7. Companheiros
Autora on
O peito de Hinata doía. Sua mente estava nublada. Se ele se sentia um idiota por ter saído daquela maneira? Claro que sim. Mas o que podia fazer? A presença da ômega o incomodava, vê-la conversando e sendo amigável com Kageyama foi a gota d'agua. Seu lobo não aguentava ver tal cena, então que ele ficasse flertando com aquela ômega idiota! Não iria presenciar tal cena.
Pegando sua bicicleta ele foi diretamente para sua casa, pedalando o mais rápido que podia, mesmo não sendo real, imagem dos dois conversando e sorrindo vinha em seus pensamentos. Eles não combinam nem um pouco!
O ômega estava confuso, nunca tinha experimentado sensações tão ruins, se recriminava por pensar mal da garota, sabia que era errado, mas quem poderia mudar seus pensamentos? Chegou em casa cansado pelo esforço, agradecendo por não ter ninguém nesse horário. Foi direto para seu quarto, deitando em sua cama e afundando a cabeça no travesseiro, deixando sair um grito abafado. Estava tão frustrado! Levantou-se após alguns minutos e foi para o banheiro, precisava urgentemente de um banho.
Kageyama logo após ver Hinata saindo, foi atrás dele, não podia evitar em se preocupar, principalmente agora que um elo havia sido feito entre eles. Mas não o encontrou no bicicletário, nem no portão de entrada, então foi diretamente para casa, com a esperança de encontrar o garoto lá, mas esta logo foi descartada ao não ver a bicicleta na garagem. Então ele adentrou, encontrando sua mãe na cozinha.
_Estou em casa! Hinata passou aqui? –Perguntou acanhado.
_Não. Aconteceu alguma coisa? Ele não devia estar com você? Você esta bem? Não esta sentindo dor? –Perguntou preocupada.
_Eu estou bem, pensei que ele iria passar aqui para me esperar antes de ir para casa. Vou tomar um banho e irei para lá. –Mentiu, não deixaria sua mãe ainda mais preocupada.
Foi para o quarto, indo em direção ao banheiro, agradeceu pelos pais de Hinata já terem levado alguns pares de roupa para lá como precaução, deixando uns dele na sua casa também. Durante o banho começou a sentir leves dores em seu corpo, resultado do tempo em que estiveram separados. Mais de uma hora. Apressou-se, vestindo e organizando seus materiais, pedindo carona pra sua mãe.
Já em frente á casa do ômega, com uma mochila nas costas, pegou seu celular e ligou para o mesmo.
_Estou em frente á sua casa, abra a porta. –Disse após o mesmo atender, desligando antes de receber qualquer resposta.
Como Kageyama podia ser tão frio? Pensou enquanto se direcionava para a porta, mas não podia reclamar as dores já estavam fortes para seu corpo, mal conseguia se manter de pé, se o mesmo não tivesse vindo, o episódio de sexta teria se repetido novamente, já que não conseguiria ir até lá.
Quando a porta foi aberta Kageyama se deparou com um Hinata extremamente pálido e trêmulo, deixando-o com raiva. Foi por instinto que ele entrou na casa e rodeou seus braços em torno do corpo do menor, deixando seu cheiro aumentar para acalmar seu lobo.
_Seu idiota! Porque saiu correndo daquele jeito? Sabe que por ser ômega é mais propenso as dores. –Repreendeu a irritação presente em sua voz enquanto desfazia o abraço. –Vamos para seu quarto.
_Não grita comigo! –Pediu encaminhando-os para seu quarto, ainda se sentia fraco e tonto, sendo guiado com a ajuda de Kageyama para a cama.
Deitando-se primeiro o Alfa puxou o corpo do ômega, colocando a cabeça na curvatura de seu pescoço para que assim sentisse melhor seu cheiro. Seus corpos se aproximaram, buscando o maior contato possível.
_Agora me diga, por que você saiu correndo? Seu lobo estava triste e irritado ao mesmo tempo. –Perguntou após alguns minutos em silêncio, com dúvida e curiosidade.
_É que aquela estava ômega lá conversando com você, isso me fez lembrar a primeira vez que a vimos, você ficou encarando-a por um tempo e agora ela estava te elogiando. Eu não sei realmente o que aconteceu; somente que te ver perto dela faz meu lobo ficar inquieto e se sentir rejeitado, então resolvi vir embora e deixar os dois flertando. E como você sabe o que meu lobo está sentindo? –Disse com a voz abafada, enterrando ainda mais seu rosto no pescoço do outro, com vergonha por ter que admitir algo que agora parece tão bobo.
_Não diga besteiras, eu não estava flertando com ela, apenas respondi a um elogio feito á minha maneira de jogar, da primeira vez que a vimos eu só estava observando o quão diferente o cheiro dela é do seu. –Falou acanhado, odiava revelar seus sentimentos á alguém, principalmente para o baixinho.
