A Concessiva

By Fef34nanda

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Bianca Konzession não queria cair diretamente numa cidadezinha pacata no estado da Baviera que nem ao menos a... More

1. A decisão?
2. Exigências.
3. Herança de grego?
5.Brincando com o lobo?
6. A dublagem?
7. Ninguém precisa saber.
8. Para Sempre.

4. Nada convencional?

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By Fef34nanda


Marcelle

Eu queria gritar, mas o som não saía e aquilo nem era a culpa de Bianca porque eu decidira ir junto dela por conta própria e agora estava sendo castigada por ter uma doença que me levou diretamente para as garras de um lunático.

'' Como alguém pode ser tão sórdido apenas por causa de potes de mel e do controle de dar a última palavra?'' — eu não conseguia encará-lo quando fiquei de pé na saída da casa Stein.

— Com licença. — Bianca chamou pelo trio e eles vieram até ela com atenções em sua expressão de aborrecimento.

— Sei que deveria agradecer e sou mesmo grata pelo que fizeram lá dentro, mas devo adverti-los de que em relação as minhas meninas, eu sou capaz de usar os meus instrumentos cirúrgicos para cortar paus. Portanto comportem-se com elas. — o tom que soou não era uma brincadeira e ambos piscaram assentindo, embora eu duvidasse que Julian Draxler iria pegar leve.

— É bom que tenham me escutado. E meninas eu as verei amanhã na funerária para uma conversa sobre tudo o que está acontecendo. Sinto-me culpada nesse momento e incapaz de olhá-las nos olhos sem ter vontade de matar alguém que já é a morte. — emendou cansada e não escondendo que se sentia derrotada enquanto Toni a observava de longe no quintal da propriedade.

— Que culpa você teve em não saber que sua avó era uma mulher amaldiçoada? Vá em paz, Bia. Nós estamos colhendo o que fizemos por vontade própria. — Julie foi condescendente como sempre se portava em situações que não podiam ser remediadas.

— O que está feito... Está feito. Há coisas que não se pode prever. — falei tentando animá-la em não demonstrar que queria fugir.

Ter descoberto a verdade e ter visto tudo de perto não era nada em comparação ao que imaginava que poderia me esperar.

— Sabe que teríamos ido até o fim do mundo por você. E pelo menos estamos vivas para que você possa brigar conosco como sempre. Agora vá descansar e amanhã nos veremos. — Caroline ainda sorriu, mas também estava visivelmente abalada e eu cogitei que era pelo estresse vivido por nós todas e sua preocupação em relação à segurança e a saúde de Bianca depois daquelas bombas.

— Sou uma amiga horrível e ainda estão me dando...

A amparamos num abraço coletivo.

— Ficaremos bem. — dissemos em coro, mas nenhuma tinha a certeza disto.

E após a despedida cada uma teve de seguir o seu respectivo carcereiro mor até os seus veículos.

— O cinto. — a voz de Julian soou antes que ele desse a partida em sua Pick up Ford azul e sem me dignar a olhá-lo o obedeci como se fosse uma condenada rumo ao caminho do fim.

Abraçando a mim mesma ainda envolta daquela toalha de linho, eu apenas me mantive de cabeça baixa durante todo o trajeto até a propriedade daquele homem.

— Desça e entre na casa enquanto guardo o veículo. — pediu ameno ao estacionar e me soltei destravando a porta sem olhar para trás.

Caminhei pelo quintal banhado por um poste de luz discreto e notei que o suporte para os potes de mel tinham desaparecido. E em silêncio subi o lance de degraus até o familiar alpendre e então empurrei a porta de entrada indo parar na rústica sala aconchegante e logo de cara ouvi latidos.

'' Pronto. Agora eu irei ser devorada por cães. Por isso ele me deixou vir na frente e ser surpreendida. '' — pensei estacando no piso e então um cachorro gigantesco acompanhado de um filhote que não era nada pequeno surgiram olhando para mim.

Suas pelagens eram marrons, mas suas caras eram escuras e eles pareciam bem pesados.

— Meninos não...

Vieram saltitando em cima de mim e de repente me vi sentada no chão e recebendo lambidas.

— Lindos! Ah. Você é uma menina e você um menino. — ri fazendo carinho em ambos que não paravam de se movimentar.

— Poppy e Menelau! — a voz do dono da casa soou em comando alfa e os animais pararam e se sentaram obedientes.

— Esta é Marcelle a nova moradora da casa. Devem ficar por perto dela quando eu não estiver. — disse adentrando o cômodo já sem suas botas e me levantei já me sentindo como Julia Roberts em Dormindo com o Inimigo.

'' E agora?'' — me encolhi nervosamente já a espera dos maus tratos pelos potes destruídos.

— Olhe para mim. — ordenou e me recusei.

— Para onde foi à menina dissimulada da manhã que me deu respostas afiadas e depois fugiu? Bom. Agora que infelizmente sabe sobre o segredo de nossa comunidade, eu jamais poderei deixá-la ir e como eu disse na casa Stein. Você me deve pela audácia com os malditos potes e pretendo cobrar por cada um deles. — disse com ar de desafio e voltei a me irritar cedendo em encará-lo.

Estava sério e me olhando como se estivesse planejando algo, mas não saiu do lugar.

— O que quer que eu faça e o que pretende fazer comigo? Porque assim acabaria logo com essa tortura. — rosnei.

— Tudo há seu tempo. Não está em meu poder para ser desrespeitada fisicamente se é o que está cogitando. Sou um homem da lei e antes disso fui educado para ser honrado em nunca levantar a mão contra mulheres. Isso faz parte do código que todo o macho deveria saber quando lida com o sexo oposto. Claro que isso não significa que está isenta de estar aqui para satisfazer as minhas exigências, mas falaremos disso amanhã porque está cansada, estressada e assustada. Por isso subirá a escadaria e escolherá a primeira porta a direita para tomar um banho e ir dormir. — respondeu parecendo um general.

— Estou muito aliviada em saber que não é um Martin Burney. — falei zombeteira e não dando a mínima se ele entenderia a referência.

— Você tem mais curvas do que a Laura Burney e duvido que seria o tipo de mulher que viveria um relacionamento abusivo por muito tempo sem antes quebrar algo na cabeça do desgraçado e fazê-lo ir para o inferno. — a observação me deixou surpresa o suficiente para fingir-me de surda ao elogio ao meu corpo.

— Você conhece o...

— Eu fiz uma tese para uma das disciplinas da academia de polícia em minha época de cadete com base neste filme. E ele retrata tudo aquilo o que um psicopata abusivo consegue fazer com uma mulher. Tirei nota máxima e ainda tive o trabalho publicado como referência a pesquisas para outros estudantes. Agora deixemos esta questão interessante de lado porque precisa...

'' Esse imbecil é um acadêmico da polícia. '' — o comentário mostrava que não era um ignorante de tudo, mas eu continuava querendo socá-lo.

— Eu já ouvi esta parte e não estou segura se deveria...

— Tem três minutos para subir antes que eu me transforme num urso e a arraste pelas escadas. — ameaçou.

— Você está blefando. — não dei crédito ao me lembrar da figura do gigantesco urso de pelagem marrom que vira no quintal daquela casa antes que ele voltasse a ser um homem desnudo com bons dotes a exibir.

Já o tinha visto sem camisa pela manhã, mas ver tudo completamente deu mais ênfase ao fato de que o cretino era mesmo gostoso.

'' Do que adianta ser o tal se é um mala?''

— Está correta, mas eu não blefaria sobre avançar em você e carregá-la nos braços escadaria acima diretamente para o meu banheiro. Esta sua camisola e toalha úmidas seriam arrancadas e lhe daria um banho sem... — lambeu seus lábios finos e me endereçou um olhar malicioso.

— Acho que vou subir! — falei horrorizada ao me virar.

— Pensei que fosse me deixar ajudá-la a ser um futuro marido carinhoso. — disse uma pérola conforme fui me afastando.

— O inferno que eu iria deixá-lo tocar em mim! — esbravejei já subindo a escadaria e escutei sua risada cristalina.

E ao chegar ao topo me apressei pelo corredor e encontrei a dita porta.

'' Uau!'' — fiquei admirada com o tamanho do quarto e com a imagem da cama de casal toda feita de troncos de árvores e ainda constituída por um painel de frente e a sua cabeceira ornamentados com desenhos de paisagens em vetor da floresta.

