sabe, mas acho que ele não vai acreditar em mim — começo, desesperado em mudar de assunto. — Você não pode tentar falar com ele antes, por mim? Sei lá, conversa com ele, dá um jeito de falar sobre como eu sou superlegal e sobre como eu te disse que estou arrependido. Daí a gente combina de sair e eu posso pedir desculpa direito, assim ele não vai ter a impressão de que eu estou sendo forçado a isso.

Porque eu definitivamente estou.

Jimin começa a rir. Eu não estava esperando, então fico encarando seu rosto risonho.

Fico ainda mais irritado.

Eu odeio muito o rosto dele.

Dá um jeito de falar sobre como eu sou superlegal — ele repete, engrossando a voz para me imitar. — Eu não sou mentiroso, ok?

Sua entonação não é agressiva, então eu acabo rindo um pouco também. Ele sorri para mim.

— Viu só? É melhor quando você sorri.

— Eu sempre sorrio.

— Mas você estava com um rosto péssimo até agora.

— Tanto faz — resmungo. — Você vai me ajudar?

— Ok, eu posso tentar. Para compensar o fato de ter bebido tanto ontem.

Não sei o que responder, então fico quieto por todo o restante do caminho.

Jimin acaba nos levando de volta à sua casa, mas gostaria de ter dito que deveríamos ir para outro lugar já que, tratando-se da minha vida, nada é tão ruim que não possa piorar.

Quando entramos em casa, eu falo um "valeu" qualquer pela carona e planejo subir para ficar sozinho durante todo o restante da noite, apesar de eu não ter comido nada o dia inteiro. Entretanto, quando chego no meu quarto, dou de cara com a pior pessoa que eu poderia encontrar em um dia como esse.

Não pretendo dizer nada, muito menos perguntar o que ele está fazendo aqui, por isso dou meia-volta e me afasto.

— Espera! — sua voz grave exclama atrás de mim. — Eu quero falar com você.

— Mas eu não quero.

— Jungkook — quando sua mão calejada toca meu braço, eu afasto seu toque rapidamente e viro de frente para o homem horrível que é meu pai.

— Não toca em mim.

— Eu disse que preciso falar com você. Não saia.

Aguardo sem falar mais nada, garantindo que estou mantendo uma distância boa o suficiente. Ele passa os dedos pelo cabelo ralo antes de começar a falar.

— O que aconteceu ontem? — pergunta. — Dongyul veio conversar comigo hoje de manhã. Ele me disse que você e o Jimin chegaram de madrugada, com o garoto completamente bêbado.

É claro que eles iam conversar com o meu pai. Eu não deveria nem mesmo estar surpreso com isso.

— E daí?

— O que aconteceu?

— Ah, claro — eu dou uma risada mal-humorada. — Eu deveria saber que é por isso que você se deu o trabalho de vir falar comigo. Eu não fiz nada, pra sua total decepção.

— Não foi isso o que eu quis dizer...

— O que você quer que eu responda, então? Ele estava bêbado, porra! Qual é a grande questão nisso tudo? Por que tem tantas pessoas se preocupando com uma simples bebedeira?

Meu peito volta a doer.

— E qual é o seu problema com isso? — ele devolve a pergunta. — Por que você se incomoda tanto com o fato das pessoas estarem preocupadas com o garoto? Ele não está acostumado com nada disso, Jungkook. É lógico que as pessoas vão se preocupar! Foi a primeira vez que o garoto bebeu.

— Ele tem vinte e um anos! — eu grito, segurando o impulso de avançar em sua direção. — Ele tem vinte e um anos...

Sei pelo olhar em seu rosto que ele não consegue me entender. Não faz sentido explicar.

— Eu não quero mais falar com você — completo, virando as costas para ele.

— Jungkook.

Eu olho para trás. Não sei o motivo, mas ainda sinto uma breve pontada de esperança de que ele entenda o que eu acabei de dizer.

Mas meu pai apenas desvia o olhar e murmura:

— Peça desculpas ao pai do Jimin.

Vou embora dali. Quando alcanço as escadas, Jimin está parado no meio do lance de seis degraus, segurando uma bandeja com comida. Seus olhos úmidos estão muito abertos quando me vê.

— Jungkook... desculpa, eu... eu não queria ter ouvido, eu...

Não quero ouvir ele. Não quero olhar para a cara dele.

Passo por Jimin ignorando o motivo de ele ter subido até o meu quarto e vou até a parte externa da casa. Descobri nessa madrugada que é um bom lugar para ficar sozinho e pensar. O clima ainda está frio, assim como estava na noite passada, e a piscina silenciosa ainda me causa uma breve sensação de paz.

Todo o inferno está dentro de mim.

Eu tampo meu rosto e tenho que respirar fundo várias vezes. Tantas coisas. São tantas coisas que eu não consigo acalmar meu cérebro. Só queria dar um jeito de tudo ficar quieto aqui dentro.

— Jungkook...

— Vai embora — eu digo ainda com o rosto enfiado entre as mãos.

— Me desculpa.

