Apostada | Baekhyun

By xisweet

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A filha perde a mãe quando criança. O pai perde a filha ao jogo. Duas perdas, parecendo não estar ligadas m... More

Prólogo
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By xisweet

Assim que acabei de comer, ouvi umas batidas na minha porta. Era o meu pai, obviamente.

Entra.

Ouvi a porta escancarar e observei o meu pai espreitar para dentro do quarto antes de me encarar e fechar a porta atrás de si.

— O pai do Baekhyun vem buscar-te daqui a duas horas — baixou o olhar e aproximou-se de mim. 

É assim que ele se chama? — encarei-o, enquanto ele não o consegui fazer.

Sim.

Mas eu não tenho tempo para arrumar tudo — suspirei, tentando mudar de assunto e afastar a minha desilusão.

Queres ajuda? — finalmente olhou para mim.

Não, eu desenrasco-me sozinha. Como vou ter de fazer daqui para a frente.

Ele apenas respirou fundo e saiu do quarto. Melhor assim. Eu não estou chateada com ele... apenas desiludida. Um dia talvez o perdoe, quando isto tudo acabar.

Decidi ligar à Emily para que ela viesse cá, eu lhe contasse tudo e para me ajudar a arrumar as minhas coisas. Ela disse que chegava em 10 minutos. Pouco tempo depois ela bateu à porta do meu quarto.

O que é que se está a passar? Porque é que o teu pai está tão estranho e porque é que tu estás a arrumar as tuas coisas em malas? — atacou-me logo com perguntas mal se sentou do meu lado na cama. 

Prepara-te. O meu pai vendeu-me.

O quê?! — a sua postura mudou para mais ereta e os seus olhos se arregalaram.

Eu vou te contar tudo — tentei contar-lhe tudo, não esquecendo qualquer pormenor.

E agora, Megan? — a sua expressão agora estava bem preocupada.

Agora nada, eu vou-me casar, não vou emigrar. Podem estar comigo quando quiserem, eu vou fazer a minha vida normalmente — tentei acalmá-la e convecer-me a mim própria também, colocando a minha mão sobre a sua.

Credo, que história surreal.

Podes crer — respirei fundo, evitando suspirar novamente.

E quando é que vais?

Esta tarde.

O quê?! Mas já? — novamente a sua expressão mudou, agora para tristeza.

Por isso é que te chamei, ajudas-me a fazer as malas? — levantei-me da cama, ajeitando a minha roupa que já estava amassada de há tanto tempo que me encontrava ali sentada.

Claro.

Ela ajudou-me a arrumar as minhas roupas, calçado e coisas de higiene. O resto vão lá levar em caixas.

E já conheceste o rapaz? — perguntou enquanto acabávamos de pôr tudo em caixas e malas.

Ainda não.

Vais ver que é um gajo todo bom e querido — piscou-me o olho, rindo. Fez-me rir também, coisa que me fez bem naquele momento tão tenso.

Mas pode ser o contrário.

Vamos pensar positivo.

Continuámos a arrumar as minhas coisas até à hora de almoço. Ao todo três malas e várias caixas com alguns pertences meus maiores que não me queria desfazer, nem que fosse só por uns menos.

Posso te ligar todos os dias, não posso? — agora estávamos na sala, enquanto eu esperava pelo senhor Byun ou alguém que me viesse buscar.

Claro, mas eu não posso mesmo estudar ou trabalhar — afirmei, lembrando-me a mim mesma também.

Isso é mau.

Parece que voltámos ao século 15 — desta vez deixei-me suspirar.

Assim que olhei novamente para o meu relógio de pulso, percebi que tinha confundido as horas e ainda faltava algum tempo até que me viessem buscar. Decidimos que íamos ao shopping então informei o meu pai que iríamos para lá e apanhámos um táxi até lá.

Tenho uma coisa para te contar —  ela disse quando chegámos ao shopping.

Rapazes?

Nem mais — que novidade.

Quem desta vez?

Chama-se Kyungsoo. Ele é lindo. Conheci-o no café onde ele trabalha — sorriu como acho que nunca a vi fazer. Bom, deve ser mesmo especial.

E já falaste com ele? — indaguei enquanto caminhávamos, procurando uma loja para fazer umas compras.

Tenho vergonha. E ele nunca está sozinho. Está sempre com dois amigos — cruzou os braços sobre o peito, bufando.

Tens de falar com ele se queres alguma hipótese — avisei-a, ergendo-o a sobrancelha.

Eu vou tentar, prometo.

Desistimos de procurar alguma loja de roupa, já que tínhamos ido lá há pouco, então fomos apenas lanchar qualquer coisa antes de voltarmos para minha casa.