O painel possuía a gravura de um alce entre pinheiros e a cabeceira o de um urso com a mesma paisagem de fundo. E dois criados mudos também de madeira seguravam abajures rústicos que estavam acesos.

Uma grande janela a frente estava fechada e de baixo dela havia um largo banco estofado de verde que seria ideal para quem gostava de ler ciente da vista lá fora.

— Um lugar caprichoso. — sussurrei olhando na direção de duas portas e imaginei que uma fosse à do closet e a outra a do banheiro.

E este também era amplo com uma banheira de louça e um box de mármore cinza em frente a uma janela com a vista para a floresta.

Um lustre arredondado e antigo pendia do teto em vigas deixando o ambiente iluminado e do lado esquerdo do cômodo estava a bancada e o vaso sanitário fechado com uma gravura de urso em sua tampa.

'' Vamos ser ursinho, mas sem exageros. '' — quase ri dos itens sobre a bancada, pois todos eles tinham enfeites com ursos marrons desde o porta escova de dentes, a caixa de lenços, o porta sabonetes, o porta papel higiênico e o porta toalhas.

— Sem dúvida um cara que tem ursinhos no banheiro não pode ser um assassino agressor. — tossi ao me despir e lavei as peças as deixando penduradas para secarem antes de enfim relaxar no jato d'água quente até ter os meus músculos distendidos.

E ainda tive de me lavar usando o sabonete dele que por sinal era da linha de perfumes da Bvlgari e cheiravam bem para caramba.

Demorei o quanto quis no banho e ao sair do cômodo me enrolei em uma toalha preta felpuda retornando ao quarto bem incerta do que vestir, mas acabei achando sobre o banco da janela uma camiseta preta de manga curta que com certeza fazia parte do uniforme de ginástica da polícia, pois continha o sobrenome do senhor soberbo em suas costas.

A peça exalava ao perfume caro e pendurei a toalha perto da cama antes de me atirar sobre o confortável colchão repleto de travesseiros e almofadas com o mesmo aroma.

— Por favor, eu preciso dormir sem sair andando pela casa. — implorei porque o dia já tinha sido de lascar o suficiente e em seguida fechei os olhos.

Não demorei muito para despencar pelo cansaço e estava tão acabada que a minha cisma com o outro foi para o espaço, pois se ele quisesse fazer algo comigo teria dado um jeito nisso assim que entrei no banho.

Fui acordando aos poucos e demorei a me situar que a cama macia e cheirando a uma colônia masculina marcante pertencia ao homem que me mantinha como a prisioneira dele.

Afastei o edredom branco de cima de mim e me espreguicei antes de saltitar pelo tapete até o banheiro e lá encontrei uma escova de dentes extra e até mesmo um frasco de sabonete de higiene feminina íntima ao lado de um roupão cor de rosa bem dobrado junto de uma calcinha de renda azul.

'' Essas coisas não estavam aqui ontem. '' — pensei desejando que ele não tivesse entrado no quarto enquanto eu dormia, mas estava bem na cara que acontecera porque a camisola, toalha de linho e a minha calcinha tinham desaparecido.

— Ok. Não se estresse. — sussurrei retirando a camiseta dele e fui tomar um banho.

As únicas coisas que usei foram à escova e o sabonete, pois uma vez bem limpinha ignorei o roupão e a calcinha porque achei o cúmulo que tivesse escolhido aquilo por mim como se eu fosse uma espécie de boneca dele.

A minha aparência estava melhor, mas o meu humor não. O que não era bom para ele se viesse me irritar.

Desci a escadaria e segui pela sala até chegar ao corredor do que era uma cozinha rústica planejada e então o vi de costas mexendo em algo no fogão cromado e tentei voltar à atenção ao cumprido balcão no meio do cômodo e a disposição de uma vazia mesa de seis cadeiras do outro lado.

— Bom dia. São exatas dez da manhã e o café está pronto. — disse sem se virar para me olhar e lá estava eu descendo a vista por suas costas musculosas desnudas, pois ele vestia apenas uma calça de pijama cinza.

— Deveria ter me acordado para ajudá-lo com o...

Julian se virou depois de desligar a frigideira e pareceu não se importar que eu ainda estivesse dentro da camisa dele ao invés de ter escolhido o roupão.

— Não é a sua obrigação me servir nisso. E jamais iria tirá-la de seu descanso depois de ontem para fazer qualquer coisa. — estava sendo muito educado comigo e em nada parecido com o irritante de ontem.

E pior. Seguia tendo um abdômen que parecia ainda mais incrível a cada olhada.

— Mas você disse que... — eu estava confusa.

— Tudo bem. Para evitarmos um atrito desnecessário, eu me sentarei e a deixarei servir a mesa com o café. — me cortou largando tudo e foi se sentar numa das cadeiras daquela mesa de canto.

Não é que eu confiasse nele, mas evitar um quebra pau até que não seria ruim porque precisava de uma carona. Portanto desisti da ideia de ser grosseira.

— Tudo bem. — assenti já indo na direção da pia que continha uma jarra de suco fresca e uma travessa de biscoitos.

— Marcelle?

— Sim? — olhei em sua direção e parei o que iria fazer.

— Antes de servir a mesa poderia me passar o frasco de mel a sua direita? — apontou na direção do forno alto embutido a parede acima da cumprida pia e naquela lateral estava o objeto.

— Claro. — o apanhei e fui a passos lentos até a mesa. — Aqui está o seu...

Num piscar de olhos a cadeira raspou o piso de madeira e eu fui agarrada pela cintura por suas mãos fortes deixando o frasco cair.

— Julian...

Acabei erguida e deitada sobre a mesa, mas não me esperneei para descer porque estava apavorada com a mudança educada dele para algo fora do convencional e também porque se o fizesse mostraria que estava sem calcinha.

— O que está fazendo? —tentei me sentar, mas sua mão direita tocou em meu ventre me forçando a permanecer naquela posição.

— A partir de hoje a sua única função será me servir o seu mel ''natural'' quando eu quiser para pagar por aqueles quinhentos potes destruídos. — respondeu como se fosse à coisa mais normal do mundo afirmar que faria um oral em mim.

E aquilo me causou um frio na barriga, pois jamais passara por algo assim e não esperava que fosse acontecer justamente com alguém que me detestava.

— Não estou acreditando que você teria essa coragem. Isso é um abuso e... — tentei persuadi-lo, mas suas mãos já estavam passeando nas laterais de minhas coxas que fiz o favor de manter bem fechadas.

— Veja isso como uma pena leve em vista de todo o transtorno que me causara nas últimas horas. Não seria um abuso. Sei que mulheres gostam de receber um... — sua expressão agora era a de um tarado pervertido.

— Eu não sou todo mundo! E você me odeia. E, além disso, eu seria incapaz de sentir prazer com você porque o acho um...

— Deixe-me prová-la e nós veremos. — deu uma risadinha sacana.

— Por favor, não...

Ele puxou a peça de roupa para cima e mordi o lábio com o seu olhar de avelã predatório em cima de minha feminilidade exposta.

— Com licença. Você também é linda aqui embaixo. — assoviou ao se ajoelhar e como era alto não teve dificuldade de ficar na altura necessária para o que faria, pois sua respiração estava varrendo a minha vagina e me deixando arrepiada pela adrenalina de ser o alvo de um ato não programado ao invés de estar aos prantos.

''Ai. Minha santa! Não posso sucumbir a este abuso. '' — pensei desesperada quando suas mãos abriram as minhas coxas para me expor ainda mais. E então recebi uma piscadela provocativa quando ele deu um beijo na parte interna de uma delas me fazendo prender a respiração.

A mesa dura sob a minha coluna era o de menos agora e engoli em seco pela tensão da expectativa que não demorou muito a ser quebrada quando o primeiro selar de seus lábios finos roçou ''nela. ''

Sim. A sondou com um mero roçar antes de partir para o ataque com uma senhora lambida experimental que me fez arquear as costas e grudar as mãos nas laterais da mesa para evitar os gemidos que queriam sair devido ao prazer.

— Você é mesmo doce como o mais puro mel e já a sinto molhada... Seu aroma é de flores. Isso continue aberta para o seu urso. — gemeu uma frase pornográfica que fez o calor em meu ventre aumentar o suficiente para que a minha lubrificação se misturasse a saliva dele.

