Era isso que Laís almejava ter dito, porém guardou as palavras para si. Não voltou pra casa naquela manhã. Acompanhada de Frederico foi pra um hotel no centro da cidade. Para o Brasil não voltaria, isso não restava duvida. Mas, mesmo assim precisava de um tempo pra pensar, por a cabeça no lugar.
Isadora havia ficado com o pai, Laís ainda precisava se recuperar e nada mais justo que a pequena ficasse na companhia de Christopher.
Estava sentada na cama com algumas revistas na mão quando um rosto familiar surgiu na porta do quarto, acompanhado por Frederico. Ian.
Ian se aproximou, e se sentou ao lado dela. Em seguida, ergueu a mão forte e fechou-a em volta do pescoço da loura, levemente. Laís ergueu a sobrancelha.
-Se atreva a desaparecer desse jeito novamente, e seu destino não será muito agradável. -Ameaçou, apertando um pouco o pescoço dela, mas sorria. Laís riu.
-Por favor, não me mate.-Fingiu estar asfixiando. Ian riu, e soltou o pescoço dela.
-Eu quase enlouqueci procurando você.-Comentou, segurando a mão dela.
-Eu senti sua falta. - Comentou, sorrindo. A pele dela ainda se arrepiava sob o toque frio dele.
Laís conversou com Ian por horas a fio. Os dois riam um do outro, do que fizeram enquanto o outro estava distante.
-E Felippa?-Perguntou, por fim.
-Está bem. A barriga dela já está saliente.-Laís havia descoberto que Ian seria pai por Christopher. Mas não se importou.-Esse filho tem sido minha razão de viver, ultimamente.-Ele observou Laís por um instante.-Você vai voltar pra ele?-Perguntou, olhando-a.
-Eu não sei. Tenho medo e insegurança. Mas eu o amo, Ian.-O rapaz sorriu com a confissão dela.-Eu o amo com cada fibra do meu coração.-Ela olhou pra as mãos, pensando nisso.
-Ele te ama, também.-Laís ergueu o rosto. Não esperava ouvir isso. Não de Ian.-Ele sofreu muito, Laís. Não aprovo as atitudes dele, mas não vou ser hipócrita. Eu não sabia que ele era capaz de chorar.-Acrescentou, com um sorriso torto no rosto.
-Eu soube disso. -Sobrepôs pensativa.
-Você precisava ter visto aquilo. É uma pena não poder ter gravado.-Laís riu de leve.-Eu estava pensando em nós dois, outro dia.-Comentou pensativo.
-E...?-Ela sorriu com a recordação das inúmeras tardes no chalé.
-Se você não o amasse, e se Felippa não fosse o meu ar, nós teríamos sido perfeitos, um pro outro. Fácil como respirar.
-Talvez, quem sabe, se os nossos pais tivessem invertido os casais. Christopher estaria com Felippa, agora. E eu com você. E dezenas de filhinhos com os cabelos pretos como carvão, correndo por aquela mansão.-Observou sorrindo.
-Felippa e Christopher?-Laís assentiu, e ele riu.-Não creio que tivesse dado certo. Você teria amado ele. Do mesmo jeito que ela seria minha, a partir do primeiro momento que eu a visse. Então, mais adultério.-Ele fez uma careta, e Laís riu.-Se Isadora fosse minha filha, eu teria tirado você dele. Não sei como, mas estaríamos longe.
-Eu já pensei muito nisso. Seria absurdo.-Confessou, com uma careta. Ian riu.
-Foi tudo fora do planejado.-Laís assentiu.-Agora só nos resta esperar o nosso final feliz.
-Eu não sei o que fazer. Eu não vejo o caminho do meu final feliz.-Assumiu, com a voz embargada.
-Seu coração vai te mostrar o caminho, minha Laís. Espere e verá.-Ele avançou pra ela, que fechou os olhos. Então sentiu os lábios frios dele tocarem-lhe a testa sutilmente, em um doce beijo de despedida. Seu coração vai te mostrar, Laís.
Em média, um mês se passou. Laís já estava bem melhor. Porém, seu coração continuava em conflito. Ian foi visitá-la quase todos os dias, e levou Isadora diversas vezes. Christopher tinha ganas de ir também, mas não queria pressioná-la com sua presença.
