Max
Sábado, 12:00 horas, Casa de Maxwell;
O sol de meio dia parecia estar se escondendo, densas nuvens o encobrem impedindo que chegassem seus intensos feixes de luz aos olhos de Max, rajadas de vento faziam as árvores tremerem como se dançassem em uma harmonia natural, enquanto as sombras das nuvens parecem cobrir tudo e qualquer lugar que se observasse.
"Vai chover", pensou o rapaz ao observar o céu pela janela do carro. Após alguns minutos se locomovendo o veículo finalmente para, Max joga a alça da mochila sobre o ombro e desce do automóvel.
- Tem certeza que não quer ir com agente? – Pergunta o homem que dirigia o carro, as marcas da idade em seu rosto, sua fina barba branca, e sua face aparentemente cansada acentua a expressão de preocupação que toma o rosto do velho homem.
- Está tudo bem pai, tenho que adiantar umas atividades de qualquer jeito. – Responde Max enquanto tenta destrancar o cadeado com a chave que tinha.
- Tudo bem. – Disse o homem em meio a um suspiro. – Voltamos em menos de 3 dias, se cuida filho. - Ele fechou o vidro do carro e foi embora.
Max deixou escapar um suspiro antes de se virar para abrir o portão, seus pais estariam fora nos próximos 3 dias, parecia uma boa oportunidade para relaxar e madrugar no computador. Ele caminha pela garagem até chegar na porta trancada, mas antes que pudesse abri-la seu celular vibra em seu bolso, rapidamente Max o puxa e desbloqueia o aparelho enquanto gira a chave para abrir a porta, já dentro de casa ele se jogou no sofá para ler a mensagem que havia recebido, era de Marina:
"< Oie, Jack e eu estamos indo até praça, vamos? "
"Não posso, tenho que terminar umas tarefas logo, a gente se vê outra hora. >"
"< Ah, tudo bem.... Se mudar de ideia me mande uma mensagem ok? "
"Pode deixar. >"
Max suspirou e deitou no sofá encarando o teto por alguns segundos, se ele tivesse dito que não queria ela teria insistido.
Bem já que ainda estava ali o garoto resolveu lavar a louça suja, quanto antes terminasse antes poderia vadiar com uma bela remessa de pipoca e séries na Netflix. Ele liga a televisão e caminha até o banheiro para lavar seu rosto, a água escorre por sua pele bronzeada enquanto ele encara seus olhos escuros através do reflexo no espelho, passando a mão sobre sos cabelos negros Max deixa o local se dirigindo até a cozinha para adiantar o serviço.
Durante todo o processo a mente do rapaz estava vazia, ele não pensou em nada específico, talvez sua atenção estivesse totalmente focada no trabalho, ou talvez ele apenas não quisesse pensar em nada, nem mesmo o garoto sabia e quando percebeu o serviço havia terminado, que horas seriam aquelas? Ele voltou para o sofá e pegou seu celular, 13:00 marcava em seu aparelho.
Como estariam Jack e Marina? Foi essa uma das primeiras coisas que veio até sua mente, o que fez ele balançar a cabeça tentando pensar em alguma outra coisa. Ainda com o celular na mão o rapaz ativou a reprodução automática e arremessou o celular no sofá próximo deixando as músicas tocarem, e foi no momento que o som começou a tocar que a cena na televisão mudou, um símbolo em vermelho aparece na tela seguido de uma mulher jovem de aparentemente 25 anos, ela usa um terno feminino acinzentado, e seu cabelo está preso em um coque no alto da cabeça, sua pele pálida como a neve.
Ela logo começou a falar:
"Atenção a todos, essa é uma transmissão de nível internacional, um surto epidêmico vem fazendo com que as pessoas se ataquem nas ruas, diversos ataques têm ocorrido em todo o mundo, caso avistem alguém com comportamento suspeito é aconselhado manter distância da pessoa e evitar contato, as autoridades já estão trabalhando nisso e pedem que as pessoas fiquem dentro de casa, ao menos até que se descubra o que está acontecendo. "
Enquanto ela fala, cenas de um homem adulto atacando um senhor de idade passa ao fundo, ele começa a dilacerar o senhor vorazmente entre mordidas puxões e gemidos, sangue se espalha pelo chão, nesse momento a cena foi interrompida.
Quando ela termina de falar a programação normal retorna e Max permanece estático por alguns instantes.
Clima para o sábado, dia nublado com leves chances de apocalipse.
