Injeção Letal.

By Lola_LB

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Nos Estados Unidos, 34 de 50 estados são a favor da pena de morte. Caitlin Blake é condenada por ser acusada... More

Prólogo.
As histórias que você conta.
Pena Capital.
Unidade Polunsky.
Ninguém é capaz.
Marcada.
A cabana.
Tempestade.
O medo em mim.
Quem você não queria.
Prometa-me.
Mate-me por misericórdia.
Me ouça agora.
Embaixo do tapete.
Até que você diga.
Onde está seu exército? Parte 1
Onde está seu exército? Parte 2
A culpa de um pecador.
Temos perguntas.
72 horas.
Eu sou.
Se estiver errado.
Quem conta a sua história?
2 temporada.

O lado doce da dor.

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By Lola_LB

POV Caitlin Blake.

– Se vista. – a roupa foi lançada aos meus pés antes que a porta preta de metal fosse fechada novamente. Meus olhos arderam ao tocar o tecido vermelho e a luz que entrava no cômodo depois de um longo tempo na escuridão. Ali era diferente e silencioso, o inferno em uma versão sem fogo.

       Fiquei de pé, meus joelhos doíam assim como todo o resto do corpo. A minha cabeça latejava e pedia incessantemente para que eu desligasse os pensamentos que fluíam desesperados como se tivessem me punido pelos meus erros.

      E depois disso tudo eu só podia me odiar por não ter acreditado na única pessoa que me enxergou de verdade, a única pessoa que viu o monstro dentro de mim. Porque eu desejava a morte, eu gritava por ela, eu merecia morrer e Justin Bieber sabia disso.

      Por um longo tempo pude pensar em como o destino é sarcástico, ele te dá um momento feliz antes de arrancar tudo sem nenhuma piedade. Eu quase não tinha forças para respirar, o destino tinha me dado esperanças em alguma coisa, me deu algo para me segurar e depois os puxou de uma forma que fez todos os fios de dentro de mim se arrebentarem.

Eu não tinha esperança. Fé. Vontade. Amor.

– Vire de costas. – a calça social tocava o chão, a blusa de seda branca dançava pelo meu corpo me proporcionando arrepios. O guarda segurou o radio preso ao seu ombro e disse:  – Estamos prontos, Cailtin Blake está a caminho do tribunal.

– Ei, Cailtin. Não chore. – disse Dylan quando uma lágrima ousou cair. Ele deslizou a mão por curto instante sobre o tecido grosso do blazer vermelho. – Acredite, ainda há esperanças.

Não, não havia esperanças. Porque hoje naquele tribunal eu iria fazer o certo, iria dizer que sou culpada.

POV Justin Bieber.

– Estamos em frente ao tribunal onde acontecerá o primeiro julgamento da adolescente Caitlin Blake de 17 anos que chocou o estado do Texas e quase todo o EUA. Ela é acusada de assassinar George Martin, Hanna Cruz e o filho do primeiro ministro Wes Montês. Também é acusada de fazer parte de um grupo terrorista que é investigado pelo FBI a quase dez anos! Hoje a defesa da adolescente tentará recorrer e revogar a sua sentença que é outro fato que nos deixou chocados, Blake é a primeira menor de idade a receber a pena capital. Promotor Bieber, promotor Bieber! Pode falar com a gente?

Tentei passar, mas fui barrado pelo tumulto. Chaz mantinha a sua mão repousada no meu ombro.

– Não darei nenhuma entrevista, por favor, deixe-me passar. – empurrei o microfone que foi colocado perto da minha boca, uma mulher loira dizia coisas que eu não podia entender muito bem. – Com licença!

Alguns seguranças se aproximaram formando uma barragem para que os repórteres mantivessem distancia até que eu entrasse.

Enquanto eu andava por aqueles corredores me lembrava de quando estive aqui a algumas semanas atrás, em como Caitlin falou comigo depois da sua sentença decretada. Eu me sentia frustrado, como fui capaz de me deixar enganar? Mas agora eu estava pronto, disposto a fazer de tudo para que ela pagasse. Fazer justiça.

