Black X White

By __KIAN__

4.7K 634 1.4K

Lim Changkyun é um médico cirurgião jovem e talentoso, levava uma vida monótona até o dia em que um de seus p... More

2: A maleta
3: Um traidor entre nós
4: Primeiro dia no inferno
5: Guerra
6. One shot, one chance
7: O passado retorna
8: Dia de chuva
9: Vidro fumê
10: Sem significado
11: Nem tudo são flores
12: Descupas
13: A procura de respostas
14: Aeroporto
15: Por que só agora?
16: Rush
17: A corrida
18: O começo do fim
19: Torre do dragão
20: Purgatório
21: De volta a Seoul
22: Data de validade
23: As etapas
24: A promessa
25: Dia de prova
26: Um Inagawa deve agir como um Inagawa
27: Um dia estranho
28: A reunião
29: Reencontro
30: Penetras
31: Entre o ruim e o péssimo
32: Peçonha
33: Sou o único?
34: Escolha
35: Adeus e até logo
36: Coração disléxico
37: Em negrito, Towa se destacava escrito
38: Café, sonífero ou tequila?
39: Caçado
40: O peso das palavras
41: Quando se está a beira da morte
42: Círculos sempre dão no mesmo lugar
43: O fardo de um Oyabun
44: E na crise vemos o que realmente temos
45: Novos capítulos só começam quando outros terminam
46: A sua falta é a razão
47: Eu te disse, não disse?
48: Última etapa
49: Presos em dose dupla
50: Olhares sádicos e risadas doentias
51: Confia em mim
52: O prócer
53: Sweet but psycho
54: Potion
55: O julgamento
56: A história de Gun
57: Uma guerra particular
58: Em fuga
59: Um anjo chamado Changkyun
60: Caim matou Abel
61: Caçado por um cão
62: Blackout
63: A história de Hyungwon
64: Mentes nebulosas e traumatizadas
65: Consolo e reconforto
66: Não quero ser sua prisão
67: Azáfama na Yakuza
68: Inagawa e Towa
69: Amor e prazer
70: Vermelho como sangue
71: Só eu

1: Prólogo - O que vai ser?

483 31 35
By __KIAN__

Lee Jooheon Nomura, 26 anos, Kobun (filho adotivo) de Satoru Nomura e consequentemente pertencente a quarta maior família da Yakuza (a maior organização criminosa do mundo, a máfia japonesa), a Towa Yuai Jigyo Kumiai (東亜友愛事業組合), ou mais popularmente conhecida: Towa-kai (東亜会).

Towa-kai tem mais de mil membros e é dividida em 6 clãs. Seu Oyabun (pai) atual é o Satoru Nomura. Fundada em 1948 por Hisayuki Machi, de origem coreana, e por isso é composta principalmente por membros de ascendência coreana.

A estrutura da Yakuza é piramidal, com um líder no topo e diferentes posições abaixo dele. No topo está o Oyabun (pai). Abaixo dele está o Kobun (filho adotivo) e sua relação com o Oyabun é de lealdade incondicional e obediência cega. Em troca, o Kobun recebe proteção e favores de Oyabun.

Abaixo está o Saiko-Komon (administrador do clã), o Wakagashira (gerente do clã) e Shateigashira (segundo gerente do clã). Abaixo deles estão o Shingin (assessor), Kaikei (contador) e por último, os Kyodai (irmãos mais velhos), os Shatei (irmãos mais novos) e os Wakashū (jovens líderes).

Jooheon foi adotado muito novo — aos 7 anos — e com isso acabou se acostumando rápido com os métodos da Yakuza, tendo uma hierarquia invejável na organização. Facilmente conseguia o que queria, entretanto também possuía grandes responsabilidades e deveres a cumprir, já havia se acostumado com as constantes exigências de seu pai. Para o homem ele era seu herdeiro, braço direito e um de seus homens mais experientes e habilidosos, portanto era normal que ele fosse mandado à maioria das missões, principalmente as mais complicadas.

.

O barulho repentino de uma música country rock do início dos anos 80 ecoou pelas paredes do escritório e despertou abruptamente o rapaz de cabelos castanho-escuros de seu sono. Soltando um xingamento por ter batido o cotovelo no braço da cadeira, estendeu a mão e alcançou seu celular ao lado de seu notebook. Era o gerente de seu pai.

— Seung-hyun, o que devo a honra de sua ligação ás... — Olhou para o relógio digital ao lado da porta. — Oito e Trinta e Sete da manhã?

Seung suspirou como se lidar com Jooheon o deixasse extremamente exausto. — A reunião. Você está atrasado. — E desligou o celular.

— Merda. — Soltou exasperado.

Com um pulo levantou-se de sua cadeira estofada — não foi uma boa ideia, ele descobriu que dormir em sua mesa de trabalho não era confortável —, atravessou a porta de seu escritório doméstico correndo pelo corredor de seu apartamento até chegar a suíte principal e atacar o guarda-roupa. Se tinha algo que Jooheon era realmente bom, era em esquecer-se dos compromissos relacionados a empresa de seu pai, onde era filial. Sem tempo para tomar banho, apenas trocou suas roupas casuais para uma camisa de linho branca e um blazer cinza por cima, calça jeans surradas e tênis fechado de ocasião. Penteou os cabelos com os dedos e com a escova de dentes na boca e uma pasta abarrotada de papeis desorganizados correu para o elevador, com a porta fechando automaticamente atrás de si com um simples "bip".

Ele morava no hotel do shopping principal de Gangnam-gu, a mensalidade era cara, mas nada que o filho de um CEO/Chefe da máfia japonesa, não pudesse pagar. Por ser no shopping, o movimento era sempre constante, o elevador agora possuía mais quatro passageiros que indiscretamente o encaravam.

Tirou a escova da boca para falar — Tem alguma coisa na minha cara?! — Perguntou em tom desafiador.

No mesmo instante os olhares se dissiparam. As portas se abriram no térreo, Jooheon desceu apressado e jogou a escova na lixeira mais próxima. Sempre se pode comprar uma nova.

— Jovem mestre. — Três homens engravatados e engomados se reverenciaram exageradamente, um deles lhe entregou um copo descartável com café expresso do Starbucks.

Lee abriu a tampa, e com as bochechas cheias de café fez gargarejo e cuspiu de volta para o copo, entregando-o em seguida para um dos pinguins humanos.

— Traga o carro. — Exigiu. Se chegasse atrasado novamente (coisa que já estava), as possibilidades de seu pai lhe deserdar eram enormes.

— Sim, jovem mestre. — Um deles (ele não conseguia diferencia-los) se reverenciou, ditou alguns comandos em seu headset e correu para fora apressadamente.

Assim que uma vez fora do shopping, a BMW M6 Gran Coupé preta-esmalte já lhe esperava estacionada e com um chofer de meia idade — que para Jooheon parecia da última idade — vestindo paletó, abriu a porta traseira. Jooheon entrou e disse apenas um curto e rápido:

— POSCO.

O chofer não precisou perguntar nada, já sabia onde era o destino de seu mestre. A empresa POSCO. E a julgar pela sua expressão facial, que lhe lembrava uma criança com dor de estomago, deduziu que o rapaz estava atrasado e pela segurança de seu ganha-pão (julgo emprego), ele acelerou.

.

.

.

— Emergência no pavimento três. — Uma voz feminina soou no Walkie Talkie e Changkyun o pegou, apertando o botão com um chiado e reproduziu sua voz.

— Dr. Lim na escuta. — Anunciou. — Estou a caminho.

— Mais uma cirurgia? — Atrás do balcão um pediatra gordinho, por volta de seus 35 anos, de barba malfeita e óculos redondos — Dr. Jung — lhe sorriu, limpando os farelos do biscoito recém comido de seu jaleco de bichinhos.

— Sim, é a terceira do dia. Eu estou exausto. — Assumiu em um suspiro cansado.

Sem mais demora Changkyun correu até o elevador, a sala cirúrgica já estava pronta. Chang remangou as mangas de seu jaleco, trocou os sapatos extremamente brancos da Adidas por propés descartáveis esverdeados, gorro da mesma cor, mascara branca, lavou as mãos com PVPI e após isso calçou as luvas brancas de elástico. Entrou na sala e uma auxiliar pôs os óculos com lupa binocular e luz em seu rosto.

— Relato do estado do paciente. — Pediu.

— Noventa e seis Batimentos por segundos. O quadro é estável, mas ele está perdendo muito sangue. — Informou um dos doutores auxiliares.

— Pressão arterial de 60/40 mmHg. — Informou outro médico. — O paciente foi atingido por dois tiros, um no ombro e outro no fígado. Temos que realizar a cirurgia antes que ele tenha uma hemorragia interna.

— Vamos começar. — Se aproximou do corpo masculino inconsciente e estendeu a mão direita para seu auxiliar. — Bisturi.

.

Após longas quatro horas de cirurgia, o paciente se encontrava em um estado estável e descansando em um dos quartos hospitalares, ele teria que ficar em observação, embora não corresse sérios riscos de vida. O paciente não possuía nem uma forma de identificação, portanto precisavam ficar de olho.

A cirurgia em si não foi complicada, Changkyun tinha maestria no que fazia, portanto não foi uma tarefa difícil para ele. Apesar de sua idade — 24 anos —, ele possuía respeito e alguns prêmios como cirurgião geral. Muitos achavam este fato surpreendente. Como alguém tão novo como ele conseguiu ser cirurgião? Alguns até achavam que era algum tipo de conspiração, sorte, suborno ou que ele era simplesmente filho de um cara rico. Chang não se importava com o que os outros achavam.