'' Merda!'' — estava mesmo totalmente aberta e sendo linguada com gosto de manhã por um cara que não estava dando à mínima se eu era bizarra ou não como o meu primeiro paquera tinha gritado para todos os caras da escola.

Sim. Eu estava sentindo o deleite pela primeira vez com aquele mais improvável dos improváveis que estava mandando ver.

Olhou para cima mais uma vez e então sorveu o meu pontinho sensível sem dó antes de deixar a língua dura e passou a usá-la para me torturar o quanto quis.

— Move este quadril para o seu macho. Move. Eu sei que quer isso. — mais uma provocação ao usar a mão esquerda para movê-lo e gemeu louco de tesão porque perdi o controle do meu corpo ao rebolar na cara dele.

Porém tive a decência de virar o pescoço de lado porque acabaria gemendo e gritando como uma prostituta se os seus olhos continuassem intensos em mim.

'' Eu estou na mão do palhaço. Filho da mãe!'' — minhas juntas das mãos estavam doendo de tanto que apertava a mesa e achei que fosse quebrá-la quando Julian aumentou novamente a intensidade das chupadas com vontade e mordi o lábio até sentir o gosto de sangue quando o meu primeiro e intenso orgasmo aconteceu na língua daquele ordinário que tratou de lamber toda a minha menina que provavelmente estava inchada de ter sido massacrada por suas perícias.

— Humm. Que delícia. — gemeu ainda sorvendo de minha liberação e sem forças para evitar tive um novo orgasmo que dessa vez me fez machucar as mãos, mas não lhe inflei o ego com sons saídos de minha boca.

Com mais um beijo em minha coxa o senti se afastar e suada, eu movi a cabeça a tempo de vê-lo puxando o avermelhado, veiudo e grosso membro ereto para fora de sua calça antes de movimentá-lo de baixo para cima com avidez sem tirar os olhos de mim e então gozou rapidamente com um urro fazendo sua semente morna espirrar em meu ventre.

Aquela cena sem dúvida fora a mais erótica que eu vira em minha curta vida pregressa e o modo como ele estava tremendo de olhos fechados por alguns momentos me fez querer derrubá-lo no chão e cavalgá-lo como se tivesse toda a experiência do mundo. O que não tinha.

— Droga! — praguejou voltando a si ao sair daquela névoa de luxúria sexual.

E altamente envergonhada eu me sentei puxando a roupa e consegui descer da mesa sozinha porque não queria que ele me tocasse.

— Agora que já conseguiu o que queria, eu posso voltar para casa da Bia? — perguntei seca e olhei em seus olhos com ar de desafio enquanto ele ajeitava o membro ainda ereto na calça.

— Então é assim? Não vai dizer nada depois do orgasmo que acabei de...

— Eu não senti nada. Teve o meu corpo, mas não o meu cérebro. E para alguém que não me suporta você fez o contrário daquilo que dizia. O que faz de você um homem idiota e muito paté...

Julian fechou a cara e avançou em mim novamente para me erguer para cima num rompante e colar os seus lábios aos meus num beijo selvagem de posse.

— Hummmmm. — gemi o esmurrando nas costas poderosas e tentei virar a face, mas sem sucesso tive o efeito contrário em alguém maior e mais forte que me encostou contra o balcão no meio do cômodo sem interromper o beijo.

E este logo se tornou de língua e numa vã tentativa tentei mordê-lo,no entanto,eu mesma quem acabei mordida e de repente bêbada por seu gosto misturado ao meu num sabor almiscarado.

Minhas mãos foram para os seus cabelos os puxando de leve enquanto minhas pernas lhe rodeavam a cintura e não sei o que teria acontecido se o som de uma campainha alta não tivesse nos assustado.

— Inferno! — ele me soltou com delicadeza em relação à brutalidade anterior de ter me subjugado na mesa e no beijo

E tonta tentei me endireitar.

— Minha família está aqui! Suba e vá se limpar. O meu cheiro já está em você com sucesso e não haverá motivos para que achem que eu a peguei apenas para ajudar a Bianca a sair de problemas. — avisou ao tocar no assunto do acerto e cheguei à conclusão de que estava em poder dele. Não só pelos malditos potes, mas também porque o cretino julgara que estava ajudando a chefe da minha irmã.

'' Eu quero me matar!'' — estava furiosa com ele por sua postura em me usar e comigo mesma por ter se deixado chegar aquele ponto.

— Suas ordens serão cumpridas senhor Draxler. — cuspi e recebi um olhar ferino.

— Se não estivesse com pressa a faria...

— Eu irei quebrar o seu nariz se tocar em mim novamente! — o ameacei antes de sair andando.

— Eu estou contando com isso. — não me deu crédito e gargalhou.

'' Preciso sair desse lugar!'' — estava em meu limite quando me apressei em passar pela sala e subi a escadaria.

E uma vez de volta ao quarto, eu arranquei aquela camisa e tomei outro banho rápido para tirar o cheiro e a marca dele de mim e em seguida fui até o seu closet e encontrei as minhas peças de roupa sumidas.

Estava elétrica, relaxada e por que não dizer? Com ódio! E esperei uns dez minutos para descer a escadaria e com a sala ainda vazia, eu escapei aproveitando a porta destrancada e assim que pisei no quintal tropecei em Richard.

— Celle? Então é verdade. — rosnou ao me amparar para que não caísse.

— Como disse?

— O bastardo do Julian ligou para toda a família e disse que se vinculou a você e que em breve irão se casar. O ancião Albert deu você a ele e... Está cheirando a ele. O que aconteceu entre vocês? — o homem estava um siri na lata.

— Será que pode me dar uma carona e no caminho saber da fofoca? — implorei e sua expressão se suavizou.

— Eu irei matá-lo se... — começou a resmungar ao dar a partida em seu veículo.

— Não aconteceu nada. Seu primo é um maluco que... — omiti o que jamais diria a ninguém.

— Ele a obrigou a usar o ''óleo feito com o cabelo dele?''

'' Hã?''

— Sim. Eu... — não tinha ideia do que ele estava falando, mas para não sair por vadia concordei.

— Este óleo é feito quando a vinculação não existe de fato e o cheiro do urso ou lobo fica na fêmea para que todos pensem isso. No passado alguns transmorfos raptavam mulheres não amaldiçoadas e elas usavam o óleo até que se acostumassem a eles para darem a permissão de que o vínculo acontecesse. E...

'' Aquele enviado de satã abusou de mim sabendo que tinha outra alternativa para eu ficar com o aroma dele! Argh!''

— Seu primo é um inútil que só quis ajudar à concessiva quando fomos pegas espiando a comunidade sobrenatural. E ele também queria me fazer ser torturada pelos potes quebrados por...

— O deixe e fique comigo. Eu seria um macho melhor e jamais a destrataria. Daria o tempo que quisesse para se acostumar comigo até a vinculação. — pediu esperançoso.

— Não posso fazer isso com você e colocá-lo em problemas. O Julian é maquiavélico e poderia dizer alguma...

— Eu não o temo!

— Mas eu sim. Por favor, não faça isso comigo. — levei às mãos a face num gesto nervoso.

— Fique calma. Espere um pouco então antes de deixá-lo. Não irei pressioná-la se não estiver pronta. Estou pensando sem razão no escândalo que seria para a minha família se a ''esposa''de meu primo o chutasse por mim. — se acalmou rindo.

Não queria deixar o que já estava ruim ainda pior com uma briga de primos por minha causa. Corrigindo. Por causa do ego de Julian Draxler o maldito homem da lingüinha nervosa.

— Obrigado por me entender e me salvar de...

— Antes de ir para Licht venha tomar um sorvete comigo.

— E ainda nem tomei café da manhã e estou nesse estado de...

— Passaremos numa loja e depois na cafeteria para o desjejum e o sorvete. — disse animado e não pude dizer que não, pois me distrair faria a minha cara menos suspeita quando reencontrasse Julie e as outras.

— Ok! Mas na próxima vez eu pagarei as coisas. — assenti ainda incomodada entre as pernas depois do furacão Drax, mas logo tratei de fingir que aquilo nunca acontecera e que eu apenas andara de bicicleta durante muito tempo para acabar naquela situação enjoativa de estar dolorida.

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Julie

Tudo acontecera rápido demais e eu ainda seguia no estado de que não sabia se rolava no chão ou gritava, pois estava prestes a entrar no banho com Robert.