-Laís, você está sendo tola.- Fred reclamou, depois de conversar longamente com a sobrinha. Ao contrario do que ele esperou durante todos os anos que passou longe da menina, não houve nada entre eles. Nem beijos, nem toques, nem nada. A vontade insana que ele tinha de tê-la para sim, havia terminado no momento em que Christopher praticamente deu a vida pra ela.
-Não estou, não.-Cruzou os braços.
-Você me disse que o verdadeiro amor sempre volta.-Lembrou, Laís assentiu.-Talvez o seu tenha voltado.
Demoraria demais pra desamarrar o vestido. Laís sorriu por antecipação, e abriu os braços pro lado. Christopher riu levemente e se ergueu, começando a rasgar o vestido dela.
Ela o observou, com um sorriso de canto no rosto, lembrando-se da sua noite de núpcias.
Novamente ela estava no chão, novamente ele lhe rasgava a roupa, novamente ele iria possuí-la, e mais uma vez ela não conseguiria fugir. Mas dessa vez era porque não queria.
-Amor, pára!-Pediu, ruborizando, quando ele, após terminar de rasgar-lhe o vestido, que formou um tapete no chão em volta dos dois, pôs-se a observar fixamente o corpo dela, coberto apenas pelo sutiã e uma calcinha short.
-Tão linda, mon coeur.-Murmurou, tocando-lhe a barriga. Laís prendeu a respiração pelo toque e se arrepiou por ser chamada pelo velho apelido. Christopher sentiu o estremecimento dela debaixo de sua mão, e sorriu, maliciosamente.-Você gosta, coeur?-Perguntou, observando-a, enquanto sua mão forte subia pela barriga dela.
-Huhum.-Murmurou, perdida no que sentia. Queria que ele lhe rasgasse o resto da roupa e lhe possuísse da maneira mais violenta que conseguisse, mas que acabasse com essa tortura.
-Eu não ouvi, coeur.-Perguntou perverso, enquanto subia a mão da barriga pro vale entre os seios dela. Ele passou o dedo indicado firmemente naquele ponto, fazendo ela ter vertigens. Laís gemeu baixinho, agoniada por mais.
-Gosto.-Admitiu, sentindo o rosto ruborizar.
-Então peça para que eu continue.-Disse, parando a mão ali, sorrindo divertido. Laís abriu os olhos, encarando-o incredulamente. Mas ele estava falando sério.
-Nem sonhe com isso.-Disse, com a sobrancelha erguida.
-Pede pra mim, coeur.-Murmurou, após se deitar por cima dela, perto de seu ouvido.-Diz pra mim o que você quer que eu faça. Eu sou seu. Estou esperando as suas ordens.-Laís fechou os olhos, sentindo o hálito quente do marido na pele dela.-Pede coeur.-Laís negou com a cabeça. Nesse momento ela sentiu os dedos dele começarem a tatear-lhe a pele.-Mande em mim.-Pediu com a voz rouca, antes de morder a orelha dela.
-Chris, pára com isso.-Implorou torturada. Ele sorriu abertamente ao ver a reação dela.
-Eu não estou pedindo tanto. Diga-me o que você quer, e eu farei.-Instigou, soprando o pescoço dela de leve, vendo-a se arrepiar.
Laís suspirou, dividida. Era mortificador pedir. Mas seus seios já ardiam, de tanto que Christopher a atiçava, por nada. Ela prendeu a respiração, e ele observou-a curiosamente. Depois sentiu a mão da mulher, tímida, puxando a sua. Ele sorriu ao ver o que ela fazia.
-É isso?-Perguntou perverso, e se apossou do seio dela fortemente, possessivo. Laís gemeu, inclinando a cabeça pra trás. Estava difícil pra Christopher, também. Vê-la ali, quase nua, deitada no chão, ter sua mão sob o corpo dela, sentindo ela se contorcer por ele, o colocava no auge de sua excitação. Tanto que sua calça já o incomodava.