Deu meio-dia, final do expediente de Changkyun nas segundas, terças e quartas e rapidamente ele se apressou para trocar de roupa. Guardou seu jaleco, pendurou sua bolsa transversal cor caqui em seu ombro direito, pegou as chaves de seu apartamento e de sua Mitsubishi ASX branca e passou na recepção, dando um rápido recado para que o ligassem caso seu paciente acordasse.

Pegou seu carro no estacionamento e dirigiu até a cafeteria mais próxima. Estava razoavelmente bem vestido: calça jeans surrada, camisa de flanela vermelha e seus tênis brancos da Adidas. Mesmo que ele precisasse urgentemente de um banho (em sua opinião), a fome falava mais alto e ele sabia que estava sem comida em casa.

Em menos de quinze minutos ele já estava de frente à cafeteria procurando uma vaga para estacionar, não haviam muitas e as que haviam estavam ocupadas e quando Changkyun finalmente encontrou, um carro roubou a sua vaga.

— Só pode estar me zoando. — Bufou e foi obrigado a estacionar mais longe.

O típico cheiro de grão queimado invadiu as narinas de Chang assim que entrou na cafeteria com letreiro de bambu, escrito ChicagoCoffe. O local era mais do que familiar para ele, diariamente o frequentava, principalmente nos dias em que fazia plantão, quando tirava uns minutinhos para descansar. A decoração era rustica e aconchegante, como uma cafeteria deve ser. Mesas de madeira de eucalipto redondas, cadeiras estofadas em um tom pastel esverdeada, paredes de gesso decoradas com fotografias de paisagens e xícaras de café, pequenas prateleiras de livros e pichações de girassóis, piso de madeira polida e grandes janelas de vidro dando vista para a rua.

— Vai pedir o de sempre? — A simpática garçonete se aproximou da mesa onde Lim já estava devidamente sentado.

— Sim, obrigado. — Sorriu para a moça que se retirou e em menos de dez minutos voltou com seu pedido: café macchiato e panquecas com xarope.

Changkyun adorava aquela cafeteria, era diferente da maioria das outras da Coreia, pois era 100% americana. Lhe lembrava seus anos em Boston, onde viveu parte de sua vida em um orfanato de freiras, e por conta disso sempre lhe trazia um aconchego e nostalgia. Tomou seu café calmamente, observando o movimento dos carros na rua e as poucas pessoas que estavam presentes, conversando, bebendo e lendo livros mais afastadas. Seu celular vibra com uma chamada em cima da mesa.

— Yeoboseyo.

— Chang, vem correndo para cá! — A voz de Jung-hoon (Dr. Jung) soava alarmada.

Changkyun sentou-se ereto na cadeira, prestando total atenção no que lhe era dito. — O que aconteceu?

— O paciente do quarto 32 acordou. — Chang franziu as sobrancelhas. Isso não era algo bom? — Só que...

— "Só que " o que? O que aconteceu?

— É difícil de explicar, é melhor você vir logo.

— Tudo bem, eu chego em quinze minutos. — Changkyun ficou um tanto surpreso por seu paciente já ter acordado, não fazia nem duas horas desde a cirurgia.

Levantou depressa, deixando o pagamento com provável quantia a mais em cima da mesa, pegou sua bolsa transversal que estava pendurada na cadeira e a pôs de forma não transversal — por conta da pressa — no ombro esquerdo, saindo da cafeteria em passos rápidos, consequentemente esbarrando em alguém logo na entrada do estabelecimento. O contato foi tão forte que fez Chang cair de bunda no chão e derrubar o celular e a bolsa, espalhando seus pertences e documentos no chão, enquanto o outro apenas se desequilibrou.

— Mas que merda! — O rapaz cobria o nariz com a mão.

— Desculpe. — Pediu, fazendo uma careta pelo impacto no chão.

— Desculpa?! Você quase quebrou meu nariz!

— Não seja tão dramático. — Chang finalmente olhou para o rapaz e quase se arrependeu de ter dito aquilo.

O rapaz era uns dois centímetros mais alto que Changkyun, perfeitamente arrumado, sapatos pretos, calça jeans, camisa branca e um blazer cinza por cima, seus cabelos estavam bagunçados de um modo atrativo, físico invejável, lábios rosados e fartos, pele clara (mas não tanto quanto a sua) e o que mais lhe chamou a atenção e lhe fez subir um frio na espinha. Os olhos. Seus olhos eram escuros e bem puxados, eram lindos, mas ao mesmo tempo assustador.

— Você disse o que?! — Seu olhar era quase assassino, lhe fuzilando ameaçadoramente.

Lim engoliu à seco, mas continuou. — Olha, eu estou com muita pressa agora.

Colocou todos os pertences e papeis de volta na bolsa e recolheu seu celular (agora com a tela trincada) do chão e levantou-se. O rapaz que aparentava ter sua idade lhe olhou da cabeça aos pés. Parecia pensativo, mas logo essa expressão mudou para indignação e talvez surpresa.

— Você sabe com quem está falando? — Estalou a língua.

Changkyun odiava esse tipo de pessoa. Quase deixou escapar uma careta de nojo, mas se segurou, dando lugar para sua típica expressão de poker face.

— Não sei e não me importo! — Ajeitou a bolsa corretamente, agora transversalmente. — Agora, se me dá licença, eu preciso ir. Obrigado.

Sem deixar o outro retrucar, apenas deu as costas e andou a passos rápidos. Conhecia o tipo dele: encrenqueiro e fútil. Sabendo disso era provável que ele não o deixasse ir embora tão facilmente, mas felizmente não foi o que aconteceu.

Assim como prometido, em quinze minutos ele já estava no hospital, não precisou nem procurar pelo Dr. Jung, pois assim que entrou ele correu em sua direção.

— O que aconteceu? — Perguntou novamente.

— O paciente acordou, mas está muito agitado. — Explicou. — Ele está falando coisas sem sentido e tentando fugir e também está... — Pareceu pensar em como contar.

— Tudo bem, deixe comigo.

Changkyun pegou o elevador no andar designado e foi até a sala de seu paciente, de longe ele já podia ver a movimentação agitada das enfermeiras fora da sala tentando entrar para aplicar um tranquilizante. Um enfermeiro e uma enfermeira estavam lá dentro, mas não conseguiam acalma-lo e pelos altos barulhos Chang deduziu que ele deveria estar dando muito trabalho. Se aproximou da porta então viu a situação. O paciente estava devidamente acordado e pelado. Sim, completamente pelado.

Se virou para as enfermeiras e o enfermeiro que agora saíram da sala — Sem tranquilizantes, deixa que eu cuido disso.

— Mas, Dr. Lim... — Uma enfermeira protestou.

— Deixa comigo. — Reforçou. — Podem voltar ao trabalho,

Assentiram e saíram. Changkyun não era psiquiatra nem psicólogo, mas achou que essa seria a melhor opção para acalma-lo. Só esperava estar certo.

Lim entrou no quarto e fechou a porta de correr atrás de si. Tentou ao máximo não olhar para a intimidade do homem, que agora ele percebera não ser tão velho assim. Na verdade parecia bem jovem.

— Hey, como você está? — Perguntou cautelosamente.

— Quem é você? Você veio me matar não foi?! — Sua pergunta parecia mais uma afirmação.

O rapaz era pouca coisa mais baixo que ele, seu corpo era, de forma não exagerada, musculoso. Mais um motivo para evitar uma aproximação. Seus cabelos eram negros e bem cortados, pele levemente clara e seus olhos eram castanho-escuros e puxados de forma felina, bem menos assustadora que o cara com quem Chang esbarrou, mas ainda sim assustadora.

— Não, meu nome é Lim Changkyun, eu sou médico. — Arriscou alguns passos para frente.

— Você não está parecendo um médico para mim. — Pegou uma tesoura de cortar gaze e apontou para Changkyun, imediatamente ele deu um pulo para trás e se amaldiçoou por não estar vestindo seu jaleco.

— Espera, eu posso provar. — Mexeu em sua bolsa, procurando seu cartão de bater ponto no hospital.

Droga. Ele havia perdido o cartão e para piorar o rapaz deduziu como ameaça ele estar mexendo na bolsa, como se fosse tirar uma arma de lá, e jogou a tesoura em direção ao seu rosto. Changkyun não sabia como, mas havia desviado, com o coração na mão.

— Quem te mandou aqui? Foi Satoru, não foi?!

— Olha, se acalma, tudo bem? Eu não vou fazer mal a você

— Quem é você? — Cerrou os punhos.

— Por que você não veste uma roupa primeiro? Aí eu te explico tudo.

O paciente lhe olhou da cabeça aos pés, cogitando essa ideia e então assentiu. Provavelmente concluiu que Changkyun não era uma ameaça, ele só não sabia se se sentia aliviado ou ofendido por isso. Chang lhe entregou uma peça de roupas extras de um dos médicos, e um tênis cinza dos achados e perdidos. Agora ambos estavam sentados em camas do hospital, um de frente para o outro.

— E então? — Cruzou os braços e Chang respirou fundo.

— Como eu já disse, eu sou médico. Cirurgião geral. — Falou novamente. — Você apareceu aqui com duas balas alojadas em seu corpo, um no ombro e outro no fígado, eu fui o médico que realizou a sua cirurgia e eu não estou de jaleco pois já terminei o meu expediente.

— Então por que está aqui se não precisa mais trabalhar? — Ele parecia estar se convencendo, embora ainda desconfiado, então continuou.