Flash Back

— Você está bem? — perguntou pela vez de número incontável quando abriu a porta de sua casa para mim.

Ele tinha feito isso o tempo todo desde a nossa saída da montanha, mas a minha única preocupação era a minha irmã que aparentara calma ao sair em companhia do tenente Draxler, mas eu podia sentir que as coisas não seriam tão leves entre eles.

— Eu estou bem. — sorri olhando em volta da sala ampla e aconchegante até ser atacada por um corgi amarelo saltitante. — Oh! Olá. Senhor estranho. — me abaixei para brincar com ele.

— Panqueca esta é a sua nova mãe, Julie. — o homem soltou uma pérola que me fez rir.

'' Do jeito que ele está falando até parece que é verdade. ''

— Menino o seu pai está brincando. Nós dois estamos enrolados numa grande mentirinha que está afetando a vida sossegada dele. — tagarelei massageando o pelo macio do animal fofinho.

— Julie? — fui chamada e voltei a me erguer para encarar um Robert sério que não deixava de ser lindo nem assim.

— Aquilo que eu fiz teve uma proporção de mudança em toda a minha rotina, mas...

— Você apenas foi meio maluquinho em me ajudar e sou grata por fazê-lo, porém, eu não acho certo que isso interfira na sua vida. E...

— Você entende que o que eu prometi é irreversível? Estará atada a mim para sempre depois daquilo. Nós temos um compromisso perante as comunidades e agora você é minha. — aquelas palavras tiveram um peso que só agora eu consegui entender, pois tudo estivera muito confuso.

Afinal de contas, eu ainda estava assimilando o fato de que vi criaturas sobrenaturais e homens transmorfos depois de descobrir que minha chefe é uma espécie de babá para eles.

'' Puta merda! Não faz isso comigo. '' — não sabia se ria ou se chorava por tê-lo envolvido nisso.

— Por que estragar a sua vida por mim? Você é jovem e solteiro. Sou uma desconhecida com quem conversou poucas vezes e... — comecei a ficar em pânico e ele sorriu de canto.

— Não me acha um bom partido? — piscou não dando a mínima ao meu faniquito.

'' Esse homem ferra com o meu psicológico. E faz isso legal desde o dia em que coloquei os olhos nele. ''

— Você é lindo, educado, simpático e ainda tem um emprego de super homem. Que mulher não o acharia um bom partido? — devolvi a pergunta.

— Mas você não é como as outras mulheres. E ainda não me respondeu. — insistiu parecendo se divertir em me matar de vergonha.

— Não seria difícil querer sair com você. — cuspi rapidamente e ele riu.

— Pronto. Temos um ponto. Se não seria difícil sair comigo então você poderia me ver como um candidato a marido. O que acha?

— Robert! Pare de brincar. — comecei a achar que seu senso de humor era alto e ele arqueou uma sobrancelha escura.

— Ok. Eu estou brincando.

— Ufa! Estava quase achando que entraria em para...

— Não. Eu menti. E falo sério. Já está na hora de me casar. As mulheres do clã lobo são muito chatas e mandonas. Por isso fiquei tanto tempo solteiro, mas gostaria de começar uma família e desde que coloquei os olhos em você naquele posto e depois da nossa dança no funeral. Bom. Não paro de pensar que achei uma candidata ideal para preencher a vaga. Você é inteligente, doce, divertida e linda. Tem tudo o que um homem de bom gosto procura. Então por que não? — atirou a bomba que me deixou de boca aberta no meio da sala e com o cachorrinho ainda pulando em mim.

'' Alguém me belisque! Devo ter engolido água demais naquele rio e estou em coma tendo esse sonho louco. '' — estava mais difícil de acreditar que aquilo era comigo do que na possibilidade do que tudo que vi anteriormente fosse apenas produto de minha imaginação fértil.

— Robert. Deus. Isso é muito para... — comecei a balbuciar e sua risada encheu o ambiente.

— Este é um dos motivos pelos quais estou tão atraído por você. Não está afetada pela sugestão e posso dizer que parece estar querendo que não seja real. — sua risada encheu o ambiente. — Sabia que alguns homens sempre acham ainda mais interessante quando uma mulher não está rastejando atrás deles? Já que são eles quem gostam de ter essa incumbência de lutar para ser notados. — emendou fixando que realmente não curtia uma mulher grudenta.

'' Nunca tive tino para virar chiclete atrás de um cara quando sabia que a coisa não iria rolar como eu queria e merecia. E agora me aparece este cidadão saído de um conto hot de fadas sobrenatural e rasga o verbo na minha cara que quer me cortejar porque não sou oferecida. Ok. Tentarei não ter um ataque com isso. ''

— Espero que não se ofenda, mas é que eu estou impactada com...

'' O quanto é triste se concentrar no que está dizendo quando estou babando por você o tempo todo. ''

— Eu irei com calma e pretendo conhecê-la melhor e conquistar a sua confiança até que esteja segura de que sou o homem que mereça a sua atenção. Então para isso devemos começar do zero novamente. — pigarreou antes de sorrir. — Olá. Eu me chamo Robert e quando não estou trabalhando no corpo de bombeiros, eu sou um lobo que nas horas vagas fica solto pelo campo protegendo a cidade. — emendou me fazendo gargalhar e já não sabia mais se a graça era de nervoso ou de diversão.

— O seu segredo não me afetou tanto. — pensei na imagem do enorme lobo de pelo acinzentado que vi antes de sua transformação. — Posso conviver com ele, mas você está pronto para lidar comigo sendo esquiva?

Ainda que eu estivesse em surtos por ele me querer, eu ainda estava cautelosa em relação a que algo saísse errado e o meu coração acabasse partido.

— Valerá o risco. E a senhorita ainda não se apresentou. — cobrou bem humorado.

— Sou Julie Rizzo uma médica legista atrapalhada que nas horas vagas inferniza a irmã mais nova que por acaso está sob a custódia de um urso com cara de malvado. Hum. E eu também gosto de animais.

— O Draxler morderia o próprio rabo antes de levantar uma mão contra a Marcelle. Não se aflija em relação à índole dele. — disse aquilo com convicção. — E a senhorita tem um belo nome e posso me imaginar sendo um desses animais que irá receber cafunés quando estiver cansado. — emendou matreiro.

'' Pode vir que farei bastante carinho nessa sua barriga repleta de gominhos. Eu estou ficando pior do que a Kakau. Socorro!''

— Deus! Você é muito danado. — era impossível ficar séria perto dele.

— Preciso ser para chegar ao coração de certa dama. Agora eu gostaria que você subisse até o primeiro quarto no corredor para se limpar e descansar, pois pela manhã teremos uma questão delicada a enfrentar. — o final da frase o deixou meio inquieto por seu gesto de esfregar sua nuca.

'' O que foi agora?'' — fiquei em estado de alerta.

— Algo grave?

— Posso dizer que sim, pois não quero começar algo com base em mentiras que poderiam deixá-la chateada comigo. Bem. Dentro da sociedade dos clãs as mulheres vinculadas exalam o cheiro dos parceiros. Por isso os anciãos fizeram aquelas advertências a respeito de seguir as tradições, pois...

— Uma fêmea sem o cheiro de quem a reivindicou estará livre para outro macho que deseje fazê-lo. — completei usando aquele termo cavernícola em tom zombeteiro.

— Perdão por eu ter me referido a você deste modo tão... — estava ficando corado.

'' Que bonitinho. Um homem grandão desses com vergonha. ''

— Eu já sei que você não é indelicado. E como funcionaria essa coisa de...

— O cheiro se adere devido ao contato sexual. — fez uma pausa ao responder isto e ficou ainda mais sem graça. E imaginei que o fato não era por ele ser inexperiente, mas sim porque não queria me deixar desconfortável.

'' Todas as mulheres deveriam ter um Robert. Só acho. E espere um pouco! Para ter o cheiro de um transmorfo é preciso transar? Minha nossa! '' — eu fiz das tripas coração para parecer amena ante aquela informação de utilidade pública. E imaginei que Marcelle teria um ataque com isso ao contrário de Caroline que se já sabia da revelação provavelmente estava fazendo até quadradinho de oito em cima do pobre Brandt.

— E? — eu cogitei que havia mais nisso.