Não se sabe ao certo quanto tempo se passou até ele voltar a si, mas assim que aconteceu, o seu corpo agiu sozinho, com o celular na mão a tela exibindo as dezenas de tentativas de ligação para dois números específicos, uma única coisa passava em sua mente no momento, e após várias tentativas de contato fracassadas Max decide ir atrás de Jack e Marina.
- É, bancar o super-herói pode facilmente entrar do cronograma do fim de semana. - Disse o rapaz caminhando até a porta.
Ele calçou seu tênis e abriu o portão da casa, para a praça eles disseram, com o celular em mãos ele começa a correr, o bairro estava vazio, nem sinal de pessoas ou carros.
O garoto não era exatamente um maratonista, mas tinha um porte físico bom, uma musculatura bem desenvolvida e altura mediana, o que ajudava em sua agilidade, correr algumas quadras não seria o maior desafio de sua vida, além do que eles provavelmente estariam bem, mas naquele momento seu corpo já se movia por conta própria.
Enquanto corre Max se pergunta se a falta de pessoas é um bom sinal. Descendo a rua sem parar, com sua respiração ofegante, cada passo de Max faz a poeira erguer-se do chão, ele estava próximo, e ali ele já implorava a qualquer um dos deuses que o estivessem ouvindo, implorava que seus medos não fossem mais que paranóia.
Assim que chegou na praça ele buscou por seus amigos.
O local era grande, devia cobrir cerca de 1 quadra inteira, diversas passarelas de cimento cercam o perímetro e cruzam o gramado de ponta a ponta criando trilhas que se encontram e dividem ao longo do caminho, as partes gramadas eram bem cuidadas e várias delas eram ocupadas por enormes árvores, um parquinho infantil e 2 enormes quadras de areia vazias ficavam em uma das pontas do local.
Jack e Marina estavam sentados em um banco de cimento próximos a uma árvore na outra ponta do local, um vento forte sopra fazendo com que a árvore balance, saber que estavam bem faz Max respirar aliviado, sem precisar mais correr o rapaz aproveita para recuperar suas energias, mas seu descanso não durou muito, ao longe ele vê alguém correr em direção aos dois, o rapaz não consegue ver com detalhes, mas aquilo não lhe parece um bom sinal, rapidamente ele acelera seu passo e em segundos já corre novamente, a pessoa se aproxima cada vez mais, Max não chegaria a tempo, e antes que pudesse gritar o nome de Jack e Marina a pessoa os ultrapassou, agora de perto ele pode ver, é apenas um senhor de idade fazendo sua corrida matinal.
Exausto Max deixa escapar um longo suspiro se jogando no chão em seguida, deitado na grama ele começa a rir aliviado, que ridículo, o que havia passado por sua cabeça? Deitado ali ele encara o céu por mais alguns instantes enquanto ria e tentava recuperar o fôlego, foi quando uma voz próxima o chamou, era Marina.
- Você não estava ocupado? – Disse a garota cruzando seus braços e arqueando as sobrancelhas.
Jack que se encontrava atrás da garota apenas observa a cena e ri.
Jack tinha a mesma altura de Max, com um porte físico levemente mais desenvolvido e mais magro também, o corte de cabelo curto estilo militar castanho escuro entrava em sintonia com o tom gentil do castanho de seus olhos, a pele clara média e porte físico entrariam tão bem em um uniforme militar como em um terno de gala. Logo seu olhar e o de Max se encontraram e um diálogo silencioso se iniciou.
"Me ajuda aqui. "
"Huehuehue se vira. "
"Vai se ferrar. "
Então Max volta seu olhar para Marina, o castanho mesclado com leves tons de loiro descia pelas ondas de seu cabelo até pouco abaixo da altura dos ombros, seus olhos brilhavam em um verde intenso envolto em um castanho delicado, era como se tivessem jogado duas tintas diferentes sobre uma gota de água. Seus rosto fino e delicado deixava suas expressões bem aparentes, ela estava brava.
Ele se levanta lentamente enquanto pensava em uma boa desculpa, mas foi aí que a situação mudou, ele cerra o punho e rapidamente se movimentou passando por Marina e empurrando Jack para o lado para desferir um soco no rosto de um homem que se aproximava dos três. O homem cai de costas enquanto Jack e Marina encaravam Max abismados, naquela situação houve apenas uma coisa que o rapaz pode dizer:
- Ah, isso dói! – Falou Max. – O que aquele puto tinha na cara? Chumbo? – Disse ele sacudindo a mão.
- Por que você fez isso cara? – Disse Jack se aproximando do homem caído.