— Me ligaram para voltar ao hospital, pois um dos meus pacientes havia acordado e estava causando confusão.

O homem/rapaz corou como se só agora estivesse envergonhado de ter estado nu.

— Tudo bem, eu acredito em você, mas agora tenho que ir embora. — Levantou-se, mas Chang o impediu.

— Hey, espera aí. — Parou na frente do rapaz, para que ele não passasse. — Você não pode sair assim. Não completou sua ficha nem pagou o hospital e principalmente não recebeu alta ainda.

O rapaz lhe olhou meio confuso mas concordou com a cabeça.

— Meu nome é Song Gun Hee, tenho 27 anos. — Falou normalmente. — Pronto, ficha pronta. E quanto ao dinheiro, não se preocupe, eu pagarei.

— Você ainda não recebeu alta, precisa descansar. — Insistiu, mas duvidava que fosse o convencer.

— Eu estou bem.

A porta foi aberta abruptamente logo depois de dizer isso. Dois homens trajando roupas escuras tinham suas armas apontadas para Gun. Ambos, Chang e Gun, petrificaram.

— Achamos ele! — Um deles (o mais alto e forte) gritou.

Antes de Chang pensar em respirar novamente, um terceiro homem apareceu, mas não era qualquer homem, e sim o rapaz com quem ele havia esbarrado mais cedo.

O rapaz o fitou surpreso. — Você.

Gunhee o olhou com as sobrancelhas franzidas e em um movimento rápido passou o braço ao redor do pescoço de Chang, quebrou um copo de água batendo-o contra a parede e usou um caco como navalha contra seu pescoço. Se Chang já estava surpreso e assustado, agora piorou dez vezes e ele tinha a certeza que iria morrer ali mesmo. Pense pelo lado bom Chang, você está em um hospital. Mas esse pensamento não o fez se sentir melhor.

— Não se aproximem, ou eu mato ele. — Ameaçou.

O rapaz que esbarrou em Chang riu. — Quando me disseram que um membro da Inagawa-kaï havia sido baleado enquanto nos espionava, eu não achei que fosse você, Gun. — Seu rosto dera lugar a um sorriso sarcástico e cruel. — Está perdendo o jeito.

Chang já ouviu aquele nome antes, Inagawa-kaï, mas não se lembrava onde e nem o significado, mas tinha certeza que não era nada bom.

Gun praguejou um xingamento. — Cala a boca, Jooheon!

E agora Changkyun já sabia o nome do rapaz em quem esbarrou por acidente.

— Você está cercado, eu sugiro que se entregue. — O rapaz mais alto falou.

— Não mataria um dos seus, mataria? — Apontou com o queixo para seu refém. Os três franziram o cenho.

Changkyun não estava entendendo muito, mas não era burro e compreendeu que Gun achava que ele fazia parte do "grupo" dos outros e vice-versa.

— Olha, eu não tenho nada a ver... — Gunhee apertou mais o braço no pescoço de Chang, o calando imediatamente.

Os três rapazes se entreolharam depois olharam para Chang e enfim para Gun. O mais alto deles falou:

— Solte ele Gun.

— Você é idiota se acha que eu farei isso, Shownu. — Sorriu de canto, mesmo estando em clara desvantagem. Changkyun duvidava que Gunhee pudesse ganhar de três homens armados apenas com um caco de vidro.

.

.

.

— Se atrasou novamente, Jooheon. — Satoru reclamou.

Após a reunião em que Jooheon chegou atrasado, seu pai o chamou em seu escritório. Jooheon rezava para não ter que ficar ouvindo mil e um sermões.

— Estava muito ocupado. — Deu de ombros.

Diferente do que a maioria das pessoas acham, a Yakuza não pratica somente crimes e os métodos de antigamente mudaram com o tempo. O ritual de Yubitsume (cortar o dedo mindinho fora como punição) era raramente utilizado, a "tradição" de tatuar o corpo por meio de Irezumi (uma prática artesanal muito dolorosa e honrosa para membros da Yakuza) não era obrigatória e era feito com menos frequência, embora a maioria dos membros tenham algumas tatuagens feitas por esse método. E quanto ao Kobun ter o dever de manter uma lealdade inabalável e de obediência absoluta ao Oyabun, tendo que estar dispostos até a sacrificar sua vida pelo bem-estar de seu senhor, isso ainda era válido, mas de forma menos rigorosa e embora Jooheon provavelmente arriscasse sua vida pela de seu pai, ele não era tão obediente quanto deveria.

— Quantas vezes eu já falei para ser mais responsável? — Suspirou. — Você é meu sucessor, Kobun, a segunda maior patente deste clã. Deve ser um exemplo de disciplina para os demais.

— Eu sei, me desculpa, prometo não me atrasar mais.

Satoru sabia que não era verdade e Jooheon sabia que não havia o enganado ou convencido.

— É o que eu espero. — Falou, entretanto. Apontou para a poltrona de frente para sua mesa e Jooheon se sentou, apoiando um pé no joelho e cruzando os braços. Parecia intediado. — Seung-hyun já deve ter lhe informado sobre o roubo na joalheria e as espionagens da Inagawa-kaï. — Jooheon assentiu.

— Ele me falou.

— Pois bem, Minhyuk rastreou o espião e descobriu que ele também é responsável pelo assalto à joalheria.

— Legal e onde ele está? — Perguntou distraidamente.

— No hospital, Minhyuk atirou nele... duas vezes. — Nesse exato momento Jooheon caiu na gargalhada, mas a julgar pela expressão indiferente do pai, provavelmente ele estava falando a verdade.

— Espera! O Minhyuk atirou nele? — Controlou o riso. — O Minhyuk?! — Enfatizou o nome.

— Sim, o Minhyuk. Shownu o treinou bem. — Admitiu.

A surpresa de Jooheon foi por conta de Minhyuk sempre ter sido "paz e amor". Ele nem sabia ao certo como ele entrou para Towa-kai. Mas tinha que admitir que Shownu sempre foi muito bom em tudo que fazia, por conta disso, e da clara responsabilidade que Jooheon nunca teria) ele liderava a maioria das missões, mesmo Jooheon tendo uma hierarquia maior (ele não admitiria que sente inveja). De qualquer forma, ficou orgulhoso por Minhyuk. Não que atirar em alguém fosse algo para se orgulhar.

— Então você está querendo que eu vá a esse tal hospital. — Adivinhou.

— Exatamente. — Assentiu. — Como sabe, a um tempo a Inagawa-kaï vem tendo comportamentos suspeitos e agora um deles estava nos vigiando, mas eu tenho certeza que há muitos outros nessa tarefa.

— Então você está supondo que a Inagawa-kaï está "se tornando" como a Sumiyoshi-kai?

Sumiyoshi-kai é a segunda maior família da Yakuza, inimiga de morte da Yamaguchi-gumi, a primeira maior família da Yakuza. E agora Inagawa-kaï, a terceira maior família da Yakuza e Towa-Kai, a quarta e última maior família da Yakuza, estavam em uma situação semelhante.

— Eu estou afirmando. — Falou firme.

— Por que tem tanta certeza? Qual seria o motivo deles para nos odiar? — Lee desconfiava que seu pai estava lhe escondendo algo. — Sempre tivemos certa rixa com eles, mas nunca a esse ponto.

— Eu não sei o que eles estão planejando, mas eu não posso permitir que fiquem nos espionando.

— Eles têm aproximadamente 177 clãs e nós 6. Seis mil membros a mais do que nós. São a terceira maior família da Yakuza e nós a quarta. — Lembrou. — Acho que estamos em desvantagem.

— Temos algo a nosso favor... — Oyabun sorriu de canto. — Estamos na Coréia, esse é nosso território. Mesmo que uma parte da Inagawa-kaï esteja aqui expandindo seus negócios, ainda temos mais contatos e meios. Eles estão em campo inimigo. Kakuji fez uma jogada perigosa. — Falou a última frase quase em um sussurro.

Satoru Nomura, Oyabun da família Towa-kai e Kakuji Inagawa, Oyabun da Inagawa-kaï. Jooheon estava ciente da rivalidade dos dois, mas nunca soube o motivo.

— Toma, aqui está o endereço do hospital. — Lhe entregou um papel, o qual ele leu e guardou no bolso interno do blazer. — Leve Shownu e Minhyuk com você.

— O que? — Falou incrédulo. — Eu posso fazer isso sozinho, é só um cara.

— Você não sabe que "cara" é. — Satoru mexia em seus papeis sem dar muita atenção a Jooheon.

— Não deve ser grande coisa, Minhyuk atirou nele. — Retrucou. Agora ganhando a atenção de seu Oyabun.

— Não subestime Minhyuk e principalmente... — Inclinou seu corpo sobre a mesa, olhando sério para o Lee. — Não subestime seu inimigo.

Jooheon engoliu seco e assentiu. Às vezes seu pai era assustador.

— Agora vá, e não se atrase. Ele pode não estar mais lá quando você chegar.

Algo dizia que seu pai sabia quem era, mas não contou. Jooheon se levantou dando uma curta reverencia e saiu de seu escritório, passando pela secretaria que lhe sorriu, ele não fez questão de devolver o sorriso.

No estacionamento falou para seu motorista de meia idade (cujo não lembrava o nome) tirar uma folga. Mesmo protestando, o homem acabou cedendo. Jooheon gostava de dirigir e as vezes se sentia muito sufocado cercado de "servos".