Tinha deixado as malas e as caixas na sala de estar, então foi só esperar novamente que alguém me viesse buscar, com a companhia da Emily. O meu pai nem sequer conseguia me encarar.

Então mas vais viver primeiro os pais dele? — a Emily indagou.

E com ele. Para nos "conhecer-nos". Pelo aspeto do homem que veio cá deve ser daqueles rapazes bué mimados — revirei os olhos, pensando já no que me esperava.

Se não gostares dele, basta esperares até o teu pai recuperar o dinheiro. Não deve ser muito tempo — falou, encolheu os ombros.

Espero que não.

Nesse momento, a campainha tocou. O meu pai saiu da cozinha e foi abrir, sem desviar o olhar para nós. Reparei no quanto sua mão tremia quando girou a maçaneta. Aquilo quase me fez partir o coração, mas engoli qualquer sensação de mágoa.

Ficou um tempo a conversar com um homem que não o mesmo de ontem. Pude reparar pelo tom de voz. Talvez um empregado. Finalmente o meu pai vira o seu olhar para nós e chamou-me com o dedo. Vi nos seus olhos a incerteza e o arrependimento, mas já não há nada a fazer.

A Emily ajudou-me a levar as malas até à porta. O homem que estava à porta guiou-me até a um carro, um carro não, um carrão.
Abriu a porta-bagagens e pôs as malas lá. Virei-me para a frente da casa e fui surpreendida por um abraço apertado da Emily.

Eu prometo que te dou a morada e vais para lá sempre que quiseres — falei desfazendo o abraço e sorrindo.

Não te vais ver livre de mim assim.

Rimos juntas e voltei a dar-lhe  abraço rápido antes de lhe dar um beijo na bochecha. Virei-lhe costas com um aperto no coração e entrei finalmente no carro, já com todas as minhas coisas lá dentro. Um mundo completamente diferente me espera. Sozinha.

O homem arrancou com o carro e via a minha casa desaparecer no retrovisor. Não sei quando lá voltarei, mas espero que seja rápido. Observava a paisagem com tristeza. Por mais que estivesse desiludida com o meu pai, vou sentir a falta dele. Espero que possa voltar a vê-lo, quero mesmo muito vê-lo depois disso tudo.

Uns 30 minutos depois chegámos à frente de um portão enorme verde. Era a entrada da casa. O homem deu um sinal a alguém e o portão abriu-se, revelando uma enorme casa branca. Ele estacionou o carro mesmo em frente à casa. O mesmo saiu do carro e abriu-me a porta, para que eu saísse. Agradeci, mas o homem continuou com a cara fechada.

Apontou para a porta sem dizer uma única palavra, onde estava um homem encostado à parede.
O mesmo que ontem foi lá a casa falar com o pai. Segui para perto dele devagar, mas sem timidez ou medo. Pelo menos, tentando esconder essas emoções.

Olá Megan — ele deu um sorriso doce — eu sou o pai do Baekhyun, já deves saber o meu nome, mas podes-me chamar Dong-Sun. Entra.

Ele abriu espaço para que eu entrasse. O Sr. Dong-Sun aparenta ser simpático, nada do que eu esperava. A casa é uma casa moderna com uma mistura de classe e antiguidade. Ricos, mas com ótimo gosto, a casa era mesmo linda.

Aqui é a sala e ali tens a porta para a cozinha — ele disse levando-me para cozinha, também bastante moderna — ao lado da sala tens a sala de jantar e uma casa de banho — Depois ele guiou-me para umas escadas que davam à parte de cima — Todas estás portas são quartos. O teu será a última porta. Vamos?

Acento com a cabeça e entrámos lá. Era um quarto tão moderno quanto o resto da casa, está é só um pouco vazio. Uma cama, mesa de cabeceira, closet, um espelho enorme e uma cômoda.

Já devem estar a trazer as tuas coisas para aqui. Podes depois arruma-las como quiseres. Tens casa de banho cá dentro também. Agora tenho de ir, mas se precisares de alguma coisa, não hesites, está bem?

Voltei a acentir com a cabeça. Sentei-me na cama enquanto ele se ia embora, depois de me ter curvado, agradecendo-lhe que me tivesse apresentado a casa e pela simpatia. Para ser sincera, não esperava mesmo nada.

Já agora, esta noite no jantar, tu e o Baekhyun vão se conhecer — ele estava quase a sair, quando volta a olhar para mim — Não fiques com essa carinha triste. Eu sei que vieste contrariada mas acho que vais gostar do Baek. Só saiem daqui quando vocês se casarem, por isso quero que vocês se dêem bem.


Ele acabou de falar e fechou a porta. Ele está a ser muito atencioso comigo, espero que o filho saia ao pai.

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