Ele obviamente não estava em plenas faculdades mentais, o corpo do homem treme e uma espuma amarela escorre por sua boca, seus olhos tem um tom vermelho sangue e sua pele incrivelmente pálida.
Nesse momento o coração do rapaz estava a mil, sua mente envolta em confusão e adrenalina, ele mal conseguia respirar.
- Afaste-se. – Max avançou sobre Jack e agarrou seu pulso. - Temos que sair das ruas.
Com a mão livre ele segura o pulso de Marina e começa a puxar os dois pela quadra, as nuvens começavam a formar um temporal no céu. Não havia pessoas, nem animais, nem nada, um silêncio absurdo tomava o local, e isso preocupou Max. Marina e Jack resistiram enquanto eram puxados.
- O que você está fazendo cara? – Jack gritou.
- Nós temos que sair da rua! – Max exclamou, ele não conseguiria explicar, não agora. - Por favor, eu explico quando acharmos um lugar.
Jack e Marina se entreolharam por alguns segundos antes de assentir.
- O carro da minha mãe está estacionado bem ali. - Jack apontou alguns metros a frente.
Repentinamente uma chuva torrencial se inicia, Max os encara antes de começar a correr em direção ao veículo, Jack e Marina o seguiram. Assim que chegaram no carro Jack destravou as portas e os três pularam para dentro.
- Legal, agora pode... - Jack começou a falar, porém Max o interrompeu.
- Ainda não. - Disse Max. - Temos que sair das ruas.
- A escola é aqui perto. - Disse Marina.
Os três se entreolharam antes de Jack deixar escapar um longo suspiro.
- Certo, certo. - Disse o rapaz dando partida no veículo.
Enquanto dirigia pelas ruas não se podia ouvir nada mais além da respiração ofegante de Max, e das gotas de chuva se chocando contra o chassi do veículo.
- Então, que frescura toda é essa? - Disse Jack enquanto dirigia.
Max olhou pela janela vendo a água escorrer enquanto se endireitava no banco da frente.
- Tem alguma coisa acontecendo lá fora, emitiram um alerta na televisão. - Disse o rapaz. - Uma espécie... de surto epidêmico.
- Um surto epidêmico? - Jack o encarou confuso.
- Eu também não sei direito. - Respondeu o rapaz fazendo uma breve pausa antes de suspirar. - Apenas disseram para sairmos das ruas, nas imagens eu vi....
Max engoliu em seco e parou de falar, as imagens do homem devorando o velho na televisão estavam frescas em sua mente.
- Viu o que? Esse escândalo todo e nem você sabe o que está rolando. Exagerado. - Marina abriu um sorrisinho malicioso. - Percebe que acabou de socar a cara de um homem desconhecido né?
- Eu vi um homem devorando um velho! - Max exclamou.
Um silêncio cobriu o ambiente mais uma vez.
- D-devorando? - Marina perguntou.
- Você tá zoando né? - Disse Jack olhando o rapaz com o canto do olho.
Max não respondeu, Jack voltou sua atenção para rua.
- É bom chegarmos logo na escola. - Disse Max.
- Sim. - Jack e Marina assentiram.
Não demorou muito até que Jack estacionasse o carro.
- Chegamos. - Disse Jack desligando o motor.
Os três desceram do carro e correram até a entrada da construção. Atravessando o portal haviam duas passagens de cada lado, uma levava um corredor que dava acesso a algumas sala e a diretoria, enquanto a outra levava a área do primário com algumas salas e um pequeno parquinho interno. Seguindo reto havia um enorme banco circular, contornando ele chegaria até a cantina que ficava do lado direito bem ao lado da quadra, virando a esquerda um enorme pátio coberto de grama com uma trilha que levava ao prédio principal.
A escola ela estava vazia exceto pelo o guarda, e três outros alunos distantes que os garotos logo reconheceram.
- Andrew, Anna, John! – Gritou Max correndo até eles.
Andrew e Anna eram irmão, mas Andrew tinha quase 1,80 e um corpo grande, que mesmo sem muitos músculos aparentes o deixava bem parecido com um lutador, seus cabelos lisos brilhavam em um castanho escuro e sobre seu rosto grande caia uma franja suave desviando de seus olhos cor de canela, já Anna tinha um corpo bem modelado e farto sem necessidades ou excessos, com longos cabelos cor de chocolate em uma mistura de escuro e claro, os fios lisos caiam sobre seus olhos castanhos puxados para o mel, os dois tinham uma pele clara que destacava bem suas particularidades.
John era levemente mais alto que Max, e maior também, seu cabelo negro e cacheado tinha um corte baixo fato que destaca bem a tonalidade escura de seus olhos verdes.
