Senti algum calor nas minhas bochechas e abri lentamente os olhos, vendo os raios de sol entrar pela janela da sala onde me encontrava. Tentei mexer-me, desconfortavelmente. Michael ressonava ao meu lado, os seus lábios vermelhos semiabertos e os seus cabelos completamente despenteados, se bem que, nunca antes os vi penteados.
Conseguia sentir algo estranho na barriga, uma sensação de má disposição, mas nada grave. Forcei o meu corpo, acabando por me levantar e olhei a figura ao meu lado. Um sorriso automático apareceu no meu rosto.
- Michael? – Sussurrei. Custava-me ter que o acordar mas alguns funcionários viriam definitivamente à escola para arrumar as coisas e o que menos precisava no momento, era de ser apanhada.
Michael apenas murmurou algo complicado de compreender e virou o rosto mais para o chão, fazendo uma careta talvez por culpa do desconforto.
- Michael… - Falei mais alto. Michael abriu os olhos e fechou os punhos, esfregando os mesmos de seguida. – Temos de sair daqui Michael…
- Depois. – Ele pediu fazendo beicinho. Senti-me derreter aos poucos a olhar a sua figura mas por mais que quisesse voltar a deitar-me e vê-lo dormir por mais umas horas, não podia.
- Não podemos Michael… Vai aparecer alguém e eu não posso ficar de castigo.
Michael sentou-se rapidamente, como se tivesse bebido trinta cafés em menos de um segundo. Sorri ao reparar que o fez não por ele, mas por mim, preocupado que eu fosse apanhada e fosse punida por tal.
Ajeitei o cabelo com a mão e Michael soltou uma gargalhada rouca.
- O que foi? – Perguntei confusa.
- Já não sou a pessoa mais despenteada daqui! – Ele bateu palmas. – Finalmente!
- Tonto… - Disse, embaraçada.
- Não te preocupes. – Ele sorriu. – A sério Mariana, não te preocupes. Estás linda à mesma, chega a ser assustador sabes? Parece que estás sempre bonita, as outras raparigas devem ter imensa inveja.
Fui obrigada a virar o rosto para que ele não me visse corar. A verdade é que raramente recebia elogios e ouvir Michael falar assim de mim e saber que ele realmente o sente, faz-me feliz.
- Muito bem… Temos de ir. – Acabei por me levantar e Michael suspirou, frustrado. – Vá Michael, nós temos mesmo de ir.
- Eu sei, eu sei. – Michael levantou as mãos em seguida e pôs-se de pé de seguida.
Baixei-me ligeiramente, tirando a manta do chão e dobrando-a, voltando a guarda-la no armário de seguida. Michael olhava-me atentamente, um sorriso cansado no seu rosto.
- Pronto. – Disse. – Agora vou buscar as minhas coisas ao cacifo e podemos ir embora. Eu disse aos meus pais que estava a dormir com a Carolina e eles provavelmente já lhe ligaram trinta vezes ou mais. Ela vai acabar por não ter mais desculpas.
- Por mim tudo bem, mas só te levo a casa depois de tomarmos um pequeno almoço ou… Hoje à tarde, o que vais fazer? – Perguntou.
- Estava a pensar ir ter com o Wesley, fazemos isso todos os domingos… Costumamos ver filmes a tarde toda e depois jantamos fora. – Disse enquanto começávamos a caminhar para fora da sala, entrando no corredor.
- Podes combinar com ele para outro dia? – Michael pediu. – Quero ir à praia contigo.
- Queres ver-me de biquíni, é isso? – Perguntei deitando-lhe a língua de fora. Michael apenas riu e colocou ambas as mãos no bolso.
- Vês como és uma rapariga inteligente?
Meti o código no cacifo e o mesmo abriu-se automaticamente. Retirei a minha mala lá de dentro e deixei-o aberto, como se encontrava no dia anterior. Michael e eu caminhamos lentamente pelos corredores enquanto eu desbloqueava o telemóvel.
19 chamadas não atendidas, três mensagens não lidas.
Carol: Babe? Os teus pais estão fartos de ligar. Eu disse-lhes que adormeceste cedo porque estudamos imenso. Liga-lhes ou vai para casa. Espero que te estejas a divertir. Xx
Wesley <3 : Hoje vou buscar-te a que horas?