Christopher se surpreendeu quando Laís o empurrou instantes depois. Ele caiu deitado no chão ao lado dela, e observou a mulher, sorrindo vingativa, sentar-se no colo dele, se inclinando sobre o mesmo. Ele sentiu os lábios dela oprimirem o seu, puxando-o pra um beijo desesperado, sedento. Ele não entendeu a intenção dela, até que sentiu a mãozinha dela descer-lhe pelas pernas
-Laís.-Avisou, encarando-a seriamente, enquanto ela sorria. Não se devia atiçar um homem desse modo. Muito menos ele.
-Você gosta, meu amor?-Repetiu a pergunta, olhando-o gloriosamente, enquanto um fio louro se sobressaia sobre seu rosto. Christopher sentiu ela apertar-lhe o membro firmemente, e gemeu com isso. Onde fora parar a Laís inocente, que ele dominava com facilidade?
-Laís.-Murmurou, engolindo em seco. Aquela realmente era uma brincadeira perigosa. Perigosa demais pra ela.
Mas Laís não se importou com o aviso. Quem avisa amigo é. E desde quando Christopher era seu amigo? Ela rasgou a camisa dele, que riu. Ela teve mais dificuldade com a camisa fina que ele com o vestido e suas diversas camadas. Ele parou de rir quando ela novamente começou a atiçar sua intimidade. A mão dela era inocente, inexperiente, o que excitava ainda mais ele. Ela desceu a boca pela pele do pescoço do mesmo, instigando-o.
-Laís, não judia.-Murmurou, antes de soltar um gemido agoniado, ao sentir a língua dela tocar sua barriga.
-Não gosta, amor?-Perguntou, fazendo biquinho, com uma voz que provocava ainda mais ele.
Christopher observou Laís por um instante, transtornado. Demônios, aquela mulher era sua perdição.
-Maldição.-Murmurou pra si mesmo, terminando de rasgar a roupa dela.
Havia acabado ali o jogo. Laís abraçou Christopher com força, e ele se apossou da boca dela agressivamente. Ele a deitou novamente no chão, livrou-se do resto de roupa que o segurava, se pôs entre as pernas dela e a invadiu violentamente. Laís gritou, extasiada com aquilo, e ele gemeu pelo alivio. Juntos, novamente, como eu um só. Ele enlaçou as pernas na cintura dele, que segurou a coxa dela possessivamente. Então ele começou a se mover, e todo o sofrimento, toda a saudade que ela tinha passado não era nada. Os movimentos dos dois eram tão fortes, tão intensos, que às vezes as costas de Laís se arrastavam de leve pelo chão.
As costas do loiro já estavam possuídas pelas unhas dela, do mesmo jeito que o pescoço e o colo dela já estavam da cor de sangue. Christopher mordia o lábio, pois fazia força, e tinha o rosto enterrado no ombro dela. Laís tinha uma mão no cabelo dele, e as vezes puxava, pelas estocadas fortes que recebia. Se houvesse alguém naquela mansão, com certeza ouviria os gemidos, até gritos dos dois. Os minutos se passaram, a chuva caia lá fora. Laís, com um ultimo grito, desfaleceu-se, sorrindo, satisfeita. Minutos depois foi à vez dele, que com um grunhido, se satisfez. O silêncio reinou por instantes, enquanto os dois se recuperavam.
-Eu machuquei você.-Murmurou, ao ver a marca da boca e dos dentes dele no colo dela. Ela estava quieta, ainda anestesiada, acariciando-lhe as costas e os cabelos.
-E você deve ter perdido metade do cabelo comigo.-Comentou sorrindo.
-Algo me diz que metade das costas, também.-Observou, brincando. Laís abaixou o olhar, e viu os vários traços cor de sangue que ela deixara ali.
-Me perdoe.-Pediu envergonhada, tocando as marcas que deixou, como se seus dedos fossem curá-lo.
-Tola.-Ele deu um beijinho no queixo dela, que sorriu.-Eu machuquei você?-Perguntou, sério e preocupado agora. Excedeu-se com a força.
-Não. Foi bom.-Admitiu corando, e ele sorriu.-Mas se eu não conseguir andar amanhã, a culpa é toda sua.-Christopher riu, e ela sorriu.