Os três estavam sentados em uma mesa na cantina, Jack, Max e Marina pararam próximos a ele ofegantes.
- Você estão bem? – Disse John.
- Parece que viram uns zumbis. – Anna comentou soltando uma risada.
- Max apareceu na praça e nos arrastou até aqui do nada. – Disse Marina tentando recuperar o fôlego.
- Cara palhaço. – Jack se sentou.
Anna, Andrew e John se entreolharam.
- Nós também estávamos na rua quando vimos a reportagem. – Disse John. – Andrew começou a chorar.
- Vai se lascar. – Disse Andrew irritado.
Os dois riram.
- Então é verdade mesmo. – Jack os encarou sério.
- Bem, aparentemente pessoas começaram a se atacar por aí, por isso as autoridades disseram para ficarmos em casa, mas parece que já está sendo controlado. – Anna explicou. – Tenso né? Parece aquelas coisas de apocalipse zumbi.
- Eu achei um desperdício, essa foi a melhor coisa que aconteceu esse ano. – John brincou.
- Não fala isso, imagina se ficasse sério? – Comentou Anna.
- Relaxa já tá tudo bem. – Respondeu John. – Além do que o Andrew seria uma ótima isca.
- Não é à toa que eu corri 8 quadras e soquei a cara de um velho. - Disse Max encarando a garota. - Exagerado né? - O rapaz arqueou uma sobrancelha.
- Não dá 8 quadras da sua casa até a praça. - Respondeu Marina voltando seu olhar para o rapaz.
- Você entendeu! - Exclamou o rapaz.
- Okay, okay. - Marina ergueu os braços, os dois riram.
Nesse momento Max percebe algo que não havia visto antes, uma pontada de dor em seu punho chamou sua atenção, com o canto do olho o rapaz avistou um ferimento cumprido entre seu indicador e dedo do meio, ele ardia e sangrava quase como um arranhão. O rapaz esconde a mão no bolso.
- Espera você não se feriu né? Ele não te mordeu nem nada? – Perguntou Marina preocupada. - É assim que transmitem essas coisas não é?
- Vocês acharam um zumbi? E o Max ainda bateu nele? – Perguntou John. – Ah que inveja.
- Mais ou menos. – Max riu. – Mas se já controlaram talvez não fosse um zumbi, eu posso só ter batido em um senhor de idade antes de fugir correndo.
- Isso é bem a sua cara. – Jack comentou. – Eu teria feito o mesmo.
- A gente pode parar de falar "zumbi", tipo não são "zumbis" mesmo né? - Disse Marina.
- Se bem que ia ser irado atirar em alguns mortos-vivos. - Disse Andrew.
- Né? - John e Andrew bateram as mãos.
- Pode ser que seja alguma mutação da raiva, é uma doença perigosa.. - Anna começou.
- Que bosta, agora parece mais normal. – Disse Andrew.
- Não sabia que isso deixava as pessoas assim - Continuou Marina, ignorando o comentário de Andrew.
- Por que não deixa.- Disse Max. - Canibalismo está longe de ser um sintoma da raiva.
- Bem, um surto epidêmico como da cólera ou tuberculose anos atrás parece bem menos atrativo que um apocalipse zumbi. - Disse John.
- Acho que todos concordamos que zumbis são legais. - Disse Jack balançando a cabeça.
- Com certeza. - Max respondeu cruzando os braços antes de todos começarem a rir.
- Crianças. - Disse marina colocando a mão na testa.
- Por via das dúvidas vamos ficar por aqui até meus pais virem nos buscar. – Falou Andrew puxando o celular do bolso.
- Eu tô de carro mano, deixo vocês em casa. - Disse Jack
- Além do que, não acho que você conseguiria. - Max encarava a o celular pálido. - Estamos sem sinal.
Nesse momento todos se entreolharam antes de puxar os celulares de seus bolsos, e como Max havia dito, não havia sinal.
- A rede Wi-fi também não funciona. - Disse Marina mostrando o celular.
- Ei, ei, ei, você só pode estar brincando. – Disse John erguendo o celular o mais alto possível em busca de sinal. – Beleza, agora isso tá ficando sinistro.
- Televisão, precisamos de uma televisão! – Exclamou Jack.
Rapidamente Max olhou ao redor em busca de uma televisão, ou qualquer forma de acessar o jornal ou outra fonte de informação, sem internet eles não tinham como saber o que estava acontecendo, e sem sinal não poderiam se comunicar com a família ou com qualquer um.