Pegou o celular e mandou uma mensagem para Shownu e Minhyuk dizendo que ele passaria em uma cafeteria e então iria para o hospital. Teve que ouvir Shownu reclamar sobre "a missão primeiro", mas desligou a ligação antes que ele continuasse. Não é como se ele fosse fugir depois de ter levado dois tiros. Pensou.

Procurou por uma cafeteria nas redondezas e encontrou uma que parecia boa, nada muito chamativo ou caro, algo simples. Um carro acabara de deixar a vaga e Jooheon aproveitou para usa-la. Ele estava na entrada da cafeteria, pronto para entrar, quando um ser pouco mais baixo que Jooheon esbarra abruptamente contra si. O impacto foi forte o bastante para derrubar o indivíduo no chão esparramando suas coisas na calçada e fazer Jooheon se desiquilibrar. A pior parte foi a terrível dor no nariz que ele estava sentindo. Que cabeça mais dura!

— Mas que merda! — Exclamou pela surpresa e dor.

— Desculpe. — Pediu, fazendo uma careta, provavelmente pelo impacto no chão.

— Desculpa?! Você quase quebrou meu nariz! — Sim, era exagero, mas Jooheon se sentia ultrajado.

— Não seja tão dramático.

— Você disse o que?! — Não era como se ele fosse famoso, mas as pessoas não costumavam o tratar daquela forma, seja por respeito ou medo.

O rapaz engoliu à seco — Olha, eu estou com muita pressa agora.

De forma atrapalhada ele juntou os papeis e pertences do chão, apenas o socando dentro da bolsa. Jooheon não duvidava que ele realmente estivesse com pressa, afinal nem se importou de seu celular ter trincado. Quando ele se levantou, Jooheon finalmente reparou melhor no rapaz. Olhando-o da cabeça aos pés, ele notou suas vestimentas simples, mas que lhe caíam perfeitamente bem; seus cabelos castanho-claros, que dependendo da luz ficavam levemente loiros, sua pele era bem clara; reparou no formato do rosto, e do corpo. Ele era alto e magro, mas não esquelético, lábios finos, mas atrativos, olhos puxados de forma fofa, mas que ao mesmo tempo lhe dava um ar sério e de insignificância. Mesmo que não gostasse de admitir, ele fazia o seu tipo. Jooheon logo afastou esses pensamentos.

— Você sabe com quem está falando? — Estalou a língua. Ele não sabia se estava surpreso ou irritado.

— Não sei e não me importo. — Ajeitou corretamente sua bolsa no ombro, sua expressão era de total insignificância. — Agora, se me dá licença, eu preciso ir. Obrigado.

Jooheon cogitou a ideia de lhe impedir. Ninguém o tratava daquela forma e ficava por isso mesmo. Mas achou que seria muito idiota. Ele não precisava ir tão longe por algo tão banal, seria futilidade demais e perda de tempo, então apenas deu de ombro e se virou para continuar o caminho, mas ao ver algo no chão se agacha, notando ser um cartão de bater ponto. Havia um nome escrito: Lim Changkyun.

Sussurrou — Changkyun... — Olhou para a direção em que ele saiu e guardou o cartão no bolso do blazer junto com o papel que seu pai lhe deu.

Pediu um café expresso e torradas. Aquela era uma cafeteria das quais ele raramente frequentava. Era quieta e com pouco movimento. Enquanto tomava café sem pressa alguma, Shownu lhe mandou uma mensagem.

[Shownu-hyung] Nós já estamos na frente do hospital

[Shownu-hyung] Onde você está?

Estou chegando! [Jooheon]

[Shownu-hyung] Se apresse!!!

Yep ;) [Jooheon]

Terminou o café em cinco minutos e em dez já estava em frente ao hospital. Pegou sua Desert Eagle no porta luvas e pôs nas costas, na barra da calça, escondendo com a blusa e o blazer por cima. Assim que saiu do carro Shownu e Minhyuk foram até ele.

— Se fosse caso de vida ou morte já estaríamos ferrados. — Shownu falou.

— É por isso que você é o "líder". — Jooheon virou para Minhyuk. — Hey, parabéns, rastreou e atirou no espião. — Deu um soquinho em seu braço.

— É... Ahm... Valeu. — Coçou a nuca.

— Okay, sejam discretos e não ameacem civis. — Shownu recarregou sua arma.

— Hey, vai entrar com isso no hospital? — Apontou para a arma de Shownu e notou que Minhyuk também estava com a arma na mão. — Isso é o oposto de discreto e não ameaçador.

Shownu tirou algo do bolso interno de seu casaco e o estendeu em frente ao rosto de Jooheon.

— Somos da polícia. — Mostrou o distintivo falso na carteira.

— Legal.

— Toma, esse é o seu. — Minhyuk entregou um igual para Jooheon, exceto pelo nome, que estava com um falso também.

Assim que o pegou guardou no bolso da calça, afinal duvidava que algo mais coubesse no bolso de seu blazer. Os três entraram no hospital e assim que as pessoas os olharam aterrorizadas por conta de suas armas, ambos mostraram seus distintivos e elas pareceram se acalmar um pouco. Shownu pediu para que continuassem a trabalhar normalmente e que seria "jogo rápido". Mesmo contrariados eles obedeceram.

Vasculharam os quartos dos pacientes sem saber ao certo quem estavam procurando, mas Shownu sabia. Passaram de pavimento em pavimento até chegar no terceiro andar, Jooheon procurava pelos da direita e Shownu e Minhyuk nos quartos da esquerda, não demorou para Shownu lhe gritar que havia achado e quando Jooheon chegou, notou duas coisas.

Um: o "espião" era na verdade Gunhee, seu antigo amigo que ele adoraria desferir um soco na cara e dois: o recém feito de refém era Lim Changkyun, o cara que esbarrou em si.

A situação estava complicada. Shownu havia dado ordens para não ameaçar (e isso inclui ferir) civis, e embora Lee não fosse bom em seguir ordens, resolveu que era uma boa ideia cumpri-las dessa vez. Mas não tinha certeza se Changkyun era apenas um civil. Ele estava com muita pressa quando se tromparam e agora estava no quarto hospitalar de Gun, seu antigo amigo e agora rival, que fazia espionagens em nome da Inagawa-kaï. A ideia de ser um falso refém era muito fácil de acreditar, até porque já aconteceu antes. Como havia muitos membros em todas as 4 famílias da Yakuza, Changkyun poderia ser da Inagawa-kaï, Gun havia dito: "não mataria um dos seus, mataria?!", então era possível que Changkyun fosse da Towa-kai e nem um dos três soubessem, pois como já dito, o número de membros é enorme e é quase impossível conhecer todo mundo.

A coisa mais grave dentro da Yakuza é traição, conclusão: se Changkyun fosse da Towa-kai e deixassem ele ser morto, seria como se eles mesmo tivessem o matado e isso é terrível de todas as formas, se ele fosse de uma das outras três famílias e fosse morto, uma guerra poderia começar. "Mata um dos meus, eu mato um dos teus! ", esse era o lema. E se Changkyun fosse apenas um civil (coisa que Jooheon duvidava um pouco) e fosse morto, eles teriam complicações com a polícia e embora pudessem se safar com subornos ou ameaças, não seria nada agradável esse processo. A melhor saída deles era salvar o refém, mas não poderiam deixar o espião escapar.

— Solte ele, Gun. — Shownu proferiu.

— Você é idiota se acha que eu farei isso, Shownu. — Sorriu de canto.

— Estamos em três e armados. — Minhyuk falou.

— O que vai fazer? Atirar em mim de novo? — Riu. — Se quiser me matar terá que matar ele junto.

Changkyun estava pálido e Jooheon quase sentiu pena dele.

— Não temos nada a perder, ele não é um dos nossos. — Jooheon não tinha certeza, mas era sua melhor cartada.

— Está blefando.

— Quer apostar? — Jooheon se aproximou, mesmo com os protestos de Shownu e Minhyuk.

— J-Jooheon, você não pode me deixar morrer. — Changkyun praticamente choramingou. Seus olhos umedecidos o diziam que ele estava muito assustado e forçando para se manter controlado. Changkyun lembrou-se de como Gunhee havia chamado o cara em quem ele esbarrou, e como era o único que ele conhecia (ou quase isso) ele tentou arriscar pedir ajuda.

Jooheon hesitou por um momento. Son Gunhee sorriu.

— Viu, ele te conhece. Não adianta mentir, ele é um dos seus.

Droga Changkyun! Não tinha como Jooheon mentir ou inventar algo, mesmo que ele tivesse quase certeza que Lim Changkyun não era da Towa-kai, não adiantaria dialogar com Gun. Ele teria só uma chance. Ou completava a missão matando Gun agora e consequentemente Changkyun, ou deixava ele escapar e salvava o estúpido que quase quebrou o seu nariz.

Mais um sorriso sarcástico de Gun — E então... O que vai ser?

*
*
*

Olá, eu me chamo Débora, mas podem me chamar de Mochi <3

Então, eu serei breve... Essa fanfic é de minha autoria e está sendo postada (atualmente com 40 capítulos) no site Social Spirit.

Link: https://www.spiritfanfiction.com/historia/black-x-white-8204500

Eu não sei muito bem como funciona o Wattpad, então peço sua compreensão e apoio para que essa história possa continuar a ser postada. Por favor deixe seu feedback, pois ele é muito importante para mim! <3

Obrigada a quem deu uma chance a essa fanfic e desculpem os erros na escrita, eu corrijo muitas vezes mas sempre deixo passar algo por conta da minha leve dislexia.