— Não se preocupe. Existe uma saída. Se eu fizer um óleo especial com uma mecha do meu cabelo e passar a administrá-lo em sua pele todos os dias... Hum. Ficará com o meu aroma e jamais levantará desconfianças. — lá estava ele piscando maroto.

'' Ele disse mesmo que vai me massagear todos os dias?'' — quase tossi.

— Estou de acordo com isso. — mantive a postura mais uma vez.

— O óleo leva um dia inteiro para ficar no ponto. Por isso amanhã antes de voltar a se reunir com as outras... Bem. Você terá de tomar um banho comigo. — ficou olhando para mim atentamente para tentar decifrar alguma mudança, mas eu era boa nisso.

— Não pense que eu tentarei algo. Prometo ser um cavalheiro até que esteja acostumada comigo e me aceite. — se apressou em dizer nervoso.

'' Que bobo! Como se eu fosse me negar a me pegar com você? Oh! Vou vê-lo despido novamente. Uhul!'' — estava mais animada do que o corgi saltitante.

— Eu também não terei problemas com a experiência. Sou médica e estou acostumada a ver de tudo. — minha frase o fez arquear uma sobrancelha. — Ah! Você entendeu o que eu... O que eu quis dizer. — gaguejei e mais um daqueles sorrisos brotou.

'' Eu sou doida! Acabei mesmo de dizer que estou bem com isso?'' — sabia que iria morrer de vergonha logo de primeira.

— É melhor eu subir. Boa noite, Robert. — mudei de tema ao me afastar sendo seguida pelo cachorrinho.

— Descanse senhora Lewandowska. — ouvi o meu novo apelido patronímico com o sobrenome dele e suspirei.

(Nota da autora: É muito comum em alguns países o uso de patronímicos no sobrenome que a esposa e filhos de um homem recebem. Se fosse no Brasil. Ex: Oliveirinha.)

Fim do flash back


'' Eu estou calma. Bem calma! Calma mesmo. '' — refleti ao me levantar do leito cheirando ao aroma dele e Panqueca que dormira a noite toda seguiu cochilando no colchão com uma manta de peles macia.

O que desde o começo eu soubera ser a ''dita cuja'' da lei do ninho. E isto tornara a mentira de Robert real já que eu tocara no item.

Balancei os braços e fui em direção a porta do banheiro ainda vestindo a grande camiseta cinza do homem que tinha acabado de adentrar o cômodo apenas trajando uma boxer vermelha.

— Eu consigo não enfartar. — sussurrei ao empurrar a porta do banheiro rústico e então o meu coração acelerou com a visão do moreno de olhos fechados sob o jato d'água.

'' Ave Maria! Não vou conseguir. '' — entrei em pânico e quase me abanando porque o calor subira e com razão.

Porque uma coisa era ter visto tudo aquilo a distância e outra totalmente era estar quase sendo cegada de tão perto. E Robert era perfeito em todos os sentidos e também avantajado no Jr.

— Para deixá-la à vontade, eu vou ficar de olhos fechados até que se dispa. — sua voz rouca me avisou de que a minha presença fora notada.

— Sim. — falei com a boca seca ao arrancar a peça de roupa dele e ficar totalmente desnuda antes de me aproximar do box de mármore branco.

E então o homem finalmente abriu seus olhos azuis e deu uma boa olhada em meu corpo com certa apreciação masculina antes de fixar seus orbes em mim de um jeito que quase me fez tremer.

— Venha minha pequena. — estendeu a mão que aceitei adotando uma postura normal, mas por dentro estava com zero estrutura para aquilo. — Vire-se e relaxe. Eu não a tocarei em mais do que o essencial. — voltou a prometer que seria respeitoso, mas eu não estava me importando com nada que não fosse à destruição dos meus nervos.

O obedeci deixando a água morna cair sobre os meus cabelos e pele antes que sua mão esquerda alisasse a lateral de minha cintura lentamente para me causar arrepios.

— Eu estou bem com isso. — sussurrei agora o sentindo espalhar sabonete liquido em minhas costas com a mão direita e respirei fundo para não gemer com os toques e com a sensação de sua ereção cutucando o meu traseiro.

Porque ainda que estivesse sendo apenas prestativo o senhor capitão estava em ponto de bala para a satisfação do meu ego, mas fingi que nada estava acontecendo.

— Quanto mais estivermos em contato à mentirinha será convincente. — disse ao afastar o meu cabelo para o lado e então mordi o lábio com o beijo que ganhei na nuca.

— Ainda cheira como um doce e não tem nada de mim. Com licença. — pediu ao beijar o meu ombro antes de usar a mão esquerda para massagear o meu seio bem devagar. E isso deixara o meu mamilo saliente pela exploração enquanto sua outra mão descera por meu ventre escorregando diretamente até a minha feminilidade sensível.

— Tão macia ao meu toque... — sussurrou beijando a minha orelha e me abri como uma flor ao seu polegar e indicador festejando em meu pontinho a ponto de me causar tremores enquanto o sentia esfregar o sexo na parte interna de minha coxa.

— Robert... — gemi enfiando a unha no antebraço dele e isso o fez beliscar o meu mamilo já castigado. — Por favor! — implorei choramingando em ebulição.

— Shhhh. Estou quase... Quase acabando com a tortura. — disse ao parar o que fazia para me girar para si num movimento rápido e então me ergueu pela cintura até que estivesse com as costas contra a parede.

A sua expressão era de pura luxúria e desejo.

'' Este homem quer me desmontar e estou deixando. '' — pensei completamente tonta e excitada demais para ter vergonha.

— Serei rápido. — avisou ao fazer com que eu apoiasse meus pés no piso e separou minhas pernas antes de tocar em seu membro passando a pincelá-lo em minha fenda lentamente de baixo para cima.

— Oh! — quase gritei fechando os olhos por tamanho deleite se formando em minhas terminações, pois o meu antigo namorado imbecil jamais conseguira me deixar daquele jeito apenas com uma brincadeira quente como aquela.

— Mais um pouquinho e terá... Terá o meu aroma em você. — prometeu rouco e o senti beijar o meu pescoço antes que me desse um chupão seguido de mais pinceladas agora nada sutis em meu íntimo. E então o calor explodiu e um clímax sem penetração de repente me varreu só não me fazendo cair, pois ele estava apoiado em mim.

Abri os olhos ainda sob o efeito daquela sensação deliciosa a tempo de vê-lo de olhos bem fechados ao liberar a sua semente em jatos sobre o meu ventre aos urros e com suas sexys presas a mostra.

A minha respiração e a dele ainda estavam aceleradas quando nos encaramos e sem dizer nada o homem me puxou com jeitinho para o jato d'água e voltou a me banhar todo carinhoso.

'' O que eu acabei de fazer?'' — estava confusa, mas não arrependida quando o chuveiro foi desligado e Robert me cobriu com um roupão preto.

— Esteve linda do começo ao fim e peço desculpas se me excedi, mas foi preciso porque precisava que circulasse com o meu cheiro. Agora fique a vontade para se trocar enquanto eu a esperarei na sala. — foi um lorde ao beijar o meu pulso direito antes de sair do cômodo com um sorriso na face bonita.

— Merda! Tem como não amar se enrolar ainda mais num homem assim? — sussurrei secando os meus cabelos num gesto atrapalhado porque ainda estava fora de órbita com o fato de que tinha me esbaldado de prazer com uma ajudinha dele.

E ao sair do quarto trajada na camisola e toalha de ontem já secas, eu encontrei Robert já vestido no estilo dos homens da cidade e a minha espera com um saco de papel pardo em suas mãos e com o corgi saltitando pelo piso.

— Como não quero fazê-la perder mais tempo por acordar tarde, eu preparei o seu café da manhã para a viagem e um cartão com o meu número está entre as guloseimas.

— Obrigado. — agradeci sem jeito e o animalzinho nos acompanhou até o seu veículo e fez a questão de subir em meu colo.

— Eu sempre o levo para a base, mas se quiser levá-lo com você. Não irei me importar com isso. — comentou atento a estrada e tentei não olhar para aquelas mãos ao volante porque elas fizeram um bom trabalho em mim minutos antes.

— Tudo bem. A Bia não irá se importar se ele ficar comigo. — fiz carinho em Panqueca.

— Quando estiver com as suas bagagens prontas, eu irei buscá-la na hora em que desejar e mais tarde teremos de falar sobre todas as coisas que gostamos ou não. — começou a tagarelar parecendo um menino elétrico em testar um brinquedo novo.

