O Caminho Iluminado Pelo Dest...

Par LeleGonxalves

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Kyara Cooper tem 16 anos e vive num mundo onde nem eu, nem você sabemos ao certo se é possível existir. Um mu... Plus

2- Manchas do passado...
3- Um álbum para a vida toda.
4- Um aviso da titã.
5- Power School.
6- Nem tudo é como vemos.
7- Dragões nem sempre cospem fogo
8- Qual o sentido da guerra?
9- Ajuda...
10- Sonhos Podem Se Tornar Pesadelos
11- Por amor.
12- Crueldade, sem piedade.
13- Sentimentos Confusos...

1- O início do início.

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Par LeleGonxalves

*Mãe da Kyara narrando*

     Era um dia especial, tanto para mim quanto para meu marido Cronos. Era noite e a lua cheia estava de passagem e iluminando aquele momento de felicidade. Era o dia em que minha filha Kyara nasceu. A vila inteira sabia desse nascimento e todos estavam ansiosos. Aqui notícias são rápidas, o que esperar de uma vila com 159 habitantes? E que agora seriam exatamente 160! Eu não tinha entendido o medo de todos quando Kyara estava em meus braços. Seu rosto era redondinho e sua aparência frágil enquanto piscava os olhinhos era uma forma bela de expressar o sangue quente correndo por suas veias, eu amava aquela coisinha pequena, enrolada em um pedaço de pano. Mas além do amor, eu pude sentir sua quantidade de poder. Isso deixava alguns dos habitantes com medo e até mesmo apreensão, não era comum uma criança nascer com tanto poder, inclusive, depois da profecia dita por Lyandra, o medo era certo, mas era necessário que fosse se cumprir em um momento ou outro.

Depois de 7 meses...

Kyara já havia crescido um pouco. Ela parecia ser tão diferente. Quando a noite chegava ela gritava tão forte que eu ficava preocupada. Decidi leva - lá ao mago Damian.
Com Kyara em meus braços e com Cronos ao meu lado eu estava segura quando bati naquela porta antiga e destruída. Assim como por toda vila, o gramado estava morto, e algumas rosas estavam infestadas de pragas... me pergunto quando que isso acabará.

Damian: Olha se não são os Coopers.

Cronos: Olá Damian.

Damian: Eu ansiava em conhecer a menina.

Cronos: Damian, sem nenhuma gracinha entendeu?- Cronos não gostava de Damian, por ele ter feito várias besteiras quando no período escolar.

Damian: Entrem.- Ele apontou para o sofá velho. Nos sentamos e ele pegou Kyara.

Laila: Ela ficará bem?- Eu disse baixinho para que Damian não ouvisse. Foi em vão.

Damian: Sabe Laila, eu posso ter feito tudo que fiz com vocês na época da escola.- Sorriu e continuou.- Mas eu jamais, JAMAIS faria mau a um bebê.

Cronos: Eu acredito no que diz Damian, mas não posso deixar de ter medo de sair de perto de Kyara.

Damian: Pelo contrário, devia ter medo de ficar por perto.- Sorriu.- Venham comigo.

     Todos devem pensar que a casa de um mago teria vassouras que agem sozinhas, livros voadores... mas não era assim a casa de Damian. A casa dele era antiga. Isso sim era comum aqui na nossa pequena vila. Lembro-me de como era antes da guerra, era muito mais bonita, parece que depois dos acontecimentos, Damian perdeu quem amava e também o amor por si mesmo...
     Ao descermos até o santuário de Damian ele pôs Kyara sobre uma mesa, eu ia reclamar mas ela parecia não estar se importando. Damian olhou nos olhos de Kyara e segurou a pequena mão dela.

Damian: Seria uma novidade milenar para vocês se eu dissesse que a pequena criança é um monstrinho de olhos fofos?- Sorriu.- Vejam, nunca pararam para olhar mais fundo?

Cronos: Impossível que haja alguma coisa nos olhos dela, isso é patético assim como você.

Damian: Reformulando... possível.- Disse sorrindo macabramente.

Laila: Mas ela é um bebê normal...- Falei abaixando a cabeça.

Damian: Como diz a profecia: Ela será filha da lua, herdeira do Sol...

Laila: Como...?- Suspirei.- O que podemos fazer? Não há condições da Nossa- Efatizei.- filha ser um monstro como aquele que foi mencionado na profecia.

Damian: Terei que estuda-la.

Laila: Nunca.- Me impus calmamente.

Cronos: Damian, nas condições desse lugar? Acha mesmo que Kyara ficará aqui?

Damian: Bem... em troca de algumas moedas de prata, posso pensar em algumas possibilidades...e, supostamente, Kyara não ficaria aqui.