Harry: ACABEI DE VER O TITANIC E EU NÃO QUERO MAIS EU ODEIO FILMES ROMÂNTICOS NÃO É JUSTO AQUELA RAPARIGA PODIA TÊ-LO SALVO NÃO PODIA?! MAS NÃO É JUSTO! NÃO É! NNCA MAIS VEJO FILMES NA VIDA, VOU ESCONDER-ME DENTRO DE UM BURACO!
Soltei uma gargalhada alta com a última mensagem. Harry e Olena são mesmo feitos um para o outro. Eles são almas gémeas.
Respondi ao Wes, dizendo que hoje não ia dar e que explicava depois.
~~
- Onde passaste a noite? – Foi a primeira coisa que o meu irmão perguntou ao entrar no meu quarto, enquanto cruzava os braços no peito. – Eu fiquei preocupado.
- Passei-a na escola. – Respondi e ele sentou-se na cama, enquanto eu metia a toalha de praia dentro da mala. – Com o Michael.
- Eu vi-vos no sofá aos beijos mas não pensei que fosse tão longe… - Disse. – Ele abusou muito? Foram cuidadosos? Eu juro que se ele te mag-
- O quê? – Os meus olhos arregalaram-se e uma gargalhada fez-se ouvir. – Nada disso! Só falamos até tarde e depois dormimos.
- Parece romântico. – O meu irmão sorriu maliciosamente, deitando-se para trás e eu apenas sorri, olhando o chão. – Até já coras!
- Cala a boca Phil. – Disse, pegando numa almofada e atirando-a contra o seu rosto. Philip apenas se riu e colocou os braços atrás da cabeça.
- Vais à praia com os amigos e nem me convidas? – Ele arqueou uma sobrancelha e eu revirei os olhos.
- Vou com o Michael e eu juro que até convidava mas ias passar o tempo todo a mandar as boquinhas foleiras do costume e não quero que ele pense já mal de mim. – Admiti.
- Boquinhas foleiras? As minhas palavras valem ouro! Para além disso, eu conheço-o minimamente e ele acha-me porreiro. Sabes que só gosto de me meter contigo.
- Eu sei. – Um sorriso apareceu no meu rosto. – Agora sai daqui que eu quero vestir o biquíni.
- Nada de biquínis curtos! – O meu irmão levantou-se e eu ri, abanando a cabeça. – Estou a sério Mariana, eu não te deixo sair de casa!
Cerca de uma hora depois, após ter almoçado, olhei-me uma última vez ao espelho. Sempre fui pálida, estranhamente pálida mas este verão eu queria ficar morena. Se isso implicasse ter que ir à praia todos os dias, assim ia ser.
Michael faz-me sentir livre como um pássaro. Com ele posso fazer todas as coisas, até as mais loucas e ele não me julga. Ele até as faz comigo.
Com ele posso tornar os meus pensamentos mais obscuros realidade e ser eu própria, sem medo das consequências dos meus atos.
Ele faz-me bem.
Estava com um biquíni preto e com um vestido branco por cima, que me ia até perto dos joelhos. Calcei umas sandálias castanhas e não me preocupei em usar maquilhagem nenhuma ou fazer algo ao cabelo.
Mikey ❤ : Cheguei linda, desce.
Sorri para o telemóvel e apressei-me a descer as escadas, ouvindo um: “Tem cuidado” do meu irmão.
A melhor parte de ir com a praia com Michael é mesmo o facto de não ter de me preocupar com a minha palidez. Nisso, ele é parecido comigo. Não é pálido como eu, mas também o é. Isso é uma das coisas que por vezes me dá mais problemas de auto estima, mas não agora.
- Gosto do vestido. – Foi a primeira coisa que Michael disse quando entrei no seu carro.
- Gosto da t-shirt. – Respondi, olhando a sua t-shirt vermelha sem mangas. Tinha uma carinha sorridente no meio, preta e era adorável, especialmente nele.
Coloquei o cinto e Michael arrancou com o carro. Olhei para a parte de trás, vendo uma guitarra e sorri, esperando que isso significasse que ele iria tocar para mim na praia.