– Filho! – olhei de imediato depois de fechar a porta da sala que tinham preparado pra mim. – Como você está?

– Mamãe. – sorri e ela fez o mesmo. Aproximei-me beijando o alto de sua cabeça podendo sentir o cheiro de shampoo que vinha do seu cabelo, isso me fazia me lembrar de Caitlin.

– Isso se tornou uma coisa grande, há muitos repórteres e curiosos, por isso resolvi passar aqui antes de começar. – ela disse devagar. – Sei como isso é difícil pra você.

– Mamãe, ela é culpada. – disse deixando o ar pesado sair. – Eu sei o que estou fazendo.

– Sei disso. Se ela for culpada deve pagar.  – ela segurou a minha mão e nos sentamos no sofá. – Mas eu também sei que isso não é brincadeira, ainda mais quando não é só a liberdade que está em jogo e sim a vida de alguém. – seu polegar deslizou pela minha bochecha e eu fechei os olhos, aquilo me trouxe um certo conforto. – Você tem um coração bom, não aguentaria se matasse uma pessoa inocente.

– Mas ela não é. – tentei dizer com a voz firme, mas a mesma hesitou.

– Eu já vou para você se preparar. – ela ficou de pé, ouvi seu salto raspar no chão e o chaveiro da sua bolsa balançar. – Amber está lá fora me esperando. Quem sabe quando essa loucura acabar vocês dois não se assumem de vez.

–Meu Deus Pattie Mallette! – revirei os olhos e a mesma se aproximou.

– Não revire os olhos pra mim, Justin. – abaixei e seus lábios tocaram a minha testa. – Tchau, filho.

Ela foi até a porta e a segurou antes de sair por completo, mas a mesma não se fechou. Chaz colocou parte da cabeça para dentro e me olhou em silencio por um tempo.

– Está pronto? – ele disse. – Já está na hora.

Quando sai pude ver como o tribunal estava movimentado, apertei minha maleta na mão e respirei fundo. Faça o que tem que fazer. Era o que eu repetia para eu mesmo.

“Você vai acreditar em mim?” “Você se importa?”  “Eu só quero que você acredite em mim!”  “Você é o único que pode mim tirar daqui.”  “Eu te odeio, porque se eu não te odiar eu irei me odiar. Porque se eu não fizer isso eu vou querer você.”

       Em cada frase, em cada uma ela me ganhava um pouco.  Em cada frase eu deixava mais de mim para traz e acreditava nela, e como eu fui tolo! Como eu me odiava! Quando a  vi naquela cela presa feito  um animal pensei que ninguém seria capaz de amar uma pessoa como ela, mas a questão era que eu não poderia amar uma pessoa como ela.

       Rapidamente encarei a minha esquerda e foi como se eu prendesse a respiração involuntariamente. A vi passar com três guardas, o advogado e as mãos algemadas, e só pude pensar que eu entraria naquela sala, mostraria aquele vídeo e pediria para que sua sentença fosse adiantada, porque eu e nem ninguém poderia amar Caitlin Blake.

  *     *    *

POV Cailtin Blake.

– Você jura dizer a verdade e nada mais do que a verdade? – minha mão estava repousada sobre a capa preta de couro. Os murmúrios constantes faziam um arrepio percorrer a minha espinha.

– J-juro. – o homem balançou a cabeça e eu me sentei sentindo o gelado tocar as minhas coxas.

Eu me sentia estranha, por um longo tempo fiquei vestida com um macacão verde e despenteada, e agora, diferente da outra vez que estive nesse lugar, havia mais pessoas e eu não estava com um macacão laranja.

– Senhorita Blake. Qual era a sua relação com Wes Montês? - perguntou um homem de  terbo preto, cabelo loiro curto, não sabia ao certo o que ela era. Só que estava contra mim. 

