[...]
Sinto-o a apertar a minha mão com demasiada força quando o avião embate no chão e mostro-lhe o meu sorriso tentado acalma-lo.
"Esta tudo bem, já aterramos." Digo-lhe o mais calma possível e ele suspira de alívio abrindo os olhos.
"Esta turbulência foi terrível." o Niall resmunga retirando o cinto e rio-me do seu ar carrancudo.
"Não adivinhavas que o tempo ia estar assim, é normal, as vezes acontece."
Retiro também o meu cinto e sacudo as minhas pernas mesmo sem ter migalhas sobre elas. Apenas pó.
"Mas já esta tudo bem. Agora estamos a salvo." Faço questão de reforçar o 'a salvo' fazendo o gesto de aspas com a mão. O niall amua e mostra-me a língua fazendo-me rir. Ele pareceu uma criança com medo a viajem toda.
"O avião parecia literalmente que ia cair, não tenho culpa de ter visto a minha vida a acabar." Ele bufa.
"Deixa estar, ago-"
Sou interrompida pela voz da hospedeira que nos avisa que a viajem acabou agradecendo pela escolha da companhia de voo.
Quero esperar e ser das últimas a sair do avião mas o niall puxa-me desesperado devido à claustrofobia. Ele não me tinha dito mas percebi que ele nao tinha muito gosto em andar de avião, pelo menos com mau tempo. A forma como se comportava fazia-me rir incontrolavelmente mas ele parecia mesmo desesperado, tenho pena e tento acalma-lo mas não deixa de ser hilariante.
Era triste voltar a pousar os pés no chão do aeroporto. Estes tinham sido os melhores 4 dias da minha vida, sem sombra de dúvida, e nao queria por nada voltar para a terrível cidade que me fazia pior do que qualquer outra coisa no mundo. Mal sinto o ar poluído de Londres o peso sobre a minha cabeça aumenta para mil, a minha atenção aumenta, a desconfiança, tudo. Tudo o que esteve afastado em Paris volta fazendo o meu coração doer. Eu não queria voltar, não queria ter de enfrentar os problemas novamente.
"Tem calma, vai tudo ficar bem." O niall conforta-me quando me vê cabisbaixa e abraço-o fortemente durante demasiados segundos.
"Eu preciso de voltar para Paris, por favor." Imploro.
A sua gargalhada vibra contra o meu ouvido e arrepio-me com a sensação. Aquilo era fantástico.
"O que nós tínhamos em Paris não vai mudar aqui, daqui a pouco estamos nas férias de Natal e eu levo-te a outro sítio... Apenas não desanimes bebe."
Respiro fundo e sigo as palavras do Niall. Eu não podia pensar negativo, por muito que quisesse fugir aos problemas eu não podia pois eles viriam sempre atrás de mim.
Tem calma cat, tem calma. repito para mim própria na minha cabeça e afasto-me do peito do Niall dando o melhor sorriso ao meu rosto
"Obrigada." Sussurro e ele beija-me aliviando toda a tenção do meu corpo.
"Vamos lá, a tua mãe já deve estar à tua espera."
As nossas mãos unem-se numa só e sinto muita mais segurança assim, perto do Niall. Ele ia proteger-me, pelo menos tinha de pensar que sim caso contrário nao iria conseguir viver de uma forma razoavelmente direita.
[...]
Fecho a porta atrás de mim e suspiro pesadamente enquanto desaperto as minhas sapatilhas à entrada.
"Mãe!?"
A minha voz faz eco contra todas as paredes da casa vazia e percebo no segundo a seguir que ela não estava em casa. Era domingo à noite, ela dificilmente trabalhava a esta hora mas a hipótese de ter saído com o seu novo companheiro ou namorado surge logo na minha cabeça.
Ainda nao tinha pensado com clareza sobre esse assunto. De um momento para o outro a minha mãe fala-me que quer construir uma família e que já sai regularmente com um homem. Quer dizer, isso era normal? Ela devia pelo menos ter-me dito antes, fazer-me conhecê-lo e só depois perguntar-me se queria fazer uma família. É que ela nem se quer me tinha dado outra hipótese.
Talvez se a deixasse fazer as coisas a maneira dela fosse melhor, daqui a menos de um ano vou estar na universidade, num campus, e se tudo correr bem fora do país. Nao vai haver mais preocupações com estar sozinha, com mãe, com horas de trabalho a mais... Vai ser apenas eu, os velhos amigos e os novos. Na universidade tudo vai acalmar, pelo menos eu espero que sim.
Quando chego ao meu quarto sinto o telemóvel a vibrar no bolso e pergunto-me quem me estará a contactar a esta hora. O niall nao podia ser, tinha-me deixado em casa há 5 minutos, e a Ally também não podia, tinha-lhe ligado quando ainda estava no carro.
O meu coração falha quando vejo o nome do zayn no ecrã e penso duas vezes se vou abrir a mensagem ou não, mas decido que sim.