- Venice Beach? – Michael perguntou e eu assenti.
Nunca lhe perguntei nada sobre ele. Sobre os pais dele ou irmãos ou de onde é. O sotaque australiano dele é bastante carregado, então isso não é uma dúvida. Mas sinto que ele sabe literalmente tudo sobre mim e eu não o conheço minimamente. Ao mesmo tempo, sinto que o conheço melhor do que me conheço a mim mesma.
Michael murmurava baixinho a letra da música que tocava no rádio enquanto eu apenas olhava a rua do lado de fora. Los Angeles é um paraíso. Vivo cá desde que me lembro e nunca me poderia queixar. As pessoas ganham bem, a praia é fantástica, são todos amáveis.
Viajei diversas vezes, por vários países. Isso também sempre foi uma grande paixão. Viagens, o avião, os horários e costumes diferentes…
- O que queres fazer no futuro? – Michael perguntou e eu olhei-o. – Tipo… Que emprego queres?
- Acabei agora a escola e quero ir para medicina ou direito… Gostava de ser médica ou advogada. – Disse. – Também gostava de ser psicóloga mas tenho notas que me permitem algo melhor e não desgosto as outras opções então… Inscrevi-me em várias Universidades e já recebi duas cartas mas continuo sempre na esperança que me aceitem em Harvard… É meio que um sonho. – Admiti com um pequeno sorriso.
- Uma médica, hein? – Michael sorriu e olhou novamente em frente. – Gosto que tenhas objetivos de vida e gosto ainda mais que lutes por eles. Ultimamente os adolescentes não se esforçam minimamente para nada e depois ficam sentados a chorar, a dizer que nada de bom lhes acontece. – Michael disse, dando de ombros. – Só acho que se realmente queremos algo, devemos agarrar-nos a isso com unhas e dentes.
Apenas sorri e voltei a olhar pela janela. Queria saber mais coisas sobre ele, mas por alguma razão, algo me dizia para não perguntar. Algo cá dentro me dizia para eu deixar ser ele a tomar a iniciativa de falar mais da sua vida, da sua família…
- E chegámos. – Michael disse, estacionando o carro perto da praia. Retirei o cinto e saí do carro, pegando na minha mala e colocando-a aos ombros.
Michael deu a volta ao carro e abriu o porta bagagens, retirando um chapéu de sol do mesmo e de seguida, tirou a sua guitarra e uma toalha.
Olhei em volta, vendo algumas pessoas a passear de um lado para o outro. Alguns faziam exercício físico, outros apenas namoravam. Algumas raparigas e rapazes passeavam os seus cães e outras pessoas aproveitavam mesmo para apanhar o sol do inicio do verão, que já era quente.
Enquanto Michael caminhava à minha frente, eu olhava atentamente o brilho do seu cabelo ao sol, a forma como segurava aquela guitarra como se fosse a sua vida.
Michael por fim parou de andar, já na areia e pousou as coisas no chão, menos a guitarra. Eu baixei-me e pousei a mala no chão, retirando a minha toalha e esticando a mesma.
Michael pousou a guitarra em cima da minha toalha e começou a tratar de colocar o chapéu bem preso à areia, para que eventualmente este não fosse fugir com o vento.
Um grupo de adolescentes ouviam musica ao nosso lado e eu agradeci a Deus por terem bom gosto. Passavam algumas musicas mexidas, animadas, perfeitas para a época.
- E pronto! – Michael sacudiu as mãos depois de conseguir finalmente espetar o chapéu na areia e esticou a sua toalha. Levou ambas as mãos à gola da sua camisola e puxou-a, revelando o seu tronco. Não era espetacular. Não tinha imensos abdominais ou os maiores músculos do mundo. Era um rapaz simples, no entanto, ainda me senti tentada a saltar-lhe para cima e terminar o que começamos na noite passada.
Levei as mãos ao fim do meu vestido, puxando-o e retirando-o do meu corpo. Olhei então Michael, que tinha os olhos fixados no meu corpo.
- Terra chama Michael? – Disse soltando uma gargalhada e os seus olhos voltaram ao meu rosto, um sorriso aparecendo nos seus lábios aos poucos e as suas bochechas ficando ligeiramente vermelhas.