– A-amigos. Ele e Hanna namoravam. – por vezes eu encarava o homem a minha frente, outra eu encarava as minhas mãos. Eu sentia uma coisa crescendo dentro de mim.

– Vamos recapitular a história. Hanna e Wes eram namorados e vocês três amigos, correto? – fiz um sim com a cabeça já que a voz havia sumido. – Você e Hanna sabiam que Wes traficava, afinal, vocês o ajudavam. Naquela noite ele iria fazer uma entrega importante?

– Sim, uma quantia de 20 mil dólares em heroína e cocaína. – aquilo não era muito dinheiro, mas era com quem ele iria negociar.

– George Martin, o que ele era? - perguntou se  aproximando ainda mais de mim.

– Eu não o conhecia. – os cochichos ficaram mais altos e involuntariamente olhei para o homem em uma roupa preta sentado um pouco acima de mim.

– Você tinha um caso com Wes Montês? – sua voz saiu em um tom provocador.

– O que? Não! - disse alto de mais recebendo um olhar de  sensura de Dylan. 

– Hanna descobriu e queria acabar com o negocio de vocês. Foi isso que aconteceu? – ele se aproximou de forma que seus olhos ficassem presos em mim.

– N-não é nada disso! – falei mais alto. Fale a verdade! Fale!. Encarei a parede vinho desviando o olhar de todos que me condenavam para tentar manter calma.

– Ela queria sair, mas vocês não deixaram. Você perdeu a cabeça e resolveu que iria mata-la, mas as coisas saíram fora do controle, Wes não te amava e tentou impedir que você matasse Hanna. – eu queria falar, mas eu não conseguia. Meus olhos passaram pelo rosto fino e sobrancelhas grossas da mãe de Wes, passaram pelos lábios carnudos e cabelo curto da mãe de Hanna e em como ela apertava a mão forte do marido. Eu devia a verdade a eles, como eu era tão egoísta? Eu os tirei desse mundo. – Você chamou George Martin para te ajudar, mas ele se voltou contra você, foi isso que aconteceu? Ou isso foi uma espécie de iniciação para entrar no grupo Snakes?

– N-n-não. – falei baixo, era como se tivesse uma mão em volta do meu pescoço. – Pare, não foi isso. – eu pedia, mesmo não tendo nenhum direito.

– Vocês os matou Caitlin Blake?

– Meritíssimo, e-e-eu...  – então eu o vi, ali, sentado me olhando sem nenhuma expressão no rosto. Um terno perfeitamente desenhado, as mãos cruzadas sobre a maleta preta, eu só podia pensar que ele era o único que pôde me enxergar de verdade, o quanto doía em mim por ter pedido a verdade e ele tivesse me entregado de bandeja. – Eu posso dizer uma coisa? E-eu. Fo-f-foi. Meu Deus! – passei as mãos pelos cabelos tentando recuperar o folego.  Ataque de pânico? Por Deus eu não podia ter um ataque de pânico agora! Cada célula do meu corpo tremia, um arrepio percorria desde os cabelos da minha nuca até o meu dedo do pé. Era como estar na ponta de um precipício e tentando decidir se você pula ou não. – Foi eu que...

–Meritíssimo pesso um tempo para a minha cliente se recuperar! – ouvi alguém gritar, era a voz de Dylan.

       Eu não enxergava, só sentia uma mão agarrando fortemente meu braço, meus pés se chocando contra o chão e uma pressão subir pela minha coxa.  Eu pensava no desespero que a mãe de Hanna sentiria quando ela visse aquele vídeo, a angustia e escuridão que tomariam seu coração.

      Ela olharia a garota que muitas noites dormiu em sua casa, que brincava com sua filha e se dizia irmã dela. Ela me olharia e simplesmente tudo que um dia tivera de bom ao meu respeito sumiria completamente. Porque eu era um monstro, e não era uma simples cicatriz que ficaria quando a dor fosse embora, era um buraco que cresceria todos os dias.

Porque ao contrario do que todos pensam, a dor nunca vai embora.