'' Será que é pecado gostar tanto dele?'' — pensei não deixando de sorrir para o meu novo achado não convencional.

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Caroline

— Vai mesmo ficar gastando o piso do seu quarto ou concluir a aplicação do tal óleo do seu cheiro em mim? — perguntei já sem muita paciência ao vê-lo dar a volta de número dez pelo cômodo. E ele ainda estava usando um pijama de algodão branco que o deixara parecendo um urso polar.

— Eu farei isto. Só estou pensando numa coisa. — respondeu num resmungo e continuou com o que fazia.

'' Que legal. Eu estou praticamente casada com um cara em quem só queria dar uns beijos e até agora nada. '' — revirei os olhos pensando na última noite.


Flash back

— Você não mora nada mal. — tagarelei olhando ao redor de sua ampla sala bem decorada na qual uma labradora caramelo, um filhote amarelo e outro preto estavam desmaiados dormindo no chão em frente à lareira.

E Julian ainda estava com aquela expressão de quem se arrependera de comprar um produto caríssimo ao invés de esperar meses por uma promoção de descontos do mesmo.

'' Se não queria ajudar então por que se meter?''

— Você deve subir. — disse sério. — Use aquela escadaria. — emendou apontando na direção da ramificação de corrimão desenhada com galhos de árvore até o topo do segundo andar, mas permaneci parada no lugar voltando a encarar a larga porta de saída com as gravuras de dois ursos esculpidos nela em madeira.

— Está esperando o que para subir? — indagou impaciente em se ver livre de mim.

— Eu estou esperando o urso polar nervosinho que falou que iria me prender e dominar entrar em ação. — ironizei e ele me fitou chocado.

— Não seja tão...

— Por que fez aquilo? Não sou tola em fingir que você me tolera porque sou amiga da Bianca. Deveria ter me deixado a mercê dos anciãos e fim. — o cortei e suas bochechas ficaram da cor de pimentões.

— Se eu soubesse que seria tão mal agradecida a teria deixado a mercê daqueles homens sem classe, mas o fiz por consideração a Bianca. E agora estou colhendo o efeito disto em estar atado a uma maluca. — resmungou falando na minha cara sob as minhas suspeitas e isso foi o bastante para querer dar uma cabeçada nele.

'' Argh! Esse loiro filho da mãe! Mas ainda é gostoso. ''

— Se está tão arrependido me devolva para...

— Suba agora mesmo ou... — começou a me ameaçar, mas não botei fé naquilo.

— Vai se transformar naquele urso branco e me devorar todinha? — tossi me lembrando do animal gigantesco sem medo, pois ele me fascinara até mesmo em outra forma.

— Caroline! — rosnou me mostrando suas presas.

'' Sexy como o inferno!'' 

— Ok. Já estou indo e...

— Esta noite farei um óleo para passar em você que a deixará com o meu cheiro. Portanto suba e pare de atrasar este ritual para enganar os clãs. — revelou que iria dar um golpe neles.

— Boa noite. — me despedi finalmente o obedecendo e mesmo com o nosso falatório os cachorros seguiram roncando no tapete.

'' Ele deve dar soníferos para esses bichos. Só pode. '' — pensei ao me afastar e ao chegar ao corredor, eu fiz a questão de abrir todas as portas até ter a certeza de que me hospedaria no quarto daquele irritante.

E a grande cama de mogno coberta por uma colcha com gravuras de ursos em vetores pretos e marrons me deu a resposta certa.

— O meu ursinho safado tem bom gosto em tudo. — tagarelei olhando em volta do cômodo e logo fui fuçar o closet dele e escolhi uma camisa social branca para usar depois do banho.

E banho este que tomei em sua tina d'água com direito a todos os sais que encontrei pelo caminho.

'' Agora vou tirar um cochilo e deixar para surtar pela manhã com essas fofocas da Bia ser macumbada e de mim e as outras termos levado nos rabos por causa disso. '' — refleti bocejando ao me jogar no colchão e antes de apagar a luz do abajur de urso, eu vislumbrei um quadro de Julian sorrindo junto de dois rapazes com as mesmas bochechas fofas que ele.

Fim do flash back


— Bom. — comecei a falar ao ficar de pé. — Continue nisso enquanto eu irei trocar de roupas e descer para ir à reunião com a Bia. Na volta você conclui essa sua ideia de fazer seja lá o que...

Brandt de repente mudou a expressão e assumiu um ar debochado que até parecia um tanto malicioso ao avançar em minha direção tratando de me empurrar de volta até que caísse de costas no leito.

'' Será que agora vai?'' — pensei ainda não crendo naquilo.

— Hey. Você está fican...

Ele retirou a própria camisa por cima de sua cabeça em tempo recorde para deixar um belo pacote de seis quase me tirando a visão.

— O óleo não ficou pronto porque a maturação leva vinte e quatro horas. Por isso você terá de ganhar o meu aroma de outro modo nada convencional. — explicou ao se inclinar o suficiente até que suas mãos alcançaram a gola da camisa em mim e então sem mais nem menos estourou os botões dela com um puxão que por pouco não me machucou e ainda me deu calor.

— O que está fazendo? — consegui perguntar com os meus seios desnudos sendo os alvos do clima frio do quarto, pois ficaram acesos ante o olhar daquele cidadão que agora estava focado neles.

'' Espero que esta pegada valha à pena. '' — pensei maldosa ao me sentar agindo como se fosse super normal estar sendo observada daquele modo por ele.

— Você logo saberá. — respondeu ofegante ao se sentar ao meu lado e sem pedir licença, ele simplesmente se inclinou e afundou a face em meu vale para tomar o meu seio direito em sua boca.

'' O que é isso?'' — meu último pensamento coerente pairou porque fui forçada a deitar sobre os travesseiros enquanto tinha o bico sugado por um profissional nisso.

Nunca em minhas fantasias mais pervertidas poderia supor que seria atacada desse jeito furtivo e mordi o lábio para não gritar ao segurar a cabeceira do móvel com força.

E Julian usou a outra mão livre para acariciar o seio abandonado enquanto seguia me torturando com mordidas leves e sugadas.

— Humm. — gemi completamente excitada pelo prazer em ser provada assim, mas estava inquieta para ser possuída devido a proporção do meu tesão naquilo.

Deixei a mão direita massagear o basto cabelo dourado e macio dele e isso pareceu deixá-lo louco, pois gemeu ainda se divertindo em me devorar.

— Estou quase terminando... — avisou arfando antes de dar a atenção de sua boca ao outro seio e apertei minhas coxas em agonia por tê-lo dentro de mim e ainda esperava o maldito beijo pelo qual estava aguada desde que o conhecera.

E o infeliz me castigou o quanto quis até subir beijos por meu pescoço e mordeu de leve o meu ombro antes de elevar a face e trocar um olhar comigo que de repente o fez parecer ter sido espetado por algo, pois se afastou bruscamente.

'' Só isso? Atiçou-me e resolveu parar. Que filho de uma égua!'' — pensei me sentando no auge da indignação porque a ereção dele estava mais do que visível na calça de seu pijama.

— Foi o suficiente para começar e peço perdão se fui rude na abordagem, mas não havia outra forma. — começou a se desculpar tentando ajeitar aquela Anaconda, mas lógico que ela não iria abaixar comigo o olhando. — A parceira de um transmorfo precisa estar em contato com ele para pegar o cheiro. O óleo estará pronto ainda hoje para ser usado amanhã. — disse corado e com os lábios rosados avermelhados de ter estado brincando de neném nos meus peitos.

'' Alguém me segure para não dar uma voadora nesse ser!''

— Então é...

— Vou deixá-la se banhar enquanto troco de roupas. Fiz o seu café da manhã para a viagem e mais tarde a buscarei com suas malas. A não ser que prefira ficar com a Bianca e vir algumas vezes ao dia a minha casa. Está em suas mãos. — me cortou antes de pedir licença e foi até o closet.

E essa foi a minha chance de me recompor, mas só por pura pirraça do meu estado de excitação insatisfeita, eu arranquei a camisa ficando nua e caminhei lentamente até o banheiro bem ciente do som de algo batendo e de um Brandt soltando um palavrão.

Uma ducha gelada para mim e milhares de desejos de socá-lo até fazê-lo perder os dentes foi tudo o que me restara depois.