Beijos e até, talvez, o próximo capítulo

Eu criei um "trailer" para a fanfic, mas não sou boa com edições de vídeo, então ele acabou ficando um poco grande, mas espero que gostem <3

Trailer 1: Black X White: https://www.youtube.com/watch?v=jkOdWdK5OeE 

Trailer 2: Changkyun: https://www.youtube.com/watch?v=muQY3AoctRQ 

Trailer 3: Jooheon: https://www.youtube.com/watch?v=iZ2HCKrvFHU 

É isso, até.

Lee Jooheon Nomura, 26 anos, Kobun (filho adotivo) de Satoru Nomura e consequentemente pertencente a quarta maior família da Yakuza (a maior organização criminosa do mundo, a máfia japonesa), a Towa Yuai Jigyo Kumiai (東亜友愛事業組合), ou mais popularmente conhecida: Towa-kai (東亜会).

Towa-kai tem mais de mil membros e é dividida em 6 clãs. Seu Oyabun (pai) atual é o Satoru Nomura. Fundada em 1948 por Hisayuki Machi, de origem coreana, e por isso é composta principalmente por membros de ascendência coreana.

A estrutura da Yakuza é piramidal, com um líder no topo e diferentes posições abaixo dele. No topo está o Oyabun (pai). Abaixo dele está o Kobun (filho adotivo) e sua relação com o Oyabun é de lealdade incondicional e obediência cega. Em troca, o Kobun recebe proteção e favores de Oyabun.

Abaixo está o Saiko-Komon (administrador do clã), o Wakagashira (gerente do clã) e Shateigashira (segundo gerente do clã). Abaixo deles estão o Shingin (assessor), Kaikei (contador) e por último, os Kyodai (irmãos mais velhos), os Shatei (irmãos mais novos) e os Wakashū (jovens líderes).

Jooheon foi adotado muito novo — aos 7 anos — e com isso acabou se acostumando rápido com os métodos da Yakuza, tendo uma hierarquia invejável na organização. Facilmente conseguia o que queria, entretanto também possuía grandes responsabilidades e deveres a cumprir, já havia se acostumado com as constantes exigências de seu pai. Para o homem ele era seu herdeiro, braço direito e um de seus homens mais experientes e habilidosos, portanto era normal que ele fosse mandado à maioria das missões, principalmente as mais complicadas.

.

O barulho repentino de uma música country rock do início dos anos 80 ecoou pelas paredes do escritório e despertou abruptamente o rapaz de cabelos castanho-escuros de seu sono. Soltando um xingamento por ter batido o cotovelo no braço da cadeira, estendeu a mão e alcançou seu celular ao lado de seu notebook. Era o gerente de seu pai.

— Seung-hyun, o que devo a honra de sua ligação ás... — Olhou para o relógio digital ao lado da porta. — Oito e Trinta e Sete da manhã?

Seung suspirou como se lidar com Jooheon o deixasse extremamente exausto. — A reunião. Você está atrasado. — E desligou o celular.

— Merda. — Soltou exasperado.

Com um pulo levantou-se de sua cadeira estofada — não foi uma boa ideia, ele descobriu que dormir em sua mesa de trabalho não era confortável —, atravessou a porta de seu escritório doméstico correndo pelo corredor de seu apartamento até chegar a suíte principal e atacar o guarda-roupa. Se tinha algo que Jooheon era realmente bom, era em esquecer-se dos compromissos relacionados a empresa de seu pai, onde era filial. Sem tempo para tomar banho, apenas trocou suas roupas casuais para uma camisa de linho branca e um blazer cinza por cima, calça jeans surradas e tênis fechado de ocasião. Penteou os cabelos com os dedos e com a escova de dentes na boca e uma pasta abarrotada de papeis desorganizados correu para o elevador, com a porta fechando automaticamente atrás de si com um simples "bip".

Ele morava no hotel do shopping principal de Gangnam-gu, a mensalidade era cara, mas nada que o filho de um CEO/Chefe da máfia japonesa, não pudesse pagar. Por ser no shopping, o movimento era sempre constante, o elevador agora possuía mais quatro passageiros que indiscretamente o encaravam.

Tirou a escova da boca para falar — Tem alguma coisa na minha cara?! — Perguntou em tom desafiador.

No mesmo instante os olhares se dissiparam. As portas se abriram no térreo, Jooheon desceu apressado e jogou a escova na lixeira mais próxima. Sempre se pode comprar uma nova.

— Jovem mestre. — Três homens engravatados e engomados se reverenciaram exageradamente, um deles lhe entregou um copo descartável com café expresso do Starbucks.

Lee abriu a tampa, e com as bochechas cheias de café fez gargarejo e cuspiu de volta para o copo, entregando-o em seguida para um dos pinguins humanos.

— Traga o carro. — Exigiu. Se chegasse atrasado novamente (coisa que já estava), as possibilidades de seu pai lhe deserdar eram enormes.

— Sim, jovem mestre. — Um deles (ele não conseguia diferencia-los) se reverenciou, ditou alguns comandos em seu headset e correu para fora apressadamente.

Assim que uma vez fora do shopping, a BMW M6 Gran Coupé preta-esmalte já lhe esperava estacionada e com um chofer de meia idade — que para Jooheon parecia da última idade — vestindo paletó, abriu a porta traseira. Jooheon entrou e disse apenas um curto e rápido:

— POSCO.

O chofer não precisou perguntar nada, já sabia onde era o destino de seu mestre. A empresa POSCO. E a julgar pela sua expressão facial, que lhe lembrava uma criança com dor de estomago, deduziu que o rapaz estava atrasado e pela segurança de seu ganha-pão (julgo emprego), ele acelerou.

.

.

.

— Emergência no pavimento três. — Uma voz feminina soou no Walkie Talkie e Changkyun o pegou, apertando o botão com um chiado e reproduziu sua voz.

— Dr. Lim na escuta. — Anunciou. — Estou a caminho.

— Mais uma cirurgia? — Atrás do balcão um pediatra gordinho, por volta de seus 35 anos, de barba malfeita e óculos redondos — Dr. Jung — lhe sorriu, limpando os farelos do biscoito recém comido de seu jaleco de bichinhos.

— Sim, é a terceira do dia. Eu estou exausto. — Assumiu em um suspiro cansado.

Sem mais demora Changkyun correu até o elevador, a sala cirúrgica já estava pronta. Chang remangou as mangas de seu jaleco, trocou os sapatos extremamente brancos da Adidas por propés descartáveis esverdeados, gorro da mesma cor, mascara branca, lavou as mãos com PVPI e após isso calçou as luvas brancas de elástico. Entrou na sala e uma auxiliar pôs os óculos com lupa binocular e luz em seu rosto.

— Relato do estado do paciente. — Pediu.

— Noventa e seis Batimentos por segundos. O quadro é estável, mas ele está perdendo muito sangue. — Informou um dos doutores auxiliares.

— Pressão arterial de 60/40 mmHg. — Informou outro médico. — O paciente foi atingido por dois tiros, um no ombro e outro no fígado. Temos que realizar a cirurgia antes que ele tenha uma hemorragia interna.

— Vamos começar. — Se aproximou do corpo masculino inconsciente e estendeu a mão direita para seu auxiliar. — Bisturi.

.

Após longas quatro horas de cirurgia, o paciente se encontrava em um estado estável e descansando em um dos quartos hospitalares, ele teria que ficar em observação, embora não corresse sérios riscos de vida. O paciente não possuía nem uma forma de identificação, portanto precisavam ficar de olho.

A cirurgia em si não foi complicada, Changkyun tinha maestria no que fazia, portanto não foi uma tarefa difícil para ele. Apesar de sua idade — 24 anos —, ele possuía respeito e alguns prêmios como cirurgião geral. Muitos achavam este fato surpreendente. Como alguém tão novo como ele conseguiu ser cirurgião? Alguns até achavam que era algum tipo de conspiração, sorte, suborno ou que ele era simplesmente filho de um cara rico. Chang não se importava com o que os outros achavam.

Deu meio-dia, final do expediente de Changkyun nas segundas, terças e quartas e rapidamente ele se apressou para trocar de roupa. Guardou seu jaleco, pendurou sua bolsa transversal cor caqui em seu ombro direito, pegou as chaves de seu apartamento e de sua Mitsubishi ASX branca e passou na recepção, dando um rápido recado para que o ligassem caso seu paciente acordasse.

Pegou seu carro no estacionamento e dirigiu até a cafeteria mais próxima. Estava razoavelmente bem vestido: calça jeans surrada, camisa de flanela vermelha e seus tênis brancos da Adidas. Mesmo que ele precisasse urgentemente de um banho (em sua opinião), a fome falava mais alto e ele sabia que estava sem comida em casa.

Em menos de quinze minutos ele já estava de frente à cafeteria procurando uma vaga para estacionar, não haviam muitas e as que haviam estavam ocupadas e quando Changkyun finalmente encontrou, um carro roubou a sua vaga.

— Só pode estar me zoando. — Bufou e foi obrigado a estacionar mais longe.

O típico cheiro de grão queimado invadiu as narinas de Chang assim que entrou na cafeteria com letreiro de bambu, escrito ChicagoCoffe. O local era mais do que familiar para ele, diariamente o frequentava, principalmente nos dias em que fazia plantão, quando tirava uns minutinhos para descansar. A decoração era rustica e aconchegante, como uma cafeteria deve ser. Mesas de madeira de eucalipto redondas, cadeiras estofadas em um tom pastel esverdeada, paredes de gesso decoradas com fotografias de paisagens e xícaras de café, pequenas prateleiras de livros e pichações de girassóis, piso de madeira polida e grandes janelas de vidro dando vista para a rua.