– Respira, respira! – eu estava ajoelhada com duas mãos apertando meus ombros. – Se concentre na minha voz, Caitlin, ouça a minha voz.

Aquela era a verdade que eu tinha medo, isso era tudo que o mundo podia ver de mim: Uma garota psicótica que surtou depois que o irmão morreu. A doce miséria que transbordava, a dor que exalava.

Eu nunca pensei que se era capaz de reprimir uma lembrança a ponto de esquecê-la, eu tinha bloqueado aquela noite para que eu pudesse justificar as minhas ações, mas quem pode me salvar agora que a verdade já estava escrita?

– Eu tenho que dizer, Dylan. – abri os olhos podendo encara-lo ajoelhado a minha frente. Eu estava pronta para ver o “ainda há esperanças” definhar.  Ele fez um sim com a cabeça esperando o próximo passo. – Pode me deixar sozinha? Dois minutos? E-eu preciso me recuperar.

– Claro, eu irei buscar água. – ele apertou minha mão levemente. – Eu já volto.

Quando a porta bateu meu corpo deu um pulo.

        Como eu podia ser tão covarde? Se eu fui capaz de fazer, eu era capaz de assumir.  Era isso que Chris repetia pra mim, era isso que Hanna usava como filosofia, era como Wes justificava suas ações. E agora era como eu decretaria meu destino.

       Fiquei de pé, respirei fundo sentindo o peso nas minhas costas. Analisei por alguns instantes o quadro na parede, uma mulher envolvida em um manto vermelho e entre uma das fendas do tecido uma lamina brilhava. Lembrei-me de Noelle Page e o quão corajosa ela era, e talvez o sonho que eu tive com Chris se referia a esse momento, eu precisava ser forte.

– Perdoe-me Hanna. – fechei os olhos com a mão na reta do peito. Eu não sabia o porque um quadro me passava tanto conforto como estava acontecendo. – Perdoe-me.

– La douleur de côté doux. – uma voz fez meu corpo estremecer. – Significa “O lado doce da dor.” – virei o rosto minimamente, um homem de pele pálida e cabelos grisalhos, a boca fina e os olhos escuros me encaravam. Nunca pensei que sentia mais medo do que já estava sentindo, mas agora encarando Samuel Montês eu sentia uma nova maneira de medo. – É de um pintor francês, ele dedicou a sua esposa que se matou após descobrir uma traição dele. Meio mórbido, não é?

– S-senhor Montês. – engoli seco. Ele encarava a pintura com um sorriso fino. – O que está fazendo aqui?

– Ele dizia que no fundo a sua esposa teve muita coragem, uma certa destreza para deixar de respirar. – continuou sem se importar que eu o encarava como se estivesse vendo um fantasma em vez do pai de Wes. – Ela me fascina! E acho que a você também, não é Caitlin? – apenas fiz um sim com a cabeça.

Ele caminhou lentamente até o sofá ao canto da janela, abriu o paletó e sentou-se. Eu prendia o folego sem ao menos saber que estava fazendo, eu não o tinha visto no tribunal e muito menos pensava que ele estaria ali.

– Porque está aqui? – continuei parada de costas para o quadro, podendo enxerga-lo enquanto me analisava.

– Eu queria saber como você está. – deu de ombros.

– Como eu estou? – disse um pouco alto. – Estão me acusando de matar o seu filho. Acho que isso deixa a coisa de ser puritano de lado.

– Você o matou? – minha boca se abriu, mas o som ficou preso. Ele sorriu de canto como se soubesse alguma coisa que eu não sabia. – As vezes as pessoas não se dão conta de onde estão se metendo até que a merda estoure na cara. Eu sabia de Wes, sabia que ele estava traficando e que você e Hanna o ajudavam.

– E o que te faz pensar que eu não o matei? – ele ficou de pé, sem desviar o olhar se aproximou e eu pude sentir uma pitada de frio na espinha.

– Porque isso é bem maior do que você pensa. – seu rosto estava bem perto que me fez recuar, mas a parede me impediu. – E eu sinto muito que você tenha que pagar por isso.

