Uma babá exemplar

By Melfabulous

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José Alexandre Aguiar e Emilly Magaoa se conheceram no primeiro ano do ensino médio, quando José mudou de Ame... More

Aviso
Sinopse
ı
Emilly
José Alexandre
Thaís
Richard
Renan
ıı
III
IV
V
VII
VIII
IX
X
XI
XII
XIII
XIV
XV
XVI
XVII
XVIII
XIX

VI

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By Melfabulous

Era sábado, dia da minha folga. Eu havia combinado com minha mãe de ajudá-la na faxina da casa e a noite eu sairia com alguns colegas. Nós iríamos a um pub Irlandês, localizado no Tatuapé. Eu ansiava pela resenha, pois Renan havia perdido uma aposta comigo e devido a isso, iria bancar todas as bebidas que eu fosse consumir. Entretanto, alegria de pobre dura pouco. A casa estava arrumada, minha mãe não enchia o saco e eu já me arrumava para sair, quando meu celular começou a tocar insistentemente.

Era José.

– Pois não? – Atendi a ligação sem demonstrar um pingo de paciência.

– Thaís? – Perguntou num tom de voz preocupado. – Desculpe estar te ligando no dia da sua folga, mas é o Gael...

– O que tem o Gael? – Perguntei apreensiva.

– Ele está passando mal... E... Eu não sou um bom pai, Thaís. Não sei o que fazer!

– Calma... Me diz o que ele está sentindo. – Minhas mãos começaram a suar de nervoso, mas eu tinha que transparecer estar calma, pois eu precisava que ele também estivesse calmo para assim me passar às informações corretas.

– Ele está vomitando muito... Digo, você conhece o Gael, sabe que ele não dá trabalho para comer. Tentei alimentá-lo o dia todo, mas foi em vão. Entendi que ele estivesse com algum mal estar, então não insisti. – José explicava, atropelando as palavras. – Mas agora à tarde, ele começou a gorfar... Já vomitou três vezes e agora acho que está com febre.

– O melhor a se fazer é levá-lo ao pronto socorro...

– Eu sei! – Me cortou. – Mas eu não sou um bom pai, Thaís. Estou com medo... Você pode nos acompanhar? Por favor? – Era nítido o desespero em sua voz.

– Já era pra você ter me ligado, José. – O repreendi, aflita. – Acabei de sair do banho, vou colocar uma roupa e passo aí.

– Não! Me fala seu endereço que eu passo aí pra te buscar. – Respirei fundo, ponderando a situação.

– Ok... Te envio uma mensagem. – Avisei, desligando a chamada.

Olhei para imagem refletida no espelho e encolhi os ombros com pesar. Meu cabelo estava solto, com encantadoras ondas que eu acabara de fazer com o modelador de cachos. Em meu rosto havia pouca maquiagem, mas o batom vermelho destacava meus lábios. Pensei em tomar outro banho, para retirar a maquiagem e não parecer tão ousada, mas isso levaria tempo. Enviei a mensagem para José e fui atrás de uma calça jeans e uma blusa básica. Após me trocar, liguei para Renan, contando-lhe o ocorrido. Ele disse que não era minha obrigação acompanhar José e que se eu estava tão preocupada com Gael, eu deveria ligar para sua avó e pedir que ela o acompanhasse até o hospital. Sei que não era minha obrigação, mas só de saber que meu menino havia vomitado, me deixou bastante preocupada. Eu precisava vê-lo e assegurá-lo que logo tudo ficaria bem.

(...)

(José)

Chegando ao pronto socorro, Thaís levou Gael para a triagem enquanto eu abria sua ficha. Normalmente, deveríamos pegar uma senha e aguardar com os demais que ali estavam, mas Gael estava com febre e a enfermeira pediu que ele passasse na frente, junto com uma menininha que também estava com os mesmos sintomas que ele. Terminada a triagem, fomos direcionados para a ala infantil, onde ficamos até a pediatra chamar pelo meu filho. Ela o examinou clinicamente e solicitou um exame de sangue. Gael foi encaminhado para a sala de medicação, onde o colocaram no soro. Thaís ficou na sala com ele, enquanto eu esperava no corredor.

***

– Alguma novidade? – Perguntei para Thaís quando a vi sair da sala.

– Sim... – Assentiu. – O resultado do exame saiu e a pediatra veio falar comigo. Ele só está com uma virose... Ela solicitou que ele passe a noite aqui, para ficar em observação. Vão transferi-lo para um quarto agora.

– Não me lembro da ultima vez que ele teve virose... Ele é sempre tão forte.

– Seria legal você entrar no quarto com ele, sabe? Pelo menos até ele dormir... – Hesitou.