— Você ainda não me disse o que decidiu? — perguntou depois do longo silêncio em seu veículo.

E continuei fingindo que não estava feliz em ver o galo que nascera em sua testa pela provável batida em algo no quarto.

'' Se tivesse acertado mais para o meio você seria um unicórnio. '' — pensei mastigando um pedaço do morango que estava em meu saquinho de agradinhos para o café da manhã.

— Não quero ser um estorvo de inconveniência a você. Por isso, eu irei ficar na funerária e ir até seus domínios quando for preciso. — falei seca e percebi que isso o desagradou.

'' Bipolar dos infernos! Agora que não ficarei mesmo. ''

— Estou de acordo, mas seja discreta quanto a isso. — advertiu usando um tom que preferi abstrair ou o jogaria pela janela.

— Pode deixar. — assenti quando o carro foi estacionado no pátio de Licht e vi que as meninas tinham acabado de descer em companhia de suas caronas.

Corrigindo. Somente a Julie estava acompanhada de quem a levara na noite passada ao contrário de Marcelle que usava um vestido florido soltinho e estava rindo com aquele rapaz do funeral.

— Está entregue. — o outro disse seco ao abrir a porta para mim. Só então me fazendo notar que tinha saído e dado a volta para ser educado nisso.

E em minha tentativa de saltar sem aceitar a ajuda dele, eu acabei enroscando o pé no cinto de segurança e só não caí porque bati o corpo contra o dele. E nesse choque aproveitei para agarrá-lo pela nuca e o puxei para um beijo.

Sim! Cobrei com juros a minha vontade e não fui empurrada, pois suas mãos estavam apertando a minha cintura enquanto sua língua aceitava dar passagem a minha naquele misto de loucura e ansiedade por nos provarmos ao sabor de morango e menta.

— Hummm. — gemi aproveitando ao máximo da delícia que era tê-lo e agi mesmo como se fosse engoli-lo. Tanto que novamente o deixei excitado e me prensando contra a porta.

— Brandt, eu não sabia desse seu esporte público! — alguém gritou assoviando e então o homem interrompeu o beijo com a sua respiração tão falha quanto a minha e foi me soltando aos poucos.

'' Yes! Eu consegui! E droga! Acho que estou viciada. '' — não se podia ter tudo nessa vida. Estava entre exultante e preocupada.

— Obrigado por me fazer perder a compostura. — resmungou debochado ao voltar a ser o Julian costumeiro.

— Disponha senhor ursinho metido. Foi um acidente e bati os lábios em você sem querer e ponto final. — rebati cruzando os braços.

— Sim. Prevejo que a nossa convivência será repleta de acidentes. Até logo, Caroline Faure Brandt. — zombou antes de fazer uma mesura e então entrou no carro e deu a partida.

'' Eu estou literalmente na merda agora. '' — cheguei a esta conclusão com um sorriso em minha cara.

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Bianca

A névoa quase não me deixava ver o caminho que fazia ao redor do que parecia uma floresta até que de repente a fumaça se dissipou e pude ver um jardim iluminado pela luz do sol.

— Filha? — a mulher me chamando era muito jovem, mas eu sabia quem era porque seus grandes olhos sempre seriam os mesmos.

— Vovó...

— Venha aqui minha pequena lerda! — exclamou vindo me abraçar apertado.

O seu cheiro era o mesmo.

— Vovó eu tenho de pedir perdão por...

— Eu sei de tudo. Seu avô armou para nós duas, mas agora não há tempo para lamúrias e você tem missões a cumprir em nome da nossa família. — me soltou sorrindo.

— Aquela Vitta infeliz nos colocou nisso por...

— O nosso dom é natural, mas a cobiça de Ceci pelo saber a fez lapidá-lo naquela barganha. Você deve tomar muito cuidado com todos e tudo e esteja atenta de que corre perigo.

— Como?

— Eu não morri por acidente. Algo naquele dia se aproveitou de que a minha magia já estava falhando e usou poder para atirar a árvore no caminho. Não pude vê-lo e nem ao menos identificar que tipo de criatura ou demônio ele era. Por isso seja cuidadosa porque as linhas precisam seguir imutáveis. E com certeza virão atrás de você por algum meio que a pegue despercebida. Portanto tenha cuidado até com presentes e comidas que receber. — revelou algo aterrador que me fez se lembrar do sumiço das tortas.

— Eu irei descobrir quem fez isso. O desgraçado precisa... — estava indignada com a maldade feita a alguém como ela.

— Sei que irá pegá-lo, mas o faça em parceria com o Toni. Ele não a deixará sozinha nisso.

— Vovó por que envolver aquele tapado? Ele está mais insuportável do que...

— O Kroos é importante na equação e joga do lado certo da cerca. Pode precisar dele já que não sabe quase nada dos nossos negócios por minha culpa. E agora se concentre em se lembrar de ler todas as informações que lhe deixei, pois dentre elas há uma crucial sobre uma profecia que em hipótese alguma pode acontecer.

— Por falar em ''não acontecer. '' Talvez eu tenha burlado uma regra e levado minhas amigas a descobrir sobre mim e o mundo sobrenatural, mas foi sem querer e agora as três estão atadas a dois ursos e um lobo.

— Como se eu já não soubesse disso? — bateu em minha testa.

— Ai! Eu não sabia que...

— Fiz aquela observação de propósito porque sabia que quando voltasse traria três almas mediúnicas com você. Elas só puderam ter acesso à cripta e ao portal porque também tem ligações com o lado espiritual e isso as atraiu aos transmorfos.

— O que? — gritei pasma.

'' Minha avó está me saindo uma manipuladora de primeira. ''

— Os guardiões só se vinculam a mulheres não amaldiçoadas em poucos casos e quando isso acontece é porque elas foram feitas para isso sem a possibilidade de acabarem loucas por saberem das linhas. — sua explicação fazia todo o sentido, pois as meninas estavam mais conformadas do que eu. — E agora você tem mulheres de energias fortes a acompanhando, mas atenha-se a vigiar uma delas porque existe aquela com o dom de abrir portas que deveriam permanecer fechadas. E caso ela abra uma específica acabará soltando um ser que Erdhenne teve muito trabalho para encerrar em sua prisão porque ele pode destruir o planeta terra. — emendou bem despreocupada em me alertar sobre isso. Afinal era super ''normal'' falar de coisas sobrenaturais e atentados de mortes.

— A senhora está querendo dizer que uma das minhas amigas tem um dom para soltar uma espécie de satã? Qual delas é?

— Eu não sei e mesmo se soubesse não poderia dizer, pois já está na hora de você começar a trabalhar e fazer jus ao nosso nome de família. — me esculachou.

— Vovó!

— Você tem o mesmo brilho de sua bisavó Mariska. Ela até hoje foi uma das concessivas que mais teve feitos extraordinários pelo clã. — disse orgulhosa.

— Ela está aqui? E as outras meninas? — estava curiosa.

— Sim. Neste vale todas convivem espalhadas e dedicamos parte de nossa eternidade em orar para que Deus guarde e ajude a atual concessiva em suas batalhas contra o mal e as injustiças. E não poderá vê-las até que chegue o seu dia de fazer a passagem para se juntar conosco. — aquilo me animou.

— E então por que eu posso vê-la?

— Por que a sua meta de aprendizado está incompleta e tive a ordem de poder instruí-la até que esteja firme. Portanto quando precisar de mim eu estarei sempre aqui. Agora vá e ponha em prática todos os conselhos que lhe dei. Tome cuidado e vigie as linhas e descubra qual das moças é a porteira.

— Vovó eu tenho tanto para perguntar e...

Tocou a minha face amorosamente, mas a névoa me fez perdê-la de vista.


Gretel! — a chamei e recebi uma lambida na cara. O que me fez acordar e olhar para o teto de vigas antes de mirar o filhote de Daschund malhadinho sentado em meu travesseiro. Corrigindo o travesseiro de Kroos.

— O que é? Tonho, você está me babando. — resmunguei ao me sentar o pegando no colo e respirei o seu aroma de bebê cachorro ainda com aquele sonho nítido em minha cabeça e sabia que o encontro acontecera.