"Preciso de ti." A mensagem dizia e apanha-me de surpresa mas apenas tenho vontade de espetar o telemóvel contra a parede.
Qual era o objetivo dele em enviar mensagens destas? Era suposto eu ter compaixão? Ter pena? Se esse era o objetivo, então objetivo não cumprido, pois tudo o que me deu aquela mensagem foi raiva.
Apresso-me a digitar outra mensagem e aí digo: "Não fizesses merda como fizeste, agora se queres alguém procura a perrie."
Envio e no segundo a seguir o telemóvel volta a vibrar.
"Como sabes o nome dela? E o quê? Queres que a procure para satisfazer as minhas necessidades?"
Pensar neles juntos nao deixa de me deixar irrequieta. Mesmo que nao estivéssemos juntos a imagem faz-me querer vomitar. Como se o meu estômago todo quisesse expulsar a comida à força.
"Para de te fingir de inocente. Tu fodeste-a e agora se queres alguma coisa vai ser com ela porque se mim não tens mais nada. Ultrapassei."
Era um pouco ridículo estarmos a ter novamente esta conversa por mensagem, tenho quase a certeza que ele tem a ideia de me ligar mas ou quer que as coisas sejam mais calmas, ou então esta ocupado.
"Quando me disseres nos olhos que já não me amas eu desisto de te reconquistar." Ele manda e bufo.
Raiva, raiva e mais raiva crescia dentro de mim. Mas era uma raiva tão estranha, como se doesse criar este tipo de sentimentos por ele.
"Eu amo outra pessoa, não tu. Parece muito difícil de entender?"
Desta vez ele demora mais a responder e suspiro de alívio quando o telemóvel vibra contraditoriamente ao que o meu cérebro me mandava fazer.
"Espero que sejas feliz ao lado do Niall, que tenham uma vida em conjunto muito duradoura, muitos filhos e etc. Não te vou pedir desculpa, nem num milhão de anos te pediria desculpa porque tu é que me estas a magoar. ultrapassaste tudo tão rápido que não percebo como me amas-te algum dia, mas ainda bem que isto abriu a ambos os olhos. Eu fodi-a mesmo ao teu lado, e olha que foi bom o suficiente para o querer fazer outra vez, desiludes-me ao pensar que algum dia te amei. Adeus."
Ler a mensagem da-me náuseas, mas acabo por engolir o caroço formado na minha garganta há demasiados dias.
O meu coração fica demasiado apertado e mal consigo sentir as batidas dele, como se de um momento para o outro uma dor de cabeça enorme invadisse a minha cabeça.
Enterro-me na cama saturada daquelas confusões todas. Nao procurava ser amiga do zayn, nao queria ter problemas com o Robert e o john, nao precisava que ele me desejasse boa sorte para a minha nova relação. Apenas não precisava daquele tipo de mensagem estúpida. Eu só queria descanso das pessoas, só queria encontrar algum tipo de paz.
Milhares de pensamentos lutam na minha cabeça, demasiadas memórias rondam cada parte do meu cérebro. E sem que me aperceba dou por mim a desejar estar em Portugal.
: zayn's POV :
As minhas mãos estão a tremer quando acabo de enviar a mensagem e soluço novamente, não conseguindo controlar o choro dentro de mim.
Eu era uma merda.
"Fodasse." Grito frustrado mandado a nossa fotografia contra a parede.
A moldura parte-se estilhaçado-se em milhares de vidros pelo chão em apenas um segundo. Partido, tal como o meu coração.
Tudo o que desejava neste momento era voltar aquela festa, no dia em que a conheci. Fazer tudo diferente desde aquele dia. Mima-la desde o início, nao lhe contar nada de merdas com pessoas perigosas, nao envolvê-la em todas estas confusões e apenas amá-la, como devia ter feito todos os dias em que estive com ela. Agora estava tudo estragado, eu não a podia proteger mais.
Tentei comunicar com ela mais do que uma vez mas o meu temperamento não deixa e a sua teimosia e mau feitio comigo também nao ajudaram. Era como se de um momento para o outro chocássemos, como se tudo o que a nossa relação tinha de fantástico fosse tapado por uma grande nuvem negra.
Mas ela precisava de saber o que se estava a passar.
Houveram muitas coisas que não lhe contei desde que fui praticamente raptado pelo john. Ele voltou por uma razão, e essa razão era a Cat.
Se eu não tivesse estragado tudo a foder com aquela loira sem qualquer interesse podia agora protege-la e afasta-la do que iria acontecer mas tive a pior atitude no pior momento. Agora ela corria perigo e eu apenas tinha de ficar sentado a ver tudo acontecer, tudo a frente dos meus olhos.
"Merda merda merda." Volto a gritar puxando os cabelos até nao aguentar com a dor.
Mas eu tinha de fazer alguma coisa, apesar de tudo eu amava a cat, mais do que me amava a mim.
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está pequenino mas tenciono publicar mais hoje.
o que será que o john quer em concreto? uhuh
votem xx