— Vai pedir o de sempre? — A simpática garçonete se aproximou da mesa onde Lim já estava devidamente sentado.

— Sim, obrigado. — Sorriu para a moça que se retirou e em menos de dez minutos voltou com seu pedido: café macchiato e panquecas com xarope.

Changkyun adorava aquela cafeteria, era diferente da maioria das outras da Coreia, pois era 100% americana. Lhe lembrava seus anos em Boston, onde viveu parte de sua vida em um orfanato de freiras, e por conta disso sempre lhe trazia um aconchego e nostalgia. Tomou seu café calmamente, observando o movimento dos carros na rua e as poucas pessoas que estavam presentes, conversando, bebendo e lendo livros mais afastadas. Seu celular vibra com uma chamada em cima da mesa.

— Yeoboseyo.

— Chang, vem correndo para cá! — A voz de Jung-hoon (Dr. Jung) soava alarmada.

Changkyun sentou-se ereto na cadeira, prestando total atenção no que lhe era dito. — O que aconteceu?

— O paciente do quarto 32 acordou. — Chang franziu as sobrancelhas. Isso não era algo bom? — Só que...

— "Só que " o que? O que aconteceu?

— É difícil de explicar, é melhor você vir logo.

— Tudo bem, eu chego em quinze minutos. — Changkyun ficou um tanto surpreso por seu paciente já ter acordado, não fazia nem duas horas desde a cirurgia.

Levantou depressa, deixando o pagamento com provável quantia a mais em cima da mesa, pegou sua bolsa transversal que estava pendurada na cadeira e a pôs de forma não transversal — por conta da pressa — no ombro esquerdo, saindo da cafeteria em passos rápidos, consequentemente esbarrando em alguém logo na entrada do estabelecimento. O contato foi tão forte que fez Chang cair de bunda no chão e derrubar o celular e a bolsa, espalhando seus pertences e documentos no chão, enquanto o outro apenas se desequilibrou.

— Mas que merda! — O rapaz cobria o nariz com a mão.

— Desculpe. — Pediu, fazendo uma careta pelo impacto no chão.

— Desculpa?! Você quase quebrou meu nariz!

— Não seja tão dramático. — Chang finalmente olhou para o rapaz e quase se arrependeu de ter dito aquilo.

O rapaz era uns dois centímetros mais alto que Changkyun, perfeitamente arrumado, sapatos pretos, calça jeans, camisa branca e um blazer cinza por cima, seus cabelos estavam bagunçados de um modo atrativo, físico invejável, lábios rosados e fartos, pele clara (mas não tanto quanto a sua) e o que mais lhe chamou a atenção e lhe fez subir um frio na espinha. Os olhos. Seus olhos eram escuros e bem puxados, eram lindos, mas ao mesmo tempo assustador.

— Você disse o que?! — Seu olhar era quase assassino, lhe fuzilando ameaçadoramente.

Lim engoliu à seco, mas continuou. — Olha, eu estou com muita pressa agora.

Colocou todos os pertences e papeis de volta na bolsa e recolheu seu celular (agora com a tela trincada) do chão e levantou-se. O rapaz que aparentava ter sua idade lhe olhou da cabeça aos pés. Parecia pensativo, mas logo essa expressão mudou para indignação e talvez surpresa.

— Você sabe com quem está falando? — Estalou a língua.

Changkyun odiava esse tipo de pessoa. Quase deixou escapar uma careta de nojo, mas se segurou, dando lugar para sua típica expressão de poker face.

— Não sei e não me importo! — Ajeitou a bolsa corretamente, agora transversalmente. — Agora, se me dá licença, eu preciso ir. Obrigado.

Sem deixar o outro retrucar, apenas deu as costas e andou a passos rápidos. Conhecia o tipo dele: encrenqueiro e fútil. Sabendo disso era provável que ele não o deixasse ir embora tão facilmente, mas felizmente não foi o que aconteceu.

Assim como prometido, em quinze minutos ele já estava no hospital, não precisou nem procurar pelo Dr. Jung, pois assim que entrou ele correu em sua direção.

— O que aconteceu? — Perguntou novamente.

— O paciente acordou, mas está muito agitado. — Explicou. — Ele está falando coisas sem sentido e tentando fugir e também está... — Pareceu pensar em como contar.

— Tudo bem, deixe comigo.

Changkyun pegou o elevador no andar designado e foi até a sala de seu paciente, de longe ele já podia ver a movimentação agitada das enfermeiras fora da sala tentando entrar para aplicar um tranquilizante. Um enfermeiro e uma enfermeira estavam lá dentro, mas não conseguiam acalma-lo e pelos altos barulhos Chang deduziu que ele deveria estar dando muito trabalho. Se aproximou da porta então viu a situação. O paciente estava devidamente acordado e pelado. Sim, completamente pelado.

Se virou para as enfermeiras e o enfermeiro que agora saíram da sala — Sem tranquilizantes, deixa que eu cuido disso.

— Mas, Dr. Lim... — Uma enfermeira protestou.

— Deixa comigo. — Reforçou. — Podem voltar ao trabalho,

Assentiram e saíram. Changkyun não era psiquiatra nem psicólogo, mas achou que essa seria a melhor opção para acalma-lo. Só esperava estar certo.

Lim entrou no quarto e fechou a porta de correr atrás de si. Tentou ao máximo não olhar para a intimidade do homem, que agora ele percebera não ser tão velho assim. Na verdade parecia bem jovem.

— Hey, como você está? — Perguntou cautelosamente.

— Quem é você? Você veio me matar não foi?! — Sua pergunta parecia mais uma afirmação.

O rapaz era pouca coisa mais baixo que ele, seu corpo era, de forma não exagerada, musculoso. Mais um motivo para evitar uma aproximação. Seus cabelos eram negros e bem cortados, pele levemente clara e seus olhos eram castanho-escuros e puxados de forma felina, bem menos assustadora que o cara com quem Chang esbarrou, mas ainda sim assustadora.

— Não, meu nome é Lim Changkyun, eu sou médico. — Arriscou alguns passos para frente.

— Você não está parecendo um médico para mim. — Pegou uma tesoura de cortar gaze e apontou para Changkyun, imediatamente ele deu um pulo para trás e se amaldiçoou por não estar vestindo seu jaleco.

— Espera, eu posso provar. — Mexeu em sua bolsa, procurando seu cartão de bater ponto no hospital.

Droga. Ele havia perdido o cartão e para piorar o rapaz deduziu como ameaça ele estar mexendo na bolsa, como se fosse tirar uma arma de lá, e jogou a tesoura em direção ao seu rosto. Changkyun não sabia como, mas havia desviado, com o coração na mão.

— Quem te mandou aqui? Foi Satoru, não foi?!

— Olha, se acalma, tudo bem? Eu não vou fazer mal a você

— Quem é você? — Cerrou os punhos.

— Por que você não veste uma roupa primeiro? Aí eu te explico tudo.

O paciente lhe olhou da cabeça aos pés, cogitando essa ideia e então assentiu. Provavelmente concluiu que Changkyun não era uma ameaça, ele só não sabia se se sentia aliviado ou ofendido por isso. Chang lhe entregou uma peça de roupas extras de um dos médicos, e um tênis cinza dos achados e perdidos. Agora ambos estavam sentados em camas do hospital, um de frente para o outro.

— E então? — Cruzou os braços e Chang respirou fundo.

— Como eu já disse, eu sou médico. Cirurgião geral. — Falou novamente. — Você apareceu aqui com duas balas alojadas em seu corpo, um no ombro e outro no fígado, eu fui o médico que realizou a sua cirurgia e eu não estou de jaleco pois já terminei o meu expediente.

— Então por que está aqui se não precisa mais trabalhar? — Ele parecia estar se convencendo, embora ainda desconfiado, então continuou.

— Me ligaram para voltar ao hospital, pois um dos meus pacientes havia acordado e estava causando confusão.

O homem/rapaz corou como se só agora estivesse envergonhado de ter estado nu.

— Tudo bem, eu acredito em você, mas agora tenho que ir embora. — Levantou-se, mas Chang o impediu.

— Hey, espera aí. — Parou na frente do rapaz, para que ele não passasse. — Você não pode sair assim. Não completou sua ficha nem pagou o hospital e principalmente não recebeu alta ainda.

O rapaz lhe olhou meio confuso mas concordou com a cabeça.

— Meu nome é Song Gun Hee, tenho 27 anos. — Falou normalmente. — Pronto, ficha pronta. E quanto ao dinheiro, não se preocupe, eu pagarei.

— Você ainda não recebeu alta, precisa descansar. — Insistiu, mas duvidava que fosse o convencer.

— Eu estou bem.

A porta foi aberta abruptamente logo depois de dizer isso. Dois homens trajando roupas escuras tinham suas armas apontadas para Gun. Ambos, Chang e Gun, petrificaram.

— Achamos ele! — Um deles (o mais alto e forte) gritou.

Antes de Chang pensar em respirar novamente, um terceiro homem apareceu, mas não era qualquer homem, e sim o rapaz com quem ele havia esbarrado mais cedo.

O rapaz o fitou surpreso. — Você.

Gunhee o olhou com as sobrancelhas franzidas e em um movimento rápido passou o braço ao redor do pescoço de Chang, quebrou um copo de água batendo-o contra a parede e usou um caco como navalha contra seu pescoço. Se Chang já estava surpreso e assustado, agora piorou dez vezes e ele tinha a certeza que iria morrer ali mesmo. Pense pelo lado bom Chang, você está em um hospital. Mas esse pensamento não o fez se sentir melhor.