– Tudo bem... – Acompanhei Gael até o quarto. Assim que ele me viu, esboçou um largo sorriso, o que me fez sorrir também. – É bom ver sua melhora, filho. – Falei, depositando um beijo no topo de sua cabeça. A medicação logo o fez dormir. Saí do quarto e me juntei à Thaís, sentando ao seu lado, na sala de espera. – Obrigado por vir. – Agradeci sincero.

– Deveria ter me ligado assim que ele começou a passar mal...

– Não queria te preocupar... Enfim, ele acabou de dormir. Está bem melhor.

– Fico feliz! – Respondeu com a voz sonolenta. Só então percebi que já havia passado quase quatro horas desde que demos entrada no pronto socorro.

– Eu te levo em casa... – Ela me olhou sem entender. – Sei que está cansada. Pode deixar que eu passo a noite aqui com ele.

– Nem pensar! – Protestou. – Só saio daqui acompanhada do Gael.

– Tudo bem. – Assenti, sorrindo internamente. Eu não queria que ela fosse embora. – Quais eram seus planos antes de te atrapalharmos? – Perguntei a fim de matar minha curiosidade. Apesar de estar vestida quase que como sempre, Thaís estava maquiada, com os lábios bem marcados por um batom vermelho que casava perfeitamente com o tom de sua pele.

– Nada demais... – Deu de ombros. – Eu ia sair com Renan e alguns colegas.

– Renan é seu namorado?

– Não... – Sorriu. – É meu amigo com benefícios.

– Ah...

– Posso te perguntar uma coisa? – Assenti, virando a cabeça a fim de encará-la. – Gostaria que não me levasse a mal e se não quiser responder, tudo bem...

– Certo...

– Você saiu com alguma mulher desde que perdeu sua esposa? – Se essa pergunta fosse feita por qualquer outra pessoa, creio que eu me sentiria ofendido. Mas a forma que Thaís me desafiava, fazia com que eu entrasse em contradição comigo mesmo. Logo, sua pergunta não foi uma ofensa.

– Eu beijei outras garotas antes de começar a namorar com Emilly... Depois disso nunca mais fiquei com outra mulher. – Dei de ombros, pois não era algo que me incomodava. Emilly era mais do que perfeita para mim. – Ela foi a primeira e única com quem fiz amor.

– Ual...

– Surpresa?

– Ér... Sim. – Sorriu timidamente. – Digo, não é algo que eu esperava.

– Sinto falta é claro... Esse é um dos pontos que trabalho com minha psicóloga. – Talvez fosse o ponto que Glória mais tentasse trabalhar em mim. – Richard tentou me ajudar ano passado. Saí com uma garota ruiva, da minha idade. Fomos ao cinema, jantamos e aí veio o desespero... Eu me senti como se estivesse traindo minha esposa.

– Espero um dia poder amar alguém assim... – Thaís disse de forma empática. Sorri em resposta. Acredito que todos deviam saborear o gosto de um amor verdadeiro.

– Nunca se apaixonou? – Ela meneou a cabeça negativamente.

– Nunca. – Sorriu. – Já me encantei com muitos, mas nunca senti o tal frio na barriga. O encanto sempre passa depois da transa.

– Se deitou com quantos? – Ela corou com a pergunta e só então me dei conta de que as palavras simplesmente saíram da minha boca. – Desculpe. – Pedi envergonhado.

– Esse não é o tipo de pergunta que um chefe não deveria fazer ao seu funcionário? – Perguntou sarcástica. Tentei abrir a boca pra formular uma resposta, mas fora em vão, o que resultou em sua risada. – Perdi a virgindade com Renan, no meu aniversário de 15 anos. – Não sei o porquê, mas aquele nome estava começando a me irritar. – Foi uma merda, porque ambos não sabíamos o que fazer. – Ela sorriu como se estivesse relembrando o que viveu. – Não me contentei e fui atrás de mais... Saí com um cara de 20 anos e ele me ensinou umas coisas bem legais, que depois passei para o Renan. Os dois foram minha foda fixa até eu completar 16 anos, quando baixei o tinder e comecei a flertar com alguns caras. Com 17 eu havia me deitado com 8. Agora com 18, esse número subiu pra 12. Pra algumas pessoas pode ser considerado um número grande, afinal, vivemos dentro de uma sociedade machista onde se espera que a mulher case virgem, enquanto é normal que o homem tenha várias parceiras. Mas eu não me importo... Sexo é bom e eu não passo vontade. – Explicou dando de ombros.