Eu não respondo. Consigo escutar Jimin sentando na minha frente, em uma das espreguiçadeiras enfileiradas sobre o deck de madeira.

— Eu entendo o que...

— Não — interrompo o que está prestes a me dizer. — Você não faz ideia, Jimin. Não me venha com esse papo.

— Você só tem dezenove anos — ele diz, ignorando tudo o que eu acabei de falar.

Estou pronto para discutir pelo que disse, mas assim que ergo o rosto, vejo seus olhos cheios de lágrimas. Ele chora tanto.

— Eu tenho vinte e um anos — ele continua, com a voz começando a ficar embaralhada. — Eu tenho vinte e um anos e tantas pessoas vieram atrás de mim... meus pais ficaram preocupados, o seu pai foi falar com você... até mesmo as ligações perdidas que eu fui ver no meu celular hoje de manhã. Tudo isso só porque um cara de vinte e um anos resolveu beber pela primeira vez. E você... você tem dezenove anos e já bebeu tantas vezes... ninguém nunca perguntou o motivo... você deveria ter mais pessoas preocupadas com você do que eu tenho comigo... mas você sempre chega em casa bêbado e não tem ninguém te esperando acordado... você sempre chega e está sozinho...

Jimin está chorando. Ele ainda tenta falar, enquanto limpa o rosto freneticamente com as costas das mãos.

— Eu... eu sinto muito — ele continua, ainda soluçando. — Desculpa. Meus pais vieram falar comigo hoje de manhã, você até levou a culpa por tudo... e eu nem mesmo consigo me lembrar do que aconteceu pra me desculpar direito. Eu sinto muito, Jungkook. Me desculpa. Eu deixei você triste... e eu causei problemas pra você ontem. Eu sou mesmo uma criança. Desculpa por ter feito todo mundo se preocupar comigo na sua frente. Desculpa.

Meu peito não está mais doendo. Não sei que sensação é essa.

— Obrigado — eu falo, fazendo um Jimin encharcado olhar para mim, ainda limpando o rosto.

— O quê? — ele funga. — Mas... por quê?

— Por ter percebido — respondo com sinceridade. — Obrigado por estar pedindo desculpa.

Eu sorrio. Jimin termina de limpar o rosto e, ainda fungando, diz:

— Você fica bonito quando sorri.

Ah.

— O quê? — suas palavras me pegam de surpresa.

— Você não me perguntou isso mais cedo? — ele questiona de volta, um pouco constrangido. — Estou te respondendo. Você fica bonito quando sorri... mas quando tá sério, você fica horrível.

— Isso é pra ser um elogio? — eu digo, cruzando os braços e fingindo estar bravo, porque sei que ele está mentindo.

— Olha aí, tá horrível de volta. Parece um monstro.

Aponto para ele.

— Você é que tá com o rosto todo inchado e ranhento. Horroroso.

Jimin começa a rir. Ele está rindo tanto que eu não consigo evitar, então começo a rir também.

Não, eu não estou rindo. Eu estou gargalhando.

Eu... realmente estou gargalhando e meu peito não está doendo e Jimin está na minha frente e eu estou rindo com ele e meu peito não está doendo.

Olho para Jimin enquanto dou risada, porque não consigo olhar para outra coisa, observando o exato momento em que ele começa a parar de rir pouco a pouco.

Não está doendo. Eu ainda lembro de tudo o que houve nas últimas vinte e quatro horas, eu ainda penso em tudo, mas agora, olhando para Jimin, meu peito não está mais me sufocando.

Por que não? Por que não está doendo?

Tenho medo de que volte a doer se eu parar de olhar para ele, então não desvio o olhar nem por um segundo.

Quero continuar rindo.

Seu rosto vai se tornando cada vez mais sério.

— Jungkook... — ele murmura de maneira preocupada, mas quero dizer que ele não precisa se preocupar.

Eu estou me sentindo bem.

Eu realmente estou me sentindo bem.

Eu queria apenas continuar rindo, porque estou tão aliviado.

Então por que não consigo parar de chorar?

Rodapé

¹⁴ Wons (₩) é a moeda sul-coreana. O valor citado é equivalente a, aproximadamente, R$6,50.

Đọc tiếp

Bạn Cũng Sẽ Thích

24.1K 2.7K 28
Park Jimin precisava, urgentemente, de um novo melhor amigo após uma série de desentendimentos e divergências com Taehyung, a - até então - carne de...
4.3M 404K 43
[CONCLUÍDA/EM PRÉ-VENDA PELA EDITORA EUPHORIA] Park Jimin deveria estar soltando fogos de artifício por finalmente estar levando a vida que sempre so...
173K 18.8K 39
[CONCLUÍDA] Nossas vidas podem ser comparadas com o nosso próprio corpo, mesmo com os momentos bons que vivemos sempre há aquele machucadinho que cut...
10.8K 1.7K 39
O sentimento de insuficiência que rompia o peito de Park Jimin não era exatamente algo novo, mas apesar da assiduidade com que isso o dominava, outro...
Ứng dụng Wattpad - Mở khóa các tính năng độc quyền