- Desculpa… Só não acho que me vá cansar de te ver assim um dia. – Ele admitiu, levando as mãos ao rosto, tapando-o atrapalhado. Michael estava agora mais adorável do que nunca. – Bom… Vamos à agua? Parece estar boa.
Michael e eu caminhamos lentamente até à água, olhando sempre as nossas coisas fazendo questão de não permitir que nada fosse roubado. Brincámos na água, nadámos…
A meio da tarde, Michael até me comprou um gelado de morango: Sem eu pedir!
Ele tem esse efeito em mim… Faz-me dar valor às coisas pequenas, que são dadas com carinho e não apenas com a intenção de pedir algo em troca ou de mostrar que se pode.
Os meus pais davam-me brinquedos quando eu era bebé, para me calar, para me mostrarem a riqueza da família. Enquanto isso, Michael ofereceu-me um gelado por puro prazer. É algo tão pequeno mas com ele, tem tanto significado.
É como o facto de ele gostar de passar tempo comigo. O facto de ele gostar da minha companhia é algo que me faz confusão… As pessoas geralmente têm tendência a achar-me esquisita, ou demasiado nerd para se darem comigo. Tive sorte ao encontrar amigos como a Carol, Olena, Wesley ou Harry. Somos todos diferentes mas compreendemo-nos melhor que ninguém.
- Estás a divertir-te? – Michael perguntou enquanto lambia um bocado do meu gelado.
- Mais do que nunca.
~~
- Okay okay espera… - Michael disse enquanto pegava na guitarra e se sentava na areia, ao meu lado. O meu cabelo estava molhado, depois de eu ter saído da água recentemente. Eram agora perto das oito, o sol começava a pôr-se aos poucos no horizonte. Era uma vista fantástica, mas por alguma razão, os meus olhos estavam presos a Michael.
- Toca algo. – Pedi e virei-me para ele, ignorando completamente a vista do sol a pôr-se sobre o mar.
- E o que queres que toque? – Michael perguntou ajeitando a guitarra nas suas pernas.
- O que tu quiseres… Algo teu. Algo original. – Pedi.
Michael ficou pensativo por momentos e de seguida, fechou os olhos, tocando uma melodia. Não era como as que eu costumava procurar no youtube para me acalmar. Era algo mexido, misterioso. Michael mexia os lábios lentamente, fazendo alguns sons de vez em quando, provando que ele tinha uma letra escrita para isto.
- Canta… - Pedi e Michael olhou-me, parando de tocar.
- Oh… Não tenho nada escrito. – Ele estava atrapalhado, era fácil de o perceber no som da sua voz e na forma como gaguejou.
- Oh vá lá! Eu vi-te a mexer os lábios… Quero ouvir. O que escreveste?
- Não está acabada… Comecei a pensar na música ontem à noite enquanto nos preparávamos para dormir. A letra apenas apareceu na minha mente, foi estranho. – Michael disse, dando de ombros. – Lembra-me de ti para ser honesto. Tipo… Dessa cena que tu tens com os teus pais, a vossa relação sabes? Ou a tua relação com o mundo… Tipo… Pareces-me uma pessoa presa. Parece que queres sempre descobrir mais e estás sempre disposta a novas aventuras porque não as viveste ao longo da tua vida.
- Posso ouvir? – Pedi, novamente, agora ainda mais intrigada.
Michael respirou fundo e assentiu, voltando a tocar e abriu os seus lábios ligeiramente, proferindo a primeira frase:
- Life can be so hard to breathe when you’re trapped inside a box, you’re waiting for a break to come, it always comes too late.
{COMO ASSIM ESTAMOS QUASE NAS MIL LEITURAS EU SINTO QUE VOU MORRER A QUALQUER MOMENTO SOCORRO!
Okay, breathe Ana breathe...
Como têm estado? Sei que não tenho feito update e peço desculpa mas a escola só me complica as coisas! Anyways, espero que gostem deste capitulo, nada de especial acontece mas pronto, era para fazer update.
Mal posso esperar para ver a vossa reação quando a história realmente começar, já não falta muito!
Comentem, votem, etc, love you Xx}