– O que te atrai fisicamente em um homem? – Perguntei; Nós não deveríamos ter esse tipo de conversa, contudo, cada vez mais Thaís me intrigava e eu queria saber mais dela. Além de quê fora ela quem fizera a primeira pergunta íntima. 

– A altura. – Respondeu com um sorriso. – Gosto de homens altos. E você?

– Ah... – Sorri envergonhado, endireitando-me na cadeira. – Eu sempre avalio o conjunto, sabe?!

– Mas não tem algo que te atraia mais? – Pensei em responder que sim, pois uma linda boca feita a dela, me atraia demais. Entretanto, eu não quis parecer um tarado.

– Acho que não... – Logo mudamos de assunto e eu tornei a falar de Emilly. Contei como nos conhecemos, sobre seu pedido de casamento, sobre nossa lua-de-mel e sobre o quanto ela fazia falta. Cheguei a me emocionar enquanto contava e Thaís ouvia tudo atentamente, bastante interessada na história. Por volta das 2:h, eu peguei uma coberta emprestada com uma das enfermeiras, pois fizera muito frio. Thaís fora a primeira a dormir. Ela encostou a cabeça na parede, mas em poucos minutos, mudou de posição, encostando-a em meu ombro. Seu cheiro invadiu minhas narinas, causando em meu corpo um frenesi antes adormecido. Minha pele se arrepiou e eu pude sentir as batidas aceleradas do meu coração; Esse simples contato fora capaz de bagunçar e incendiar minha mente.  

(...)

– Hey! – Acordei com alguém me chacoalhando. Era Thaís. – Toma. – Disse, entregando-me um copo com café. – Gael foi liberado pela médica. Ele está melhor, mas precisa de cuidados, é claro. – Peguei o café e o beberiquei. Thaís havia lavado o rosto, pois estava sem a maquiagem do dia anterior; seu cabelo estava preso em um coque no topo da cabeça.

– Você vem conosco ou prefere que eu a deixe em casa? – Perguntei com a voz rouca. Apesar de querer -sem saber o porquê de querer- que ela passasse o dia conosco, era domingo, dia da sua folga.

– Se você não se importar, prefiro voltar com vocês. Fiquei bastante preocupada com ele, quero estar atenta à sua recuperação.

– Me importar? – Sorri. – Fico tranquilo que volte conosco. – Entornei o restante do café e acompanhei Thaís até o quarto que Gael estava, onde ele ainda dormia.

– Pega ele. – Thaís sussurrou, pois além do Gael, havia outras duas crianças dormindo. Apesar de hesitante, peguei meu filho, tomando cuidado para não acordá-lo. Fomos até o estacionamento e só nele que entreguei Gael para Thaís. Antes de voltarmos para casa, passei na farmácia para comprar os medicamentos que a pediatra havia receitado.

***

Thaís se ofereceu para fazer o almoço, mas eu recusei, pois além de ser sua folga, eu sabia que ela estava cansada. Ela apenas cozinhou alguns legumes para dá-los amassados com frango desfiado à Gael, que apesar de relutante, comeu tudo; Eu pedi duas marmitas de um dos meus restaurantes preferidos e almoçamos juntos na sala.

O soro fez Gael dormir o dia inteiro. Ele não teve mais febre, porém ainda nauseava. A pediatra nos informou que seria normal caso isso ocorresse, pedindo apenas que nos atentássemos à sua hidratação.

– Vou dormir um pouco. – Thaís anunciou. – Caso Gael acorde ou você precise de algo, pode me acordar.

– Tudo bem. – Assenti. Eu também estava com sono, mas preferi me manter acordado e ficar supervisionando Gael. Liguei a TV e comecei a assistir Simpsons na FOX. Um tempo depois, algo começou a vibrar embaixo do meu pé. Me estiquei para ver o que era e notei ser o celular da Thaís. O visor indicava uma ligação de Renan. – Alô?!

– Thaís? – Perguntou desconfiado. Até sua voz era irritante.

– Ela está dormindo. Quer que eu a chame? – Perguntei presunçoso.

– Ligo outra hora. – E desligou.

Idiota.

Reconheci meu erro e fui até o quarto de hospedes, avisar Thaís que seu celular estava tocando.  Bati na porta três vezes e como não obtive resposta, entrei assim mesmo. Ela dormia angelicalmente em sua cama; Coloquei o celular em cima do criado-mudo, caso o idiota tornasse a ligar. Quando eu ia saindo do quarto, algo me chamou atenção. No canto da parede, ao lado da porta, havia algumas peças de roupa que provavelmente estavam ali por estarem sujas. Fui até lá e me abaixei, pegando o pano que havia me chamado atenção: Uma calcinha rendada na cor vermelha.

(...)

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