Laila: Você me causa nojo.

Damian: Quer um monstro como filha?- Kyara começou a gritar.

Laila: Calma filha..- Falei chegando perto dela. Ela me olhou nos olhos e seu grito foi abaixando.

Damian: Eu estou dizendo. Só algumas moedas Laila.

Cronos: Damian, quantas moedas de ouro você quer?

Damian: 30.

Laila: O que?!

Damian: Aliás, sua casa...- Cronos segurou o pescoço de Damian.

Cronos: Cale a boca seu asno.

Damian: Olha Cronos...- Disse com a voz meio presa.- Se me matar agora, não vai mudar nada na sua vidinha miserável.

Cronos: Acha que me importo?- Disse apertando mais. Kyara estava rindo.

Damian: A menina está rindo Cronos.- Sorriu.- Ela é uma monstrinha.

Cronos: Cale a boca, arrume suas coisas e vamos para minha casa.- Ele soltou Damian que caiu no chão e sorriu.

Damian: Cronos... sua raiva descontrolada vai acabar matando você.

Cronos: Isso foi uma ameaça?- Disse pisando em Damian.

Damian: Encare como quiser.

Laila: Solte.- Falei olhando para Cronos que me obedeceu.

     Fomos para casa e Cronos ficou na sala junto ao Damian. Eu subi para o quarto e dormi um pouco. Acordei com os gritos de Kyara. Era noite. Eu me sentia péssima toda vez que eu á ouvia chorando assim, era feito facada no peito, terrivelmente perturbador, não pelo barulho, mas sim pela agonia que ela sentia, ou pelo menos fazia parecer que sentia.

Damian: Ela sempre faz isso?- Disse pondo as mãos nos ouvidos.

Laila: Só quando anoitece.- Disse descendo as escadas.

Damian: Conhece a profecia Laila?

Laila: Claro que sim.

Damian: Mesmo assim parece que não. Será que não percebe, a menina não pode fazer nada ainda, mas quando crescer, e ela vai, vai destruir famílias, vai acabar com todos dessa vila.

Laila: Kyara... É a profecia?

Damian: Receio que sim.

Cronos: O que sugere?- Não acreditei quando ele fez essa pergunta.

    Eu sabia que Damian responderia aquilo, disse que era melhor irmos embora da vila. Porém, como protetores nós tínhamos nossas obrigações, principalmente Cronos como Deus da Areia, se fossemos embora, teríamos de confiar em alguém para cuidar das coisas por aqui. No entanto, como punição por deixar a vila, Cronos tinha que simplesmente abandonar seus poderes e sua imortalidade, ele deixaria, literalmente, de ser um Deus. Eu fui totalmente contra, mas minha palavra foi inútil, fomos embora e Cronos com sua inteligência mórbida, ele deixou o poder de protetor ao pior mago possível, mas, mesmo assim, pensei pelo lado  que ajudaria todos da vila, e até a própria Kyara.

Depois de 5 anos...

      Com o passar dos anos Kyara parou de gritar quando anoitecia. E qualquer coisa viva que estivesse por perto ela matava e sorria. Eu temia que ela fosse mesmo a profecia. Será que ela era mesmo um monstro?
      Um dia de chuva Cronos decidiu ir caçar. Ele voltou rápido e com pouca comida. Kyara não tocava na comida.

Cronos: Coma querida, vai te deixar mais forte.

Kyara: Não.- Ela só falava não. Para uma criança de cinco anos ela era muito quieta.

Laila: Huuum que carne deliciosa.- Ela me olhava com indiferença.

       Estávamos sentados em volta da mesa quando um bando de homens arrombaram a porta, não vi direito os rostos, apenas corri para o andar de cima e fiquei quieta com Kyara em meu colo. O que eles queriam conosco? Não parecia boa coisa.

Laila: Querida, só uma de nós pode fugir agora, eu prometo que vou ficar bem...

Kyara: Mãe... eu...

    Não escutei suas palavras, apenas á empurrei pela janela, depois olhei para a porta. Não acredito que era ela, como ela poderia fazer algo assim? Bem, eu não poderia me dar por vencida, se ela veio até aqui, significa que não é mais confiável. Lutar foi em vão, eu deveria ter pensado nisso, foi ai eu que o silêncio dentro de mim foi absoluto.

*Kyara narrando*

       Doeu. Eu só sei que doeu. Eu não deveria ter fugido. Abandonei minha mãe. Eu não sei o que querem comigo, mas boa coisa não é. Só me lembro do sorriso dela enquanto eu caía pela janela, foi a única coisa, além de suas palavras, que me mantinha confortável. 

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