-Nunca foi assim, não é?-Perguntou, acariciando o cabelo dela.
-Não tão violento.-Admitiu, e Christopher fez uma careta.-Cala a boca. Eu adorei.-Ela mostrou a língua pra ele, enquanto lhe acariciava o cabelo
-Sério?
-Sério. Lembre-me de provocar você mais vezes. O resultado é prazeroso.-Sorriu manhosa.
-Eu te amo.-Disse olhando ela.
-Eu sei.-Brincou, encarando o marido. Instante depois ele a beijou, levemente. Os lábios de Laís estavam doloridos, mas estava valendo. Tinha que dar certo, pelo menos dessa vez.
-E lá se foi mais um vestido.-Comentou, puxando o tecido preto pra cima dos dois.
-Você já deve ter detonado mais de 10 peças de roupa.-Fez uma careta.
-Pense pelo lado positivo, foi melhor que a cama.-Brincou, sorrindo.
-Que?-Ela riu dele.
-A cama teria quebrado.-Constatou, e Laís arregalou os olhos.-É sério.
-Para. -Tapou a boca dele.
-Você fica linda quando tem vergonha.-Comentou, acariciando o rosto dela.
-Deve ser por isso que você me envergonha tanto. Tsk tsk.-Fez sinal negativo com a cabeça.
-Você está com frio?-Perguntou, sentindo a pele dela esfriar sob a sua.
-Um pouco.-Admitiu.-Também, olha a chuva.-Indicou o barulho forte da chuva batendo nas janelas.
-Vem.
Christopher se soltou dela e a carregou, deixando o resto das roupas dos dois no chão, e levou ela pra cama, colocando-a debaixo do edredom, e deitando-se do seu lado. Depois, os dois ficaram se encarando, sem dizer nada.
-Eu senti saudade. -Laís admitiu abraçada a ele, fazendo carinho em seu peito.
-Você não sabe o que é saudade.-Respondeu, colando a testa com a dela.
Laís encarou Christopher por um momento. Ela via seu futuro nos olhos dele. Ele sorriu, e a beijou levemente. Mas como nós já conhecemos Laís e Christopher, a coisa passou dos limites, novamente. As mãos dele pareciam pertencer ao corpo dela, enquanto ele a preparava.
-Chris!-Chamou, rindo, quando ele se deitou sob ela, e se pôs a beijar-lhe o ombro.
-É o meu nome.-Respondeu, sorrindo, sob a pele dela.
-Não!-Repreendeu, ainda rindo.
-Não quer?-Deu a opção a ela, dando um beijinho em seu maxilar.
Christopher a encarou, esperando sua resposta. Não se chatearia se recebesse um não. Nada o chatearia agora. Laís o encarou por momentos, sentindo o amor pulsar dentro de seu peito. Ela acariciou o rosto dele, que sorriu pelo carinho. Então ele sentiu o pé dela lhe acariciando a perna, enquanto ela lhe dizia "sim", enlaçando as pernas em sua cintura.
Ela sorriu junto com ele, mordendo o lábio. Laís pegou o rosto dele com a mão, e o beijou apaixonadamente. Entre o beijo, ela sentiu a mão dele segurar-lhe o quadril, e ele se pos a invadi-la, lentamente. Ela soltou um gemido fraco e se abraçou ao marido, o sentindo possuí-la, cada vez mais. Ele deu um beijo de leve na trave da boca dela, que sorriu de olhos fechados. Os dois começaram a se movimentar juntos, em uma dança que proporcionava um prazer indescritível aos dois.
Os minutos se passaram, e a entrega dos dois era total. Dessa vez, foram juntos. Laís gemeu, satisfeita, e Christopher gemeu o nome dela, antes de amolecerem. Passaram minutos assim. Até que Christopher começou a rir.
-Em nome de Deus, qual o seu problema?-Perguntou, dando um tapinha na testa dele.
-Desejo por você.-Respondeu, tranquilo, e Laís beijou os lábios dele de leve. Christopher descansou o rosto no colo dela, que o abraçou pelas costas, e assim os dois dormiram, felizes, satisfeitos, plenos.