_Esta falando serio? –Perguntou não conseguindo evitar a desconfiança.
_Idiota, eu não sinto nada por ela, você está pensando demais nisso. Você não percebeu o que aconteceu hoje durante o jogo? Fizemos uma ligação, talvez seja por causa do Imprinting. –Disse enquanto afagava inconscientemente as costas do ômega, respondendo também á outra pergunta feita antes.
_Mas porque só agora isso ocorreu? Essa conexão que sentimos!
_Bom talvez seja porque finalmente aceitamos completamente um ao outro, então a ligação se fortificou, por isso consigo saber o que você esta sentindo se eu me concentrar.
_O que você quer dizer com aceitamos um ao outro? –Perguntou o alaranjado, levantando sua cabeça para olhar o Alfa. Ele não entendia o que realmente havia ocorrido.
_Quero dizer... que durante o jogo, as palavras que dissemos, foi como se estivéssemos aceitando que somos companheiros um do outro, idiota. –Disse Kageyama com um suspiro voltando à cabeça de Hinata para a posição anterior. –Agora fique quieto e vamos tirar um cochilo, sei que está tão cansado quanto eu.
Assim os dois caíram no sono, constrangidos com o significado das palavras proferidas. Eles eram companheiros, pertencia um ao outro.
Enquanto isso... Na quadra de vôlei da Karasuno, podemos ver dois garotos terminando de trancar o local. Eles eram os responsáveis da semana. Sawamura Daichi e Sugawara Koshi. Já estava escurecendo quando terminou a limpeza, os outros integrantes foram embora à medida que concluíam seus afazeres.
_O que você achou dos novos integrantes Daichi? –Perguntou Sugawara ao terminar de fechar a quadra.
_Eles são interessantes. Apesar se serem poucos que entraram, eles iram fazer nosso time muito mais forte, principalmente aquela dupla.
_Acho que você está certo, Karasuno vai ficar muito forte após aperfeiçoarmos suas habilidades, hein?
_Sim, mas deixando isso de lado, estamos sozinhos. Todos já foram embora. Agora, você tem algo pra dizer, não tem ômega? –Instigou Daichi, enquanto prensava seu corpo contra a parede. Assustando o outro.
_Não sei do que você está falando. –Desconversou o acinzentado, desconfortável pela posição.
_Oh, então quer dizer que você não sabia sobre o treino secreto deles? Nem que ajudou Hinata? -Inquiriu, sussurrando no ouvido do outro, causando arrepios em sua nuca.
_Você esta bravo? -Perguntou acanhado, Daichi quando estava zangado conseguia ser muito assustador.
_Não, só achei que como seu namorado, você deveria ter me dito isso. Sempre somos sinceros um com o outro, hmm? –Enquanto falava, ia deixando pequenos beijos pelo pescoço do ômega, sentindo a pele do mesmo se arrepiar.
_D-Daichi! Não faça isso aqui, alguém pode nos ver. Desculpe não ter falado nada, eles pediram segredo. –Disse soltando um suspiro, apesar de ter pedido para o companheiro parar, estava gostando dos beijos, que já estavam em seu queixo.
_Claro, vamos embora. Deixar-te-ei em casa. –Terminou deixando um selinho em seus lábios.
Eles namoravam há quase um ano, mas ninguém do colégio sabia, nem mesmo seus amigos mais próximos, estavam planejando contar á eles, só não tiveram uma oportunidade ainda. Era ruim ter que fingir que seu relacionamento era apenas de bons amigos, principalmente para Sugawara que sabia haver uma ômega que era perdidamente apaixonada por Daichi. Isso o incomodava muito, tinha medo de ser trocado por ela. Não podia evitar, era muito inseguro em relação a si.
Algumas famílias mais tradicionais não gostavam de ômegas machos, eram muito preconceituosos. A família de Daichi era extremamente tradicional, eles não sabiam sobre o relacionamento deles. Sugawara tinha medo de o rejeitarem e ser obrigado a abandoná-lo, por isso pediu pro moreno não contar nada ainda e sempre se esquivava quando o assunto era trago á tona.
Tão absorto estava que nem percebeu quando chegou na rua de sua casa, sendo tirado de seus pensamentos pelo moreno, que deu um fraco peteleco em sua testa.
_Ei, já chegamos. Você ficou o caminho todo aéreo, algo te incomoda? –Perguntou enquanto afagava suas bochechas.
_Não, estava apenas pensando em quanta atividade ainda temos que fazer. –Mentiu.
_É mesmo, bom vou indo. Vemo-nos amanhã, no treino. –Se despediram com um beijo calmo e doce.
Sugawara ficou observando Daichi indo embora. Com uma sensação estranho em seu peito se encaminhou pera a própria casa, mal sabendo que uma grande tempestade estava se aproximando.