- É... galera. - Disse Jack encarando fixamente a tela do celular .
Todos se entreolharam nervosos quando um som de uma multidão enfurecida emanou do celular do rapaz, Max sentiu um arrepio percorrer a espinha, ele sabia o que era aquilo antes mesmo de Jack dizer.
- Televisão digital. - Disse o garoto. - Vocês precisam ver isso.
Max, assim como todos os presentes, se aproximou do aparelho vagarosamente, a voz de um rapaz podia ser ouvida por cima dos ruídos ao fundo, e assim que ele se aproximou o bastante a voz ficou clara.
Na imagem um repórter de terno estava parado encarando a tela aflito, um vento forte soprava fazendo com que o homem mantivesse a mão cobrindo o microfone, ele estava parado atrás de um bloqueio da polícia, que tentava conter com escudos de proteção uma multidão de pessoas enfurecidas, gritos, choros e estrondos altíssimos podiam ser ouvidos a todo momento, enquanto isso encarando a tela o repórter dizia:
"A polícia começou a ter dificuldades em conter a multidão, a cada segundo mais pessoas se mostram infectadas ou com sintomas de infecção, a autoridades já iniciaram o processo de isolamento, porém a permissão para o uso de armas de fogo ainda não foi concedida."
- Vocês só podem estar brincando. - John deixou escapar.
"Esperem, acabamos de receber informações que tem algo se aproximando do bloqueio, nosso helicóptero está captando as imagens."
No canto da tela se iniciou a filmagem do helicóptero, de cima a situação se mostrava muito pior, a multidão de pessoas aumentava cada segundo, eles vinham correndo em grupos cada vez maiores de todos os cantos da cidade, avançando contra o bloqueio, e em meio a multidão tinha algo se movendo, um ser humanóide de quase 3 metros de altura, ele tinha a pele cinza e não tinha cabeço, todos os membros do seu corpo estava inchados, mas o que mais se destacava era a barriga enorme e terrivelmente inchada, ela balançava e tremia como se fosse um balão d'água. O ser se movia pela multidão atropelando aqueles que ficavam em sua frente e arremessando os outro para trás.
"Parece uma espécie de ser humanoide deformado... o que? Ele está vindo para cá, droga temos que sair daqui Eddie."
No momento que ele disse isso pode-se ver o monstro ao fundo se aproximando dos policiais segundos antes da câmera ir ao chão e a transmissão ser interrompida.
Por vários segundos seguidos ninguém disse nada, a única coisa que se podia ouvir era o chiado da tela sem sinal.
- O que está acontecendo? - Pôde-se ouvir Jack sussurrar.
- N-nós temos que sair daqui. - Disse Andrew.
- Droga, droga, por que o celular não funciona. - Marina começava a golpear o próprio celular com os dedos.
- Para o carro. - Disse Max começando a se mover em direção a saída.
Todos os encararam atordoados, e o rapaz não os culpava, eles estavam a deriva, sem poder contatar ninguém ou pedir ajuda. Max pedia com todas as forças que seus pais estivessem bem.
Entretanto o pensamento de todos foi interrompido por um forte estalo seguido de um grito, ele vinha do portão, todos se entreolharam pálidos antes de correr até um local que lhes desse visão, com exceção de Max, assim que o rapaz tentou se movimentar ele sentiu sua ferida queimar, um ardor percorreu seus vasos sanguíneos e suas pernas vacilaram e o rapaz caiu de joelhos.
- Cara, você está bem? – Perguntou Jack se agachando ao lado do amigo ao perceber que o mesmo havia ficado para trás.
- Sim, eu só... Fiquei meio tonto. - Disse Max se apoiando em uma cadeira para se levantar.
- Guys.... - A voz de John se perdeu antes de completar frase.
Jack e Max se entreolharam antes de correr até onde os amigos estavam.
Do lado de fora do portão um homem completamente ensanguentado mordia vorazmente o pescoço do vigilante que gritava por ajuda, seu sangue se espalhando pelo chão em uma poça escarlate que aumentava continuamente.
Um silêncio tomou o ar, os jovens não conseguiram fazer mais nada a não ser encarar a cena perplexos enquanto o homem devorava o vigilante vorazmente, não demorou até que mais deles aparecessem, aos poucos pessoas pálidas de olhos avermelhados se juntavam para desfrutar de uma boa refeição, 1, 4, 9, dezenas, antes que eles pudessem perceber um exército de mortos vivos se juntava na entrada do colégio, e com eles vinha a notícia de que a humanidade havia chegado ao fim.