— Não se aproximem, ou eu mato ele. — Ameaçou.

O rapaz que esbarrou em Chang riu. — Quando me disseram que um membro da Inagawa-kaï havia sido baleado enquanto nos espionava, eu não achei que fosse você, Gun. — Seu rosto dera lugar a um sorriso sarcástico e cruel. — Está perdendo o jeito.

Chang já ouviu aquele nome antes, Inagawa-kaï, mas não se lembrava onde e nem o significado, mas tinha certeza que não era nada bom.

Gun praguejou um xingamento. — Cala a boca, Jooheon!

E agora Changkyun já sabia o nome do rapaz em quem esbarrou por acidente.

— Você está cercado, eu sugiro que se entregue. — O rapaz mais alto falou.

— Não mataria um dos seus, mataria? — Apontou com o queixo para seu refém. Os três franziram o cenho.

Changkyun não estava entendendo muito, mas não era burro e compreendeu que Gun achava que ele fazia parte do "grupo" dos outros e vice-versa.

— Olha, eu não tenho nada a ver... — Gunhee apertou mais o braço no pescoço de Chang, o calando imediatamente.

Os três rapazes se entreolharam depois olharam para Chang e enfim para Gun. O mais alto deles falou:

— Solte ele Gun.

— Você é idiota se acha que eu farei isso, Shownu. — Sorriu de canto, mesmo estando em clara desvantagem. Changkyun duvidava que Gunhee pudesse ganhar de três homens armados apenas com um caco de vidro.

.

.

.

— Se atrasou novamente, Jooheon. — Satoru reclamou.

Após a reunião em que Jooheon chegou atrasado, seu pai o chamou em seu escritório. Jooheon rezava para não ter que ficar ouvindo mil e um sermões.

— Estava muito ocupado. — Deu de ombros.

Diferente do que a maioria das pessoas acham, a Yakuza não pratica somente crimes e os métodos de antigamente mudaram com o tempo. O ritual de Yubitsume (cortar o dedo mindinho fora como punição) era raramente utilizado, a "tradição" de tatuar o corpo por meio de Irezumi (uma prática artesanal muito dolorosa e honrosa para membros da Yakuza) não era obrigatória e era feito com menos frequência, embora a maioria dos membros tenham algumas tatuagens feitas por esse método. E quanto ao Kobun ter o dever de manter uma lealdade inabalável e de obediência absoluta ao Oyabun, tendo que estar dispostos até a sacrificar sua vida pelo bem-estar de seu senhor, isso ainda era válido, mas de forma menos rigorosa e embora Jooheon provavelmente arriscasse sua vida pela de seu pai, ele não era tão obediente quanto deveria.

— Quantas vezes eu já falei para ser mais responsável? — Suspirou. — Você é meu sucessor, Kobun, a segunda maior patente deste clã. Deve ser um exemplo de disciplina para os demais.

— Eu sei, me desculpa, prometo não me atrasar mais.

Satoru sabia que não era verdade e Jooheon sabia que não havia o enganado ou convencido.

— É o que eu espero. — Falou, entretanto. Apontou para a poltrona de frente para sua mesa e Jooheon se sentou, apoiando um pé no joelho e cruzando os braços. Parecia intediado. — Seung-hyun já deve ter lhe informado sobre o roubo na joalheria e as espionagens da Inagawa-kaï. — Jooheon assentiu.

— Ele me falou.

— Pois bem, Minhyuk rastreou o espião e descobriu que ele também é responsável pelo assalto à joalheria.

— Legal e onde ele está? — Perguntou distraidamente.

— No hospital, Minhyuk atirou nele... duas vezes. — Nesse exato momento Jooheon caiu na gargalhada, mas a julgar pela expressão indiferente do pai, provavelmente ele estava falando a verdade.

— Espera! O Minhyuk atirou nele? — Controlou o riso. — O Minhyuk?! — Enfatizou o nome.

— Sim, o Minhyuk. Shownu o treinou bem. — Admitiu.

A surpresa de Jooheon foi por conta de Minhyuk sempre ter sido "paz e amor". Ele nem sabia ao certo como ele entrou para Towa-kai. Mas tinha que admitir que Shownu sempre foi muito bom em tudo que fazia, por conta disso, e da clara responsabilidade que Jooheon nunca teria) ele liderava a maioria das missões, mesmo Jooheon tendo uma hierarquia maior (ele não admitiria que sente inveja). De qualquer forma, ficou orgulhoso por Minhyuk. Não que atirar em alguém fosse algo para se orgulhar.

— Então você está querendo que eu vá a esse tal hospital. — Adivinhou.

— Exatamente. — Assentiu. — Como sabe, a um tempo a Inagawa-kaï vem tendo comportamentos suspeitos e agora um deles estava nos vigiando, mas eu tenho certeza que há muitos outros nessa tarefa.

— Então você está supondo que a Inagawa-kaï está "se tornando" como a Sumiyoshi-kai?

Sumiyoshi-kai é a segunda maior família da Yakuza, inimiga de morte da Yamaguchi-gumi, a primeira maior família da Yakuza. E agora Inagawa-kaï, a terceira maior família da Yakuza e Towa-Kai, a quarta e última maior família da Yakuza, estavam em uma situação semelhante.

— Eu estou afirmando. — Falou firme.

— Por que tem tanta certeza? Qual seria o motivo deles para nos odiar? — Lee desconfiava que seu pai estava lhe escondendo algo. — Sempre tivemos certa rixa com eles, mas nunca a esse ponto.

— Eu não sei o que eles estão planejando, mas eu não posso permitir que fiquem nos espionando.

— Eles têm aproximadamente 177 clãs e nós 6. Seis mil membros a mais do que nós. São a terceira maior família da Yakuza e nós a quarta. — Lembrou. — Acho que estamos em desvantagem.

— Temos algo a nosso favor... — Oyabun sorriu de canto. — Estamos na Coréia, esse é nosso território. Mesmo que uma parte da Inagawa-kaï esteja aqui expandindo seus negócios, ainda temos mais contatos e meios. Eles estão em campo inimigo. Kakuji fez uma jogada perigosa. — Falou a última frase quase em um sussurro.

Satoru Nomura, Oyabun da família Towa-kai e Kakuji Inagawa, Oyabun da Inagawa-kaï. Jooheon estava ciente da rivalidade dos dois, mas nunca soube o motivo.

— Toma, aqui está o endereço do hospital. — Lhe entregou um papel, o qual ele leu e guardou no bolso interno do blazer. — Leve Shownu e Minhyuk com você.

— O que? — Falou incrédulo. — Eu posso fazer isso sozinho, é só um cara.

— Você não sabe que "cara" é. — Satoru mexia em seus papeis sem dar muita atenção a Jooheon.

— Não deve ser grande coisa, Minhyuk atirou nele. — Retrucou. Agora ganhando a atenção de seu Oyabun.

— Não subestime Minhyuk e principalmente... — Inclinou seu corpo sobre a mesa, olhando sério para o Lee. — Não subestime seu inimigo.

Jooheon engoliu seco e assentiu. Às vezes seu pai era assustador.

— Agora vá, e não se atrase. Ele pode não estar mais lá quando você chegar.

Algo dizia que seu pai sabia quem era, mas não contou. Jooheon se levantou dando uma curta reverencia e saiu de seu escritório, passando pela secretaria que lhe sorriu, ele não fez questão de devolver o sorriso.

No estacionamento falou para seu motorista de meia idade (cujo não lembrava o nome) tirar uma folga. Mesmo protestando, o homem acabou cedendo. Jooheon gostava de dirigir e as vezes se sentia muito sufocado cercado de "servos".

Pegou o celular e mandou uma mensagem para Shownu e Minhyuk dizendo que ele passaria em uma cafeteria e então iria para o hospital. Teve que ouvir Shownu reclamar sobre "a missão primeiro", mas desligou a ligação antes que ele continuasse. Não é como se ele fosse fugir depois de ter levado dois tiros. Pensou.

Procurou por uma cafeteria nas redondezas e encontrou uma que parecia boa, nada muito chamativo ou caro, algo simples. Um carro acabara de deixar a vaga e Jooheon aproveitou para usa-la. Ele estava na entrada da cafeteria, pronto para entrar, quando um ser pouco mais baixo que Jooheon esbarra abruptamente contra si. O impacto foi forte o bastante para derrubar o indivíduo no chão esparramando suas coisas na calçada e fazer Jooheon se desiquilibrar. A pior parte foi a terrível dor no nariz que ele estava sentindo. Que cabeça mais dura!

— Mas que merda! — Exclamou pela surpresa e dor.

— Desculpe. — Pediu, fazendo uma careta, provavelmente pelo impacto no chão.

— Desculpa?! Você quase quebrou meu nariz! — Sim, era exagero, mas Jooheon se sentia ultrajado.

— Não seja tão dramático.

— Você disse o que?! — Não era como se ele fosse famoso, mas as pessoas não costumavam o tratar daquela forma, seja por respeito ou medo.

O rapaz engoliu à seco — Olha, eu estou com muita pressa agora.