– O que?

– Você não deveria estar aqui! – Samuel Montês se afastou rapidamente fechando o botão de seu paletó e eu pude soltar o ar que estava preso. Dylan estava parado segurando a maçaneta e o copo na outra mão. – Por favor, saia.

– Claro. – Samuel sorriu e voltou a olhar pra mim. – Caitlin. – ele deu um passo a frente deixando a sua boca próxima do meu ouvido. – Tome cuidado com Vivih, ela é... – ele se afastou e permaneceu com o olhar preso no meu, um sorriso largo tomou seus lábios firmes. – Perigosa.

Então ele girou sobre os pés, seguiu até a porta e a analisou antes de passar pela mesma quase esbarrando em Dylan. Uma sensação de duvida me tomava misturando com todas as outras, como ele sabia de Vivih? A situação era que Samuel Montês sabia bem mais do que havia dito.

– O que ele fazia aqui? – perguntou Dylan e eu sai dos meus pensamentos.

– Não sei.

– Vamos, está na hora. – pediu abrindo um pouco mais a porta.

       Passei por ele sendo logo em seguida segurada por um guarda, ele me olhou e deu um impulso para que eu começasse a andar. Eu sabia o que tinha que fazer, o correto naquele momento, e não importava as consequências ou  o medo que eu sentia, eu tinha que ser mulher e dizer a verdade na frente daquele tribunal.

           *     *      *

        Eu estava parada em frente a porta de madeira esperando o momento certo para entrar, o corredor estava vazio, provavelmente as pessoas já estavam acomodadas em suas cadeiras esperando o show começar. Dylan tinha ido em um lugar que não tinha prestado atenção no nome, eu tentava decorar as palavras que eu diria quando o juiz perguntasse “o que você iria dizer Caitlin Blake?”

– Por favor, verifique se aquela porta está trancada para que ninguém possa entrar na hora que começar. – alguém disse e o guarda ao meu lado assentiu. Ele saiu e eu continuei analisando a madeira da porta. – Caitlin?

Um choque. Um frio. Um arrepio. Medo.

Continuei parada, sem me virar para ver se aquela voz era mesmo de quem eu pensava. Claro que era, eu reconhecia esse “Caitlin” de qualquer lugar.

– J-Justin. – olhei minimamente por cima dos ombros e o frio no estomago me atingiu, era a primeira vez que o via depois do vídeo no seu escritório.

– O que você ia fazer? – sua mão tocou meu braço e eu girei sobre os pés. – Você ia mesmo... Você vai...

– Sim, eu vou confessar. – meu olhar tocou o seu e era como ser tocado por um raio de sol no frio. Porque tinha que ser desse jeito? Eu quero odiá-lo, mas por quê? Por ele ver a verdade?

– Por quê? – ele deu um passo a frente. Ele estava tão perto quanto quando sua mão estava envolvida no meu pescoço impedindo que o ar entrasse nos meus pulmões. Seu terno colado deixando que eu repasse nas curvas de seu braço, o cabelo penteado para trás, o perfume tomando meu corpo e causando uma sensação de leveza e angustia.

 – Pelo mesmo motivo que você vai mostrar aquele vídeo. – abaixei o olhar já sentindo meus olhos queimarem. – Eu sou culpada e tenho que pagar por isso. – voltei a encara-lo, mas agora quem desviou foi ele. O guarda estava voltando e involuntariamente segurei sua mão a apertando-a. – Eu sei que eu não posso te pedir nada, que eu não tenho direito, mas Justin... Por favor, não mostre aquele vídeo.  – apertei sua mão forte podendo sentir um conforto por senti-lo. – Eu vou confessar, mas não mostre aquilo. Não por mim, mas pela dor que isso vai causar ainda mais.

      O guarda chegou e eu virei-me novamente encarando a porta, ouvi um suspiro escapar de seus lábios e por Deus eu queria toma-los pra mim naquele momento. Só pude ouvir quando seus passos iam se distanciando e eu ficando mais uma vez sozinha, até que a porta se abriu e eu pude entrar novamente naquele tribunal.