'' Se eu não tivesse descoberto coisas do arco da velha até poderia sorrir por ter reencontrado a vovó, mas parece que a minha vida ultimamente está gostando de descer o ralo. Como eu vou dizer às garotas que elas estavam destinadas aos transmorfos? E como assim uma delas pode abrir portas de prisões e soltar um demônio? Alguém me diga que não poderá piorar?'' — pensei com trauma de tudo aquilo.

— A vida não está fácil. — resmunguei e a porta se abriu com o Toni desgranhento Kroos surgindo sem camisa e apenas de bermuda jeans trazendo uma bandeja de guloseimas.

'' Tem nego achando que vai me comprar a ficar boazinha depois da cesta de doces e do cachorrinho. '' — pensei me lembrando daquele sonso me oferecendo uma carona ao invés de sair do Pause em nosso arranca rabo.

E eu que estava cansada aceitara e quando dera por mim cochilara no banco para acordar deitada no sofá dele. E na mesa de centro de sua sala estava uma cesta dos meus doces importados favoritos e o filhotinho dormindo no tapete com uma coleirinha presa com o meu nome.

E como estava grogue de sono e também precisando de um banho e de verdade nem um pouco a vontade em retornar a Licht sozinha, eu acabei concordando em ficar, mas já estava arrependida.

— Já está acordada. — sorriu mostrando as malditas covinhas e o meu guardião latiu para ele e emitiu rosnadinhos fofos.

— Tonho, eu estou apaixonada por você. — ri o acariciando na orelha.

— Traidor eu te adotei primeiro no Haras da Lisa. Tonho? Que apelido nada original ele recebeu. Não acha? — tossiu ao depositar a bandeja nos pés da cama e pisquei me controlando para não varrer o abdômen dele.

— Você merece isso depois de tudo. — me endireitei ciente de sua camisa do Bayern de Munique roçando o meu corpo.

Dormir com ela tinha sido um bálsamo.

— Sim. Eu sou o único que apronta e merece sofrer. Você é uma santa. — provocou.

— Por que não me contou sobre tudo? Teria me ajudado a me preparar e não cometer tantas falhas por...

— Eu não podia. Desde a nossa infância fora proibido de dizer. Sua avó queria treiná-la de modo diferente e nos fez prometer não dizer nada. E quanto às garotas. No fundo a culpa não fora totalmente sua. As almas delas são místicas e seria uma questão de tempo que fossem atraídas para transmorfos. Fique tranquila, pois Lewandowski, Brandt e Draxler são homens controlados e jamais fariam mal a elas. — respondeu algo que já sabia que Gretel teria a coragem de ter feito.

— E agora terei de correr atrás do tempo perdido. Sobre os seus amigos, eu estou contando que sejam mesmo tudo isso. Porque aquelas três são as minhas responsabilidades depois de tudo o que aconteceu. — falei ao alcançar uma torrada com Nutella e a mordi ainda sendo encarada por aquele homem.

— Eu irei ajudá-la no que precisar...

'' Se eu comentar sobre saber que a vovó não se acidentou, ele com certeza vai infernizar sobre me manter fora disso. '' — iria investigar por conta própria.

— Saber a respeito das linhas e até a levarei aos lugares que uma concessiva deve ir nesta cidade.

O problema do Kroos era este de querer mergulhar nos meus negócios totalmente.

— Sou grata pela ajuda e se eu precisar não o esquecerei. — assenti para deixá-lo achar que tinha o controle do que não existia e tomei um gole de suco de laranja.

O triste sabia fazer um suco maravilhoso.

— Bianca, eu preciso lhe dizer algo sobre o Mats.

'' De novo isso?''

— Toni, você não vira o disco?

— O Hummels é um meio demônio. — quase gritou e isso não teve qualquer efeito em mim.

— Beleza. — dei de ombros e segui com a comilança porque era isso ou dar uns tapas naquele loiro abusado.

— Não vai dizer nada? — cobrou.

— O estado natural ou o seu time favorito não são importantes. A não ser que ele seja um dos vilões e então seria obrigada a dar um ponta pé na bunda dele. — recebi uma carranca.

'' Demônio ou não o homem ainda é gostoso. Isso pelo menos explica a atração que exerce em mim. ''

— Você e eu precisamos falar do... — o celular no bolso da bermuda dele soou.

— Com licença. Alô. Mãe? Não! Mãe! — começou a ficar nervoso em falar com a dona Birgit. — Não é... — guardou o celular todo vermelho.

— Problemas no paraíso familiar? Diga a tia Bi e a vovó Heiddi que irei vê-las na próxima se...

— Elas estão em minha sala.

— Ai! Preciso me arrumar e sair ou irão tirar conclusões estranhas. — me apressei em sair do leito.

— Não! Elas sabem que nós dois...

— Melhor prevenir do que remediar e...

Eu já sabia do suposto envolvimento dele com a tal Jessica e levar nomes por amanhecer na casa dele não seria legal.

— Mas...

— Filho você está sendo difícil por... — Birgit escancarou a porta em companhia de sua mãe e a minha cara quase caiu.

— Filha como é bom vê-la! — disseram já vindo me abraçar e Toni fez cara de pânico.

— Sua avó deve estar feliz que irá cuidar dos negócios na funerária e nas linhas a partir de agora. — Birgit tagarelou tocando os meus ombros.

— E finalmente teremos tempo para a cerimônia de casamento. Estamos há anos fazendo um enxoval e chegou à hora de usá-lo. — a vovó desatou a falar.

— Vovó! — Toni gritou.

— Eu andei escutando que o Kroos agora vai ser um homem de família, mas não sabia que o casamento já estava na porta com a...

— Pare de brincar. Querida quando sua avó deu você a Toni, eu e o restante da família sabíamos que o dia chegaria quando estivesse pronta. — Birgit riu e o meu mundo caiu e se espatifou em mil pedaços.

'' A Gretel o que? Que merda é essa?'' — pensei lançando um olhar mortal no outro que praticamente se encolheu.

— As senhoras poderiam, por favor, darem licença a mim e ao Toni? — pedi sorrindo em excesso de gentilezas e elas piscaram confusas.

— Sim. — assentiram e saíram em seguida fechando a porta.

— Bianca, eu posso explicar.

— Toni Kroos, você é um filho da...

— Bia! Não! — a bandeja voou na direção dele, mas bateu na parede quando a lancei.

E Tonho apenas assistia tudo balançando o seu rabinho.

— A minha mãe e avó estão nos ouvindo e... — ele estava pálido e eu queria dar um fim nele.


— O problema é seu! Não aceitei compromisso algum com um estúpido manipulador e duas caras com quem não tenho qualquer compatibilidade e jamais terei. — eu estava emputecida com a audácia dele em me fazer de tonta.

— Engraçado, mas você não reclamou quando se agarrou comigo na floresta atrás da sua casa durante a minha ronda de proteção a sua vida. — soltou uma pérola ao se aproximar de mim e quando dei por mim vi tudo vermelho e o soquei no nariz para valer.

— Bianca! — urrou quase caindo sentado agora com a mão no nariz ensanguentado.

'' Como é possível que até o meu sonho bom foi contaminado por ele em não ser um sonho? Até agora com tudo o que já me aconteceu. Estar no caminho desse pateta é o pior deles. '' — rilhei os dentes.

— Toni, eu juro que dessa vez é para valer. Não volte a aparecer na minha frente ou não responderei por mim. E a propósito peça a tal da Jessica corna em casamento que você ganhará mais. — cuspi ao me virar e apanhar o filhote.

— Você não pode simplesmente sair assim sem... — estava começando a ficar trêmulo e os seus olhos azuis mudaram de cor numa demonstração de que o seu lobo estava à borda para sair.

— Então fique assistindo. — falei irônica e cumpri com minha palavra ao sair batendo a porta com o pé e ainda ouvi uivos e rosnados antes de iniciar uma maratona rápida para descer a escadaria.

— Filha? — aquelas duas me olharam com preocupação.

— Toni e eu nunca estivemos juntos e jamais estaremos. Qualquer dia desses passarei na casa de ambas para um chá de amoras e me perdoem por sair assim apressada,mas tenho uma reunião para ministrar. — falei de uma vez ao passar na frente delas e também apanhei a minha cesta de doces antes de escapulir pela porta da frente.

E por pura sorte do destino dei de cara com o Felix.

— Ruivinha o que faz aqui fora usando a camisa da sorte do meu...

— Carona e explicação no caminho!

— Fechado! — riu como sempre sendo aquele que me ajudava nos rolezinhos.

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