De forma atrapalhada ele juntou os papeis e pertences do chão, apenas o socando dentro da bolsa. Jooheon não duvidava que ele realmente estivesse com pressa, afinal nem se importou de seu celular ter trincado. Quando ele se levantou, Jooheon finalmente reparou melhor no rapaz. Olhando-o da cabeça aos pés, ele notou suas vestimentas simples, mas que lhe caíam perfeitamente bem; seus cabelos castanho-claros, que dependendo da luz ficavam levemente loiros, sua pele era bem clara; reparou no formato do rosto, e do corpo. Ele era alto e magro, mas não esquelético, lábios finos, mas atrativos, olhos puxados de forma fofa, mas que ao mesmo tempo lhe dava um ar sério e de insignificância. Mesmo que não gostasse de admitir, ele fazia o seu tipo. Jooheon logo afastou esses pensamentos.

— Você sabe com quem está falando? — Estalou a língua. Ele não sabia se estava surpreso ou irritado.

— Não sei e não me importo. — Ajeitou corretamente sua bolsa no ombro, sua expressão era de total insignificância. — Agora, se me dá licença, eu preciso ir. Obrigado.

Jooheon cogitou a ideia de lhe impedir. Ninguém o tratava daquela forma e ficava por isso mesmo. Mas achou que seria muito idiota. Ele não precisava ir tão longe por algo tão banal, seria futilidade demais e perda de tempo, então apenas deu de ombro e se virou para continuar o caminho, mas ao ver algo no chão se agacha, notando ser um cartão de bater ponto. Havia um nome escrito: Lim Changkyun.

Sussurrou — Changkyun... — Olhou para a direção em que ele saiu e guardou o cartão no bolso do blazer junto com o papel que seu pai lhe deu.

Pediu um café expresso e torradas. Aquela era uma cafeteria das quais ele raramente frequentava. Era quieta e com pouco movimento. Enquanto tomava café sem pressa alguma, Shownu lhe mandou uma mensagem.

[Shownu-hyung] Nós já estamos na frente do hospital

[Shownu-hyung] Onde você está?

Estou chegando! [Jooheon]

[Shownu-hyung] Se apresse!!!

Yep ;) [Jooheon]

Terminou o café em cinco minutos e em dez já estava em frente ao hospital. Pegou sua Desert Eagle no porta luvas e pôs nas costas, na barra da calça, escondendo com a blusa e o blazer por cima. Assim que saiu do carro Shownu e Minhyuk foram até ele.

— Se fosse caso de vida ou morte já estaríamos ferrados. — Shownu falou.

— É por isso que você é o "líder". — Jooheon virou para Minhyuk. — Hey, parabéns, rastreou e atirou no espião. — Deu um soquinho em seu braço.

— É... Ahm... Valeu. — Coçou a nuca.

— Okay, sejam discretos e não ameacem civis. — Shownu recarregou sua arma.

— Hey, vai entrar com isso no hospital? — Apontou para a arma de Shownu e notou que Minhyuk também estava com a arma na mão. — Isso é o oposto de discreto e não ameaçador.

Shownu tirou algo do bolso interno de seu casaco e o estendeu em frente ao rosto de Jooheon.

— Somos da polícia. — Mostrou o distintivo falso na carteira.

— Legal.

— Toma, esse é o seu. — Minhyuk entregou um igual para Jooheon, exceto pelo nome, que estava com um falso também.

Assim que o pegou guardou no bolso da calça, afinal duvidava que algo mais coubesse no bolso de seu blazer. Os três entraram no hospital e assim que as pessoas os olharam aterrorizadas por conta de suas armas, ambos mostraram seus distintivos e elas pareceram se acalmar um pouco. Shownu pediu para que continuassem a trabalhar normalmente e que seria "jogo rápido". Mesmo contrariados eles obedeceram.

Vasculharam os quartos dos pacientes sem saber ao certo quem estavam procurando, mas Shownu sabia. Passaram de pavimento em pavimento até chegar no terceiro andar, Jooheon procurava pelos da direita e Shownu e Minhyuk nos quartos da esquerda, não demorou para Shownu lhe gritar que havia achado e quando Jooheon chegou, notou duas coisas.

Um: o "espião" era na verdade Gunhee, seu antigo amigo que ele adoraria desferir um soco na cara e dois: o recém feito de refém era Lim Changkyun, o cara que esbarrou em si.

A situação estava complicada. Shownu havia dado ordens para não ameaçar (e isso inclui ferir) civis, e embora Lee não fosse bom em seguir ordens, resolveu que era uma boa ideia cumpri-las dessa vez. Mas não tinha certeza se Changkyun era apenas um civil. Ele estava com muita pressa quando se tromparam e agora estava no quarto hospitalar de Gun, seu antigo amigo e agora rival, que fazia espionagens em nome da Inagawa-kaï. A ideia de ser um falso refém era muito fácil de acreditar, até porque já aconteceu antes. Como havia muitos membros em todas as 4 famílias da Yakuza, Changkyun poderia ser da Inagawa-kaï, Gun havia dito: "não mataria um dos seus, mataria?!", então era possível que Changkyun fosse da Towa-kai e nem um dos três soubessem, pois como já dito, o número de membros é enorme e é quase impossível conhecer todo mundo.

A coisa mais grave dentro da Yakuza é traição, conclusão: se Changkyun fosse da Towa-kai e deixassem ele ser morto, seria como se eles mesmo tivessem o matado e isso é terrível de todas as formas, se ele fosse de uma das outras três famílias e fosse morto, uma guerra poderia começar. "Mata um dos meus, eu mato um dos teus! ", esse era o lema. E se Changkyun fosse apenas um civil (coisa que Jooheon duvidava um pouco) e fosse morto, eles teriam complicações com a polícia e embora pudessem se safar com subornos ou ameaças, não seria nada agradável esse processo. A melhor saída deles era salvar o refém, mas não poderiam deixar o espião escapar.

— Solte ele, Gun. — Shownu proferiu.

— Você é idiota se acha que eu farei isso, Shownu. — Sorriu de canto.

— Estamos em três e armados. — Minhyuk falou.

— O que vai fazer? Atirar em mim de novo? — Riu. — Se quiser me matar terá que matar ele junto.

Changkyun estava pálido e Jooheon quase sentiu pena dele.

— Não temos nada a perder, ele não é um dos nossos. — Jooheon não tinha certeza, mas era sua melhor cartada.

— Está blefando.

— Quer apostar? — Jooheon se aproximou, mesmo com os protestos de Shownu e Minhyuk.

— J-Jooheon, você não pode me deixar morrer. — Changkyun praticamente choramingou. Seus olhos umedecidos o diziam que ele estava muito assustado e forçando para se manter controlado. Changkyun lembrou-se de como Gunhee havia chamado o cara em quem ele esbarrou, e como era o único que ele conhecia (ou quase isso) ele tentou arriscar pedir ajuda.

Jooheon hesitou por um momento. Son Gunhee sorriu.

— Viu, ele te conhece. Não adianta mentir, ele é um dos seus.

Droga Changkyun! Não tinha como Jooheon mentir ou inventar algo, mesmo que ele tivesse quase certeza que Lim Changkyun não era da Towa-kai, não adiantaria dialogar com Gun. Ele teria só uma chance. Ou completava a missão matando Gun agora e consequentemente Changkyun, ou deixava ele escapar e salvava o estúpido que quase quebrou o seu nariz.

Mais um sorriso sarcástico de Gun — E então... O que vai ser?

*
*
*

 Olá, eu me chamo Kian<3

Então, eu serei breve... Essa fanfic é de minha autoria e está sendo postada (atualmente com 40 capítulos) no site Social Spirit.

Link: https://www.spiritfanfiction.com/historia/black-x-white-8204500

Eu não sei muito bem como funciona o Wattpad, então peço sua compreensão e apoio para que essa história possa continuar a ser postada. Por favor deixe seu feedback, pois ele é muito importante para mim! <3

Obrigada a quem deu uma chance a essa fanfic e desculpem os erros na escrita, eu corrijo muitas vezes mas sempre deixo passar algo por conta da minha leve dislexia.

Beijos e até, talvez, o próximo capítulo

Eu criei três "trailers" para a fanfic, mas não sou boa com edições de vídeo, então não estão lá essas coisas, mas espero que gostem <3
Os links estão aí, travou para mim pôr os vídeos aqui, mas quando sair da faculdade tento colocar.

Trailer 1: Black X White: https://www.youtube.com/watch?v=jkOdWdK5OeE 

Trailer 2: Changkyun: https://www.youtube.com/watch?v=muQY3AoctRQ 

Trailer 3: Jooheon: https://www.youtube.com/watch?v=iZ2HCKrvFHU 

É isso, até.

Continue Reading

You'll Also Like

7K 1K 64
+18 CONTEÚDO SENSÍVEL 𝙎𝙞𝙞 𝙨𝙤𝙨𝙥𝙚𝙩𝙩𝙤𝙨𝙤 𝙢𝙖 𝙣𝙤𝙣 𝙡𝙖𝙨𝙘𝙞𝙖𝙧𝙩𝙞 𝙩𝙧𝙖𝙙𝙞𝙧𝙚 Em um mundo onde a nova era dos mafiosos emerge...
251K 19.3K 52
No dia de estreia como super-heroina profissional, Harumi conhece Dynamight, um loiro agressivo, ignorante e orgulhoso. Todoroki pede pra garota ent...
4.2K 562 95
Cinco amigos, fartos do comportamento selvagem de seus alfas, recebem um cartão misterioso de uma mulher e decidem matriculá-los em uma escola de boa...
10K 1.7K 36
🥈 Vencedora do segundo lugar na categoria Ficção Geral no concurso Mistérios de Roma! 🥉Vencedora do terceiro lugar na categoria Ficção no concurso...
Wattpad App - Unlock exclusive features