   *       *         *

        Ao contrario do que pensei, eu estava sentada em uma mesa ao lado do meu advogado.  Agora a palavra seria dada a outra pessoa, provavelmente alguém que iria me chamar para depor e eu confessaria. Justin estava sentado na mesa ao lado, eu podia vê-lo segurando alguns papeis e conversando com uma mulher, talvez eu estivesse tão disposta a assumir a minha culpa que não sentia nenhuma magoa dele, nenhuma raiva ou qualquer sentimento ruim. Eu só podia pensar na mulher que poderia chama-lo de marido algum dia, o quão sortuda ela seria e enquanto eu estaria me decompondo a sete palmos da terra levando a lembrança dele comigo.

– Promotor Bieber antes que esse tribunal se encerre para a próxima cessão tem alguma coisa a acrescentar? – ele tinha e eu também.

– Meritíssimo. – fiquei de pé e vi que Justin também ficou. – Eu tenho.

       Um grande silencio se espalhou, até mesmo os carros do lado de fora não eram mais ouvidos. Meu coração acelerou, eu podia sentir o sangue circular nas pontas dos meus dedos. Meus olhos passaram pelos meus pais e mesmo que aquele não era o momento eu me senti feliz por vê-los, passou pelo sr. e sra. Cruz que esperavam ansiosos, passou também pela senhora Montês que apertava sua bolsa contras as pernas e então parou nele. Em Justin Bieber.

        E eu o vi também me encarando, aquele era o começo do fim e eu me sentia... Em paz. Depois das minhas palavras provavelmente eu não o veria mais, eu iria ser transferida para a tal Unidade das paredes por ter a minha pena adiantada. E eu só queria guardar alguns detalhes do seu rosto para que pudesse me lembrar.

– Prossiga, Blake.

– E- eu quero dizer. – virei meu rosto para o homem vestido de preto a minha frente respirando fundo. – Eu quero dizer que eu sou...

– Meritíssimo! – a voz de Justin ecoou por toda a sala. De imediato virei o rosto para encara-lo, encontrando seu olhar repousado sobre mim. – Eu quero dizer que não tenho nada a acrescentar hoje. – por um momento eu senti meu coração parar, literalmente parar. Ele me encarava assim como eu a ele, sua cabeça balançou minimamente em um não.

 – Em nome do estado do Texas, declaro encerrada essa sessão que será retomada em duas semanas. – enquanto o martelo era batido, eu o vi segurar a sua maleta e sair entre as pessoas daquele tribunal. Dylan ficou de pé e sorriu me confortando.

         E mais uma vez eu estava sendo arrastada feito um animal por aqueles corredores, algemada e guiada por um guarda. Por um momento eu senti muito medo, mas depois foi como se tudo fosse lavado, como se faz com uma roupa suja, e tudo tinha desaparecido porque eu estava disposta a dizer a verdade por Hanna.

     Mas agora eu não sabia o que eu sentia, porque eu não sabia o que ele tinha feito. O que ele tinha feito comigo. Só bastou um aceno com a cabeça para que toda a minha coragem se esvaísse e eu caísse em um limbo, ficasse perdida, eu tinha pedido para que ele não mostrasse o vídeo, mas porque ele não disse mais nada?

Então pude vê-lo parado ali, segurando sua maleta ao lado do corpo, como se uma lembrança tomasse forma, me dando a chance de relembrar o dia em que eu tinha entrado naquela bagunça.

– Por quê? – disse em quase um sussurro parando a sua frente.  Ele se manteve firme, o maxilar travado e a boca vermelha como se parecesse que havia mordido.

– A leve de volta para a unidade SuperMAX – e acenou para que eu fosse tirada dali.

Sem poder olhar para trás, agora tudo que eu carregava era a duvida, o medo e a culpa de volta para o presidio Polunsky.

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